A Unasul: A “União Europeia” da América do Sul e de um certo “amargo de boca”…
Posted by Clavis Prophetarum em 2008/06/19

(http://www.coral.al.ms.gov.br)
Os representantes de doze países da América do Sul assinaram em Brasília o tratado fundador da “União das Nações Sul-Americanas”, a Unasul no passado dia 23 de Abril. A Unasul pretendia inicialmente aprofundar os laços políticos, económicos e militares entre os países da região, potenciando o aproveitamento e a gestão dos recursos do subcontinente, quer no campo petrolífero, onde a Venezuela e o Brasil são hoje dos maiores produtores mundiais, quer no campo alimentar, onde a Argentina e o Brasil são duas potencias exportadoras muito importantes, quer até no campo da exploração de minério, onde Brasil, Peru e Chile possuem das mais importantes reservas mundiais.
Os primeiros passos para a criação da Unasul foram dados em 2004, no Peru, tendo então o projeto recebido a designação de “CASA” (Comunidade Sul Americana das Nações), alterado em 2007 para o atual “Unasul”. Nesta fase, o organismo terá apenas funções de coordenação comum nas áreas da diplomacia, economia e sociais, mas existem planos para estender estas responsabilidades até a uma integração energética, da área de telecomunicações e energia, sem esquecer a investigação científica e a Educação, decalcando muito de perto o modelo da União Europeia, mas adaptando à realidade sul-americana.
Paralelamente, avança nos bastidores da diplomacia sul-americana o projeto, proposto por Lula da Silva, de formar um “Conselho de Defesa da América do Sul”. O projeto foi bem recebido pelos demais parceiros da Unasul, mas com muitas reservas por parte da Colômbia, que está muito dependente dos EUA e do seu “Plano Colômbia” de combate à guerrilha das FARC e decorre do receio que estes têm de perderem ainda mais influência na região se esta formasse uma tal união no plano militar… Se esta se consolidasse, a tutela “parternalista” dos EUA sobre a região em matérias de Defesa perderia influência, e como tal, a Colômbia tudo fará para bloquear o seu estabelecimento, já que tem muito mais a temer dos seus vizinhos com governos de Esquerda do que dos EUA, cuja ajuda tem sido essencial para inverter o rumo da guerra contra as FARC. Além do mais, o “Conselho de Defesa” decorre também de um incidente fronteiriço entre a Colômbia, a Venezuela e o Equador, aquando da penetração opor forças colombianas do território equatoriano e das críticas veementes que a Venezuela de Chavez então lançou contra a Colômbia e que deixaram os três países à beira de uma guerra… Deixar frutificar um tal “Conselho” iria dar argumentos a que toda a América do Sul se reunisse contra futuras ações idênticas do exército colombiano e isso é algo que não interessa à continuação da guerra contra a guerrilha colombiana…
A Unasul nasceu da resolução dos problemas entre Equador, Venezuela e Colômbia e de facto, pode cumprir um importante papel na redução da conflitualidade entre os Estados latino-americanos… É que a América do Sul não é isenta de problemas fronteiriços como aqueles que opõem o Chile e o Peru, desde a Guerra do Pacífico que entre 1879 e 1881 opôs o Chile contra a aliança entre o Peru e a Bolívia, e que resultou na anexação de regiões muito ricas aos seus dois adversários e, sobretudo, ocupando a única ligação da Bolívia ao mar, algo que ainda hoje está bem vivo na memória dos bolivianos (aliás, é ainda hoje um dos artigos da constituição boliviana).
A presidência da Unasul é rotativa, e teoricamente caberia agora à Colômia, mas esta prescindiu desse papel – e bem – precisamente por causa das tensões entre este país e a Venezuela e o Equador, pelo que, alfabeticamente passou ao Chile.
Não podemos deixar de sentir um certo “amargo de boca” com esta notícia… A notícia de uma formação de uma união de países sul-americanos que potencia o desenvolvimento sustentado e partilhado, assim como a redução dos conflitos entre países e assim limitar a possibilidade de eclosão de guerras neste sub-continente é sem dúvida muito positiva. Mas a noticia indica também que existe uma grande disponibilidade por parte do Brasil para integrar associações multi-nacionais ambiciosas e de grande escala… O Mercosul surgiu em grande medida devido ao impulso brasileiro e a Unisul encontra novamente no Brasil, o seu fundador mais participado e ativo. O papel pacifista que tradicionalmente é aquele cumprido pelo país na cena internacional (e que infelizmente o tem mantido afastado também das missões de paz da ONU) implica que qualquer associação multi-nacional onde encontremos o Brasil será associada à paz e à aplacação de conflitos interiores e exteriores. E de onde vem o nosso “amargo de boca”?… Vem do facto de não vermos a mesma energia a ser aplicada no sentido de um re-aproximação entre Portugal e o Brasil que possa servir de âncora fundadora a uma União Lusófona que é dos projectos do MIL que mais acarinhamos…
Fonte:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/05/23/entenda_que_a_unasul-440552105.asp
















Fred disse
Clavis o amargo da boca tem sua razão! a prioridade do Brasil são sim seus vizinhos!
a colombia, a bolivia (e seu gás alem de hidroéltricas a serem construidas), o paraguai (ITAIPU), a frança, as guianas, o suriname, a argentina, o chile , a venezuela (opep), equador e o peru.
é natural que isto ocorra, afinal somos vizinhos!
Portugal continua com sua politica de morde e assopra, não tem prioridades lusofonas! o Brasil está atuando em suas especialidades (lula praticamente vive na viajando para a áfrica).
como disse o “the economist” começamos a nos comportar como um país sério!
http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=223898&modulo=968
Falta muito? falta! mas chegaremos lá, nada como 3 ou 4 gerações!!!
Clavis Prophetarum disse
falta, sim… falta tanto como falta vontade e visão politicas nas camadas governantes dos nossos dois países… mas estamos a formar a base de um lobby que defende e propaga essas ideias. esse é o 1º passo, e está a correr bem.
veremos se a ideia continua tão exótica e pouco apoiada daqui a uns anos…
MARCOS disse
Mas uma vez eu repito, Portugal resiste em se alinhar com o Brasil>
Há um tempo atraz li em um jornal que Portugal era taxado como o Brasil da europa, motivo que envergonhava-se muito.
Que tal Portugal tentar descer do salto alto e tentar conversar conosco como irmão ou até mesmo como pai, sim claro “pai”, papel que nos orgulharia muito, Ter alguém que tivesse orgulho da sua cria.
Clavis Prophetarum disse
Sim, concordo.
Uma sondagem que em tempos mantive aqui, dizia aliás isso mesmo: havia mais resistências a uma união brasil-portugal, em portugal do que no Brasil, ainda que em ambos o número de apoiantes se aproximasse muito dos 50%…
De “salto alto” é que discordo… não devemos nunca colocar todos no mesmo saco. Nem portugueses, nem brasileiros. Somos individuos, diversos e imensamente variáveis enquanto tal.
Há portugueses, assim, ” de salto alto”, mas também há muitos brasileiros com a mesma atitude (vemos exemplos de uns e de outros em vários comentários do Quintus).
E não é uma relação paternal, esta dos países da lusofonia… é uma relação fraterna. Enquanto tal não fôr compreendido por todos e a Pátria se tornar em Fátria…
não haverá espaço para a realização na Terra do sonho de Pessoa, Agostinho, Vieira, etc: O Quinto Império
Ildo Gaúcho disse
Essa aludida união Brasil-Portugal é muito difícel de acontecer pela distância geográfica e pelo comprometimento Português com a União Européia, e se algum dia acontecer, quem garante que não são altos interesses europeus camuflados sob o manto português para escravizar mais ainda o povo brasileiro.Essa conversa de união é sempre coisa de quem detem o poder, ainda mais com o perfil corrupto e histórico dos políticos brasileiros. Desculpe a desconfiança e o pessimismo, mas o único ideal fraterno que existe entre os poderosos é a fraternidade do dinheiro e o domínio sobre os outros. Abraços a todos os verdadeiros lusófonos, Ildo Gaúcho (quem dera isso fosse possível!)
Ildo Gaúcho disse
….a não ser depois que esse atual sistema mundial se auto-destruir (o que é bem possível), aí então, sob os escombros poderá surgir esse ideal lusófono…..mas mesmo aí há um problema: para os cristãos verdadeiros, um sistema lusófono, ainda que somente entre os países de língua portuguesa, com seu ideal cósmico, humanista universalista, me parece algo como o predito em apocalipse: um falso reino, o do anti-cristo, que aceita de tudo um pouco e ao mesmo tempo, e por isso mesmo, não crê no Único Deus, Jesus Cristo pois o relega a apenas uma boa idéia. Será? Creio sim, que Jesus volta como prometeu, e somente ele fundará um reino eterno. Abraços a todos os portugueses, Ildo Gaúcho.
marcelo disse
Outro exercício de retórica sul-americana,outro vexame internacional dos Sr. LULA e AMORIM, como nas refinarias na Bolivia, as negociações na OMC e recentemente na comprovação das perigosas ligações do PT com os NARCO-TERRORISTAS das FARC
carlosargus disse
Será sempre inviável, a Colombia e uma nação vendida aos ianks, jamais vai cerrar fileiras com os países da A.Sul…ela entrega seus “bandidos ” ao ianks…Quanto + nós..
carlosargus disse
Nota 9,3 p/ a Unasul, parece-me que resolveram o problema do sr evo e dos bolivianos…vamos ver se resolvem o da venezuela e da guiana..se o sr chaves assim o permitir..
carlosargus disse
A colombia permitiu aos ianks, terem (05) cinco bases in dentro do seu território , proxima a fronteira com o BRASIL..com radares com varredura de + de 380 Km…quem comprou quem ? Muy amigos , os hermanos.Olho neles.
carlosargus disse
Essas bases ianks é o inicio do q estar por vir…é tem como pano de fundo A Amazônia…temos de nos preprar-mos agora.Olho neles.
Paulo Paixão disse
Não confio muito no sucesso da UNASUL. Primeiro, porque a França (Que possui aqui sua Guiana) sequer foi mencionada para participar desse bloco, o que seria deveras vantajoso para o país europeu; Segundo, a Guiana (inglesa) e o Suriname têm maior afinidade com o Caribe do que com a América do Sul. Restam o Brasil e os vizinhos de língua espanhola, e as recentes manobras de Chávez, principalmente na influência de Bolívia, Equador e, mais recentemente, Paraguai e até Argentina, vai acabar criando um clima de “todos contra o Brasil”. resultado, poderiam surgir manobras diplomáticas com vistas de enfraquecer, ridicularizar, ou mesmo desestabilizar a situação do Brasil. A menos que a Venezuela mude seu presidente, colocando no lugar de Chávez alguém mais moderado, a UNASUL será mais um cabo-de-guerra entre a Sudamérica Espanhola e o Brasil do que um bloco econômico sério.