Sobre a resistência da economia indiana à atual recessão mundial

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A Índia está a revelar-se como um dos países que no mundo melhor está a resistir à presente recessão mundial… Quem o admite é o próprio FMI cujo diretor admitiu que ainda que se espere uma desaceleração do crescimento registado nos últimos anos esta nunca será tão grave como a registada na maioria dos países do mundo. O PIB deverá crescer em 2009, uns sólidos 6,9%, menos que os 9,3% de 2007, mas ainda assim muito acima da maioria dos Países em Desenvolvimento ou como outros BRIC, como a Rússia (2.4%) e o Brasil (3,5%)

E existem também condições para crescer ainda mais depressa – e melhor – quando a maré da Recessão mundial passar… lá para finais de 2009, começos de 2010, como parece vir a suceder hoje: é que a economia indiana ao contrário de outros países que fizeram depender excessivamente o seu crescimento de Exportações vorazes que destruíam tudo à sua passagem, criando anticorpos virulentos nos países cujas industrias destruíam e criando autênticos monstros imprevisíveis, como o défice da balança comercial dos EUA (hoje em 36 biliões de dólares!), a Índia preferiu outro modelo de desenvolvimento menos agressivo e menos exportador. No auge da globalização neoliberal, isso levava alguns neoliberais a dá-la como “caso falhado” da Globalização porque comparavam o seu crescimento modesto do PIB ao da China, mas agora que esta se ressente da quebra da procura dos seus produtos, a opção indiana afinal não parece assim tão má… Com efeito, se mais de 40% do PIB chinês depende das exportações, na Índia essa dependência é de apenas 15%, o que garante uma maior resistência ao atual declínio. O modelo de desenvolvimento indiano é muito mais orientado para a fabricação local e para o consumo interno do que o de qualquer outro país asiático. Em suma, quando toda a Ásia embarcava numa febre globalista e orientava toda a sua economia para as exportações, a Índia optava pelo desenvolvimento local e auto-sustentado. Por opção, registou índices de crescimento inferiores aos dos tigres asiáticos, mas a correção da escolha é agora – em maré de recessão global – evidente.

O grande factor de estabilização da economia indiana é o seu consumo interno, alimentado por uma classe média com perto de 300 milhões de pessoas e cujo poder de compra ronda o de um europeu médio. Mas até no sector exportador, a Índia está bem posicionada: ou exporta serviços de valor elevado, como outsourcing tecnológico ou exporta produtos manufacturados para países em desenvolvimento. Neste ultimo âmbito, as suas exportações conheceram um declínio sensível, sofrendo especialmente com o declínio do sector internacional da Banca e dos Seguros. Mas mais de 50% das exportações são em serviços informáticos e em software e este sector deverá continuar a subir, dada a conhecida excelência das universidades indianas e o facto de como resposta à crise, muitas empresas ocidentais virem a reduzir ainda mais o seu pessoal e aumentarem o outsourcing para a Índia.

O sistema financeiro indiano tem, também, sabido resistir ao turbilhão que tem varrido muitas praças asiáticas. Estima-se que, na Índia, os ativos tóxicos sejam inferiores a 2%. O crédito às empresas e aos particulares permanece robusto, com um crescimento de 20% nos últimos meses.

O grande problema indiano é ainda hoje as infraestruturas, que ainda são no essencial as mesmas do período colonial. A Bolsa indiana também sofreu a sua quota parte, com uma queda das ações aí cotadas superior a 60%, o sector imobiliário também caiu e a própria moeda indiana, a rupia, perdeu valor nos mercados internacionais. Mas a situação não foi tão profunda como na maioria dos países do mundo e a queda parece agora travada.

Em suma, devido ao seu modelo de desenvolvimento, que privilegia o Local em desprimor do Global, a Índia não só está a resistir no campo da “economia real”, como a “economia virtual” (financeiro, imobiliário, bolsa, etc) está a sofrer menos que a maioria dos países do mundo. Não terá as reservas em divisas estrangeiras que a China acumulou nas últimas décadas (retirando-as ao resto do planeta, desindustrializando-o), mas tem algo ainda mais importante: tem o capital humano altamente instruído, um sistema democrático com uma série de “semáforos” instalados e um modelo de desenvolvimento que se baseia muito mais no desenvolvimento das suas populações do que na sua exploração por uma elite empresarial e política, altamente corrupta e alérgica a qualquer semente de democracia ou de livre expressão que essas massas produtoras possam querer transpirar. Assim, a Índia tem melhores condições para atravessar este turbulento período da economia mundial do que a Rússia (demasiado monodependente e em evaporação demográfica acelerada) e do que a China, com a sua massa populacional reprimida e que ao primeiro sinal de depressão económica vai exigir reformas democráticas. De todos os BRIC, apenas o Brasil talvez se lhe assemelhe, já que embora tenha um forte sector exportador (agro-pecuário), fez também assentar no consumo interno o desenvolvimento da sua economia nos últimos anos.

Fontes:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/503238
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u480673.shtml
http://www.papodeempreendedor.com.br/empreendedorismo/qual-o-pib-do-brasil-e-do-mundo-para-2008-e-2009-e-o-dolar/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u534049.shtml

Sobre Clavis Prophetarum

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4 Respostas a Sobre a resistência da economia indiana à atual recessão mundial

  1. Mt bom p/ eles é p/ o mundo, que precisa de comprador (s) para fazer girar a roda da ecomônia, é olha q lá tem problemas sociais comcaracteristicas religiosas, os Dalitys, + é mt bom saber que eles estão bem …ótimo p/ nós.

  2. têm grandes problemas… tão grandes como o seu país… e estão imersos em plena guerra religiosa, com ultrafanáticos no norte (Cachemira) e com fronteira com o nuclear Paquistão.
    é um país importante para a geopolítica do mundo (podendo a prazo ser o derradeiro travão para o expansionistmo chinês), mas pleno de ameaças…

  3. É sr .Clavis eles estão tendo um crescimento pópulacional que em breve vai igualar e ultrapassar a da China..em 10 anos 1.8026.000 só de gente…e o que vai segurar um pouco…o Dragão, espero.É ter mt s bocas p/ alimentar.

  4. e isso é um problema, pq a sua produção alimentar nem de perto tem crescido de forma idêntica…

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