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A pequena ilha de Mayote, no oceano Índico e situada não muito longe do extremo norte de Moçambique irá tornar-se de novo num território ultramarino francês. Com efeito, este país islâmico votou recentemente tornar-se o 101º Departamento (município) gaulês numa votação cujo resultado foi absolutamente esmagador.
Não deixa de ser irónico que este “regresso à mãe colonizadora” ocorra no mesmo momento em que as possessões francesas na Caraíbas, como Guadalupe, Martinica e até à Guiana (com fronteira com o Brasil e local de lançamentos dos foguetões Ariane) se deixam submergir por distúrbios populares de grande violência.
Ainda que seja um pequeno país, Mayote é estrategicamente vital para a França não só porque pode servir de uma base de apoio para as operações militares gaulesas no Afeganistão e na Somália, mas também porque pode servir de exemplo de paz e democracia para os países vizinhos onde a influência radical islâmica não pára de crescer, como demonstra o interesse iraniano no vizinho arquipélago das Comores que o presidente iraniano visitou recentemente e onde o Irão financiou a construção de escolas e mesquitas reforçando laços já fortes e que recuam ao tempo em que o presidente das Comores Ahmed Abdallah Mohamed Sambi estudava em Teerão.
Mayote tornou-se independente de França em 1975, mas optou por manter-se sob administração francesa ao contrário do resto do arquipélago das Comores, imerso numa sucessão de golpes de Estado desde essa época. O resultado deste referendo irá fazer cessar o modelo de “administração” e enquadrar a ilha como território francês de pleno direito, com direitos de saúde, educação, segurança social e todas as demais regalias comuns na Europa. Em troca, os habitantes de Mayote terão que abdicar da… Poligamia islâmica. O que apesar de tudo ainda pode pesar bastante na balança de alguns mayotianos…
É claro que as outras ilhas independentes das Comores (exemplos negativos de estabilidade e desenvolvimento) estão furiosas e emparelham com a União Africana num coro de críticas a este suposto regresso do “colonialismo europeu”. Talvez o que mais irrite os líderes comoranos é o facto de haver uma grande corrente migratória desde as suas ilhas para Mayote onde – mercê da administração francesa – as condições de vida são muito melhores que no resto do arquipélago.
Agora, uma pergunta… Se idêntico referendo corresse em São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde, questionando sobre a reintegração desses países como “regiões autónomas” portuguesas, quantos nacionais destes países não votariam no mesmo sentido dos cidadãos de Mayote?
Fonte:
http://www.guardian.co.uk/world/2009/mar/26/mayote-referendum-polygamy-islam
















Tem de ser no voto, sempre no voto, com honestidade, limpeza e mt observadores internacionais, p/ válidar o resultado. Ainda q impérfeita a democracia é quase tudo de bom da politica. É vamos votar.
sempre. e neste caso ninguém discutiu os resultados…
Clavis Prophetarum,
há regiões no mundo que simplesmente não compensam serem independentes das suas metrópoles. No caribe, as Antilhas Francesas, Antilhas Inglesas e Antilhas Holandesas e, a Guiana Francesa têm condições de vida melhor do que os países que se tornaram independentes. Os habitantes das Malvinas preferem permanecer sob os britânicos do que se tornarem argentinos. O povo nativo da Gronelândia vive bem sob o domínio dinamarquês.
Mayote chegou a essa conclusão. Possivelmente, São Tomé e Príncipe e o Cabo Verde podiam talvez estar melhor se tivessem permanecido com Portugal, tal como os Açores e a Madeira que permaneceram. O Suriname teria ganhado mais se tivesse permanecido com a Holanda. A opção por independência nem sempre é a melhor opção.
E para nao falar da antiga Uniao Sovietica… Quantos “sovieticos” nao estarao hoje (apesar de tudo) saudosos desse tempo de uniao?…
Carlos Argus
estou em total concordância.
CP
achei graça ás tuas escolhas!!! a GBissau é super interessante.
e Timor-Leste, repugna-te???
quanto a STP, digo-te de fonte segura que regressava a Portugal. Cabo-Verde não, tem uma identidade diferente muito marcada, não gostam de se comparar aos restantes africanos. e os resultados mostram isso.
“Não deixa de ser irónico que este “regresso à mãe colonizadora”” que queres dizer com isto???
e os distúrbios nas restantes possessões francesas (que desconheço) são na tua opinião causados por quem e porquê???
Odin
Açores, Madeira, Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe é um caso de racismo gritante:
- foram territórios descobertos pelos portugueses
- eram desabitados (há uma polémica com os Angolares em STP)
- foram colonizados por portugueses
- foram organizados e administrados por portugueses
a diferença é que nos 2 primeiros são maioritáriamente brancos, sendo Cabo-Verde uma pátria crioula por excelência e STP mais escura…
factos são factos, o racismo existe EM TODO O LADO E EM TODO O MUNDO!!!
infelizmente…