4. As Origens da Escrita Cónia; 4.6.1. A Escrita Fenícia

Dada a importância que a Escrita Fenícia parece deter para a boa compreensão da natureza da Escrita Cónia iremos de seguida dedicar algumas linhas aquela que foi a primeira escrita alfabética conhecida.

Os mais antigos textos que utilizam a escrita fenícia datam do primeiro milénio a.C. Já nessa altura se utilizavam vinte e dois símbolos consonantais, embora se discuta se se tratava de um verdadeiro alfabeto ou se, pelo contrário, se tratava de um silabário em que a presença da vogal era assumida junto de cada consoante, algo que justificaria a total ausência de representação de vogais puras neste sistema de escrita.

4.6.2. Outras Escritas Derivadas do Fenício

Como concluímos mais atrás, a Escrita Cónia resultou de um processo de adaptação a partir do alfabeto fenício, um processo que pode ter tido a mediação do Reino de Tartessos. É assim importante estudar também as outras escritas que conheceram processos idênticos. Falamos das escritas do chamado Ramo Colonial Fenício. Este agrupa três variedades:

4.6.2.1. A Escrita Cipro-Fenícia

Utilizada na Ilha de Chipre entre os séculos X a os II a.C. Trata-se de uma escrita linear, com um total de 45 símbolos geométricos. Todos os signos têm valores fonéticos de sílabas abertas (como ka, ne e ru) ou de vogais. Permanece por traduzir, embora David Diringer suponha que a população era de raça arménia e que podia ter algumas afinidades com a dos hititas.

4.6.2.2. A Escrita da Sardenha

A Escrita da Sardenha poderia ser a que mais impacto teria no nosso estudo. Com efeito, o sardo é uma língua que a maioria dos autores identificam como “mediterrânea”, como julgamos suceder com a cónia e também à semelhança desta utilizou como ponto de partida o alfabeto fenício. Os processos de adaptação fonética e de caracteres podiam portanto ser de grande importância. Infelizmente, existem apenas duas inscrições incompletas e uma completa, a chamada “Pedra de Nora”, todas datadas do começo do século IX a.C. Este diminuto conjunto não permite obter dados suficientes sobre esta escrita e faz com que seja de reduzida utilidade para o nosso estudo da escrita cónia.

4.6.2.3. A Escrita Cartaginesa

Ironicamente, foram os cartagineses e não os fenícios que mais contribuíram para a difusão do alfabeto fenício. Para além do cartaginês propriamente dito, que se dividia em monumental e cursivo, duas outras escritas resultaram directamente da sua influência. Falamos da Escrita Líbia (ou Numídica), usada pelos antepassados dos actuais berberes do norte de África e as escritas ibéricas, utilizadas no lado Oriental do Guadiana pelos Tartessos e povos relacionados. A Escrita Líbia desenvolveu-se transformando-se na Escrita Tamacheque que os tuaregues usam ainda hoje, enquanto que as escritas ibéricas – que analisámos mais acima – influenciaram certamente a fase final da Escrita Cónia numa medida em que a escassez das inscrições nos tornam difícil de avaliar, mas num âmbito que tentaremos determinar na segunda parte deste trabalho.

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Categories: A Escrita Cónia, História | 2 Comentários

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2 thoughts on “4. As Origens da Escrita Cónia; 4.6.1. A Escrita Fenícia

  1. Alguém

    Sua página Não está carregando direito

  2. eu procuro a escrita fenicia não conica

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