O partido socialista levou ao Parlamento um projeto de Lei que, na nossa opinião, é inovador e que, cedo, poderá ser repetido noutros países do mundo. A ideia é limitar a metade a quantidade de sal que os panificadores introduzem no pão.
Vários pratos tradicionais da cozinha portuguesa implicam um abuso da quantidade de sal, nomeadamente o bacalhau, que é preparado de tantas formas diferentes, tendo todas em comum o sabor fortemente salgado. Talvez essa ubiquidade do bacalhau salgado explique porque há uma tendência para exagerar no sal, e porque é que os panificadores cederam aos pedidos dos consumidores e acrescentam mais sal no pão.
Atualmente o pão é, em Portugal, um dos artigos da alimentação quotidiana que mais sal apresenta e como se trata de algo que é consumido varias vezes por dia o pão é o maior responsável isolado por Portugal ter o mais elevado índice de mortalidade de ataques de coração da Europa, sendo este o dobro do espanhol e mais do triplo do registado em França.
Estima-se que um redução de apenas uma grama na quantidade diária de sal ingerido – no país – permitirá salvar 2650 vidas por ano, já que os ataques de coração (provocados por elevados níveis de pressão sanguínea) levam 20 mil portugueses por ano, ou seja 20% de todas as mortes. O projeto de lei menciona também um estudo universitário que indica que cada português consome o dobro de sal da quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde (5,8 gramas). Este desvio é responsável pelas mortes acima referidas e por uma sobrecarga nos custos no sistema de saúde e no consumo de medicamentos.
Ora, como em Portugal existem cerca de 20 gramas de sal por cada quilo de pão, a lei pretende reduzir esse valor para 14 gramas e prevê multas para os violadores deste limite e a inserção obrigatória da informação da quantidade de sal por quilo no pão.
A Lei é bem intencionada e ainda que tenha feito levantar o caldo da ira nos neoliberais que acham que não devem existir regulações para nada, se algo peca nela é… A falta de ambição. A Lei existe para regular as acções entre os cidadãos e para impedir acções egoístas ou que prejudiquem o bem comum. É também a missão da Lei impedir que acções nossas atuais nos venham a prejudicar no futuro, usando a ciência para combater o senso comum ou o puro prazer imediatista. Com o sal podemos colocar a mesma questão deu encontramos com o tabaco: terão os governos o direito de legislar contra estes “prazeres” que a prazo criam dor, doença e sofrimento? E a resposta, ditada pela simples regra da aplicação da lei do bom senso só pode ser sim.
Fonte:
http://www.reuters.com/article/oddlyEnoughNews/idUSTRE52C46P20090313


















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