“Entre Dezembro e Agosto, Américo Amorim ganhou trinta ou quarenta milhões de contos apenas devido à posição accionista que tomou na Galp, num negócio realizado a instâncias e com o apoio do Governo. Não acrescentou qualquer riqueza à empresa, não criou um posto de trabalho, não a geriu, não empenhou nela nem talento, nem esforço, nem risco. Nada: limitou-se a ver a sua posição accionista a valorizar-se e a cobrar dividendos excepcionais graças àquilo que para o comum das pessoas foi uma dificuldade acrescida – o aumento do preço dos combustíveis. Como a margem de lucro da Galp está indexada ao preço do petróleo na origem, a empresa ganha tanto mais dinhero quanto mais caro comprar o crude e quanto mais caro o vender aos consumidores. A Galp e Américo Amorim tiveram um ano excepcional, não porque a Galp tenha sido mais bem gerida ou feito melhores negócios, mas porque o Irão se transformou numa ameaça nuclear, o Iraque é um pântano sem fim à vista, a Venezuela tem um Presidente antiamericano e o Golfo fo México foi episodicamente atingido por um furacâo que suspendeu a produção Off-Shore de petróleo.”
Portugal não precisa de empresários como o senhor Amorim, é o que Sousa Tavares deixa aqui escrito nas entrelinhas. Mas Amorim não é diferente de Belmiro e de outros empresários portugueses que sempre viveram de mão estendida para o Estado, ansiando por contratos ou favorecimentos (Belmiro menos) diversos. O nosso empresariado aguarda sempre por um qualquer tipo de Subsídio ou Isenção para fazer o mínimo e pouco se importa com o destino das suas empresas desde que consiga pagar a sua prestação do Ferrari. Por meio de raras – mas notáveis – excepções, o empresariado português está na raíz dos fracos desempenhos económicos deste país, e nesta raíz encontra o paternalismo económico do Salazarismo e o baixo nível cultural e académico da Sociedade Portuguesa, de onde, afinal, emanam…
O que fez entretanto Amorim com esta chuva de patacas? Não consta que tenha ou planeie formar uma indústria de produção de energia, de automóveis, aeronáutica ou uma grande exploração agrícola que aumentem a riqueza produzida no país e aumentem as suas exportações. Não, o dinheiro estará algures em fundos de investimento que se desviam ao sabor aletório dos Mercados Bolsistas para qualquer “Mercado Emergente” que não esteja em Portugal. Em vez de investir “cá dentro’ (não foi essa a razão que o Governo deu para favorecer a entrada de Amorim na GALP em vez de outros interessados estrangeiros?), Amorim pega na guita e coloca-a no estrangeiro e não investe um tusto em Portugal.
Seria esta a intenção do Governo? Duvido…
Fonte: Expresso, de 9 de Setembro de 2006.















