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Se pensavam que, na Índia, o outsourcing se limitava à área das tecnologias de informação… desenganem-se. Uma próspera empresa indiana está a resistir particularmente bem à presente recessão mundial e não oferece serviços de call center ou de outsourcing informático mas… serviços jurídicos. Trata-se da UnitedLex, uma empresa que está não somente ao abrandamento da economia indiana, como até a aumentar o ritmo do seu crescimento porque o seu core business é a prestação de um novo termo designado por “legal outsourcing”. A oportunidade de negócio aproveitada pela UnitedLex consiste no reconhecimento de uma estratificação da área legal, com diferentes níveis de serviço e graus de exigência.
As maiores clientes atuais da UnitedLex são grandes e médias empresas norte-americanas que procuram assim reduzir os custos dos seus departamentos legais. A empresa indiana tem 70% dos seus colaboradores com graduações dos prestigiados IITs (institutos de tecnologia) indianos, tem vários médicos, especializados em casos clínicos. A empresa segue os mesmos exigentes padrões de admissão das universidades indianas, já que em cada vaga de novos candidatos (entre 100 e 200 de cada vez) apenas 10 são admitidos.
No total, a empresa acolhe 240 advogados indianos, com formações universitárias de 3 ou 5 anos, um número que cresceu 400% desde o ano passado estando hoje a maioria empenhada em tarefas relacionadas com a atual crise financeira.
Não deixa de ser curioso que o conceito de Outsourcing comece a extravasar da área das Tecnologias de Informação até outras áreas de atividade, como a advogacia. Sobretudo porque durante muito tempo estes profissionais se julgavam imunes a esta Tempestade que ia varrendo áreas inteiras de TI nas organizações… No concreto, estes advogados da UnitedLex – assim como os de outras empresas semelhantes que agora começam a surgir – terão que acumular os seus anos de ensino jurídico na Índia com outros anos de adaptação aos regimes jurídicos dos países a quem prestam serviços em Outsourcing. Como todos têm mestrados, isto implica que cada um deles acumula quase dez anos de ensino superior, numa sociedade onde este é extremamente exigente e onde a margem para a indulgencia que caracteriza cada vez os sistemas de educação ocidentais é nula. A Índia – ao contrário da China – já percebeu à muito tempo que é na qualificação das suas pessoas que irá assentar cada vez mais o seu progresso social e económico. É certo que a sociedade indiana, com mais de 500 milhões de pessoas no mundo rural, vivendo na mais básica miséria, com um cruel e obsoleto sistema de castas e com níveis de infraestruturas indignos de qualquer país desenvolvido, tem ainda grandes problemas a resolver. Mas, ao contrário dos paradigmas neoliberais que acreditam que o futuro da indústria são os baixos salários (China), e a tercialização das economias (Ocidente) a Índia compreendeu bem que o futuro são as Pessoas.
Fonte:
http://www.unitedlex.com/unitedlex-news/media-coverage/















