“São muitas vezes os interesses, no sentido mercantil, financeiro, “material” do termo, comprometem as amizades entre indivíduos, desfazem as alianças entre países e se sobrepõem ao espirito comunitário dos povos e nações. Se a economia, como a vêm as correntes do pensamento materialista, é de facto o motor da história, trata-se, segundo tudo leva a crer, mais da história dos conflitos entre os homens do que da história das suas fraternidades e comunhões. Os acordos económicos raro estimulam a solidariedade, antes intendem a policiar as guerras da concorrência e consequentemente a intensificar a astúcia, a inveja, o cálculo. O que alcança unir os homens e os povos de modo menos transitário está, sem dúvida, um pouco acima da barriga e do cofre-forte. Como alguém o disse já, a Europa que todos almejamos não se fará nunca com o aço, o carvão, as beterrabas ou a polpa de tomate. A Europa europeia, essa a que sempre pertencemos (mesmo antes de entrarmos para a CEE), é feita de uma comunidade bem diferente.”
Lima de Freitas
Porto do Graal, Ésquilo
Página 313
Esta brilhante e acutilante confissão de Lima de Freitas reconhece aquela que é a grande fragilidade do edifício europeu. Na falta de um espírito europeu, do sentimento de pertença a uma única pátria europeia, não há nenhum sentimento de partilha, de comunhão ou de solidariedade intra-europeia. O que leva os alemães a ajudaram na dificuldade gregos ou portugueses? Não o legitimo e decente sentimento de preocupação com os seus congéneres do sul, mas a mercantil intenção que fundar aqui mercados consumidores para os produtos manufacturados no norte. De “Comunidade” esta Europa hiper-reguladora tem bem pouco… Tem de “Comercialidade”, que é coisa bem diversa nas intenções e objetivos. O espirito comunitário, ainda bem presente em tantas aldeias do interior de Portugal está completamente ausente da eurocracia não-eleita e autoritária que tudo pretende regular e controlar. Obcecada com o controlo “macro”, desprezam as pessoas e as suas realidades microcósmicas. Da sua visão altaneira e sobranceira, privilegiam o Global e esmagam as identidades e liberdades Locais. Não hesitam em destruir as identidades, economias e sustentabilidades locais, em nome dos sacrossantos princípios do “mercado” e do “comércio livre”, esquecendo que são as pessoas e não esses dogmas ultraliberais que deviam servir.

















Muito bom, Rui.
Concordo com tudo menos com a última frase já que o regime totalitário e imperalista da Nova Ordem Mundial que se está a instalar, não faz parte das ideias liberais. Ela é uma consequência insconsciente, mas não directamente pretendida pelos democratas liberais.
Compreendo o seu raciocínio – e inclusivamete… dá que pensar!
No entanto… existirão princípios liberais que, sendo aplicados e respeitados, deveriam impediri a instalação da Nova Ordem Mundial; como seja, o princípio do respeito pela privacidade.