
(Só um deles é que gosta de carne de baleia… in http://www8.cao.go.jp)
Um dos argumentos usados pelo governo japonês para manter a sua polémica e quase universalmente criticada atividade de pesca às baleias tem a ver com o desejo de preservar a “forma tradicional de vida” de algumas cidades costeiras e que alimenta uma rede de restaurantes de “sashimi” (carne de baleia).
Tóquio espera capturar mais de mil baleias por ano, com fins “científicos”, mas espera também recolher da “International Whaling Commission” autorização para recomeçar a captura comercial de baleias ainda este ano. Os japoneses criticam os ocidentais que classificam a pesca de baleia como “bárbara”, alegando que as televisões mostram sempre a fase da captura em que o sangue transborda para o Oceano e tinge de vermelho as águas do Pacífico, mas que não mostram com as mesma frequências as cenas em que vacas e porcos são chacinados aos milhões em todos os matadores da Europa e do resto do mundo. Pessoalmente, não posso deixar de compreender o argumento e a evidente hipocrisia ocidental que exprime. O sofrimento de qualquer mamífero evoluído devia ter tido sempre em conta em qualquer regime ou opção alimentar. Economicamente, o rendimento de energia que decorre da conversão das matérias vegetais absorvidas por vacas e suínos em energia, na nossa mesa, é um processo ineficiente, e de facto, uma dieta à base de carne só é justificável pelo seu sabor, não pela sua necessidade imperativa, como demonstram bastantes estudos, especialmente se a dieta fôr complementada com leite, ovos e peixe. Mas serão assim tão comparáveis o gosto ocidental por carne com a pesca comercial à baleia praticada (sob pretextos “científicos”) pelo Japão? Não o cremos… Em primeiro lugar, vacas e porcos não estão à beira da extinção, como estão a maior parte das espécies de baleias, alvo de séculos de pesca sistemática. Em segundo lugar, as baleias são mamíferos muito inteligentes, tendo algumas espécies um certo de tipo de linguagem, e logo, de cultura que passam de geração em geração (ver AQUI).
Um estudo conduzido pelo professor Hal Whitehead, da Universidade de Dalhousie, no Canadá demonstrou que as baleias aprendem umas com as outras e que passam informação de geração em geração, cumprindo assim os dois requisitos essenciais de uma “Cultura” humana. As suas canções de acasalamento são uma prova física dessas culturas, já que evoluem, não são estáticas ou o resultado da recomposição de vários padrões conhecidos, como sucede com as aves, mas o produto de criações originais, que evoluem e cujos padrões são reproduzidos e adaptados por vários indivíduos da espécie, até um ponto em que, anos depois da canção original, a variação é tão diferente que quase não é reconhecida enquanto tal. Algumas espécies de baleias – como a Orca – têm dialectos diferentes de grupo para grupo, exactamente como os seres humanos possuem dialectos e línguas diferentes entre si, e o mesmo se passa com os cachalotes que são tão comuns nas águas dos Açores… Terão os Homens direito que caçar até à extinção as únicas criaturas que além de si próprios também têm uma cultura, ainda que pela falta de polegares oponíveis, não sejam capazes de construir ferramentas e de terem uma civilização material como nós?
Contudo, se os pudores morais parecem não ser suficientes para demover o Japão das suas intenções de continuar a ser o único país do mundo, além da Noruega e da Islândia a caçar baleias, os gostos culinários das novas gerações de japoneses podem estar a resolver o problema… Os jovens japoneses não revelam grande interesse por este prato da culinária tradicional, tendo um inquérito recente indicado que só 12% dos jovens nipónicos apreciam o sabor da carne de baleia… Assim sendo… O problema vai acabar mesmo por resolver, não na mesa das negociações mas… graças ao palato dos jovens japoneses.
Fontes:
http://www.terradaily.com/reports/Japanese_whalers_stand_firm_as_controversy_grows_999.html http://www.iwcoffice.org/ http://www.sciencentral.com/articles/view.php3?article_id=218392150&language=english

















Gostaria de o convidar a passar pelo site “Junqueira Antiga”, um espaço dedicado à divulgação de textos noticiosos que ajudam a traçar o retrato mediático de uma pequena freguesia de Vila do Conde, com auxílio de jornais já extintos. Fica em http://junqueiraantiga.wordpress.com/. Obrigado.
Um dos melhores artigos/post que aqui li, senão mesmo o melhor.
Depois opinarei sobre a matéria, fins prof chama-me neste exacto momento..
Mt bom
Mil baleias por ano são suficientes para provocar a extinção das baleias? Acredito que os japoneses não sejam tão burros assim a ponto de caçar todas as baleias até provocar a extinção.
A carne de baleia e´muito nutritiva, enquanto que a carne bovina é pouco nutritiva. seria melhor se o mundo todo fosse vegetariano!
Não vejo problema nenhum se os japas caçarem as baleias dentro dos seus próprios territórios.
Jornal The Daily Yomiuri
Japão: ‘Não nos venham dizer o que devemos comer de quem devemos ser amigos e com quem devemos dormir’
huahuahuahuah!
o problema está em que o fazem em água internacionais
que as baleias estão à beira da extinção, após séculos de caça desenfreada
e sobretudo em que as baleias têm um nível de autoconsciência (e uma cultura, uma língua, etc) que torna a sua caça em mera crueldade para satisfazer uma obtusa e obsoleta tradição culinária…
Falar oquê? Eles e outras nações estão errada em praticar uma ilegalidade desta..Que Deus os ilumine..Cadê a ONU e seu TPI ?
estão fora…
de jurisdição.
infelizmente.
Com essas reportagens sobre a matança das baleias eu só posso pensar que o Japão está sofrendo de volta as atrocidades e a inconsciencia de tais atos.
As baleias são moradoras muito antigas dos oceanos e carregam em seu dna toda a memoria ancestral.Alem do que são parte importante e vital da natureza assim como os seres humanos,
Dura lição que o tsunami e as irradiações nucleares estão dando a esses irmãos.
Espero que estejam sendo um exemplo para nós todos.