
Agostinho da Silva (http://www.cm-sintra.pt)
“Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exatamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política.”
Agostinho da Silva, As Aproximações, 1960
Visionário e acutilante como sempre, em 1960, Agostinho antevia já a contradição entre maquinismo, industrialização e Emprego. O que nos diziam os “economistas do sistema”, neoliberais e globalistas, era de que o crescimento do Emprego no setor dos serviços iria compensar a crescente automatização das industrias e as deslocalizações. Hoje, com níveis elevados e crónicos de Desemprego constata-se o quanto estavam enganados…
Obviamente, não é possível des-automatizar as fábricas, ainda que seja possível fazê-las regressar da China, assim o decidam os Governos (por exemplo, forçando as multinacionais que querem vender aos europeus a produzirem na Europa) e a tal os obriguem os cidadãos… Mas os níveis que quase pleno emprego da década de 60 acabaram. Mas não podemos ter sociedades estáveis e cidadãos plenos e participativos cronicamente desempregados. Importa assim reformar pela raiz os fundamentos da sociedade. Tudo deve ser repensado. Economias gratuitas, Moeda-hora, moedas locais, não-propriedade, todos estes conceitos devem ser ponderados, combinados e adaptados na construção de uma Nova Economia que inevitavelmente terá que surgir.















