Comentário a “A Via Lusófona”: A Ideia de União Lusófona

Renato Epifânio

Renato Epifânio

“…uma ideia que muitos considerarão demasiado visionária para se poder concretizar: a ideia de uma “União Lusófona”, ou seja, de uma União entre todos os países de expressão portuguesa.
Essa ideia já deu lugar à CPLP, inspirada por Agostinho da Silva, logo nos anos 50, mas esta, tal o seu modelo, não nos levará longe.”
Renato Epifânio, A Via Lusófona

As ideias “visionárias” apenas o são porque são novas e diferentes… a própria ideia de Portugal pode ter parecido visionária e irrealista aos olhos de quem na época, no Império das Espanhas ou na Hispânia muçulmana assistia às irrealistas ambições independentistas de um pequeno conde do noroeste peninsular. Apesar desse “irrealismo”, Portugal fez-se e é hoje o mais antigo Estado europeu e o único Estado-Nação europeu de médias dimensões.

É verdade que a ambição de transformar esta entidade ainda demasiado formal e virtual que é hoje a CPLP no embrião de uma verdadeira “União Lusófona” ainda parece irrealista, no curto prazo, mas as ambições são isso mesmo: objetivos e destinos estratégicos de médio e longo prazo que só nessas escalas fazem sentido. E a História de Portugal já demonstrou de forma absolutamente cabal que os portugueses não são como a maioria dos povos do norte da Europa: quando são colocados sem horizontes estratégicos balizados apenas por fronteiras estreitas ou objetivos curtos e sem visão de largo plano, aborrecem-se e desmotivam-se coletivamente. Este “aborrecimento coletivo” explica no essencial o constante declínio de Portugal desde que o Império (conceito bacoco e desnecessariamente prolongando além de toda a razoabilidade).

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono | 21 Comentários

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21 pensamentos em “Comentário a “A Via Lusófona”: A Ideia de União Lusófona

  1. Otus scops

    gostei e no geral concordo com tudo, excluindo a teoria do “aborrecimento e falta de motivação” colectiva… mirabolante.

    de momento só consigo ver afinidades fortes entre Portugal e Brasil, menos um pouco com Cabo Verde, São Tomé, Angola. Moçambique fala português (no geral mal) e pouco mais. a Guiné e Timor é muito difícil.

    “o único Estado-Nação europeu de médias dimensões.” Suécia, Suiça, Noruega, Dinamarca, Holanda, Finlândia, Hungria, Grécia, Roménia, Lituânia, Letónia e Estónia, Rep.Checa, Eslováquia não merecem o mesmo estatuto que Portugal???

    __________________________
    p.s. – na fotografia: será o Professor Girassol quando era mais novo…
    :-D :-D :-D

  2. Fenix

    Mas para haver essa mudança para uma união lusofona.Portugal em primeiro lugar tem de levar ao limite essa tal oborrecimento colectivo verdadeiro de alguem que está isilado neste pequeno quadrado limitador.E mesmo mandar queimar muitos “velhos do restelo” em publico e a sua bandeira,Queimar tambem A minha amada bandeira Portuguesa e acabar com Portugal nação mais antiga da europa. Deixar de ser varios eus para sermos um nos.Exemplo é extensivel a todos os paìs nações independes que formam a cplp.A motivação pode ser diferente para cada nação mas o objectivo é so um sem egos nacionalitas e bandeiras queimadas e emterradas a união lusofona é uma realidade.O dficil será para saber para quando. uma catastrofe mundial pode unir, uma guerra mas assim de tudo um grande lider lusofono.

  3. Odin

    Você tem estado sumido, Fenix! Faz tempo que não leio um post seu aqui.
    Bem vindo de volta! :)

    Queimar bandeira da pátria (mesmo que uma “forma de expressão” e não “literalmente”) certamente é uma expressão de muita revolta. Uma “catástrofe mundial” seria a III Guerra Mundial? O surgimento de um ou uma “führer” ou um “duce” lusófono(a)(sem o racismo nazifascista), se aparecer, será em Portugal. Será um Português ou uma Portuguesa. No Brasil, não há espírito para isso. ;)

  4. Otus scops

    O surgimento de um ou uma “führer” ou um “duce” lusófono(a)(sem o racismo nazifascista)se aparecer, será em Portugal. Será um Português ou uma Portuguesa. No Brasil, não há espírito para isso.”

    esta afirmação carece de fundamentação. explicações precisam-se… ;-)

    p.s. – e com requintes ideológicos tais como “sem o racismo”, portanto uma ditadura com respeito pelas diferenças…

    • Odin

      “O dificil será para saber para quando. uma catastrofe mundial pode unir, uma guerra mas assim de tudo um grande lider lusofono.”

      >Fiz uma brincadeira com este comentário do Fenix. As palavras “führer” e “duce” são expressões no alemão e no italiano que são traduzidas para “líder”. Mas por terem sido associadas a Hitler e Mussolini, passam sensação negativa. Fiz uma ironia. Tal grande líder não vai aparecer, pelo menos eu não acredito que vá. Se, se aparecer, só se aparecer em Portugal, então. No Brasil, certamente que não. Então o (a) “führer” ou o(a) “duce” lusófono(a)(sem o racismo nazifascista) é uma ironia da minha parte. Um líder para unir a lusofonia tem que ter muito carisma.

  5. Fenix

    Tem aparecer um Mohandas Karamchand Gandhi lusofuno simples unificador e muito carismaticos e respeitado.Mas sem os Jawaharlal Nehru do costume.Ao contrario eu acho que esse lider virá de onde menos se espera.E já nasceu…garanto que um lider assim vai queimar o passado para um novo futuro.

    ps.So sei que não serei eu esse lider…mas Ganghi também não sabia que ia ser tal lider carismatico dos hindus.

    A ironia foi entendida odin,apesar de algum tempo longe eu tive sempre o meu ideal presente em todos os dias e todas as horas.
    Jamais esquecerei a grande dedicação de todos aqueles que lutam por este ideal unificador da lusofonia que também é o meu.

    • Odin

      Agora sem ironia e sem brincadeira. O mais próximo entre os lusofonistas unionistas de ser como um “Mohandas Gandhi”, no sentido de ser pacifista, idealista, na minha opinião, foi o Agostinho da Silva. Mas ainda sim, ele esteve muito longe de ser “um Gandhi”. Hoje não há uma crise generalizada em todas as nações de língua oficial portuguesa. Como você sabe que tal líder já nasceu? Seria, quem sabe, o Fernando Nobre? Para que um líder “messiânico” para toda a lusofonia surja, teria que ser numa época em que todos os países lusófonos estivessem em crise política e econômica. Pode, quem sabe aparecer um, só em Portugal que mude o país e inove tudo. Ou, todos assumamos que cada um de nós é o responsável por sua própria vida, seu próprio sucesso e fracasso, e não esperemos mais por “messias” e “avatares” que venham nos redimir. Trabalhando unidos, pode ser que os objetivos dos Portugueses sejam atingidos.

      • Otus scops

        Odin

        «inove tudo», «não esperemos mais por “messias”» e «Trabalhando unidos,» revela que ainda não entendeste como são os portugueses… :-D

        • Odin

          E você? O que acha da vinda de um redentor para a Lusofonia? Concorda? O que propõe? :D

          • Fenix

            Quanto ouver pessoas como nos em acreditar que a união lusofona pode ser posssivel.Esse redentor não so já nasceu como também está sempre entre nos…

            • Otus scops

              sim, esse redentor da Lusofonia já está entre nós, ou melhor, nós é que estamos nele.
              é o criador do Quintus!
              :-D

              • Fenix

                Gostava que fosse ele… pela sua grande dedicação a causa da lusofonia seria um grande presente pelo seu ardo trabalho e força de vontade…Mas nem sempre o queremos é…O destino vai me dar razão…Esse lider será aclamado por todos o seu exemplo será o caminho para a redenção.

              • Alguém clicou no “down”
                E bem, é claro que esse aí não sou eu!
                Sou apenas uma das muitas vozes que começam a sussurrar sobre essa possibilidade…

          • Otus scops

            acho bem, desde que elimine este (des)Acordo Ortográfico! ;-)

            (a redenção é um caminho que cada individuo deve fazer ao longo da sua vida, todos os dias, aos poucos)

  6. LuisM

    Na minha opinião, tanto Portugal como restantes países lusófonos terão de encontrar o seu caminho e aprender a viver com o seu “tamanho”.

    Acho que há algum sebastianismo e uma espécie de ânsia do V Império como se houvesse um sonho de grandeza por cumprir.

    Não quer dizer que não se possa constituir um género de “commonwealth” entre lusófonos.

    E os partidários do movimento lusófono que me perdoem.

  7. nada de mal no sebastianismo, se não for retrógrado e anacrónico.
    é uma energuia anímica que pode fazer mover montanhas, como todas as fés.
    mas como todas as fés, pode dar em radicalismos perigosos…
    moderação em tudo!

    • Otus scops

      “nada de mal no sebastianismo, se não for retrógrado e anacrónico.”
      então COMO É CONCRETAMENTE esse Sebastianismo avançado e moderno???

      (para mim D. Sebastião é como Cavaco Silva: iniciou uma era de graves problemas para a nação, ambos muito devotos e conduziram o país com uma estratégia errada e pouco diversificada)

  8. Fenix

    A minha fé no sebastiãnismos é a minha fé no povo lusofono.Não em velhos do restelo que vivem em palacios em belem.Esse senhor nunca devia ter sido primeiro ministro muito menos presidente da republica.Mas o bipartidarismo e cegueira dos Portugueses e a sua burrice levou um tipo tão para baixo a ser o que é hoje.O pai da grande divida suberana Portugues.

  9. eu também não tenho uma fé literal no “Sebastianismo”. Não há um Dom Sebastião que brotará das brumas ou do deserto de Marrocos.
    Há um messianismo tremendo e que pode potenciar a criação de uma energia anímica tremenda que nos pode catapultar para um estádio de desenvolvimento social e humano inédito na Humanidade.
    Neste sentido, o que se passa hoje com o Brasil é de seguir. Agostinho da Silva dizia que o Quinto Império já existia e que esse, era o Brasil.
    Atenção portanto, que os tempos do cumprimentos da promessa bastiânica podem estar mais próximos do que crêem os cépticos…

  10. Snowmeow

    Sem divulgação do Ideal (Que é a União Lusófona) não haverá concretização do mesmo.

    Precisamos tocar os corações e mentes das novas gerações, pois serão elas que irão comandar o futuro e estará com elas a decisão de fazer ou não essa união.

    Nessas horas, não podemos pensar em limitações, nem em saudosismos, a União Lusófona não pode refletir a saudade do passado, mas sim, ser a alternativa do Futuro!

    E, acima de tudo… Precisamos de um símbolo. Um símbolo simples, fácil de ser reproduzido até por crianças, e que compreenda o ideal da União Lusófona.

    Esta é uma ideia que pode demorar muito para aparecer e tomar forma, mas precisamos nós lançar a semente para que germine. Onde há lugar mais fértil para uma “ideia visionária” que os corações e mentes dos jovens, que anseiam por grandeza e mudança?

  11. Santis

    Era muito bom pelo menos para meu ver um pais federar com todos os estados(são Paulo, Rio Janeiro todos do Brasil mais Portugal e os de africa) que falem língua portuguesa e mais a Galiza que acredito que eles preferiam ser desse pais do que de Espanha. Maior problema seria capital, acho que seria bom porque o futuro não parece muito risonho com a china a crescer como cresce. Se políticos decidirem isso tinha o meu voto no sim.

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