Ainda que possamos acreditar na exclusividade do mito sebástico português, na verdade, em paragens bem distantes culturalmente falando da Alemanha, temos um mito idêntico: o do imperador Frederico II.
Lima de Freitas no seu “Portugal, porto do Graal” alude à semelhança do mito do Regresso do Rei na crença de que o imperador Frederico II, morto no campo de batalha, deveria regressar dos mortos e instaurar o mundo de ouro. De forma semelhante ao mito sebástico, o mito germânico acredita também que o imperador aguarda a chegada do tempo devido no interior do Monte Etna, enquanto que no mito sebástico se crê que o rei perdido estaria resguardado nas Ilhas Afortunadas.
Se até na material, geométrica e ordenadora matriz civilizacional germânica encontramos traços de milenarismo então estamos perante um fenómeno que extravasa em muito a herança judaica onde alguns quiseram filiar em exclusividade o milenarismo. Na verdade, este mitema (o segundo mitema fundador em Lima de Freitas, após o mitema da Demanda do Graal) será então radicado ainda mais profundamente… Talvez tão longe como nos mitos indo-europeus de regresso a um “mundo perfeito”, algures na Ásia ou na Europa Oriental, as terras de origem destes povos. É este mito do Eterno Retorno (Mircea Eliade) que serve de base a estes mitos fundadores alemão e português e que, estão na base do conceito de União Lusófona que serve de esteio essencial aos princípios do MIL: Movimento Internacional Lusófono.

















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