
Luciano Amaral www.novasbe.unl.pt
“O balanço da evolução da economia portuguesa desde o 25 de abril não é notável. Quando comparamos Portugal com o conjunto dos países mais ricos, verificamos que a distância se encurtou cerca de 10% ao longo do período. Ou seja, se em 1973 o nosso PIB per capita correspondia a 50% da média desses países, hoje corresponde a 60%.” (…) “Mas desde o ano 2000 que se deu uma queda de quase 6% – o que corresponde a uma perda de um terço do terreno ganho anteriormente. Se ignorássemos os anos entre 1986 e 1992, o PIB per capita português seria, em termos comparados, hoje quase idêntico ao de 1973. Dito de outra forma, teríamos atualmente o mesmo nível de riqueza relativa do início dos anos 70.” (…) “Na produtividade, a recuperação foi somente de 5%, com um afastamento cada vez maior desde 1992.”
Economia Portuguesa, As últimas décadas
Luciano Amaral
Estes números – mascarados durante décadas por um intenso endividamento externo – resultam da existência de um modelo económico fortemente disfuncional: o país deixou imolar no altar europeu os seus setores produtivos. Empobreceu e disfarçou esse empobrecimento com dívida e com um aparelho do Estado que cresceu desmesuradamente, sem controlo nem tino, duplicando de tamanho a cada dez anos.
Chegados a este ponto há que parar e refletir: nao podemos continuar estagnados. Especialmente se desejamos ter um Estado-Providência que seja minimamente comparável ao existente na maioria dos países europeus. Urge mudar os paradigmas económicos, afastando-nos decisivamente da economia de Turismo e Serviços que quiseram impor e recuperando setores produtivos estratégicos, como as Pescas, a Agricultura e toda uma indústria transformadora que se perdeu nos últimos anos. Em vez de Bancos e Seguradoras, devemos prioritizar o setor dos Bens Transaccionáveis. Em vez do Consumo, a Produção, da Importação, a Exportação… em suma, em vez da Europa, Portugal.

















Pois pois… a distribuição (incluindo os serviços públicos oferecidos) da riqueza criada não interessa para nada quando se avalia a coisa… aliás parece ser demonizada por este senhor como um factor que limita o nosso crescimento. Esses livrinhos são bons para quem não sabe o que era o antigo regime, a pobreza miserável e desumanizada (rural e urbana) que este país tinha que é algo que não tem comparação com a nossa situação social no ano 2000.
É a velha questão: uma sociedade melhor é uma sociedade em que a pobreza é generalizada (tipo Roménia ou o Portugal de Salazar) mas a pobreza é endémica ou uma sociedade em que existe um Estado Social, mas os défices orçamentais são crónicos?
Nenhuma das duas.
Prefiro ter menos Estado Social, muito melhor redistribuição (pela via fiscal, obviamente) e orçamentos totalmente equilibrados.
Esta equação é possível no regime atual, integrados na UE e de fronteiras abertas?
Não.
Nota: Quase que devia existir uma cadeira de secundário de estudo do Estado Novo para se quebrarem estes mitos de “endeusamento” e “lavagem” que vão crescendo à medida que o tempo passa e a memória falha. Basta estudar em algum detalhe o regime para perceber bem a natureza do monstro.
História. Não estou bem a par, mas tenho lido que hoje em dia é possível cursar no secundário até ao 10º e não ter essa disciplina.
A ser verdade estaremos perante uma séria ameaça à identidade nacional e a uma abertura para o regresso desse tipo de regime…
Um povo sem História é um povo sem memória e um povo sem memória, é um povo escravo.
É inadmissível que os portugueses não saibam o seu passado, mas infelizmente é o que acontece.
Ainda ontem a minha mãe relatou o que era andar na escola no fim dos anos 40. Barriga vazia, camisinhas rotas e os meninos descalços, sem sapatos nem meias a calcar a geada de inverno, roxos de frio. Ou me engano muito, ou caminhamos para o mesmo…
fb
ouvi tantas histórias dessas às minhas bisavós e avôs. a minha mamã bombardeou-me sempre (e ainda bombardeia) com esses depoimentos.
sinto-me totalmente identificado com TUDO o que escreveu neste postal.
Acredito, Otus… e eu nem disse que a minha mãe pequenina, 5, 6, 7 anos ía fazer a volta com os coleguinhas da escola, quase diáriamente, para assistir à “ida dos anjinhos” que era velar os meninos pequeninos lá da aldeia, que não resistiam à fome e ao frio e morriam de pneumonias quase todos os dias… tristeza. Ainda mal saímos da miséria e parece que lá estamos a voltar…
esse é o plano dos “federalistas”: tornar os portugueses um povo esquecido e sem identidade (seguindo os mesmos processos que os castelhanos seguiram na Galiza para absorverem a identidade galega).
CP
esta é sobretudo para ti: as tuas preocupações históricas são parcelares, o teu apoio à Galiza é uma ameaça à nossa identidade nacional, os Portugueses e os Galegos nunca foram o mesmo, nem mesmo os Portucalenses, os Galegos e os Astures.
depois da tua cruzada pró-galiza vais encetar qual, a das Astúrias e Castilla-Léon??? esses também eram Galaicos.
Uma “ameaca”?!… Pelo contrario: o teu odio aos galegos cega-te e impede-te de ver que Portugal e a Galiza juntos seriam capazes de fazer frente a Castela-Madrid e de serem uma força capaz de contrabalancar o peso do Brasil… Numa futura Uniao Lusofona, mas que digo? Disto tu nem queres ouvir falar…
só agora reparei: “…em vez da Europa, Portugal.” muito bem, falta a Lusofonia (ou outros), em vez da Europa e Lusofonia, Portugal!!!
clap, clap, clap muito bem!!!
a rota Portugal está a ser retomada.
Nunca foi abandonado… Os caminhos para la chegar ‘e que sao diferentes!
Não se anime Otus Scops, porque não passamos de uma região da Alemanha… agora nem isso os alemães querem… vá lá saber-se porquê…
ou talvez sim… a escravatura moderna está quase no auge.
fada do bosque
estou cansado de ver no ciber espaço tanta gente a assobiar para o lado e a culpar a Alemanha, o €uro, a UE, etc, sem irmos à raiz do mal, nós próprios.
dedico-lhe a si, ao Nicolau e ao CP este depoimento do escritor José Rentes de Carvalho: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=2027568
é rigorosamente assim que penso à 20 anos, não precisei da crise que os neoconservadores desencadearam em 2008 para tirar estas conclusões.
já o escrevi aqui e repito-o: Portugal devia seguir o modelo holandês, aliás, considero-os a civilização mais avançada do Mundo.
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=29341
Otus, Já tinha ouvido a entrevista…
Não discordo de todo do que está a dizer. Aliás desde Eça de Queiroz ou mesmo antes, que temos avisos para o estado da nação. O que se passa agora sempre se passou. Os portugueses falam, falam, falam e não dizem nada, muito menos fazer.
Quanto à realidade também e como diz Rentes, é uma vida de sacrifício e sofrimento sim, mas digo o mesmo que disse aqui ao embaixador. Podem fazer o que quiserem que sem Educação não sairemos de cepa torta.
http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/portugal-sua-economia-e-sua-imagem.html
De uma regiao sem soberania, como merkel ja ameacou!
http://economico.sapo.pt/noticias/alemanha-e-a-nova-terra-de-oportunidades_127492.html
Pois Odin… enquanto a Alemanha é a nova terra de oportunidades, veja o que acontece em Portugal:
Eu não concordo muito que o Estado dê prémios pecuniários aos alunos, mas acho absolutamente inconcebível que um prémio já atribuído possa ser retirado a 48 horas de antecedência da cerimónia, quando os alunos já tinham sido avisados que o iriam receber. Imagino a enorme decepção que todos os alunos contemplados irão sofrer quando forem à cerimónia e não receberem prémio algum. E o que terão que passar as suas famílias para compensar a sua desilusão.
Mas há que reconhecer que com esta decisão o Ministério da Educação acaba de prestar um grande serviço pedagógico aos alunos. Ficaram desde já a saber que é este o Estado Português com que terão de conviver em adultos: um Estado que a todo o tempo pode desrespeitar os seus compromissos, cortar unilateralmente os salários aos seus funcionários, as pensões aos seus pensionistas e aumentar retroactivamente os impostos que cobra. Os alunos podem assim desde já habituar-se a que é este o país em que vivem e pensar em emigrar para o estrangeiro. Só essa lição vale mais que o prémio.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3522444.html
Sim, de facto, o processo foi muito mal gerido. Quanto aos premios, achei sempre uma boa ideia, mas nao conheco os detalhes: o premio pecuniario seria entregue em maos ‘as criancas (se sim, discordo) se fosse entregue aos pais, de acordo, ate porque isso incentivaria os pais a apoiarem os estudos domesticos da crianca (o grande factor de sucesso escolar).
Mas anunciar este cancelamento de vespera? Nao, isso esteve errado e ate sera contraproducente, de facto.
Mais emigracao… Na semana passada falava-se que agora muitos portugueses estavam a emigrar para a Holanda…
Voltámos aos anos 60!
Voltaram aos anos 60? Que inveja que tenho de vocês.
Se eu pudesse viajar no tempo, uma das minhas épocas favoritas seria os anos 60.
Ora… Nada ha que invejar, asseguro: o regresso ‘a emigracao como opcao de vida representa um fracasso dramatico para opcoes estrategicas das ultimas decadas…
E o facto de vivermos hoje numa “democracia diminuida” (controlo dos media, baixa participacao civica das populacoes, baixa democraticidade, etc) recordam tambem alguns aspetos negativos dessa decada.
Em que nasci, de resto…
Mas e o lado bom? Foi a época em que as bandas lendárias surgiram, os Beatles, Rolling Stones, The Doors, Jackson Five, Jimi Hendrix, Bob Dylan, Festival do Woodstock, época do Martin Luther King, Malcom X, Gargarin foi ao espaço e a Apolo 11 chegou à lua, como eu queria ter vivido e ter sido jovem naqueles anos.
PS: CP, foi um trocadilho, uma piadinha. Eu entendi o real sentido de “voltar aos anos 60″ que você quis dizer…
Eu sei… Sim, tambem tenho saudades dessa epoca, claro… Quem nao olha para a sua infancia com saudade, especialmente se esta foi tranquila e feliz?…
Para meu amigo Otus Corujão!
Abraços
Fred