A cultura dos povos indígenas das Canárias, os Guanches, é claramente uma cultura da civilização aurinhacense. Esta relação é defendida por Osborn, René Verneau e Lord Abercromby, que afirmam que estas ilhas atlânticas eram povoadas pela raça Crô-Magnon que tem sido caracterizada pela utilização desta indústria lítica.
No seu “Races of Europe”, Ripley lança uma tese que interessa directamente ao objectivo deste estudo: os bascos do norte de Espanha e do Sul de França falam ainda hoje uma língua herdada da dos Crô-Magnons, os mesmos bascos que noutro ponto julgamos aparentados com cónios, ainda que pertencendo a outro grupo étnico-linguístico. Outros autores defendem a ligação entre Berberes, Iberos e as populações indígenas das Canárias. De entre aqueles que defendem esta corrente de opinião destacamos o investigador italiano Sergi que designa os Iberos sob o termo “Raça Mediterrânea”, um termo que respeita á região onde exerceram maior influência, mas que não reduz a esta região ao defender igualmente uma presença desta raça nas ilhas britânicas e até ao extremo norte do actual território francês.
Estes habitantes Crô-Magnon das ilhas Canárias perderiam rapidamente a sua cultura após a conquista espanhola. A língua perdeu-se em menos de um século e somente algumas raras palavras sobreviveram até aos dias de hoje. Isto é lógico se nos lembrarmos que se tratou de um choque entre uma cultura neolítica e a Europa do Renascimento e especialmente se nos recordarmos do grau de violência da Conquista espanhola nas Américas e o fanatismo religioso dos seus missionários. Embora pouco se conheça hoje da língua dos guanches, a sua identificação com as línguas mediterrâneas, o seu parentesco com as línguas do norte de África colocam-na entre aquelas que melhor estão posicionadas para o estudo da língua e da escrita dos cónios.















