(Ana Sara Brito: Ela está muito preocupada com a sua própria “Ação Social” in http://www.cidadaosporlisboa.org)
Já não é a primeira vez que escrevo sobre esta questão das “casas camarárias”. Nem será a última, provavelmente, uma vez que a situação permanece no mesmo estado, desde o momento em que veio a lume… Por exemplo, até ao momento em que escrevo estas linhas, a vereadora do PS que tem atualmente o pelouro da “Ação Social” continua a pagar apenas 146 euros de renda mensal por um apartamento de duas assoalhadas no centro da Capital. E isto apesar de conseguir moralmente compatibilizar uma intervenção “social” que devia ser vocação muito mais do que mera profissão com um ordenado de 3350 euros e uma “renda social” de 146 euros. Sempre gostaria de saber como se consegue realizar “ação social” exemplificando publicamente uma conduta moralmente tão torpe…
Enfim, faz o que eu digo, não o que eu faço, na boa maneira da política portuguesa… E depois ainda vêm estes aqui criticar os portugueses porque estes estão sempre a “desconsiderar os seus políticos”…
Se os políticos, e especialmente aqueles que ocupam cargos executivos, se querem fazer respeitar, têm que começar por fazer reger a sua conduta pessoal e pública de acordo com os mais elevados padrões de ética e moralidade, e ir muito além daquilo que a Lei lhes exige estritamente. Quem gere e manipula verbas públicas deve estar acima de toda e qualquer suspeita e o caso de Ana Sara Brito se não correspondeu já a uma demissão da própria, pelo menos devia ter correspondido a uma desautorização por parte da Concelhia do PS sobre o desempenho deste delicado pelouro da “Ação Social” em Lisboa.
Numa conferência pública, a vereadora do PS explicou que a situação tem já VINTE ANOS e que segundo a própria “tal nunca pôs em causa os seus valores éticos“. Ela que vá explicar isso aquelas pessoas que precisavam de uma casa como aquela onde habita que o facto de ser militante do PS não tem rigorosamente nada a ver com a cessação de uma casa camarária por uma renda simbólica… Na mesma conferência, a militante do PS deixou a questão envolta ainda em mais nuvens escuras do que ela já trazia à partida… Explicou que recebera a casa de Abecassis, em 1987 (já era então vereadora da Ação Social) porque o senhorio da casa tinha “problemas com o município” e ela levara essa situação ao presidente da Câmara, que os “resolveu“, adquirindo a dita casa e alugando-a depois – acto contínuo – a Sara Brito… Serei só eu, ou esta história cheira a esturro? “Resolveu“??? Como assim? Que alavancas foram acionadas por Abecassis aqui, a favor de um particular? E porque acabou a casa nas mãos da inquilina e depois de ter sido comprada com o dinheiro dos meus impostos? A senhora não poderia ter recebido guia de marcha para outra “casa camarária”, já disponível no acervo da Câmara, não, tinha logo que ser mesmo aquela, custasse o que custasse aos cofres do meu Estado (municiados pelos impostos de todos nós)????
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