Sobre a proposta de formação de “centros de excelência” na Defesa, os Exercícios Felino e a cooperação militar no seio da CPLP
Posted by Clavis Prophetarum em 2008/04/23

(Forças Especiais brasilerias no Exércicio “Felino 2006″ realizado no Brasil in http://www.inforel.org)
Portugal vai propôr aos restantes países membros da CPLP durante o próximo mês de Maio a formação de “centros de excelência” no sector da Defesa. Esta proposta vai ser levada à mesa da CPLP pelo ministro da Defesa português, Nuno Severiano Teixeira durante a próxima cimeira de ministros da defesa da CPLP, em Maio, na capital timorense.
O projecto permitirá aprofundar os laços de cooperação militar entre os países da Comunidade e é um dos primeiros passos no sentido da consolidação da cooperação militar entre os países lusófonos. Actualmente, vários países membros estão já a trabalhar na criação de centros locais, mas Portugal e Moçambique estão mais adiantados tendo sido assinado recentemente, assinado um acordo que renova o convénio militar Portugal-Moçambique e que acrescenta explicitamente agora a formação de militares da marinha de guerra moçambicana e da guarda costeira dete país do Índico. Adicionalmente, Portugal vai também assistir Moçambique no levantamento das necessidades para instalar neste país uma rede de comunicações militares eficiente, já que a actual é muito básica. A força área, com a formação de pilotos também serão novidades introduzidas por este acordo. Mantêm-se os projectos já em curso de treinamento local de elementos da Polícia Militar, dos Fuzileiros e das Tropas Especiais moçambicana que decorrem já há anos, com elevado grau de sucesso.
A instalação de centros de formação (“centros de excelência”) em cada país da CPLP, que possa treinar unidades e militares de outros países é fundamental para aumentar o nível de entrosamento e de cooperação entre os países lusófonos, ampliando as acções isoladas de âmbito bilateral que já hoje decorrem (normalmente, em que Portugal treina militares de países dos PALOP) mas onde os restantes países da CPLP estão geralmente ausentes… Existem muitos conhecimentos adquiridos pelas forças angolanas na guerra contra a UNITA que poderiam enriquecer a eficiência de forças especiais de outros países lusófonos… Angola foi também o único país lusófono envolvido em grandes operações militares envolvendo blindados e meios aéreos (Cuito Canavale , por exemplo) e o fruto dessa experiência poderia ser disseminado pelos restantes países… O Brasil tem grande experiência em missões de paz em meios urbanos (Haiti), assim como excelentes forças de selva e pilotos… Portugal forças treinadas pela NATO e pilotos tão bons como os melhores, Moçambique experiência da Guerra Civil com a RENAMO, assim como os timorenses experiência da guerra de guerrilha contra a Indonésia e a Guiné contra a poderosa força coligada que invadiu o país. São estes conhecimentos que deveriam ser cruzados nestes “centros de excelência na área de Defesa”. Talvez protipando a “Força Lusófona” que por AQUI temos vindo a defender…
A proposta vai de encontro aquilo que o actual Director-Geral do Secretariado Executivo da CPLP, Hélder Vaz exprimiu na conferência “Portugal e a CPLP. O espaço de cooperação lusófono”, no Instituto de Estudos Superiores Militares, em Lisboa onde declarou que “a cooperação no sector da Defesa pode servir de inspiração à cooperação noutros sectores.” e recordou que foi esse tipo de cooperação que contribuiu para a resolução dos conflitos na Guiné-Bissau, em Timor e São Tomé e Princípe. Hélder Vaz apoio também aque a iniciativa do MD português para criar os “centros de excelência”.
O Director-Geral da CPLP aludiu ainda aos Exercícios Militares conjuntos “Felino” que desde 2000 têm agrupados forças oriundas dos diversos países da lusofonia e aludiu especificamente aquela nossa proposta que originou a supracitada petição: “os exercícios Felino, iniciados no ano 2000 têm-se revelado importantes exercícios de treino de actuação conjunta de forças dos 8 países, abrindo caminho para a criação de unidades integradas que poderão a seu tempo ser utilizadas nas operações de paz sob a égide das Nações Unidas ou na realização de acções de carácter humanitário em casos de calamidades naturais,” Poderia porventura ser mais clara a expressão de uma convergência com as propostas do MIL?
Os próximos exercícios militares lusófonos “Felino” terão lugar em Portugal, em Setembro de 2008 e suceder-se-ão aos últimos, que ocorreram em São Tomé e Príncipe, em 2007, com forças de todos os países da CPLP, com excepção de Timor e da Guiné-Bissau. O objectivo destes exercícios e aperfeiçoar a eficiência da respista de um Estado-maior conjunto no comando de uma força mista composta pelos vários países da CPLP e entrosando unidades dos três ramos. As missões objectivadas são de ordem humanitária e de manutenção de paz e poderão corresponder a missões concretas dos países da CPLP ou realizadas no quadro da ONU. Em 2007, o ministro são tomense da Defesa e Ordem Interna, Óscar Sousa, afirmou a necessidade imperativa do estabelecimento de uma “articulação política entre as Forças Armadas da CPLP como forma de se combater a criminalidade organizada”, numa alusão indirecta, mas clara à situação que se vive hoje na Guiné-Bissau, tornada na plataforma giratória do tráfico de droga na África Ocidental e ponto de partida para a Europa dessa perniciosa actividade criminosa. Na altura, Óscar Sousa acrescentou ainda que “a defesa e a segurança constituem hoje elementos indispensáveis ao desenvolvimento dos Estados e estão no topo das atenção ao nível mundial“, o que só indica que existe uma vontade política e uma visão comum entre os vários países da CPLP para a criação de uma “força lusófona da manutenção de paz” que poderia estar já hoje activa ajudando as forças de defesa de Timor-Leste a capturar os insurrectos de Gastão Salsinha ou a ajudar as paralisadas forças militares e policiais da Guiné-Bissau a combater o narco-tráfico.
A este respeito, recordo que lançamos a petição “Por uma Força Lusófona de Manutenção de Paz” que ainda pode assinar e que já reune mais de 530 subscritores oriundos de todos os países da CPLP.
Fontes:
Público
Correio da Manhã
CPLP
Nota: Este tema também já foi abordado no Aurora, por AQUI.
















Fred disse
Obrigado Rui!
Forte abraço
Clavis Prophetarum disse
De nada!
Anónimo disse
Portugal pertence à U.E. e à N.A.T.O.. Além de partilharmos a mesma língua e sentimentos xenófobos entre nós, o que é que temos de comum com os CPLP?
Clavis Prophetarum disse
Pertence, sim, mas onde foi ouvida a vontade dos portugueses, numa e noutra adesão? Não foram ambas negociadas nos corredores de poder sem a devida aprovação dos portugueses?
E não pode dizer isso sem conhecer TODOS os portugueses e TODOS os brasileiros. Pode falar sempre em seu nome próprio e no daqueles que delegaram em si essa representação.
Xenofobias há-as em todo o lado, mas não duvide de que existem entre os povos da lusofonia menos matrizes xenófobas do que entre os povos de qualquer outra das línguas universais do mundo…
Temos uma cultura, uma língua, laços familiares e históricos imensamente mais fortes do que aqueles que unem Portugal, na UE e na NATO a letões, finlandeses, holandeses, flamengos, hungaros, polacos, etc, etc
Anónimo disse
“Pertence, sim, mas onde foi ouvida a vontade dos portugueses, numa e noutra adesão? Não foram ambas negociadas nos corredores de poder sem a devida aprovação dos portugueses?”: Sim, sim, mas os portugueses não se importaram nada de receber fundos comunitários (e que ainda hoje recebemos) vindos de “letões, finlandeses, holandeses, flamengos, hungaros, polacos, etc, etc”, que permitiram o desenvolvimento económico de Portugal no final da década de 80/princípios de 90…
Meu caro, o “Império Português” terminou há muito…
Clavis Prophetarum disse
Terminou e não há de regressar nunca e ainda que assim será.
falta encontrar uma nova forma de governo e de estar no mundo e esta não passa – não pode passar – por nenhum tipo de império, presente ou futuro.
Mas pode – deve – passar por uma nova forma de re-união dos povos, em torno daquilo que efetivamente os une mais: a cultura, e nesta, a língua.
É esta a maior e única missão da Lusofonia: formar um novo tipo de união política e económicam, entre povos dispersos pela geografia, mas unidos pela língua e cultura e formar aquui – no plano do mundo – um novo tipo de “união europeia”, mais equalitária, menos economicista, menos regionalista e mais exemplar de um novo tipo de estar perante o mundo que são capazes os povos ibéricos, e dentro destes, dos portugueses e de todas as sementes de Estados que estes espalharam pelo mundo.
Anónimo disse
Uma união de estilo político “à la” Angola de José Eduardo dos Santos? Não, obrigado. Muita ingenuidade pensar que essa união seria benéfica para Portugal, tendo em conta o calibre de políticos presentes no Brasil e PALOP.
Meu caro, essa mentalidade só pode vir de um cidadão cujo país não tem qualquer relevância no mundo, e que pensa que o simples facto de termos uma língua comum e uma história conjunta que é o suficiente para que haja uma união, e que essa união traria relevância para Portugal no mundo (faz-me lembrar um pouco a Bélgica) . Existe vários países que falam inglês (nos cinco continentes) e que possuem uma história em comum, contudo, não vejo por exemplo, os E.U.A., a querer qualquer tipo de união (ou acordo ortográfico) com a Libéria, ou outro país falante de inglês. É errado pensar que temos pouco ou nada em comum com a Europa e que não lhes devemos nada, nós estamos ligados a vários países europeus e devemos-lhes muito, desde a fundação de Portugal em 1143.
Clavis Prophetarum disse
A Angola da Família Santos não é modelo para ninguém, a não ser para os maiores ditadores do mundo.
O Brasil será uma das maiores potencias económicas do mundo, nos anos vindouros. No futuro, as riquezas agrícolas e o petróleo serão os pontos essenciais das economias e nestes dois campos, o Brasil tem todas as condições para alcançar o estatuto de primeira potencia, assim saiba vencer os problemas actuais com a Educação e a criminalidade (em recuo claro, esta última). Portugal pode associar-se ao Brasil. Interessa a este a projecção, o contacto e o elo para a maior economia do mundo, que é a Europa. E formar assim o coração de um país único no mundo e na História: pluricontinental e unidos em dois pontos os maiores pólos de desenvolvimento, paz e prosperidade do mundo: o Brasil e a Europa.
Anónimo disse
Acho muito importante a aproximação política-econômica-militar entre os países da comunidade de lingua portuguesa. Agora, “centro de excelências” são ineficazes na modernização das FFAA, é só dar uma olhadinha na ridícula foto acima. Melhor que estes, que tornam-se “ilhas isoladas”, é reduzir efetivos,profissionalizar a tropa e criar uma cultura operacional e de emprego efetivo acoplado a política nacional, exorcizando a “defesa de la pátria”, “escola de cidadania” e a “burocracia-cerimoniosa”.
Clavis Prophetarum disse
A formaçã, o treino são sempre a chave do sucesso em qualquer operação militar… os EUA gastam fortunas nesta área, e qualquer “aliança” deve concentrar aqui a sua maior despesa… por essa razão: mais do que o equipamento “bruto”, a forma de o saber bem usar pode ser determinante para separar uma derrota de uma vitória…
Com a segunda parte, concordo a 1000%. Reduzir, profissionalizar, tudo isso são passos essenciais para criar forças eficientes.
Graxaim disse
Vale a pena ver e ler
http://www.youtube.com/watch?v=ON0PF_QxPgY&feature=related
http://www.segurancaedefesa.com/CIGS.html
Saudações
Clavis Prophetarum disse
bestas?
não sabia que era usadas hoje em dia pelos exércitos…
http://www.segurancaedefesa.com/Besta.jpg
e este já conhecia:
http://www.segurancaedefesa.com/cb90b.jpg
suecos… estão bem longe do seu meio, hem?
Graxaim disse
Clavis
Para o invasor, ter um soldado ferido com arma de fogo, é ruim, mas ´´aceitável´´. Algo de se esperar. Mas ver um companheiro com uma seta enfiada na barriga ou no pescoço, sem que saibam de onde veio. E ainda tendo consciência que o defensor conhece cada palmo da selva, e que não terá o mínimo interesse ou condições de conduzir prisioneiros vivos pela selva… Deve ser terrível…
O soldado de selva brasileiro tem como aliados, a umidade de 100% com 40° C. de temperatura, os insetos, as doenças tropicais, as cobras, jacarés, peixes e uma infinidade de outros, além da própria selva.
Há um pequenino peixe nos rios da amazônia que penetra na uretra de que urina dentro d´água. Dotado de garras laterais, é impossível de remove-lo. O resto não é necessário contar, não é?
Saudações
Clavis Prophetarum disse
sim, a furtividade da besta, pode compensar a lentidão da recarga.
e sim, também, é um ambiente terrível, que nuca experimentei pessoalmente, mas que os soldados portugueses em África tiveram que enfrentar com grande frequência, especialmente no mais duro cenário da guerra: a Guiné-Bissau…
Fred disse
Mesmo sendo um inferno verde, a selva ainda não é o pior cenário para conflitos, é considerado, salvo engano, o sexto pior. O primeiro ainda é a neve.
O CIGs é um centro excelência! E deve agora ser reforçado com o acréscimos de tropas nas fronteiras.
Graxaim disse
Fred,
os russos adorariam ler isso… Entre a neve e Timoshenko (o som é esse, a grafia não tenho certeza) eles prefeririam o competente general Neve. Porém, depois da surra surpreendente no Vietnan, duvido que os americanos do norte concordem contigo. Meu amigo, conhecendo a selva amazônica ´por dentro´ tu não farias essa afirmação.
Quero te lembrar também, que soldados brasileiros que nunca tinham visto neve na vida, lutaram contra os alemães nesse cenário. Soldados alemães acostumados com esse clima e terreno. Isto, é claro, na segunda grande guerra, na Itália. Não é necessário te dizer do resultado.
Saudações
Clavis Prophetarum disse
bem… vivendo num país tão temperado como Portugal, não posso falar em nome próprio nem de neve, nem de selva…
mas a neve… concordo com o Fred. Receio bem que seja bem mais dificíl travar aqui uma guerra convencional que na selva. É que com 20 negativos, o óleo, o combustível… o corpo humano, enfim, gela! Como travar uma guerra nessas condições?
Enquanto que na selva, um soldados bem treinado (não necessariamente bem equipado) pode sobreviver sozinho indefinidamente… como estes soldados japoneses que estariam ainda na selva em… 2005!
http://www.wanpela.com/holdouts/list.html