
O mestre Lima de Freitas identifica no “Porto do Graal” os dois mitemas essenciais que impulsionaram o processo dos Descobrimentos portugueses no século XIV e XVI:
1. Demanda do Preste João, que incorpora a Demanda do Graal, da procura pelo Paraíso terreal, enfim, da procura do “centro do mundo” evoliano que reponha o Homem em comunicação com o Divino.
2. O mitema da unificação do mundo, sob a forma do estabelecimento físico e mental do “reino do Espirito Santo” ou “Quinto Império”, enfim, todos os temas oriundos do mesmo fundo milenarista de raiz judaica de onde brotou a vinda do Paracleto, o retorno de Dom Sebastião, assim como a “Ilha dos Amores” de Camões e a espera pela “nova Terra e novos céus” dos profetas do Antigo Testamento.
Compreender esta dualidade, é compreender o essencial da missão portuguesa no mundo. É esta dualidade que esta na base de toda a criação literária, mental, erudita e popular verdadeiramente “portuguesa” e isenta de estrangeirismos. É a busca pelo Graal que forma a base da fundação da Nacionalidade, exposta pela importância que esse mitema tinha no sistema mental templário. Após esta fundação, o movimento para o retorno a um mundo perdido, mais justo e humano é retomado em força, a partir de Dom Dinis, com a generalização do culto do Espírito Santo. O Graal era o motor da busca, o Reino o local.

















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