As grandes agências noticiosas como o Yahoo.com e a Reuters (AQUI e AQUI) deram recentementa algum destaque às “BerkShares” e a partir daqui surgiram várias notícias na imprensa internacional e dos Estados Unidos sobre esta moeda local patrocinada pela E. F. Schumacher Society.
De facto, actualmente há mais de um milhão de BerkShares já em circulação, emitidas nos bancos locais e usadas pelos residentes da comunidade de Berkshire, uma cidade da Nova Inglaterra, nos EUA em apoio ao desenvolvimento e sustentação da economia regional.
Este bem sucedido exemplo da aplicação da tese da “Moeda Local” é uma resposta ao “Pensamento Único” Globalista e é uma alternativa viável para esta movimento que ameaça engolir todo o mundo numa onda consumista e redutora da dignidade humana. As “Moedas Locais” permitem um recentramento na Economia local e regional em lugar da Economia Global de cujos malefícios temos escrito aqui algo profusamente.
As Economias Locais exigem menos recursos que as Economias Globais e logo, provocam menos danos no meio ambiente; permitem antecipar e enfrentar melhor qualquer tipo de choque ou imprevisto e, sobretudo, possibilitam um recentramento no Homem da prioridade da Economia, fazendo retornar ao Indivíduo e à Comunidade o foco principal da actividade económica.
Ora o primeiro passo essencial para desenvolver as Economias Regionais é estabelecer uma Moeda Local. Com o recurso a moedas locais, as escolhas são limitadas às actividades comerciais, industriais e de serviços que têm um compromisso com a comunidade local, e não servem para capitalizar ou enriquecer uma corporação anónima, distante e absolutamente inumana. A moeda local pode ser usada localmente, financiando as actividades locais, pagando salários de elementos da comunidade e criando riqueza na vizinhança.
Uma moeda local tem que recircular localmente… E isto muda a própria essência das transacções comerciais. As pessoas deixam de gastar nos grandes estabelecimentos comerciais massificantes e consumistas e passam a consumir nas pequenas lojas locais, verdadeira geradoras de emprego justo e de riqueza à escala local. Consumir localmente retorna à relação comercial de antanho onde havia uma relação humana entre comprador e vendedor, numa rede informal que reforça os laços da comunidade e que contrasta com a frieza das grandes superfícies, local frequente de grandes injustiças sociais e laborais…
















Caro Rui,
Aqui no Brasil, temos várias experiências nesta direção, mas cito uma sabidamente bem sucedida, em Fortaleza, capital do Estado do Ceará. É a Palmas, uma moeda local, que circula em uma comunidade. É uma iniciativa que você poderia estudar mais a fundo, se for do seu interesse.
Cordiais saudações,
Xicolopes
Não, de todo, mas acabo de colocar em agenda um artigo sobre a dita.
Muito interessante! Obrigado pelo alerta!
Prezado Rui,
uma “moeda” com certeza não é . Deve tratar-se de um tipo “senha” ou “vale” ou “ponto-valor” por brincadeira chamada “moeda”.
So fosse uma “moeda” verdadeiramente e com fundamento próprio (ouro ou trabalho) posto em circulação através da possibildade de pagar os impostos normais com este dinheiro……este local tornaria-se num paraiso dentro de poucos meses.
Aconteceu na Austria, quando um tal Silvio Gsell fez um “test” na aldeia de Wörgl na Tirol.
Para aumentar a velocidade da circulação este “dinheiro reformado” só valeu durante alguns meses. Toda gente quis comprar qualquer coisa antes deste prazo. Depois o dinheiro foi substitiudo com outras notas com valores um pouco inferior.
Meses depois nesta aldeia havia trabalho, trabalhos (as ruas e obras ainda hoje existem), alegria, bebes…..
Muitas outras aldeias quiseram implementar este sistema:
O Banco Central de Austria mandou acabar com estes “ilegalidades”
Começou como antes: Falta de trabalho, trabalhos, alegria, Bebes…..
http://en.wikipedia.org/wiki/Silvio_Gesell
interessante e bem explicado:
http://www.laleva.cc/pt/economia_pt/moeda_borruso.html
abraço
Ralf
Não conhecia essa variante austríaca… Bem, se na Austria é ilegal (isso só depende do legislador), nos EUA e no Brasil não é, como alías já deixaram claros os bancos centrais desses países… E de qualquer modo parece ter sido mais um exemplo do sucesso desta forma de dinamizar as economias locais… É claro que estas política chocam com os interesses mais… Globais de muitos poderosos… E é isso que deve ter estado na raíz desta proibição… Felizmente, os nossos irmãos brasileiros não pensam assim… Veja-se p.ex. o caso da Palmas que hoje surge aqui no Quintus:
http://movv.org/2007/08/03/a-palmas-uma-moeda-local-brasileira/