As vacilações perigosas (para baixo) da Bolsa chinesa

(http://graphics8.nytimes.com)

As autoridades financeiras chinesas estão a recomendar aos fundos de investimento do seu país para que reforcem o seu investimento nos mercados e travem assim a queda dos mercados de ações chineses. A queda começou a ser evidente a partir do abalo sísmico de Sichuan, mas estava já latente depois da sucessão de más notícias com a economia chinesa que davam conta do aumento da inflação e um considerável abrandamento no crescimento da economia. Em particular, a Bolsa de Shangai perdeu 34% do seu valor desde Janeiro de 2008, quando em 2007 teria subido 97%.

Estes solavancos da economia chinesa não podiam ocorrer em pior ocasião… A China tem hoje uma posição importante na economia global e está muito interligada às economias dos EUA e da Europa, sendo um dos seus maiores investidores (especialmente no sector financeiro dos EUA) e a fonte da maioria dos bens manufacturados consumidos no mundo.

A dependência da economia mundial do estado das economias dos BRIC é cada vez maior… Em 2007 estes quatro países (Brasil, Rússia, Índia e China) produziram metade do crescimento do PIB mundial. A estagnação da economia norte-americana fez com que hoje o motor da economia sejam os BRIC e não mais os EUA, como sucedia desde a década 40. Alias, se hoje não vivemos em plena recessão global, isso deve-se precisamente a este factor e não a outro qualquer. O problema está em que até os BRIC começam a ressentir-se da alta de preços dos alimentos e dos combustíveis, especialmente se tivermos em conta que mais de metade do aumento de consumo de petróleo dos últimos anos teve origem precisamente na China e na Índia, já que o Brasil e a Rússia nesse campo são auto-suficientes. Isto quer dizer pressões inflacionistas… E estas, por sua vez, ameaças de recessão… A China, por exemplo, já é hoje o segundo maior importador mundial de combustível, consumindo assim metade (250 biliões de dólares) do seu crescimento registado em 2007.

Outro grande problema dos BRIC, e a sua grande dependência das reservas de divisas em dólares… A perda de valor relativo deste fez evaporar do dia para a noite centenas de milhões de dólares, comparativamente ao Euro… Estima-se que só em 2007, a China tenha perdido 1,5 triliões, a Rússia 500 biliões, a Índia 300 biliões e o Brasil 200 biliões de dólares, somente com esta desvalorização relativa… Estes factores – e outros que não houve tempo para aqui enumerar – explicam a queda brutal das cotações na Bolsa de Xangai. E podem determinar a eclosão de uma verdadeira recessão global, de consequências inimagináveis…
Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Walkers_World_Are_the_BRICs_crumbling_999.html

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2 Respostas a As vacilações perigosas (para baixo) da Bolsa chinesa

  1. jnpnhr diz:

    A economia mundial me lembra a Biologia. Quando se insere uma espécie estranha(China), em um ambiente em equilíbrio(economia mundial), poderá ocorrer o caos, até que a nova espécie entre em equilíbrio com as demais. A nova espécie pode levar a extinção de outras nativas(concorrência desleal) ou reduzilas(predação de mercados). Pode também causar sua própria extinção, quado sua população cresce, esgota todos recursos naturais e morre de inanição.

  2. esse é o grande risco do planeta, atualmente.
    simplesmente a Terra não tem recursos bastantes para sustentar a população chinesa se esta tiver os mesmos padrões de consumo europeus ou norte-americanos.
    por isso ou estes (de todos) diminuem, ou o planeta será forçado a expurgar-nos (pela via do aquecimento global ou de guerras por recursos cada vez mais escassos)

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