Hillary Clinton tem multiplicado as acusações de que a China deveria ser avisada quanto à utilização recorrente de práticas comerciais desleais…

(http://www.sanfranciscosentinel.com)

Hillary Clinton tem multiplicado as acusações de que a China deveria ser avisada quanto à utilização recorrente de práticas comerciais desleais… Clinton tem utilizado o sucesso económico registado na época em que o seu marido ocupou a Administração como um factor importante na sua disputa contra Barack Obama e a desindustrialização acentuada em alguns Estados dos EUA.

Hillary declarou: “Temos que ser duros com a China, já passou há muito o tempo de assoprar o apito”, acrescentando ainda: “Esse país manipula a sua moeda para nossa desvantagem, cumprem massivos furtos de propriedade intelectual, espionagem industrial, eles não cumprem as regras que acordaram cumprir quando se juntaram à OMC. O que obtemos em troca deles? Bem, obtemos comida de animais com tinta, brinquedos com chumbo, e medicamentos poluídos.” Estas declarações foram proferidas na Carolina do Norte, um Estado que desde 2001 perdeu mais de 200 mil empregos na Indústria… Com tanta veemência (e correcção factual, frase a frase) quase que temos pena que tudo indica que Hillary vá perder a nomeação Democrata (ver AQUI), ainda que fosse duvidoso que conseguisse manter tal discurso na Casa Branca…

O processo de desindustrialização começou nos EUA, no começo da década de 80 e consistiu numa redução muito sensível do Emprego na Indústria e por um aumento correspondente nas áreas de Serviços. Em 1984, o professor Lester Thurow do MIT escrevia: “Gostem ou não, a Indústria americana está a ir pelo cano, e o resto de nós irá junto com ela“. Como resposta a este declínio industrial, muitos, nos EUA, tentarem aplicar os modelos de organização japoneses e alemães e implementando protecções às importações e subsídios directos e indirectos à produção industrial. Não faltam estudos de organismos ligados a instituições internacionais, como o FMI, que advogam que o aumento do emprego nos Serviços pode ser um sinal de força, e não de fraqueza de uma Economia. De qualquer forma este movimento ocorre em todo o mundo desenvolvido, não somente nos EUA, sendo especialmente notável na Europa e no Japão e que até em países que tinham até recentemente uma forte presença industrial no mercado laboral, como Singapura e a Coreia do Sul, estão a conhecer idêntico movimento… As industrias estão aparentemente a deslocalizar-se em todo o lado… Menos hoje para a China do que há dez anos atrás, mas hoje também para a Índia, Vietname, Paquistão, Marrocos, Cambodja, etc, buscando sempre os mercados mais desregulados, as regulações mais lassas e os salários mais baixos. Este movimento pendular sem fim, deixa nos países mais desenvolvidos apenas os “esqueletos administrativos” da multinacionais globais e massas crescentes de antigos operários que ou se conseguem reconverter para o sector dos Serviços (a custo de um salário inferior ao de um operário especializado) ou engrossam as fileiras do Desemprego.

Fontes:
http://www.sinodaily.com/reports/Time_to_blow_whistle_on_China_Clinton_999.html

http://www.ncpa.org/pd/economy/may97c.html

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