Sobre a necessária reforma do Sistema Financeiro Mundial

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Um pouco por todo o mundo, a Banca globalizada e imensamente mal gerida dos últimos anos vai entrando e dificuldades. No Reino Unido são já dois os bancos de expressão nacional que faliram e que foram nacionalizados. Nos EUA, é o que se vê… Dois dos quatro maiores bancos de investimentos faliram, uma das maiores seguradoras do mundo, a AIG, foi salva In extremis pela injeção de milhões de dólares dos contribuintes americanos e uma serie de pequenos bancos já fecharam as portas, sem que tivesse havido de tal grande eco no resto do mundo.

O método que os Governos estão a recorrer para “apagar estes fogos” (palavras do presidente do FMI) tem consistido em comprar dividas incobráveis e na injeção de capital, quer nacionalizando pura e simplesmente (variante britânica), quer tomando parte do controlo acionista da instituição intervencionada. A prazo, a intenção – em ambas as variantes – é re-privatizar estas instituições, colocando-as à venda e entregando-as a investidores privados por um preço que naturalmente será muito baixo… Richard Branson, o dono da Virgen já se ofereceu para comprar ao Estado o nacionalizado Northern Rock e outros se lhe seguirão, um pouco por todo o mundo… A prazo, o que vai acontecer é que os gestores financeiros que nos arrastaram a todos para a beira deste colapso económico mundial se vão safar incólumes, gozando as suas reformas aos 45 anos em ilhas das Caraíbas, salvos na hora derradeira pelo dinheiro dos contribuintes que exploram e a quem pagam salários cada vez mais baixos, e os “investidores” e multimilionários remanescentes vão ficar ainda mais multimilionários ao comprarem ao Estado bancos e seguradoras a preços de saldo. O que mudara então num sistema financeiro globalmente doente e disfuncional? Rigorosamente nada, alem do destino dado aos nossos impostos que vai salvar da falência empresas financeiras doentes e mal geridas e desviar recursos do combate ao Aquecimento Global, na descoberta de novas fontes de energia, do combate a pandemias e, sobretudo, da luta pela erradicação da Fome e da Miséria no mundo.

Mas então, se existem argumentos morais para obstar a este “safamento massivo da Banca”, então o que se devia fazer para responder e obstar a esta crise financeira global? Não há respostas 100 por cento certas. Mas seria economicamente muito mais saudável, a longo prazo, deixar morrer todas as instituições financeiras que acumularam grosseiros erros de gestão desde 2000 (pelo menos) e sanar assim um sistema financeiro global doente. Os bancos e seguradoras que não se dedicaram a brincar aos casinos sobreviveriam, e os demais abririam falência e fechavam as portas. Exatamente como sucede com qualquer empresa do ramo de serviços, industrial ou agrícola. O desemprego assim criado, e os depositários afetados receberiam compensações parciais no primeiro caso, e totais no segundo, pela quebra de rendimentos e este destino dos bens dos contribuintes seria muito mais eticamente e economicamente correto (porque favoreceria o consumo e deixaria morrer empresas mortas).

E que lições devemos tirar de toda esta turbulência? Talvez os Mercados não sejam tão importantes como os seus investidores e especuladores gostariam de fazer crer… Comprar ações e obrigações, não corresponde a gerar riqueza ou Emprego e o seu mundo virtual apenas pode criar riqueza virtual que se esfuma em poucos minutos, como se viu. O setor produtivo, industrial e agrícola, deve prevalecer sobre o de serviços, e sobretudo sobre o financeiro. E acima de tudo, toda a Economia, todos os seus mais diversos agentes devem compreender que a Globalização, a concentração de Bancos e Seguradoras num grupo cada vez menor de mega-instituições revela agora as suas fragilidades… Se uma Seguradora com a dimensão tentacular da AIG falir, toda a economia mundial se ressente. Ao invés, se houvesse a multiplicidade diversa, enriquecedora e dinâmica de uma rede de bancos locais ou regionais o sistema financeiro seria muito mais resiliente e flexível e esta deve ser a nossa lição principal: as economias locais são muito mais resistentes a crises mundiais, porque como recolhem e dividem a sua riqueza localmente, e só secundariamente comunicam entre si, resistindo e travando a propagação de crises mundiais, contendo localmente recessões locais e mantendo prosperas as regiões vizinhas que só sucedaneamente usam as suas exportações.

Publicado também na Nova Águia

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3 Respostas a Sobre a necessária reforma do Sistema Financeiro Mundial

  1. Detalhe; esses ianks ferraram com o nosso crescimento e pór tabela do globo..Eles são um bando de #$%¨%$@#@$%**&%¨%$#@@$¨&**¨%$##@#%, É ISSO “MERMO” .

  2. Deixar que o mercado se estabilize por si só. A economia afastada do estado era uma filosofia adotada antes da crise de 29, mas como naquela crise a coisa não se resolvia por si só e só estava piorando, o estado interviu com o New Deal do governo de Franklin Roosevelt, a crise acabou anos depois, mas até hoje ninguém sabe se a coisa sanou sozinha ou se foi graças a intervenção.
    Qualquer esforço pra evitar a crise atual pra mim é útil, já que a crise de 29 foi um estrago e ela era menor do que a que estar pra acontecer.

  3. é isso que penso, de certa forma. Estes Bancos deviam morrer, mas estabelecendo sempre os essenciais mecanismos defensivos que impediram a perda das poupanças e dos investimentos das pessoas e empresas.
    Assim se sanearia a economia destes entidades ineptas e se criaram bases para um crescimento saudável.

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