O desastre da BP, no Golfo do México permite reequacionar a Questão Nuclear?

Com aquele furo da BP a deitar 4 barris de petróleo por segundo e depois de semanas de envio massivo de petróleo para o oceano, a energia nuclear começa a parecer cada vez mais uma alternativa melhor para muitos… E que estamos aqui perante algo que – apesar da suspeitosíssima mutez dos media – tem um potencial destrutivo muito superior ao de qualquer desastre precedente. Por exemplo, se o Exxon Valdez tinha “apenas” 8 milhões de barris de petróleo (que derramou nas praias do Alasca) este furo já largou mais 20 milhões de barris e tem ainda (pelo menos!) mais outros 60 milhões no seu interior!

Ora, além dos muito evidentes problemas decorrentes da ocorrência (improvável, mas de terríveis consequências) de um novo acidente semelhante ao de Chernobyl, a construção de novas centrais nucleares coloca uma série de questões e de custos que tendem a ser externalizados pelos seus defensores. Desde logo, um país que siga por essa via sabe que se está a sujeitar a deixar que os técnicos assim formados possam rapidamente serem recrutados para o domínio militar, e nem sempre pelo país ou organizações que os formaram e treinaram… o mesmo pode suceder com os materiais e equipamentos nucleares. E por muito seguros que sejam os reatores modernos (e são-no) continuam a produzir resíduos que ninguém sabe como tratar e que – sobretudo – podem facilmente ser usados como “bombas atómicas sujas”.

É verdade que o combustível nuclear descartado pelas centrais nucleares ainda tem uns teóricos 90% de energia por utilizar e pode ser reprocessado. So nos EUA há mais de 60 mil material nuclear passível de ser reprocessado e se lhes somarmos as 900 mil toneladas de urânio criadas pelo programa nuclear militar, então estamos perante uma quantidade de energia ainda maior, de facto, trata-se de uma quantidade de energia superior a todas as reservas de carvão e petróleo combinadas.

Os custos da energia nuclear (sem externalizações) foram avaliados em 2008, nos EUA, como sendo de 1.87 centimos por kw contra 2.75 no carvão e 8.09 no gás natural. E com a instalação dos vários reatores portáteis, de manutenção automática que estão agora em desenvolvimento um pouco por todo estes custos podem descer ainda mais. Compensará assim uma aposta séria e continuada no nuclear? Será que os tremendos riscos que todos corremos caso algo corra (muito) mal num reator nuclear compensam os baixos custos desta energia e a maior segurança ambiental (CO2 e poluição) e as ínfimas emissões de CO2 que o Nuclear garante? Começo a inclinar-me nesse sentido, especialmente quando falamos de reatores de última geração e se fizer um esforço de desmemorização de Chernobyl…

Fonte:
http://www.scientificamerican.com/blog/post.cfm?id=maybe-nuclear-power-isnt-so-bad-aft-2010-05-11

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3 Respostas a O desastre da BP, no Golfo do México permite reequacionar a Questão Nuclear?

  1. João diz:

    Nuclear?
    E os resíduos?
    E quando a central nuclear da BP explodir em Trás-os-Montes?

    Vamos depois discutir a mudança para quê?
    Energias renováveis?
    Isso sim, mas porque não fazer já a mudança para as renováveis?

    Portugal é ríquissimo neste campo.
    Temos sol, vento, ondas e marés.

    Nuclear?!

  2. os resíduos podem ser reprocessados na centrais de última geração:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_reprocessing
    a aposta nas Renováveis é a mais correcta, sim, concordo.
    Trás mais riqueza local (em manutenção e construção) é mais flexível (dispersão pelo território, várias fontes, várias tecnologias, etc) e não tem a complexidade tecnológica do nuclear.
    mas o custo por watt… é um argumento tramado de bater.

  3. Pegasus diz:

    Pela indignação do primeiro post, se pode ver que essa é uma questão extremamente delicada, e tem um apendice a mais, cada país tem necessidades e capacidades diferentes na produção de suas fontes de energia.

    Como brasileiro, temos a nossa disposição varias possibilidades, mas parece que querem construir hidreletricas no meio do nada(floresta), causando celeuma e um ganho para empresas lobistas de mais de 20 bilhões de dolares.

    Isso faz crer que não só as necessidades energeticas são pautadas, mas tambem o lucro de empresas construtoras, sempre uma trama dificil de desfazer destinadas a levar uma parte dos contribuintes de qualquer país.

    Sejamos sinceros, se houvesse real interesse, as autoridades ja teriam investido e desenvolvido projetos viaveis, desatrelados das empresas tradicionais que os financiam em campanhas eleitorais.

    PS:Quanto a energia nuclear, creio que se desenvolveu muito em tecnologia e pode vir a ter participações mais seguras nas nossas necessidades energeticas.

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