
(Peço desculpa à audiência masculina por não ter encontrado uma fotografia que exponha de forma mais generosa as formas guimarianas)
Certo dia liguei a televisão e vejo imagens de um programa que a Bárbara Guimarães
apresenta com o nome “Páginas Soltas” e que geralmente evito porque serve essencialmente de forma da elite no Poder se perpetuar e de encaixar a descendência das famílias dos “Quatrocentos” em tachos “culturais”.
Mas nesse aí fiquei curioso com o nome do entrevistado que em rodapé: “Chiringuito“. Intrigou-me o facto de alguém omitir o seu nome verdadeiro e se esconder por detás de um pseudónimo. Mas mais intrigado ainda fiquei com a função que aparecia nesse rodapé: “Animador Cultural”. E depois, à medida que decorria a entrevista foi-se tornando cada vez mais evidente a irrelevância cultural da cabeluda personagem. Aliás, o personagem não conseguiu arranjar entre toda a rica língua portuguesa uma palavra lusófona para escolher como alcunha e tinha que escolher uma palavra da gíria castelhana?
E daí… Na Wikipedia o termos é assim descrito: “Usualmente, la actividad del chiringuito se ve reducida a la temporada vacacional alta, consiguiendo grandes beneficios en un corto espacio de tiempo. Tales beneficios suelen corresponder a unos elevados precios de venta.”. O que até nem é totalmente despropositado. O maior feito do personagem parece ter sido a organização de um volume da obra completa de Camilo Pessanha para a Assírio & Alvim. Mas espera lá. Qual é o mesmo o trabalho criativo, cultural e intelectual da “selecção” da obra completa de um poeta? Caramba, os poemas não foram escolhidos, nem ordenados, nem classificados. Pois se falamos de “obra completa”… Portanto, o “Chiringuito” não escreveu os poemas (foi o Camilo Pessanha), não os publicou (foi a Assírio & Alvim) e nem sequer os seleccionou (obra completa)… Então… Porque aparece no programa de Bárbara Guimarães?
Porque…
É filho da leitora de poemas do programa: Maria do Céu Guerra.
E zás! Eis mais um filho dos “Quatrocentos” a tentar encaixar-se na nossa Sociedade.
Porque é que pessoas muito mais relevantes, como o Pedro, que publicou recentemente o “Crónica de Feaglar” que é até uma das recomendações do Jornal de Letras (ver AQUI) não aparecem nestes programas de divulgação? Hum?
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Acha que existe uma «conspiração» dos Quatrocentos? |

















A gente diz mal, mas na nossa sociedade até há um grandessíssimo espírito de interajuda. A ajuda B a ser famoso, que ajuda C a promover o seu negócio, que ajuda D a conseguir um emprego, etc. etc. É uma espécie de tráfico de influências mas que, como o negócio é a cultura, tudo parece muito mais discreto e inofensivo. Já reparaste que os programas de cultura agora não são feitos por pessoas da cultura mas sim por meninas bonitas como acontece com o boletim metriológico? Quem topou bem o esquema foi aquele canal que pôs a menina a fazer streaptease enquanto dizia as notícias do mundo. Mas é assim, realmente isso tem mais de peçonha do que de Pessanha. Esse é mesmo bom para essas coisas, dá pouca chatice: só tem um livro de poemas – Clepsidra – já morreu, provavelmente nem tem herdeiros nem direitos de autor a pagar. Quando se refugiou no ópio de Macau ele sabia bem do país de piranhas que fugia. E olha que a sua poesia não é fácil… será que esse senhor ousa fazer alguma introdução que o valha? Ou será mesmo tudo gratuito e de fácil compadrio?
O compadrio que assola o nosso país é gritante… Este jogo de influencias é muito lamacento…
Um Abraço.
Como em tudo, e penso que não é só neste país, as amizades e os compadrios ainda têm muita força. Afinal o que custa fazer um favor a um amigo que nos fez, ou pode vir a fazer, um outro. Esta mentalidade cria personagens vazias de conteudo mas de grande poder mediático. E, na verdade só quem consegue aparecer é alguem neste país.
abraço
kaotica: e é assim que o sistema dos “Quatrocentos” (são bem mais do que isso… Uso apenas o termo numa alusão à “Ditadura dos 400″ de Atenas) se perpetua: enfiando os filhos em todos os sítios onde pode! E esse aspecto fátuo e mercantil das notícias é cada vez mais evidente… E olha que essa “menina” ainda conseguiu uns quantos tachos depois dessas sessões…
outsider: é o Nepotismo! Antes era o Comunismo, depois o Capitalismo… Por cá ainda vamos na fase do Nepotismo e do bom velho: nepote (neto em Latim: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nepotismo
kaos: e uma vez que se comece a “aparecer”, aparece-se em todo o lado e ganham-se todas as comendas, prebendas e jorram sempre os inevitáveis “subsídios” do Estado. é preciso é começar a “aparecer” e este foi o papel cumprido por este programa da BG…
Uau uauii! Formas Guimarianas!
Este é o país dos compadrios, das cunhas, o que ajuda a destruir qualquer hipotese de o país sair da velha espiral de incompetência… E se fossem só esses tais 400… Enquanto os 4000 / 40000 vivem o sonho, os outros atravessam o deserto.
Obrigado pela referência…
Abraço!
Há coisas que de tão ridículas nem merecem comentários…
interessante… um bocado teoria de conspiração, mas interessante.
Prezado Sr.
Por acaso li seu comentário sobre o programa “Páginas Soltas”, Não vivo em Portugal, sou brasileira e tenho acesso à RTPi, via canal privado pago, onde , é necessário frizar, que me alegro com conhecimentos sobre o folclore da sua terra , culinária e outras origens colonizadoras, que não deixam de fazer parte da minha origem digamos “tupiniquim”…!
Gostaria muito de saber sua opinião sobre o Campeonato Nacional deste ano de 2007, sob os auspicios de empresas portuguesas e sob a apresentação da citada Sra. Barbara Guimarães.
agradeço cordialmente
elisabeth:
do resto, tanto me faz! não ligo muito ao futebol dos clubes, apenas ao das Selecções! aliás, nem sequer tenho “clube”…
1. a RTPi é provavelmente uma das melhores formas possíveis de gastar o dinheiro dos impostos, aqui em Portugal… A sua missão é essencial e imprescindível e só lamento que não se aposte mais na sua programação!
2. do Campeonato… não tenho opinião, francamente… gostaria que todos os corruptos que lideram clubes de Futebol fossem presos, isso sim
3. Espera! Falamos de outra coisa, não é? Daquele campeonato da língua portuguesa? Bem. Confesso que só sei que se trata de um programa de televisão… não sei mesmo nada! E da dita… Só seu que a vi a semana passada de braço dado com o Tenente… Elegantíssima e sem o Carrilho ao reboque… É claro que este está segurússimo sendo esse dito braço do… Tenente. hehehehe.
Interessante, realmente falava do Campeonato a que o Sr. se refere no item 3.
Mas, desculpe a frase pitoresca brasileira ” ..boiei na maionese ..! risos, Tenente? mas que Tenente…
Mas esse tal campeonato dizem os números arrebata mais de 25 mil espectadores!? abraço
Continuando.. pensei que só se falasse o Português errado e distorcido na Africa ou no Brasil. Abraço.
so sei que o bagulho cada dia fica mais doido a favela começo a descer pro asfalto seqüestro,homicídio, assalto e num tem BOPE que der jeito por que a favela e a grande mioria.
eheheheheh
um post da época em que au ainda por cá não passava
mas a tua cara!
eheheh
como alguém dizia, “bota 400 nisso!”
mas é disso que o povão gosta
tens heróis?, tens aventureiros?, tens sábios para deslumbrar o teu porvo? não! tens monos. portanto é ver quem apresenta o maior mono.
…esse há-de de certeza nesta terra ser rei
é para veres há quanto tempo ando eu atrás desta “mafia dos 400″!
e há quanto tempo (Pombal?) que eles nos vão regendo, com ou sem a Máscara da Democracia…