
Luciano Amaral
“(Entre 1986 e 1992) começaram a chegar as transferências do orçamento comunitário para investimento em infra-estruturas e requalificação de mão-de-obra, numa proporção que atingiu uma média ao longo do período de cerca de 1.5% do PIB, embora nalguns anos chegasse a cerca de 4%.”
Na verdade, Portugal recebeu durante este período um volume da capital superior ao que – estima-se – recebia anualmente na época áurea da Pimenta da Índia ou dos Diamantes do Brasil. Isto dá uma boa ideia do desperdício ocorrido neste período, sobretudo no campo da formação profissional onde os abusos foram absolutos e o desperdício total. Os investimentos foram feitos no setor não-transaccionável (Estado e infra-estruturas), os efeitos de um investimento na formação profissional usados em cursos inúteis e sem eficácia e realizados sem qualquer acompanhamento ou monitorização.
“os salários tiveram uma ascensão importante; por outro lado, o escudo revalorizou-se. Interessante é que nenhum destes fenómenos, ao contrário do que seria de esperar, tenha representado uma degradação da competitividade das exportações portuguesas. A explicação reside no aumento da produtividade a ritmo idêntico ao dos salários, não se agravando assim os custos unitários do trabalho. Este comportamento da produtividade poderá talvez explicar-se pela enorme de redução de custos resultantes da queda do preço do petróleo e pelo melhoramento dos métodos de produção trazidos pelo investimento estrangeiro.”
Fenómenos irrepetíveis… Sendo os custos da energia cruciais para baixar os custos de contexto da nossa produção na época, esta é a maior lição que devemos retirar dessa “mini idade do ouro”: enquanto país, devemos concentrar os nossos melhores esforços, os nossos recursos (sempre escassos) na supressão da dependência energética, que responde só ela, por mais de 60% de todas as nossas importações e que faz aumentar os custos de contexto da nossa indústria (que resta) tornando-a menos competitiva nos mercados internacionais. Este problema deve ser vencido pela via da concentração de esforços na Investigação e na criação de “ninhos de empresas” dependentes de Universidades e alimentados por “fundos de investimento estratégico” onde o Estado, as Câmaras Municipais e os Privados podem e devem participar, lançando depois estas pequenas empresas, para o Mercado, logo que estas recolham condições mínimas para funcionamento livre e independente.
Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral















