Outplacement: A última moda

(http://web.ist.utl.pt/miguel.henriques)

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Uma das “modas de gestão” da atualidade emprega um anglofonismo que é cada vez mais comum no meio empresarial: “outplacement”.

As numerosas empresas de “recursos humanos” (termo detestável, como se os seres humanos fossem “recursos”…) que agora vivem do Outplacement estão a viver um período de plena euforia, sendo procurados pelas grandes empresas portuguesas que tentam reduzir o seu quadro de pessoal de uma forma que – acreditam ou querem fazer crer – ser mais suave e ligeira.

Os despedimentos que recorrem ao outplacement são o resultado de vários problemas desde dificuldades financeiras da empresa até à incapacidade do trabalhador em cumprir as suas funções. Embora o quadro legal nacional ainda dificulte os despedimentos, há cada vez mais empresas que recorrem às empresas de Outplacement para reduzirem de forma amigável o seu pessoal.

Por detrás do conceito de “outplacement” está o de “responsabilidade social”, mas estas empresas que se movem nesta área estarão a agir de acordo com as regras da “responsabilidade social”? No essencial, a empresa de Outplacement devia criar condições para aliviar a tensão emocional e psicológica do momento traumático que é sempre, necessariamente, o do Despedimento (frequentemente nestes casos mascarado sob o nome de “rescisão amigável”). Mas este serviço tem custos… frequentemente, as empresas que recorrem aos serviços das empresas de outplacement cobram (bem) pelos seus serviços e quem paga essa fatura é o próprio trabalhador, que vê esse custo ser deduzido do valor total da sua indemnização. Cuidado portanto, ao aceitar um serviço de outplacement como parte do seu processo de “rescisão amigável”… não se deixe enganar.

Uma empresa de Outplacement não deve também substituir-se aos deveres da direção da empresa despedidora: a entrevista em que a decisão de prescindir com os serviços de um dado colaborador tem que ser assumida totalmente pela direção: nessa entrevista não devem estar presentes nem “consultores”, nem advogados nem – muito menos – membros da empresa de Outplacement.

As empresas de Outplacement têm como maior missão acalmarem o colaborador e devolverem-lhe alguma da autoconfiança perdida. Para o bom cumprimento dessa missão recorrem a psicólogos e treinadores especializados na identificação de uma segunda carreira para o trabalhador “reestruturado” e na elaboração de um bom curriculum vitae. Estas atividades dependem tudo da boa qualidade dos consultores que assistem ao ex-trabalhador e esta – infelizmente – nem sempre é suficiente entre as empresas deste ramo que operam em Portugal… É também demasiado frequente ver estas empresas empurrarem as pessoas que lhes são entregues para formarem negócios próprios – especialmente se tiverem mais de 40 anos – ou para a primeira oferta profissional que receberem, já que tais aceitações representam para si um “sucesso”, mesmo que essa auto-empresa declare falência em menos de 12 meses ou que esse novo emprego represente menos de metade do anterior salário. Mas é assim que estas empresas de Outplacement exibem as suas “médias de sucesso” sempre mais ou menos “marteladas” e nunca verificadas por entidades terceiras.

Sejamos claros: ainda que um ex-trabalhador submetido aos serviços de uma empresa de Outplacement possa encontrar emprego mais rapidamente do que um que não recorre a uma empresa deste tipo há que verificar se a empresa despedidora não está a usar o dinheiro da rescisão para pagar os seus serviços, nunca embarcar nas propostas imediatas que aparecem sem pensar duas vezes e exigir sempre o melhor serviço possível.

Fonte:
http://tek.sapo.pt/opiniao/opiniao_outplacement_despedir_a_pensar_nos_tr_1085012.html

Sobre Clavis Prophetarum

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4 Respostas a Outplacement: A última moda

  1. LuisM diz:

    Eu pessoalmente acho este pensamento vigente desastroso e utópico.

    Quer-se fazer crer, e aqui está a contecer em toda a Europa, que o que é moderno é tornarmo-nos “competitivos” ou seja, abdicar-mos de uma porção significativa do salário, trabalhar mais umas quantas horas por dia e até fins de semana. Temos que produzir mais e ganhar menos porque logo à partida somos “culpados”.

    Isto aliado ao objectivo final que será a extinção dos contratos e respectiva legislação de trabalho com o pretexto de que será o “mercado” a escolher os “melhores” aplicando as leis darwinianas da selecção natural de uma forma completamente fria e atroz àquelas sociedades que nós todos uma vez conhecemos como o mundo civilizado e que repudiava a lei da selva.

    Outra barbaridade é a actual promoção do trabalho temporário em especial, junto das camadas mais jovens, mentalisando-os que é a melhor via e para o qual terão de se adaptar para o resto da vida. E que na sua própria linguagem, até é muito “cool”. Assim até poderão ganhar os postos de trabalho (de uma forma temporária e low cost, claro!) aos “canastrões” do emprego prá vida.

    Os amantes da ganância, egoísmo e lucro fácil estão a esquecer-se que a natureza humana vai rejeitar tudo isto pois todos nós ao longo da vida ansiamos por estabilidade e segurança.

    Contrariando a natureza humana, o neoliberalismo torna-se ele numa utopia que tal como as duas utopias bem conhecidas do séc.XX estará condenado a fracassar.

    O trágico da questão é que tal como as outras utopias, provavelmente ainda levará muito sangue consigo até se extinguir.

  2. Otus scops diz:

    LuisM

    concordo com tudo o que disse.

    “Contrariando a natureza humana, o neoliberalismo torna-se ele numa utopia que tal como as duas utopias bem conhecidas do séc.XX estará condenado a fracassar.
    O trágico da questão é que tal como as outras utopias, provavelmente ainda levará muito sangue consigo até se extinguir.”

    esta associação de ideias e conceitos é poderosíssima e muito lúcida. escreve muito bem mas pensa ainda melhor!

    • LuisM diz:

      Caro Otus

      Tenho de confessar que não há muita originalidade no meu pensamento.

      Existe uma obra, “A morte da utopia” de John Grey onde este desmonta as ideologias nazi e comunista do sec.XX como utopias inatingíveis.

      Já no nosso século aparece outra utopia que é o neoliberalismo que no caso dos EUA se alia ao neoconservadorismo de cariz messiânico, logo uma mistura explosiva.

      Uma obra que aconselho pela sua lucidez:

      http://www.guerraepaz.net/?page=books&item=121

  3. os totalitarismos têm de facto mais semelhanças do que diferenças, em todos os práticos, os teóricos e os práticos.
    E devem ser – ambos – evitados.

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