Sobre a metade de azeite que importamos e da reorientação da economia

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Portugal tem desde a Idade Média como exportação tradicional o azeite. Certo? Errado. Quase metade do azeite consumido em Portugal é importado de Espanha. Com efeito, a cada ano quase 50 mil toneladas de azeite espanhol atravessam a fronteira, totalizando mais de 285 milhões de euros à nosso crónico défice comercial. A produção tem subido mas a federação de produtores FENAZEITE diz que ao ritmo atual ainda faltam uns bons quatro anos para atingir a auto-suficiência. É claro que este é um “wishful thinking“, supondo que nada se radical se altera no mercado, que os espanhóis não incrementam ainda mais a sua conhecida táctica de “dumping” comercial e que o governo não decide vender a Bruxelas a troco de subsídios como os que premiaram a destruição da nossa frota pesqueira (a favor da espanhola) ou o arranque de vinha (a favor da produção francesa). Portugal tem que regressar aos princípios fisiocráticos que determinavam que era na riqueza produzida nos campos que residia a riqueza e prosperidade das nações, e nas produções em que os nossos solos são especialmente favoráveis, como os frutos secos, as hortaliças, os vegetais, a vinha, o azeite ou a madeira, devem acontecer uma verdadeira aposta estratégica, desviando o país do rumo para uma estéril e improdutiva “economia de Serviços” delineada no apogeu do funesto “Cavaquismo” dos anos 90 e que nos custou a evaporação da maioria da malha industrial e a secundarização do setor agrícola.

Há atualmente uma alta dos preços da maioria dos bens alimentares. Esta tendência, com a continuada explosão demográfica, é para ficar e num país que importa dois terços dos alimentos que consome, pode representar a bancarrota ou a prosperidade, consoante nos tornemos em importadores ou exportadores. Ao contrário do que é propalado, temos bons solos, mas estão hoje selvaticamente ocupados por construções imobiliárias de baixa ou nula qualidade. Redesenhemos a esquadria da nossa geografia humana, redistribuindo a população pelo interior quase ermado e economicamente desertificado, priorizaremos a agricultura sobre o setor terciário, dominado pela Banca e pelos Seguros, que nada produzem além de escândalos financeiros, honorários faraónicos e lucros babilónicos. Tornemo-nos auto-suficientes onde tal for economicamente possível, exportemos aquilo que for exportável (como o azeite, cuja metade do consumo hoje importamos) e importemos de nações amigas – como o Brasil – aquilo que não é rentável produzir internamente.

Em suma, reorientemos o país para a Produção e deixemos o Consumo a quem o pode pagar, aderindo aos princípios da frugalidade e da razoabilidade da “pegada de consumo” que a Banca nos fez crer como essenciais a uma “vida feliz”, mas que na verdade apenas serviu para criar défices externos cumulativos e incomportáveis em torno de um crescimento não-sustentado para o setor financeiro, que a prazo, e pela via do crédito malparado o há também fazer sucumbir.

Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/azeite-metade-do-que-portugal-consome-vem-de-espanha=f546293

Categories: Agricultura, Economia, Política Nacional, Portugal | Tags: | 15 Comentários

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15 pensamentos em “Sobre a metade de azeite que importamos e da reorientação da economia

  1. nuno campos

    Ao contrário do que muitos afirmam , como forma de desculpar a imcompetencia dos nossos governantes , de que a razão principal para a pobreza do nosso pais deve-se essencialmente ao facto de sermos um pais pobre , pequeno , de fracos recursos , e sem materia prima , nada mais falso. Portugal é um com muito potencial e com muitos recursos , pois vejamos : temos dos produtos agriculas com a melhor qualidade a nivel mundial , tais como , castanha ,azeite , vinho , fruta etc etc… Temos tambem uma grande extensão maritima rica em peixe e algum tipo de minerio , temos das maiores reservas de volfranio , ouro por explorar da europa , temos praias e até neve , enfim , para quem diz que somos um pais pobre em recursos só pode estár a falar assim porque das duas uma , ou é ignorante ou faz parte do sistema e quer desculpabilizar a sua imcompetencia com a ” falta ” de recursos .
    Lembro-me bem antes de entrarmos para a união europeia , portugal então até aquela altura produzia quase tudo , e com marcas nacionais , tinhamos um carro-todo-terreno o UMM , era um dos melhores carros do genero a circular nas estradas europeias , tinhamos uma marca de electrodomesticos totalmente nacional a ITT , tive uma TV dessas a cores que me durou mais de vinte anos , tinhamos umas das melhores industrias navais do mundo ( setenave , lisnave ) , estava-mos a ter uma boa industria militar , produziamos uma das melhores metrelhadoras do mundo as G3 , chegamos inclusive a ter um projecto de fazer um missil urbano destinada para guerra urbana, era um projecto unico , etc etc… A partir do momento em que entramos para a união europeia tudo mudou , os nossos politicos habituaram-se ao dinheiro facil , eram milhões que caiam aos trambolhões para portugal , os ” chicos-espertos ” passaram a barbatar-se ao dinheiro , quem trabalhava no sector produtivo passou a perder poder de compra , pelo contrário , todos aqueles que estavam montados no sistema , ou seja , classe politica , poder local e seus respectivos funcionãrios , ministerios e respectivos funcionarios passaram a usufruir de regalias sociais e salariais incompativeis com a riqueza que geravam ( que era quase nenhuma ) , querem um exemplo ? pois bem , antes de entarmos para a união europeia qualquer metalurgico deste pais , aqueles que realmente trabalhavam e produziam riqueza para o pais , ganhava mais do que qualquer policia ou porteiro de uma camara municipal , logo depois de entrarmos para a união europeia um metalurgico altamente qualificado viu os seus ordenados a ficarem congelados e pelo contrário qualquer policia, funcionário do ministerio da defesa , ou porteiro de uma camara municipal passou a ganhar mais do que esse metalurgico , passou tambem a ver muitos destes funcionãriosa a ter direito a altas reformas antecipadas , resutado ? muitos destes metalurgicos , profissionais altamente qualificados viram-se obrigados a emigrar ou então decidiram deixar de trabalhar. A culpa não foi da união europeia , a culpa foi dos nossos politicos , dos nossos sindicatos , dos ” chicos-espertos ” , hoje qualquer juize , que nada produz tem ordenados entre os quatro mil a cinco mil euros , mas pelo contrário um mero funcionario de uma fabrica textil , que está a trabalhar com maquinas que moem o corpo ganham o salário minimo . Um medico é um profissional altamente qualificado que pode trabalhar em portugal ou em qualquer outra parte do mundo ,são muito necessarios e têm que ser bem pagos , pelo o contrario um juiz só pode trabalhar em portugal , lá fora ninguem o quer , ou seja , o pais só deve pagar muito bem a quem é altamente qualificado ,que é o caso de um medico ou de um engenheiro , agora não vejo razão porque um juiz, um funcionario do ministerio da administração interna , ministerio da defesa tem que ganhar mais do que qualquer agricultor ou trabalhador fabril , assim , enquanto essas politicas continuarem , cada vez menos pessoas terão a vontade de trabalhar numa fabrica , no campo ,e na produção .
    Em 20013 acaba os fundos para portugal vindos da união europeia , ou este pais encontra um poço de petroleo ou o destino já está tracado , A FALENCIA .

  2. mas talvez o fim desses fundos seja oportunidade!
    uma ocasião para repor este país a trabalhar e a sacudir o jugo desses europeus do norte que são tão diferentes da forma portuguesa de sentir o mundo…
    sem esses fundos – “dados” em troca do abate da nossa agricultura, industria e pescas – seremos forçados a abandonar essa “economia de serviços” impingida no Cavaquismo e tornar-nos a produzir parte significativa do que produzimos.
    Ou isso ou um pais milenar estoura.
    E isso não vai acontecer.
    Não pelo menos no meu turno.

  3. FENIX

    A era da felicidade interna bruta esse deve ser o nosso objectivo.

  4. :-)
    a FIB….
    soa bem, mas já há parecido: chama-se índice de desenvolvimento humano:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Desenvolvimento_Humano
    e Portugal não está mal… (34º)

  5. FENIX

    Este inde tem haver com muito mais: Com o humanismo e espiritualidade assim como uma correcta ligação entre homem e seu meio ambiente e suas tradições. A educação é importante mas não ficamos completos sem “iluminarmos” o nosso espirito.a vertente economica é local e de baixa entensidade.No top felicidade interna bruta temos, em primeiro o Betão de onde vem está expressão”felicidade interna bruta” como medida para o desolvimento sustentado do betão onde tradição e a espiritualidade assim parte ecologica e social tem um maior peso que qual quer economia de mercado.

  6. os problemas criados com a federação europeia, já existe um presidente , ministros , daqui a pouco exercitos, FAs, e voto direto p “ENES” postos….é diversos países , serão estados desta rica federação…adeus nacionalismo/patria antiga e milenar….adeus.

  7. o IDH é uma medida muito mais correta da realidade humana, do que o PIB… são muitos os países que têm PNB ou Per Capita elevados, e depois têm tremendos desiquilbrios na distribuição de rendimentos.
    Os países do Golfo, desde logo…

  8. Deltóide Latejante

    «o IDH é uma medida muito mais correta da realidade humana, do que o PIB… são muitos os países que têm PNB ou Per Capita elevados, e depois têm tremendos desiquilbrios na distribuição de rendimentos. Os países do Golfo, desde logo…»

    Estamos fundamentalmente a falar de conceitos diferentes e de métodos de medida diferentes. (1) O PIB (ou o PNB) podem-se gabar-se de serem os melhores mensuradores de riqueza de um país, mas (2) como diferentes países têm diferentes níveis de vida (e preços) quando são corridos para “paridades de poder de compra” (quando são limpos do efeito que os preços dos diferentes países têm), tornam-se no melhor medidor do poder de compra, da capacidade de se adquirirem bens com a riqueza ganha.

    Estes «medidores» são muitos distantes do IDH e não concorrem o IDH. Este é um índice híbrido, que ajudou Amartya Sen a ganhar um Nobel, e tendo muito mérito ao englobar outras realidades, não deixa de ser e ter algumas incongruências. O íncide engloba 3 items. Literacia, esperança de vida, e riqueza anual, com os devidos ponderadores. Literacia medida em termos de rácios de alfabetização e escolarização (100% em ambas como referência), esperança de vida (sendo que a referência para esperança média é 85 anos!) e riqueza (com 40.000$ de vencimento anual de referência – era bom, era…).

    O problema do índice é que mesmo sendo mais abrangente que a simples riqueza, não engloba um bilião de outras métricas que poderiam igualmente ser incluíveis: nível de poluição, horas de luz solar, horas dispendidas em lazer, natalidade e sustentabilidade inter-geracional, taxas de suicídio ou dependências de drogas, cuidados de saúde, liberdade de expressão/voto/imprensa, etc e principalmente, a distribuição da riqueza, que não consta também do IDH.

    Aliás, para avaliar da distribuição de rendimentos, há um índice sobejamente conhecido, o de Gini, que faz exactamente essa avaliação. Na tendência, os países mais ricos são os países com melhores índices de Gini, mas quanto a qual deles é causa e qual é efeito (boa distribuição -> riqueza ou +riqueza->melhor distribuição) as opiniões dividem-se muito…

  9. Fenix

    Para mim para a minha felicidade interna bruta devimos sair e já hoje da união Europeia. Enquanto eu for vivo esse será o meu imperial obecjtivo.Até lá deviamos pensar qual são os nossos verdadeiros problemas..agricultura e os agricultores mas não so temos comsumir menos temos que tentar ser ecologicamente correctos e isso vai desde casa até tudo o que no rodeia…

  10. DL: Concordo, mas repara como o IDH e o Gini são completamente desconhecidos da maioria das pessoas e que os economistas quando vão às televisões e aos jornais nunca os referem, ficando-se sempre nos mais convencionais (e imperfeitos) PNB e PIB…

    Fenix: é uma questão de paradigma… tudo tem que ser refeito e repensado, e isso não se faz do dia para a noite. Sair da UE, agora, de sopetão, não é impossível, mas devia ser feito depois de termos ajustado o nosso nível de vida ao real valor dos nossos rendimentos (acabando com este doentio endividamento crónico das famílias), instaurando um neoproteccionismo, e uma prioridade às economias locais, ao municipalismo no ambiente de um recentramento lusófono da nossa diplomacia… muitos passos, e grandes, a cumprir de uma só vez.
    Esta é pelo menos a minha visão do problema e da saída do mesmo.

  11. Fenix

    Concordo com sua visã0. o tema da liberdade, condição básica da felicidade. Ora, liberdade e felicidade provêm do ‘ser’, não do ‘ter’. Nos últimos séculos, o ‘ter’ foi gradativamente ganhando maior importância que o ‘ser’, pelo menos na política dos países ocidentais. Isso se pode verificar diariamente nos noticiários da TV, dos jornais e da internet, onde se parte do pressuposto que o bem-ter (dinheiro, poder, propriedade) é mais importante que o bem-ser (feliz) e que a economia serve para aumentar o bem-ter. O termo que expressa de maneira mais significativa esse desvio é o termo PIB (produto interno bruto), usado internacionalmente para avaliar a ‘saúde’ da economia de um país. Uma economia saudável seria uma economia que ‘produz’ muito, ou seja, que gera dinheiro. A atual mentalidade econômico não relaciona a administração das riquezas do país à felicidade do(a) cidadã(o). Por isso há quem defenda a substituição do termo PIB (produto interno bruto) pelo termo FIB (felicidade interna bruta). O que é FIB? É uma medida que avalia a economia por sua capacidade de gerar uma convivência sem miséria, de garantir o mínimo vital para todos e todas, de providenciar o acesso de todos e todas à boa saúde, boa educação, boa segurança, alimentação satisfatória, água potável, moradia, saneamento, trabalho, descanso, festa, bom vestuário e preservação da natureza. Essa novidade que não penetra com facilidade na mente de políticos que estão acostumados a pensar em ‘custo-benefício (financeiro)’ quando falam em economia. O segmento da população que entende economia como a procura do bem-viver para todos(as) obtém um pólo aglutinador com esta ideia. Que passemos sempre mais – na nossa vida cotidiana – do paradigma ‘ter’ para o paradigma ‘ser’, que combatamos o consumismo em casa, gastemos somente o necessário e cuidemos da vida, por frágil e inexpressiva que pareça ser. Só esse comportamento concreto pode resultar, a médio e longo prazo, na felicidade de todos.

    * Este artigo não reflete a opinião da Associação Rumos nem de seus

  12. Fenix

    Afinal sempre era gripe A?!

  13. nope.
    pelo menos que eu soubesse…

  14. Fenix

    O termo foi criado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck, em 1972, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do seu país crescia miseravelmente. Esta criação assinalou o seu compromisso de construir uma economia adaptada à cultura do país, baseada nos valores espirituais budistas. Assim como diversos outros valores morais, o conceito de Felicidade Interna Bruta é mais facilmente entendido a partir de comparações e exemplos do que definido especificamente.

    Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento têm como objectivo primordial o crescimento económico, o conceito de FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material são simultâneos, assim se complementando e reforçando mutuamente. Os quatro pilares da FIB são a promoção de um desenvolvimento socio-económico sustentável e igualitário, a preservação e a promoção dos valores culturais, a conservação do meio-ambiente natural e o estabelecimento de uma boa governança.

  15. Interessante, desconhecia…
    faz-me também lembrar a “tecnologia intermédia” de E.F.Schumacher, um conceito que o economista elaborou também a partir da sua experiência de vida na Birmânia:
    http://movv.org/2006/08/21/biografia-de-e-f-schumacher/

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