Depois de algumas hesitações governamentais e de um receio de um recuo nítido após a vitória da direita nas últimas eleições regionais galegas, a notícia segundo a qual o presidente do Governo galego Alberto Núñez Feijóo se tinha comprometido a avaliar a presença da língua portuguesa como língua de opção nos currículos escolares da Galiza é uma boa surpresa.
O atual presidente do Governo galego fez estas declarações após uma reunião com o embaixador português Álvaro de Mendonça e Moura, que visitou a Galiza para estabelecer contactos com entidades públicas e privadas regionais e enquadra-se numa discreta, mas constante, pressão do Governo português no sentido de que o ensino do português seja introduzido nos programas escolares de várias regiões de Espanha, entre as quais a Galiza, a Catalunha e a Extremadura, onde se situa Olivença.
A inclusão do português nos programas espanhóis será facilitada agora que se multiplica a lecionação do castelhano – como opção – em Portugal, tendo o Governo antecipado assim a boa vontade espanhola para corresponder a esta abertura, esperando nós agora que a via seguida seja a correta.
E se em regiões como a Extremadura o português é já hoje opção então não se compreende que a lusófona Galiza esteja atrás no ensino do português naquela que é a verdadeira matriz linguística e cultural de Portugal. Isto mesmo admite Feijóo quando refere a existência de uma “relação especial” entre Portugal e a Galiza. O responsável máximo pelo governo galego afirma que a língua portuguesa é, com o inglês, uma das línguas mais importantes do mundo, desde logo porque se estima que até 2025 existam mais de 360 milhões de lusófonos no mundo, mais do que as duas línguas europeias mais faladas, juntas: o alemão e o francês.
A Galiza tem estado virada de costas para Portugal e Portugal, por sua triste vez, para a Galiza… Portugal, não tem sabido olhar para e pela Galiza, por imperativos da paralisante “prudência” e pelo medo da mudança características das elites políticas e intelectuais pelo menos desde a ascensão de Dom João III ao poder. A Galiza, por sua vez, tem sido vítima de um processo de centralização, colonização cultural e linguística, que, com o seu auge no Franquismo, ainda se faz hoje sentir de forma particularmente aguda, especialmente no domínio linguístico. É portanto um verdadeiro milagre que existam ainda hoje tantos lusófonos na Galiza, resistindo à pressão “imperialista” do castelhano hoje e sempre.















Neste romance, procuraremos dar a conhecer nom só usos e costumes, lendas e tradiçons, mas tamém a linguaige, cos seus vocábulos próprios, quer das situações, quer dos objectos casi todos caídos praticamente em desuso, pois trata-se de um mundo em extinçom mas cuja memória é urgente preservar…
Convém inda acrescentar ca língua materna dos autores nom foi o «português moderno» mas o galego-português qu’inda se fala, polas pessoas mais velhas, nalgumhas aldeias mais remotas do norte e noroeste de Portugal, antre o Douro e Minho, e é esta língua que nos esforçamos por recuperar juntamente coa cultura a ela associada e que, assim, a expressaba.
Ana Paula Fereira e Zeferino Lopes
Maneiro…só falta nos aqui no BRASIL refazermos a lingua Geral ..
zeferino: não haja dúvidas: sem língua galega, não há identidade galega. E esse é precisamente o supremo objetivo dos “espanholistas” e de Madrid. É em defesa da Galiza, que todos os lusófonos se devem mover, e esse é o pequeno papel que eu tento aqui – no Quintus – ir cumprindo…