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Os grandes fundos oceânicos – que ocupam dois terços da superfície do globo – são ainda hoje menos conhecidos que a superfície da Lua. Atualmente, não há mais do que pouco mais de dez engenhos capazes de explorar de perto esta imensa extensão. Mas é aqui que residem algumas das maiores riquezas minerais do planeta.
Atualmente, a De Beers, o maior produtor mundial de diamantes já recolhe metade da sua produção anual de explorações offshore, a mais de 200 metros de profundidade e ao largos das costas da África do Sul. E por outro lado, é já hoje relativamente comum extrair petróleo e gás natural a mais de 1500 metros de profundidade. Mas trazer para a superfície materiais sólidos a partir de tais (ou maiores) profundidades continua a ser extremamente difícil.
Os materiais mais interessantes são os sulfitos oceânicos, minerais que resultam da combinação do enxofre com dezenas de minerais. A fonte dos sulfitos é aquilo que se chamam de “fumarolas” que expelem um fluido de elevada acidez a altas temperaturas contendo numerosos minerais, recolhidos quando os fluidos atravessam as rochas vulcânicas e sedimentares do fundo do oceano e do manto terrestre. Quando este fluido alcança as frias águas do fundo do oceano, isso leva ao depósito desses minerais formando chaminés podem alcançar os 40 metros e pouco depois de atingirem esta altura, desmoronam-se e formam montes de escombros que, algum tempo depois, são penetrados por novas chaminés em formação. Estes montes podem alcançar centenas de metros de diâmetro e dezenas de metros de altura compostos de concentrações muito elevadas de minerais, a taxas impossíveis de encontrar noutros locais. A título de exemplo, as melhores minas de cobre do Chile têm concentrações de 0,5%, enquanto que nestes montes submersos, podem existir concentrações de mais de 10%… E há indícios de que são comuns as concentrações de 20% de zinco, 25% de ferro, etc… Atualmente conhecem-se quase três centenas destes locais, mas trata-se apenas da ponta do icebergue, havendo certamente milhares ou dezenas de milhar esperando serem descobertas.
Solwara 1 será o primeiro local de mineração de sulfitos. Trata-se de um projeto da empresa canadiana Nautilus Minerals e estender-se-á por uma área com mais de 11 hectares numa zona muito rica em cobre e ouro situada ao lado das águas territoriais da Papua-Nova Guiné e a uns impressionantes 1700 metros de profundidade. A instalação deverá entrar já em atividade em 2011.
A inauguração da Solwara 1 vai também recordar as preocupações sobre o impacto ecológico deste tipo de explorações mineiras marítimas. Estas preocupações são plenamente justificáveis porque se acredita que estas fumarolas podem ter sido o berço da vida na Terra. A maioria das criaturas que aqui existem desde aos vermes gigantes aos moluscos e caranguejos mais ou menos exóticos. Todos são muito mal conhecidos e há ainda muitas espécies por identificar. Um tal património natural e genético não pode ser perdido… É assim imperativo criar um sistema internacional de monitorização destes fundos e que garanta (como promete a empresa canadiana) que toda a água recolhida do fundo do oceano é aqui reintroduzida, de forma a evitar a perturbação da coluna de água. No caso da Solwara 1, a empresa garante que dos dois montes submarinos apenas um será explorado de cada vez.
Estamos assim à beira de uma nova época de exploração dos recursos oceânicos. Esperemos que se tenha aprendido com a ruinosa exploração mineira dos últimos séculos… Neste sentido é absolutamente crucial estabelecer instituições internacionais – ligadas à ONU – que vigiem e tenham poder para forçar as empresas a cumprir regras que – de facto – ainda não estão estabelecidas e que a comunidade científica tem que elaborar. Esta questão é especialmente importante, porque vamos a tempo de definir esta grelha legal, necessariamente internacional e consensual entre agentes e interesses ambientais.
A questão dos sulfitos e da exploração dos mesmos diz muito a Portugal. Algumas das fumarolas já conhecidas situam-se ao largo dos Açores e são apenas uma pequena parcela de um total que deverá existir na nossa extensa Zona Económica Exclusiva. Trata-se de um recurso essencial para o país, a prazo, porque o esgotamento de alguns dos minerais no mundo, nas minas convencionais se prevê para daqui a menos de 50 anos (caso do ferro) e estes recursos marinhos – se bem explorados – podem revelar preciosos para um país que nunca foi conhecido pela riqueza dos mesmos… Assim os saibamos aproveitar sem dar a parte de leão a corporações estrangeiras!
Fonte:
Science & Vie, outubro de 2009

















Muito bom artigo eu já tinha dito que a nossa maior riqueza estava no nosso mar essa pode ser a nossa nova fronteira pelo mesmo para portugal e sua zee.
Os nosso Navios Hidrográficos classe Don Carlos 1 e a Lanchas Hidrográficas da Classe Andrómeda foi o dinheiro mais bem gasto da marinha.O Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) também pode ter um papel muito importante tanto na investigação biologicas no mar como também na vertente geologica do mesmo.
ou não… tenho ideia que o Dom Carlos I foi cedido pela Noruega, ou isso…
Isto é: foi dado!
Tristeza! Estes recursos e a sua exploração e cartografia deviam ser prioridade nacional!
Os da Classe D. Carlos I é um tipo de navio hidrográfico ao serviço da Marinha Portuguesaavios da classe eram antigos navios de vigilância anti-submarina da classe T-AGOS da Marinha dos Estados Unidos, transferidos, a partir de 1995, para a Marinha Portuguesa. Em Portugal, foram modernizados e adaptados a navios de investigação hidrográfica e oceanográfica no Arsenal do Alfeite
Nos últimos quatro anos, a equipa da EMEPC, com o apoio da Marinha portuguesa, trabalhou para recolher dados técnicos e científicos capazes de convencer as Nações Unidas de que o território português se prolonga além das 200 milhas náuticas (370 quilómetros) da chamada Zona Económica Exclusiva (ZEE).
No fundo do mar existem valiosos recursos minerais e biológicos que poderão ser aproveitados pela ciência e pela indústria.
A decisão da Comissão de Limites da Plataforma Continental só deverá ser conhecida em 2013. Mas nos próximos quatro anos, a EMEPC não vai ficar parada. A equipa dirigida por Manuel Pinto de Abreu irá continuar a trabalhar para recolher dados que reforcem as pretensões nacionais hoje apresentadas e, eventualmente, e até mais.Isto é o que nossos navios hidrograficos estão fazer.
Sim, esse foi um dos pontos altos do consulado Portas no MDN…
mas faltou (e falta) encetar agora a cartografia e identificação sistemática desses recursos, assim com a criação de empresas NACIONAIS que os possam explorar de forma sustentada e razoável…
Duvido que esse senhor tem tido tal visão tão estrategica.Talvez o ministro jorge amado quando ministro da defesa e anterior ministro defesa também.Mas não é nada de novo já primo do meu pai Nuno regeiro falava tal coisa so que ele fala em tanta coisa que ninguém lhe da ouvidos.
eu até bem desgosto de algumas ações do consulado Portas na Defesa… esta ação achei bem, mas não dos Submarinos… Gostei dos Pandur e detestei o caos das contrapartidas…
E vamos supor , qua nas aguas portuguesas haveria petroleo , ouro , gáz natural etc etc … E agora pergunto , quem é que iria usufruir dessas riquezas ?! O povo não era com certeza , tal como aconteceu com o brasil á quinhentos anos atrás o ouro era uma riqueza que só chegava ás mãos de uma minoria , a nobreza , mais tarde descobriu-se que Angola possuia petroleo e diamantes , quem usufruiu novamente dessa riqueza ? novamente uma minoria , ou seja , os funcionários do governo e os RETORNADOS , enquanto isso os pretos de Angola e os brancos da metropele passavam quase fome . Hoje quem usufrui dos milhões que vieram , e que ainda vaem , da união europeia ? Mais uma vez , os elementos dos governos , funcionarios publicos ,enquanto o resto da população não passam de vassalos dos ” senhores “. Se realmente for verdade, a existir nas aguas territoriais portuguesas muito gaz , petroleo , ouro , entre outras riquezas , mais uma vez serão os nobres deste pais a ” mamarem ” tudo , ou seja , os politicos , os funcionários publicos , os que vivem do sistema , enquanto os outros , novamente não passarão de vassalos . Por isso mesmo eu desejo , Deus queira que nas profundezas das aguas portuguesas só haja cáca de cão , ou se existir riquezas que venha uma potencia estrangeira e reendivique as nossas riquezas , e que fação um uso mais solidario daquilo que alguma vez farão os portugueses !!!
A programação militar feita pelo estado maior é sempre a mais correta mas depois vem os politicos e é caos.Para mim num estado moderno e neste tipo economia capitalista so faz sentido ter forças armadas com meios proprios de finaciamento e fora de qualquer orçamento de estado.
petróleo até é bem capaz de haver e até explorável… vamos ver as notícias dos próximos anos.
quem lucraria?
as multinacionais que ficassem com os contratos e a GALP em parte necessariamente menor…
mas daria algum emprego e negócios a empresas nacionais, pelo que não seria um achado de desprezar, certamente…
Gostei da ideia!
Que deus livre o nosso pais dessa maldita ditadura suja , a ditadura do petroleo , é uma maldição !!!!
não petróleo… sulfitos!
com sorte, serão explorados e por portugueses.
enfim:
com muita sorte, porque ainda que tenhamos muitos “patrões” temos poucos “empresários”…