Das dificuldades presentes (e permanentes) das companhias aéreas de Low Cost

//s.wsj.net)

(Acidente com o MD-82 da Spanair in http://s.wsj.net)

Tenha sido provocado ou não por problemas de manutenção, a tragédia com o avião da Spainair expôs um problema grave das sociedades atuais: no contexto atual de alta continuada e perene dos preços dos combustíveis podem haver ainda companhias de aviação Low Cost?

As falências da companhia de bandeira italiana, a Alitalia e a da muito menos badalada, da Low Cost britânica Zoom (talvez mais relevante, porque implicou a total interrupção de serviço) são sinais de uma industria de transporte aeronáutico que não tem mais a sustentação económica de anos passados. Vivendo um pouco acima dos limites, sempre com margens de lucro reduzidas, as companhias Low Cost não conseguem agora lidar com preços de combustível que subiram 40 por cento em menos de quatro meses.

Como os preços elevados de combustíveis estão para ficar, as reduzidas margens com que trabalham as companhias Low Cost serão comprimidas ate um tal ponto que deixara de ser possível continuarem a operar. Inevitavelmente, nos primeiros tempos tentarão continuar a funcionar cortando nas despesas com pessoal ou em manutenção, e não me espantaria se a taxa de acidentes aéreos dos próximos anos não viesse a disparar em resultado destas reduções, mas a prazo é todo um paradigma que banalizou as viagens aéreas intercontinentais até certos destinos turísticos de massas que vai terminar. A bem do clima, devido às emissões de CO2 dos aviões, mas a mal do desenvolvimento económico de tantos países do Terceiro Mundo que dependem sobretudo das receitas do sector turístico…

Fonte:
bbc.co.uk/news

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5 Respostas a Das dificuldades presentes (e permanentes) das companhias aéreas de Low Cost

  1. Guedes diz:

    As Low Cost foram aparentemente uma invenção engraçada. Não tinham lugares marcados, não paravam em mangas, ou seja eram uma espécie de autocarros aéreos. Mas especialmente jogavam para ganhar numa espécie de “futures” da bolsa. No entanto o jogo revelou-se desigual. Na Europa os trabalhadore possuem direitos sindicais inamovíveis (salários, horas de voo, pensões de reforma serviços de saúde etc.). Ao contrário na Ásia esses direitos são encarados de forma diferente. Por isso os salários dos dois pilotos de qualquer avião estão muito além do que recebem as tripulações de cabine. Sete ou oito hospedeiras e comissários recebem na Ásia como salário mensal quase o mesmo montante de um comandante e de um co-piloto. Acrescente-se que as tripulações de cabine se quiserem pensar na reforma tem que fazer um seguro privado de reforma. Assim é possível manter uma companhia a voar e ter lucros na Ásia. Na Europa é impossivel manter uma companhia a voar com os custos referidos. Mas apesar das diferenças existem também semelhanças que se referem aos custos de manutenção já que em certos casos os mecânicos de aviões são tão bem pagos na Ásia como na Europa. Assim não admira o desastre da Spanair em Madrid.
    - O avião tem vibrações diz o piloto e regista no livro de voo o problema
    O gestor pergunta se o caso requer um avião parado quando é necessário levar 180, ou 200 passageiros que compraram os seus bilhetes para o próximo voo programado para o dia tal.
    O especialista responde: – é possível a avaria é menor e podemos fazer a revisão amanhâ ou depois.
    De facto é possível, mas não recomendavel e no caso da Spanair foi o que se viu. Retirar um avião para inspeção em qualquer caso custa dinheiro, muito dinheiro.
    Tudo isto me faz lembrar os meus tempos de Angola quando o comandante de um avião da TASS ( companhia de voos domésticos) aterrado no Quito Cuanavale me perguntou se eu tinha calços de travões para substituir os do seu avião que estavam completamente gastos. Não tinha já que os que existiam em stock eram destinados aos Dornier 27 e T6-Harvard ( o seu avião era um Focker Wolf, ou coisa assim).
    - Acho melhor ficares aqui e aguardares que venham do Huambo os calços, avisei-o.
    Todavia, com a maior displicência respondeu-me: – Não faz mal tenho passageiros para transportar para Luanda amanhâ. Não posso esperar. E afinal de contas a pista do Huambo é suficientemente longa para conseguir travar mesmo sem travões bastam os flaps e os hélices em reverso!….
    Vim a saber que aterrou sem problemas no Huambo e provávelmente de lá terá transportado os seus precisosos pasageiros para Luanda de bilhetes previamente comprados e ansiosos por chegarem ao seu destino sem pensarem na segurança de voo. Ainda bem que bem chegaram!
    Mas esta é a filosofia das Low Cost e dos voos “charter” também infelizmente.
    Acho que está na altura de intervir para que a segurança pervaleça sobre a exaltação do mercado e o lucro sem olhar a meios.

  2. gaitero diz:

    é fato, infelizmente as expeculações jogaram o preço do petróleo para os céus, felizmente esta sendo reduzido em pequena escala, mas o suficiente para aliviar o preço dos combustiveis, e amenizar os problemas enfrentados pelas companhias aéreas, infelismente este pode ter sido um dos problemas que causaram este acidente, mas de qualquer forma, deve haver uma maior fiscalização, para que aviões como este, com peso de sua idade nas costas, deixe de circular, ou que pelo menos, realze um vôo apenas quando tenha condições maximas de capacidade.

  3. Guedes diz:

    Absolutamente de acordo

  4. M4Jor diz:

    Se margens de lucro nas low cost, é porque era e é possível uma redução drástica nos preços dos bilhetes das grandes companhias. além disso poderia ser aberta a opção low cost vs preço normal no passageiro. Quero lá comer azitonas ou quero lá q carreguem a minha mala. Reduzam estes custos. que os quiser que vá para primeira classe. Há demasiado despesismo nas companhias aereas, e utilizam o falso argumento da segurança e manutêncão, quando estas inspecções são obrigatórias +para todos. Mais complot q outra coisa qq.

  5. não é só complot… neste caso concreto da spanair há mesmo problemas concretos com avarias ignoradas, pressão para descolar com aviões com problemas, pilotos a fazerem manutenção, etc, etc… e com o aumento dos combustíveis, mais exemplos haverá certamente…

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