O torpedo russo de supercavitação “VA-111 Shkval”

Torpedo russo VA-111 Shkval

Torpedo russo VA-111 Shkval

O torpedo VA-111 Shkval é o primeiro de uma geração de torpedos de supercavitação desenvolvidos nos últimos anos da União Soviética. Os torpedos são capazes de alcançar velocidades superiores a 200 nós (370 km/h), seis vezes mais rápidos que o mais rápido torpedo ocidental.

Os trabalhos em torpedos de supercavitação começaram no final da década de sessenta para satisfazer o pedido do ministério da Defesa de criar um novo sistema de armas capaz de enfrentar os submarinos nucleares norte-americanos. O engenho foi criado como uma contramedida contra torpedos lançados por submarinos inimigos não detectados.

Até à pouco tempo, pensava-se que o Shkval tinha entrado em serviço apenas no começo da década de noventa, mas sabe-se hoje que as suas primeiras versões foram usadas a partir de 1977.

A extraordinária velocidade do torpedo resulta da aplicação do conceito de “supercavitação” em que o torpedo atravessa as águas dentro de uma bolha de gás criada pela deflecção dos gases de expansão gerados pelo seu motor foguete. Este método reduz muito o efeito de travagem da água sobre o torpedo, que de facto, não é mais do que um míssil subaquático.

O torpedo sai dos tubos de lançamento de torpedos a 50 nós, ligando segundos depois o motor foguete que o leva até aos 200 nós atuais, havendo previsões de que uma versão de 300 nós (560 km/h) está em desenvolvimento. Na fase final da propulsão do míssil este é guiado por quatro aletas que são estendidas ou recolhidas sucessivamente.

O Shkval foi criado para ser tão rápido que os torpedos anti-torpedo norte-americanos não fossem capazes de os destruir antes destes alcançarem os seus alvos, um tipo de vantagem que a China gostaria de ter no mar do Pacífico…

Segundo noticias nunca confirmadas, a China teria comprado 40 Shkvals ao Casaquistão em 1998, país que os teria herdado dos tempos soviéticos.

A variante atualmente produzida na Rússia é a “Shkval 2″, que ao contrario da inicial, é guiada por impulso vectorial e que tem um alcance maior. A versão que a China comprou ao Casaquistão terá sido esta, o que não deve ter agradado aos russos que fabricam uma versão de exportação do torpedo, mais limitada e com menos velocidade e alcance, anunciada pela primeira vez na IDEX 99 em Abu Dhabi.

Os submarinos atuais da esquadra chinesa não são suficientemente longos para o Shkval, mas os quatro novos submarinos Kilo 636 adquiridos à Rússia além de serem muito silenciosos podem também incorporar estes torpedos e o mesmo sucederá com a nova classe chinesa Type 093 de submarinos nucleares, uma cópia local da classe russa Victor III da qual a China vai construir seis unidades até 2012. Com estes Kilo, os Type 093, armados de Shkval, um torpedo contra o qual nada na US Navy pode fazer, o equilíbrio de poder no Pacífico – até agora largamente favorável para os EUA – transforma-se e a China passa a ser uma ameaça oceânica muito importante nessa cena internacional.

Testes com este torpedo podem ter estado na base do acidente do submarino Kursk (um oficial chinês estava a bordo para observar o seu desempenho) e, mais tarde ter estado na base da detenção do empresário norte-americano Edmond Pope, em Moscovo por alegadamente ter tentado comprado planos de um “torpedo de alta velocidade”.

Fontes:
http://www.militaryperiscope.com/mdb-smpl/weapons/minetorp/torpedo/w0004768.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/VA-111_Shkval
http://archive.newsmax.com/archives/articles/2001/4/23/220813.shtml

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11 thoughts on “O torpedo russo de supercavitação “VA-111 Shkval”

  1. Eu simplesmente me impressionei com esse torpedo, e td de bom para qualquer submarino, o terror dos NAEs , em especial para os ianks.Os Rússos se mostram imbatíveis quando o negocio e Armas , é de causar invejas, são mt criativos neste campo. São torpedos feitos para pegar os NAEs , especialmente.Puro terror.

  2. Fred

    O’principal problema do shkval ainda é a direcionabilidade, depois que perder o fio de controle, a falta de contato com a água impede que obtenha nova informação ou utilize qualquer sensor para correção ou confirmação do alvo pretendido.

  3. O Skval já tem várias versões aluns defeitos já foram parcial ou totalmente corrigidos, faz medo aos NAEs ianks…heheheheh

  4. é claro que esse problema é menorizado pela sua velocidade, que impede a sua intercepção por “contra-torpedos” e reduz muito a capacidade de manobra dos navios adversários… é de facto, contudo, um problema conceptual sério e inultrapassável.
    mas continua a ser uma arma engenhosa e temível…

  5. Fred

    Sim sim, realmente é incrivel, a impossibilidade do uso de sensores acaba por torná-lo mais barato que os que possuem guiagem ativa! e a detonação por proximidade minoriza um pouco a falta de correção de curso!

  6. e se a China os possui… a esquadra americana no Pacífico não poderá mais naveghar sossegada… é que ainda não há contramedidas para estes torpedos.

  7. O pior de tudo é que a mesma vai piratear o Skval II, então , a coisa fica bem pior ; teram mt torpedos para seus Subs. A China ñ pede tempo.

  8. sim, os russo não aprenderam nada com o incidente dos SU-27 que os chineses copiaram e que venderam ao Sudão…
    Eles é que perdem, a prazo, porque daqui a 10 anos, a China não vai precisar deles para nada…

  9. Carlos Gomes

    Sonho com o dia em que o Brasil tambem terá tecnologia própria!

  10. Hudson

    Há necessidade de modernização de nossas forças visivelmente já que estas nações não são do tipo pacificas o Brasil tem que acordar e parar de pensar que o mundo está tranquilo estas nações sabem que a palavra paz significa equilíbrio de forças e temos sim que estar prontos para defender nossos sonhados recursos desses lobos em pele de cordeiro pois pra eles “os fins justificam os meios” e para nos “vacilou perdeu perdeu!”.

    • Vivemos um periodo onde a contencao de despesas dos Estados ‘e imperativa e a licao europeia (excesso de despesa no quadro de economias anemicas) deve ser aprendida por todos… Mas algo ‘e, de facto, incontornavel. Se o Brasil tem aspiracoes a ocupar um lugar entre as grandes nacoes, tem que ter forças armadas ‘a altura. E isso nao acontece.

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