O Mistério do Bolama: Doze perguntas e anomalias
Posted by Clavis Prophetarum em 2007/01/18
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O Arrastão Bolama: (http://www.sapo.pt)
O Bolama continua a ser um dos maiores mistérios marítimos portugueses de sempre…
O navio afundou-se perto de Lisboa, em 1991 e jaz agora a mais de 130 metros de profundidade e sobre ele surgem várias questões e anomalias que passarei a enunciar:
1. Joaquim Piló, do Sindicato Livre dos Pescadores entregou na Procuradoria Geral da República um dossier onde indica algumas das várias anomalias do chamado “Caso Bolama”. Entre estas destaca-se a estranha presença de um buraco oval feito a maçarico no lado estibordo do navio… Será que foi este o buraco que provocou o afundamento rápido do navio (que explicaria o ponto 5) ou será que foi feito por mergulhadores para retirar do casco a preciosa carga que o Bolama transportava? O buraco ficou exposto nas filmagens realizadas pelo navio “Auriga” da Marinha, a partir do robot subaquático (a 22 de Março de 1992). Nas filmagens, ouve-se um dos militares comentando para outro que “a abertura é demasiado regular para ser um rombo”.
Mas é muito pouco provável que esta carga misteriosa tenha sido retirada após o afundamento do Bolam… É que para descer até aos 130 metros de profundidade é necessário recorrer ao “mergulho por saturação” um processo muito complexo e só ao alcance de profissionais altamente treinados e que, além do mais, exige a presença de uma câmara de descompressão no navio de apoio durante várias horas. Ou seja, a recuperação não poderia ter lugar num iate ou num navio qualquer, mas apenas num especialmente adaptado para o efeito e teria custos gigantescos e uma visibilidade explosiva, dada a proximidade das rotas de navegação e do próprio porto de Lisboa…Isso significa que o intrigante “buraco oval” foi feito antes da largada do porto de Lisboa, tapado e destapado em alto mar para forçar o afundamento do navio? Ou que foi feito em alto mar para obter o mesmo efeito?
2. Dos trinta tripulantes, apenas oito corpos foram recuperados, o que é intrigante, mas não impossível, dado que em acidentes do género o Mar recusa-se em devolver as suas vítimas e isso sucede frequentemente num Mar tão agitado como o poderoso Oceano Atlântico…
3. Somente as viúvas dos pescadores com contratos que previam indeminizações em caso de morte é que receberam compensações financeiras… Os restantes requereram uma indemnização ao Tribunal Cível de Lisboa, mas este levou 14 anos (5110 dias!!!) para decidir que não era “competente” para determinar sobre o caso. Esta imensa demora devia ser alvo de um inquérito e determinar de per si uma indeminização paga pelo Estado aos familiares pela sua simples incapacidade de emitir uma decisão em tempo razoável…
4. Segundo se acredita, o Bolama transportaria uma carga 15 toneladas de electrodomésticos… Mas o presidente do Sindicato afirma que a “carga era composta de armas e urânio. Não tenho dúvidas de que a máfia russa está por trás do caso e o Governo esteve mais de um mês em Cabo Verde à procura do navio só para despistar as atenções, nada mais. Sempre sentimos que o ‘Bolama’ estava perto”.” Mas Joaquim Piló afirma que o porão do arrastão não teria capacidade para 15 de equipamento desse volume, e que somente 15 toneladas de uma carga com muito grande densidade poderia ser transportada pelo Bolama… Daí a chegar à tese da carga de urânio…
5. Porque é que nunca apareceram as balsas, e nem sequer um colete de salvamento? Será que o afundamento do navio foi tão rápido que nem deu tempo para que os tripulantes envergassem os seus coletes e soltassem as balsas? Ou será que já não havia tripulantes a bordo quando se deu o naufrágio e que as balsas e coletes foram reaproveitados? Uma explicação mais prosaica é que o Mar recusou a sua devolução, da mesma forma que o fez à maioria dos corpos dos tripulantes…
6. Algumas fotografia exibidas numa manifestação de familiares dos tripulantes do arrastão parecem evidenciar a presença de buracos de balas no casco… Serão apenas marcas de corrosão provocada já depois do afundamento?
7. Diz-se que entre os mortos, encontra-se o filho de uma maiores fortunas de Portugal: Salvador Caetano (Toyota…). Mas isso não corresponde à verdade… Que seguia efectivamente no navio era o seu genro, e não o filho… E os rumores que relacionam esse “filho” com o tráfego de droga também não têm fundamento… Público: “Entre os náufragos encontrava-se o gestor da Crustacil, uma das três empresas proprietárias da embarcação; José Manuel Sousa Esteves, genro do empresário Salvador Caetano”.
8. Porque é que um navio recentemente reparado se afundou, aparentemente, com tanta rapidez? As investigações do Ministério Público deduziram acusações contra os responsáveis pelas modificações feitas em estaleiro pela Rinave no Bolama, mas o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa mandou arquivar o caso alegando que o afundamento se devera a “causas naturais”… E assim perderam as vítimas a oportunidade de atribuirem a estes responsáveis os seus pedidos de indeminização… O presidente do Sindicato Livre dos Pescadores afirmou que “a demissão do primeiro juiz deste caso por «razões familiares» e o seu aparecimento num alto cargo em Genebra é uma das perguntas que estão por responder.” Haverá assim fundamento para as suspeitas, assim sugeridas, de pressões por parte do Governo PSD na época?
9. Se a Rinave, a empresa que realizou as alterações no Bolama, quando as concluiu certificou o navio, e assumiu assim a responsabilidade pelas mesmas, contudo, o Tribunal não entendeu que essa responsabilidade se estendesse ao pagamento de indemnizações… Ou seja, a Rinave certificou que o navio estava “em condições para navegar”, mas, se acreditarmos na tese da “instabilidade” decidida pela Justiça, não estava e mesmo assim não se decidiu pelo pagamento de indemnizações aos responsáveis por essa dita “instabilidade”? Onde está aqui a Justiça e a Razoabilidade?
10. O navio está assente sobre o fundo oceânico direito e não sob um dos seus lados… O que é estranho quando segundo o Tribunal Marítimo o navio teria ido ao fundo por “falta de estabilidade”… Ou seja, por se ter virado…
11. Corre um rumor sobre o afundamento do Bolama por um navio da Marinha portuguesa, mais especificamente por um dos seus submarinos, o que seria (segundo essa tese) a explicação para o “silenciamento” do caso patrocinado pelos governantes da época. A tese não tem grande fundamento, nem substância de prova, mas insiste em percorrer certos sectores da Internet portuguesa.
12. Se é verdade que o Bolama navegava sem licença de navegação… Qual foi a responsabilidade do comandante do Porto de Lisboa ao deixar navegar um navio sem a dita licença? E é verdade que os seus tripulantes não estavam matriculados e que a capitana não vistoriou o navio antes da sua fatídica saída para o mar?
Fontes:
| Acha que existe um «Mistério» do Bolama? 1) Sim 2) Não |
















Outsider disse
Há aqui muitas coisas muito mal explicadas. As circunstaâncias do afundamento, a carga, o modo como se afundou, os juizes, etc, são todas muito obscuras… Vou só corroborar o que disseste quanto a recuperar a carga numa profundidade de 130 metros. Seria preciso de facto mergulho de saturação um tipo de mergulho que além de ficar carissimo devido ao equipamento necessário (camaras de descompressão, máquinas de mistura de gases, etc), é muito perigoso, sendo preciso uma equipa de profissionais altamente especializados e corajosos.
Um Abraço.
Rui Martins disse
eu estava de facto à espera da tua achega neste ponto… e um ponto decisivo para desmentir essas teses… e se neste ponto o presidente do sindicato falha… falhara também nos outros? é que é quase sempre a sua voz que levanta a maioria das questões com o Bolama…
Maddix disse
Boas,
Obrigado pelo post, Rui! Devo dizer que eu era daqueles que pensava que tinha sido mesmo o filho de Salvador Caetano que ia a bordo.
Interessava também saber porque razão o Governo português negou a uma empresa holandesa o acesso ao Bolama e a gratuita recuperação dos destroços.
P.S. Antes de ter falado no outro post sobre o “Bolama”, tentei pesquisar um pouco na net sobre o mesmo e dei com um blog onde tinha 3 pontos interessantes, embora um pouco com ‘teoria-da-conspiração’ a mais. Esses pontos seriam:
- Sá Carneiro morreu no acidente/atentado de Camarate a 4 de Dezembro de 1980
- O Bolama naufragou a 4 de Dezembro de 1991
- O repórter da TVi Miguel Ganhão Pereira ‘suicida-se’ no dia 4 de Dezembro de 2000, atirando-se na ponte 25 de Abril, sem deixar qualquer nota, carta de despedida e numa altura em que, presume-se, andaria a investigar os dois casos acima descritos.
Bom, eu não sou facilmente impressionável mas diria que qualquer argumentista de Hollywood tinha aqui matéria para 3 filmes, no mínimo.
Cumpz!
Rui Martins disse
maddix:
1. de nada! também andava para investigar um pouco nesta questão…
2. é curioso como esse mito do filho do Salvador Caetano percorre a Net… Embora existam várias fontes que digam claramente que era o cunhado e não o filho quem seguia no barco… talvez haja aqui um factor inveja… infelizmente demasiado comum na mentalidade lusitana…
3. Essa do 4 de Dezembro é intrigante! http://en.wikipedia.org/wiki/December_4
tb disse
As coisas que nã ose descobrem quando as vontades não o querem…
Acho que ainda vamos ouvir falar mais desse bolama.
Um excelente post, Rui!
Abraços
rui rodrigues disse
Muito interessante este caso Bolama. Sei que acabou de sair um livro que se chama “O Mistério do Bolama-Acidente ou Sabotagem?” Será que tem novas pistas…
Morten Gliemann disse
Li o mencionado livro, e apareço um pouco nele também. Concordo com o contéudo do artigo e como um “frio” dinamarquês (o navio era daqui) simplesmente (mentesimples) não compro os mistérios mencionados (urânio e outras cargas preciosas). Shit happens – como dizem – e bagunça também. Quem diz que o navio estava em condições na hora da saída? Já vi muita falta de rigor no mar, no ar etc. O único mistério real desta história é: Como podia afundar em pleno dia sem ninguém ver, ouvir ou sentir nada? Temos casos como Estónia e Scandinavian Star. Mas o mar estava calmo no dia 4 daquele anos. Juro, porque olhava pelas janelas todas as manhãs, no Monte Estoril. Vivia num prédio alto lá. “Navegar é preciso; viver não é preciso” Cumprimentos de mgliemann@yahoo.dk
Algarvio disse
Certo,certo,é que o caso foi “abafado” até aos dias de hoje.
Paulo disse
Naufrágio do Bolama
Depois de 16 anos o naufrágio do Bolama, ainda esta envolto em grande mistério, foi a 1 de Dezembro de 1991, naufragou próximo ao Cabo Espichel, e jaze a 116 metros de profundidade, sendo o tumulo da totalidade da sua tripulação, 30 homens, um deles o filho do Salvador Caetano, homem mais rico de Portugal na altura.
Um mistério que deixa no ar muitas questões, principalmente a actuação da Marinha Portuguesa, que levou 2 meses para detectar o barco e que nunca explicou a origem do naufrágio nem buraco existente no casco.
Porque é que não foi emitido nenhum pedido de socorro, e porque não foi usado pela tripulação qualquer meio ou equipamento salva-vidas?
Porque as identidades competentes na altura não deixaram retirar o respectivo barco do fundo, porque na altura existia tecnologia para isso e existia familiares que pagavam para que o barco fosse removido e fossem recuperados os corpos dos antes queridos.
Essa e outras questões ficaram por explicar na altura.
Tenho impressão que aquele barco estava condenados a um fim trágico, agora de quem a foi a culpa, certamente de Neptuno não foi, mas quem foi certamente é um peixe graúdo, que dominava com os seus tentáculos muita gente em Portugal.