(ROV “Luso” da Marinha Portuguesa)
A propósito da tragédia ambiental que a lúgrebe e ávida BP criou no Golfo do México alguns perguntam-se porque é tão dificil tapar uma fuga de petróleo no fundo do oceano… Isto pode parecer particularmente espantoso quando o Homem já conseguiu operar rovers em Marte e enviar sondas para a longínqua lua saturnina de Titã. Ora bem, o problema é que chegar a 1500 metros de profundidade pode ser mais fácil (e muito) do que chegar a Marte, mas uma vez lá, trabalhar nestas condições é provavelmente igualmente difícil.
Cada operação realizada com os submersíveis deve ser realizada com uma enorme precisão, sendo conduzida a partir da superfície, remotamente e com recurso a várias câmaras de alta resolução. Nestas condições, um pequeno erro pode deitar a perder anos de trabalho e… provocar uma tragédia ainda maior do que aquela que decorre hoje no Golfo do México.
Sejamos claros: a escala quase astronómica do Desastre é tão grande e as suas consequências para a economia dos Estados Unidos (a maior economia global) tão tremendas e a devastação ecológica tão enorme que terá consequências duradouras para toda a indústria petrolífera durante décadas. Certamente que por estes dias e entre as empresas do ramo, a BP não deve também ganhar concursos de popularidade…
A BP teve na génese destes desastre um problema de atitude: isso mesmo admitiu o seu CEO recentemente quando reconheceu que um desastre deste tipo era considerado internamente na empresa como sendo de “alta improbabilidade, elevado impacto” e reconhecendo no mesmo momento que “é indubitavelmente verdadeiro que não tínhamos as ferramentas que precisávamos”.
As dificuldades da BP resultam de estarmos perante perfurações de elevada profundidade, frequentemente com mais de um quilómetro feitas em reservatórios de petróleo de elevada pressão.
Os robots submarinos são conhecidos como ROVs e são eles os responsáveis por estes difíceis trabalhos. Controlados remotamente a partir da superfície, se o ROV se aproximar demasiado do fundo oceano, levanta sedimentos e bloqueará a visão ao próprio operador assim como a dos demais operadores que tenham ROVs a operar nas proximidades. Por outro lado se um operador esquece o local onde está o cordão umbilical que liga o seu ROV à superfície pode cortá-lo ou embaraçar-se nele. Todos os movimentos de um ROV têm que ser lentos e planeados. Se forem acelerados demasiado depressa continuam a andar, mesmo depois de desligado, a inércia continua a fazê-los mover e só podem ser parados com um impulso contrário dos motores. Tudo isto tem que ser feito contando sempre com o efeito das correntes e dos fluxos de água gerados pelos outros ROVs operando nas vizinhanças.
Todas estas dificuldades deveriam convencer as empresas que operam a estas profundidades e que sao por isso mesmo fontes inevitáveis de desastres e tomarem todas as percauções. Ora não foi isso que a BP fez! Bem pelo contrário! Sabe-se que poupou na válvula que poderia ter travado a fuga que hoje se diz vazar tanto petróleo por hora quanto a BP dizia que vazava por dia! A BP admite ter confiado “demasiado” na capacidade dos ROV para resolver problemas como este que viria a surgir agora com os tremendos – e sem precedência – impactos ecológicos e ambientais.
















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