O aumento do preço do petróleo e as dificuldades da Globalização

(http://www.mcgill.ca)

A subida estonteante dos preços do petróleo está a fazer aumentar exponencialmente os custos dos transportes de mercadorias, não só para as transportadas por via rodoviária, a curtas e médias distâncias, mas também, e sobretudo, para as transportadas por via marítima e aérea a muito longas distâncias… Ora como estas últimas são parte fundamental do sucesso da Globalização, a explosão atual dos preços dos combustíveis está a começar a corroer pela base os fundamentos da própria Globalização mercantil e industrial… Inquestionável há alguns anos, hoje em dia muitas empresas multinacionais estão a re-avaliar as vantagens da deslocalização da fabricação dos seus produtos desde o Oriente de volta para os locais onde se encontram (ainda) os mercados consumidores destes produtos… Estas reavaliações estiveram – por exemplo – na base do regresso da fabricação dos ursinhos de peluche de alta qualidade da Greif da China para a Europa, mais especificamente para… Portugal.

E este impulso para regressar aos locais de origem não está a diminuir, nem a estabilizar… Com o barril de petróleo a 200 dólares, um valor que muitos esperam ser alcançado ainda em 2008, os custos de transportar um contentor por via marítima desde Shangai, na China até Nova Iorque que são hoje de perto de oito mil dólares, irão ascender a 15 mil! E em 2000, há oito anos atrás eram de apenas três mil dólares! A 3 mil dólares o contentor percebe-se bem a energia imparável da Globalização, mas quando este preço se multiplica por cinco até aos 15 mil, o processo mundial da Globalização não pode deixar de sofrer um golpe violento que o ameaça pelas próprias bases e fundamentos mais essenciais.

Isto contudo não significa a prazo o fim da Globalização. Representa o fim quase certo desta Globalização Mundial que tanto sucesso teve na década de 90, com a deslocalização da fabricação de quase todos os produtos de baixa e média tecnologia para o Extremo Oriente, mas a Globalização pode sobreviver e adaptar-se com relativa facilidade se em vez de deslocalizar para a China ou Vietname, deslocalizar para locais muito mais próximos dos mercados consumidores, mas ainda com custos de produção mais baixos. Para os EUA, isso implica deslocalizar para o México e América Central, o que por via da ALCA, já está a acontecer, para a Europa com o Leste Europeu e o Norte de África e para o Japão, com a China e o Vietname.

Fonte:
http://seekingalpha.com/article/82948-rising-oil-and-the-future-of-globalization-implications-for-transport-stocks

Sobre Clavis Prophetarum

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