Monthly Archives: Dezembro 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um excerto:

O Estádio Olímpico de Londres tem uma capacidade de 80.000 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 900.000 vezes em 2011. Se fosse o Estádio, eram precisos 11 eventos esgotados para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Agostinho da Silva: “Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil”

Agostinho da Silva (http://img.rtp.pt)

Agostinho da Silva (http://img.rtp.pt)

Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio. A primeira tarefa do educador é procurar varas bem altas e obrigá-lo saltar.”
Agostinho da Silva, Baden-Powell, Pedagogia e Personalidade, 1961

Não há dúvidas de que nos últimos anos se instalou um certo sentimento facilista em vários segmentos da sociedade portuguesa. Mas nada amolece, enfraquece e diminui mais que o excesso de facilidades. Seres fortes forjam-se sempre nas dificuldades. E quanto mais fácil for uma vida, mais fraca ela será. Nesse sentido, vivemos de facto uma Era Dourada: avizinham-se momentos de turbulência inédita nos últimos séculos, mercê da transição entre dois momentos civilizacionais. Não sabemos o que se seguirá a esta perturbação que hoje é fácil antecipar e que terá o seu apogeu em 2012 e 2013. Mas serão tempos difíceis e sabendo que a Europa precisa de mais de 700 mil milhões de euros de credito, só em 2012, não é impossível que ocorram bancarrotas em cascata com as consequências sociais que se observaram na Argentina em 2001.

Assim, em 2012, teremos todos condições para dar provas da nossa capacidade de resistência, tornando a realidade e contexto económico em nossos “educadores”.

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Agostinho da Silva: “É à criança que temos de considerar o bom selvagem”

Agostinho da Silva (http://sp1.imgs.sapo.pt)

Agostinho da Silva (sp1.imgs.sapo.pt)

“É à criança que temos de considerar o bom selvagem, estragando-a, deformando-a, inutilizando-a o menos que nos seja possível, defendendo o seu tesouro de sonho, jogo e criação, a sua espontaneidade e a sua malícia sem maldade, o seu entendimento sem análise e o seu amar do mundo sem a preocupação das sínteses; e foi afinal desta criança feita Deus, ou Deus se revelando, para um novo Evangelho, que nos falou Alberto Caeiro, o poeta que se afirmou no que toca aos jeitos de viver, o mais português de todos os poetas portugueses.”
Agostinho da Silva, Educação em Portugal, 1970

Agostinho da Silva acreditava numa educação livre e sem peias ou cangas castradores ou que limitassem a vocação criadora e inovadora das crianças. Acreditava que importava nutrir a criança que temos em nós, por forma a criar sociedades mais dinâmicas, participativas e criativas. Julgava que as crianças mereciam o mesmo respeito que os adultos, na sua individualidade e direito à diferença.

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Trabalhar em Moçambique (e em Angola… com algumas adaptações)

1. Introdução

Estima-se que existam hoje em Moçambique mais de dez mil imigrantes portugueses. Por comparação com Angola (onde se crê que o número ultrapasse os 250 mil) o número sempre foi reduzido, mas não para de aumentar desde 2008, incentivado pelo crescimentos dos setores agrícola e de turismo. A maioria dos imigrantes portugueses em Moçambique são hoje empresários ou trabalhadores altamente qualificados que cumprem períodos relativamente curtos de trabalho, regressando a Portugal ao fim de 2 ou 4 anos, na sua maioria.

Esta tendência de crescimento foi especialmente notável em 2010, quando o Ministério do Trabalho moçambicano registou um aumento de 30% do numero de requerimentos de autorização de trabalho.

A área da construção civil tem também estado particularmente ativa devido a uma serie de projetos que arrancaram em 2010 como o novo Estádio Nacional, a modernização do Aeroporto Internacional de Maputo, para além de uma multiplicidade de projetos de exploração e prospeção de petróleo, gás natural e minérios que se estendem hoje um pouco por todo o território moçambicano.

Em termos de comunidades migrantes, a mais numerosa é a sul-africana, que em 2010 receberam 2718 autorizações de trabalho. A segunda comunidade é a portuguesa com 1524 autorizações (12.85%) seguindo-se a Índia com 1293 migrantes.

No que respeita ao povo moçambicano este é um dos povos mais amistosos de África, especialmente para com os portugueses. Maputo reúne a maioria dos expatriados, sobretudo por causa das dezenas de ONGs internacionais que fizeram da capital moçambicana a sua base de operações.

Apesar do crescimento económico sustentável dos últimos anos, Moçambique tem ainda graves problemas socio-económicos por resolver. A pobreza é quase endémica, as infra-estruturas ainda são fundamentalmente as mesma da era colonial, a burocracia absolutamente atroz e o sistema de Saúde quase completamente inoperante. Na prática, todos os expatriados dependem da África do Sul quando são confrontados com uma qualquer situação urgente. Para situações graves, mas menos urgentes há sempre um voo para Lisboa…

A influencia da cultura portuguesa em Moçambique é muito forte ainda que densamente matizada com a influencia inglesa através da Rodésia (Zimbabué) e da África do Sul. Alguns brasileiros radicados em Moçambique afirmam que a cultura local é mais formal do que aquilo a que estão habituados no seu país e queixam-se da incompreensão e dos mal entendidos que assim são criados. Segundo eles, tal deve-se à influencia portuguesa na sociedade moçambicana.

2. Decidindo

Antes de tomar a decisão, fale com o maior numero possível de pessoas que estiveram ou estão expatriados no país. Tecer uma rede contactos e apoio local pode mais tarde vir a revelar-se crucial para o sucesso do seu projeto.

3. Remunerações

No que respeita ao vencimento tem que ter em conta as desvalorizações do dólar em relação ao euro, que podem ter um reflexo muito sensível no quanto vai receber de facto, ao fim de cada mês. Não esqueça nunca os Benefícios e verifique se é possível receber parte do vencimento em euros.

Os quadros superiores têm frequentemente englobados no pacote remuneratório a habitação, o carro (com ou sem motorista), e para aqueles que levam consigo filhos, os custos do colégio.

É muito frequente que o pacote remuneratório inclua viagens, devendo-se escolher à partida a companhia aérea em que se pretende viajar.

Verifique se a empresa oferece uma casa perto do local de trabalho e que tipo de condições esta oferece. Muitos expatriados começam por viver em Casas de Hospedes ou em apartamentos alugados pela empresa e que alojam os vários quadros técnicos ao seu serviço.

Em termos padrões (atenção: usando referências angolanas. As referências moçambicanas são inferiores):
Um Administrador recebe entre 15000 e 20000 dólares
Com 4 viagens/ano em Executiva

Com Despesas:
Casa de 10000 dólares
Empregada 300 dólares
Alimentação1500 dólares
Carro 450000 com motorista
Segurança250 dólares
Escola 1000 dólares

Um Quadro Médio entre 10000 e 15000 dólares
Com 3 viagens por ano em Executiva
Com Despesas:
Casa 6000 dólares
Alimentação1000 dólares

Um Técnico entre 4500 a 6000 dólares
Com 2 viagens por ano em Económica
Com Despesas:
Apartamentos da empresa
Empregada
Alimentação1500 dólares
Carro 35000 dólares com motorista
Segurança250 dólares
Escola 1000 dólares

Deve-se evitar o câmbio informal, de rua. Não é seguro e tem que estar especialmente atento a enganos na “taxa de cambio”. Prefira sempre fazer o cambio em casas de cambio oficiais ou em Bancos. Evite levar moeda local para fora do país.

4. Trabalhando no norte de Moçambique

Nampula é uma das cidades mais importantes da região norte de Moçambique. É uma das cidades mais tranquilas do país, particularmente calmo e seguro, mas onde a pobreza é claramente mais intensa que na capital.

A feira domingueira é um dos principais pontos de interesse da cidade, predominando aqui os artigos em segunda mão deixados expostos no chão de terra batida.

5. Fiscalidade

Mais detalhes sobre este importante aspeto da expatriação podem ser obtidos através do numero 707 206 707. Existe um acordo de dupla tributação entre Portugal e Moçambique que deve ser consultado a este respeito, mas podemos adiantar algumas informações:

A. Em Moçambique, os rendimentos são alvo dos impostos em vigor no país (retenções e segurança social), sendo normalmente uma parte destes rendimentos transferidos regularmente para Portugal.

B. Todo o vencimento bruto auferido em Moçambique tem que ser declarado em Portugal (e não somente a parte que é transferida para Portugal).

C. As remunerações são geralmente pagas em dólares, como em Portugal a moeda em uso é o Euro, no IRS no Anexo J deve-se usar a cotação do dólar conforme ela estava no ultimo dia do ano. Será também aqui, neste anexo J, que se colocam para efeitos de evitar a dupla tributação, os impostos ja pagos em Moçambique.

D. Nenhuma despesa realizada em Moçambique pode ser dedutível no IRS em Portugal.

E. A taxa a aplicar sobre os rendimentos de trabalho dependente aplica-se sobre a totalidade do rendimento, independente da percentagem deste que seja transferida para Portugal.

Os impostos em Moçambique não são – nem de perto – tão pesados como em Portugal. Existe imposto sobre os rendimentos que pode chegar a um máximo de 32% e IVA, mas de apenas 17%.

6. Transportes

Ao entrar e sair do aeroporto de Maputo deve pagar-se sempre o visto, num valor de 25 dólares em dinheiro certo, já que não é usual darem troco. Como em qualquer outro país africano podem pedir “gorjeta” em vários pontos do aeroporto, antes do embarque, pelo que se deve ter sempre algum dinheiro trocado nos bolsos. É também comum que procurem revistar a bagagem, procurando “irregularidades” que, por vezes, não passam de uma forma de procurar captar alguma gratificação.

7. Visto

Os Vistos de Trabalho são geralmente tratados pelas empresas contratadoras. Existem varias regras – algo restritivas – quanto ao emprego de estrangeiros obrigando a empresa a justificar porque é que está a contratar um estrangeiro em vez de um nacional.

Os Vistos de Trabalho são emitidos por 30 dias, sendo prorrogáveis até 60 dias.

8. Saúde

Ao chegar de avião deve ter consigo o boletim de febre amarela em ordem.

A maior parte dos expatriados têm seguro de saúde que garantem o acesso a clínicas privadas. Estas asseguram os cuidados mais básicos de saúde, mas em casos mais graves a opção correta é viajar até Portugal ou à África do Sul. Como na maior parte dos países da região, há que ter cuidados com a malária, recomendando-se todas as vacinas que a “consulta do viajante” (disponível em vários hospitais públicos portugueses) recomendar. Todas as vacinas devem estar atualizadas, especialmente as do tétano, difteria e hepatite A.

Leve consigo uma ampla farmácia, com todo o tipo de medicamentos que puder recolher e transportar. Não há muitas farmácias em Moçambique e poucas têm o mesmo tipo de oferta de medicamentos que se encontra na Europa. Leve também protetor solar em doses abundantes.

O uso de repelente é aconselhável assim como o uso de roupa (especialmente ao fim da tarde) que cubra os braços e as pernas.

O consumo de água deve ser cuidadosamente encarado. Idealmente, consuma apenas agua engarrafada e aberta à sua frente. Evite saladas e alimentos crus, incluindo-se o gelo nas bebidas e a agua dos cafés.

9. Segurança

Em qualquer país africano, é preciso ter alguma atenção com a segurança. Existe crime, mas não aos níveis de algumas cidades europeias. Mesmo na metrópole, Maputo, é seguro andar a pé de dia na rua. Mas devemos exibir objetos que aticem a cobiça alheia. Muitos expatriados optam por terem um segurança privado, pelo menos nos primeiros tempos. Não é aconselhável realizar chamadas de telemóvel na rua nem transportar malas de computador.

Deixe sempre as janelas e portas fechadas e evite caminhos que desconhece. Sobretudo, nunca se aventure sozinho em zonas que conhece mal, especialmente nas cidades mais populosas.

Em caso de encontrar algum problema (por exemplo, um acidente de viação) chame a polícia e se se tratar de um caso mais grave, contacte a embaixada. As empresas que contratam expatriados têm contratos com empresas locais de segurança que pode usar para obter serviços pessoais de segurança.

10. Levar a Família

Se pensar em levar a família consigo, tem que acautelar essa hipótese com o devido cuidado. Muitos optam por estarem alguns meses expatriados, antes de levarem a sua família. Ter em consideração que não existe rede publica de transportes digna desse nome e que o carro é o meio de transporte principal. Há também que ter em conta a duração do visto de trabalho e perceber se compensa deslocar toda a família durante a sua duração.

Levar crianças, implica inscrevê-las num colégio privado, dadas as lacunas que apresentam ainda as escolas públicas. Não é raro negociar este aspecto com a empresa já que há poucas vagas e o horário escolar não corresponde ao horário laboral, em consequência há também que encontrar atividades de tempos livres (com preços entre os 200 e os 400 dólares mensais).

11. Mudar de Trabalho

Como o Visto de Trabalho está associado à entidade empregadora mudar de emprego implica uma viagem a Portugal para obter o novo visto. Embora existam formas alternativas e informais de evitar essa deslocação.

12. Telemóveis, Computadores e Internet

Evitar andar na rua com malas de computador. Instale equipamentos de estabilização de corrente na casa para fazer face às frequentes flutuações de corrente elétrica. Se possível, use apenas equipamentos com baterias ou pequenos UPSs.

Os cartões de recarga para telemóveis estão amplamente vulgarizados em Moçambique. Verifique se compra cartões por ativar. Frequentemente, os expatriados compram um telemóvel de baixo custo em Moçambique e usam neste os cartões SIM das operadoras locais reservando os cartões e telemóveis comprados na Europa para uso quando regressam ao Velho Continente.

13. Etiqueta

Em reuniões de negócios, recomenda-se o uso de fato escuro e gravata. O uso de cartões de visita é tão comum como na Europa. Em conversas informais e de negócios, evite criticas políticas e respeite as hierarquias com o maior formalismo possível.

14. Línguas Locais

O português é comummente usado em Moçambique. As diversas línguas locais não são em principio necessárias para os expatriados, mas o conhecimento de alguns dos seus rudimentos podem permitir o encetamento de relações de amizade e a abertura de relações comerciais ou de negocio que o domínio exclusivo do português não consegue suprir.

Em Moçambique falam-se cerca de 15 línguas, entre as quais se destaca o Changana, falado no sul do país e o Nyungue, utilizado na região de Tete.

15. Tempos Livres

Existem varias formas de preencher os tempos livres em Moçambique. As numerosas belezas naturais do país transformando o expatriado quase automaticamente num viajante. Em Maputo existem vários bares e restaurantes de qualidade. Discotecas, centros culturais, clubes, cinemas e um centro comercial são outras opções populares e muito procuradas pelos locais e pelos estrangeiros radicados no país. Nos restaurantes, evite gelo, saladas, ovos, maioneses e manteigas.

Existem alguns supermercados de qualidade para além dos vários mercados ao ar livre, raramente frequentados por estrangeiros.

A praia está poluída e é pouco frequentada, tanto mais porque a alguns quilómetros para sul existem praias de grande qualidade.

16. Habitação

Geralmente, os expatriados residem em casas alugadas pelas empresas empregadoras, não sendo raros preços da ordem dos 1 e 3 mil dólares mensais para um apartamento de dois quartos em Maputo.

A terra é propriedade do Estado, mas a maioria dos moçambicanos compra casas e apartamentos.

A escolha de uma casa – quando existe essa opção – deve combinar vários fatores: localização em relação ao local de trabalho, segurança da zona, existência de gerador, reservatório de agua e bomba de água. A maior parte dos prédios não tem elevador, pelo que deve avaliar se aceita residir num andar muito acima do 3o ou 4o. Se alugar você próprio, verifique a conformidade dos documentos de propriedade consultando o advogado da sua empresa ou um advogado local de confiança. É frequente, pagar a renda antecipadamente 6 ou 12 meses.

17. Custo de Vida

O custo de vida para os estrangeiros é alto. Não tão alto como em Angola (onde se bateram à muitos todos os limites da razoabilidade), mas ainda assim considerável. A esmagadora maioria dos produtos disponíveis no comercio em Moçambique é importada, o que explica parcialmente os elevados preços ao consumidor.

No comércio, o uso do dólar é frequente, sendo comum pagar habitação, transportes e educação em dólares.

Os preços nos supermercados são normalmente entre 2 a 3 vezes mais altos que os dos produtos equivalentes comprados em Portugal.

18. Trânsito

Em Moçambique, conduz-se pela esquerda, por influencia das antigas colónias britânicas que rodeiam este país lusófono praticamente por todos os lados. Isto implica um período de adaptação, para quem é condutor, mas também para quem é peão, já que os automóveis se apresentam também eles de uma direção diferente do transito…

É também comum ver pessoas caminhando nas estradas, especialmente de noite, assim como animais.

No geral, as estradas estão bem conservadas, ainda que existam alguns segmentos no interior a carecer de intervenção urgente.

19. Contactos que deve recolher e ter sempre consigo

Consulados e embaixadas
Clínicas Médicas
Linhas aéreas internas regionais
Restaurantes

Fontes:
http://www.portaldogoverno.gov.mz/Servicos/migracao/
http://www.newwayrelocation.pt/training/Intra/pt_Mozambiqueseminar.asp
http://www.portaldogoverno.gov.mz/noticias/news_folder_sociedad_cultu/janeiro-2011/aumenta-numero-de-estrangeiros-que-querem-trabalhar-em-mocambique/
http://expatriados.wordpress.com/2008/06/16/mocambique-para-principiantes/
http://www.mochileiros.com/mocambique-perguntas-e-respostas-t30096.html
http://economico.sapo.pt/forumbolsa/index.php?topic=19417.0
http://imigrantes.no.sapo.pt/page6Cont.html
Livro “Trabalhar em Angola” de Hermínio Santos

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Sobre o mais recente golpe militar na Guiné-Bissau


A recente implicação do chefe da Marinha da Guiné-Bissau, Bubo Na Tchuto, na ultima intentona militar parece ter resultado de um conflito interno – entre as mais altas patentes militares guineenses – sobre a sucessão na Armada e era já adivinhada nas ruas de Bissau pelo menos desde finais de novembro.

Na Tchuto está agora detido, juntamente com outros oficiais da Armada. Depois do tiroteio (que terá ceifado a vida a um policia e a um militar, para além de ter feito 6 feridos) junto à embaixada angolana e a deslocações mais ou menos confusas e desorganizadas de militares nas ruas de Bissau a situação amainou e o chefe de Estado Maior, António Indjai, (o mesmo que em abril de 2010 deteve impunemente o primeiro-ministro) parece estar no controlo da situação, isto depois de ter chegado a estar detido pelos militares leais a Na Tchuto.

A Guiné-Bissau não pode continuar assim, acumulando golpe atrás de golpe, a um ritmo quase mensal. Urge tomar uma decisão que renove de forma radical e decisiva o exercito, marinha e força aérea guineenses. E essa renovação só pode passar pela total dissolução das forças armadas, sua substituição transitória por uma força Lusófona de manutenção de paz (como o MIL defende) e novo recrutamento a partir de uma nova base tendo sempre a garantia que todo o oficialato é bem remunerado, tem um registo criminal limpo e entregando à Justiça internacional (fora da Guiné) todos os militares atualmente implicados no narco-tráfico.

Fonte:
http://www.publico.pt/Mundo/disputa-entre-militares-volta-a-agitar-guinebissau-1526550

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“Andar pela zona de Sines equivale a perceber que o futuro do país passa por ali”

Porto de Sines portugalfotografiaaerea.blogspot.com

Porto de Sines portugalfotografiaaerea.blogspot.com

“Andar pela zona de Sines equivale a perceber que o futuro do país passa por ali (OK, só um bocadinho do futuro pátrio). Não por acaso; o “El País” anda muito preocupado com a atratividade de Sines para as empresas chinesas. Tal como está, o porto já é atrativo (os singapurenses, espertos como um alho, já lá estão), mas, com o alargamento do Canal do Panamá, Sines ganhará ainda mais relevância para os chineses e restantes asiáticos. Não é preciso ser um génio para perceber porquê. Ora, se Portugal fizer a sua parte (ferrovia em bitola europeia), Sines poderá ser um caso sério. Aliás, “El País” adianta que um conglomerado de empresas chinesas pretende transformar Sines num posto avançado para a montagem dos seus produtos. Isto seria revolucionário. Isto seria uma Autoeuropa elevada ao cubo. Isto representaria emprego para minha gente durante, vá, uma geração.”

Expresso, 8 de outubro de 2011

Portugal só pode esperar cumprir o seu verdadeiro desígnio de fundar uma União Lusófona se primeiro se refundar. Acreditamos que o futuro do país, a longo prazo, passa pela fundação de uma união política e económica com os outros países e nações de fala lusófona. Mas Portugal não pode caminhar para esse futuro da mesma forma como caminhou para a União Europeu/CEE: de mão estendida e pedindo dinheiro a troca da destruição do seu setor produtivo e da tercialização da sua economia.

Portugal só pode alavancar uma nova fase na sua vida enquanto entidade nacional se primeiro se reorganizar e refundar. Todos os princípios, fins e meios que serviram de alicerce ao desenvolvimento de Portugal terão que ser reavaliados por forma a recriar condições para uma recuperação do setor produtivo português. Ora nesta recuperação, o papel do setor primário, da agricultura e, sobretudo, da Economia do Mar é absolutamente vital.

Se a Economia do Mar tem que ser central na regeneração de um pais esvaziado e empobrecido por décadas de estéril subsidiação e por uma tercialização deslocalizada e assassina, então, nela, o papel dos portos tem que ser crucial. Será através de portos modernos e bem equipados que o país vai manter comunicações com o Mar Português e explorar os recursos que ele encerra. Será pelo melhor porto de aguas profundas da Europa, em Sines, ligado a uma rede de transportes de mercadorias de alta velocidade que se abrirão novas janelas de desenvolvimento e crescimento económico.

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O investimento estrangeiro no Brasil em 2010

Segundo dados recentemente conhecidos, o montante total do investimento direto estrangeiro no Brasil – sob a forma de participação de capital – cresceu de 162 mil milhões de USDs em 2005 para 579 mil milhões, no ano passado, num notável crescimento de 256%. O valor do investimento estrangeiro direto no Brasil, em 2010, corresponderia assim a 30.8% do PIB deste país lusófono.

O Banco Central do Brasil reconhece que existe neste crescimento um certo empolamento resultante de uma alteração de critérios deste estudo que é realizado a cada cinco anos, e que foi imperativo aplicar por forma a que se passasse a usar no Brasil o padrão estatístico internacional.

Este estudo da autoridade monetária brasileira clarifica também mais do que o anterior a origem dos capitais que afluem ao país. Se antes muitos capitais apareciam como tendo vindo de regiões financeiramente opacas, como os Parai sos Fiscais ou de Estados que oferecem grande vantagens ao capital estrangeiro, como a Suécia ou a Holanda, agora é possível identificar a origem real dos investimentos, mesmo quando se recorrem a investidores intermédios.

Segundo este estudo, o maior investidor imediato é a Holanda, com 162 mil milhões de USDs, seguindo-se os EUA (70 mil milhões). Na lista de investidores finais, contudo, a Holanda cai para a 12a posição, o que mostra a carateristica indireta dos investimentos desta origem.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1021690-investimento-estrangeiro-direto-no-brasil-cresce-256-aponta-do-bc.shtml

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Daniel Oliveira: “As coisas estão neste estado porque fizeram (e continuam a fazer) escolhas politicas criminosas. Porque os governos são estúpidos? Não. Porque são políticamente corruptos”

Daniel Oliveira (http://aeiou.visao.pt)

Daniel Oliveira (http://aeiou.visao.pt)

“Em 2007, a Comissão Europeia, através da diretiva MIF (Mercado de Instrumentos Financeiros), desregulou a organização das praças bolsistas na Europa. Com a sua fé inabalável na concorrência, conseguiu o que queria: metade das transações bolsistas europeias são feitas fora das bolsas, através de sistemas opacos; que permitem que as transações sejam feitas sem se saber por quem, em que quantidades e a que preço. Do capitalismo de casino passámos ao capitalismo de candonga. Tudo se passa em computadores superpotentes; numa multiplicação vertiginosa de transações que os profissionais mais especializados neste jogo controlam.”

> Esta economia virtual, que movimento recursos incríveis, sempre fora da economia real e sem introduzir qualquer espécie de valor na cadeia de produção tem que ser estancada. Após a crise do Sub-prime de 2008 (que ecoa ainda hoje, sob a forma de “Crise das Dividas Soberanas”) muitas foram as vozes de políticos que clamavam pela regulação deste mundo desbragado e incrivelmente arrogante. Mas nada de concreto se produziu. E a Europa (onde essas vozes foram mais altas) não só não fez nada para impedir a continuação dos Offshores que funcionam no seu próprio seio, como manteve inalterada esta diretiva MIF.

“As coisas estão neste estado porque fizeram (e continuam a fazer) escolhas políticas criminosas. Porque os governos são estúpidos? Não. Porque são politicamente corruptos. Quando vemos António Borges a dirigir o Departamento Europeu do FMI e Mario Draghi à frente do BCE e sabemos que os dois foram vice-presidentes da Goldman Sachs – que foi quem mais ganhou com a crise do subprime e que ajudou a Grécia a mascarar a verdadeira dimensão do seu défice -, percebemos de quem estamos reféns. De gente com um currículo que deveria ser considerado cadastro.”

> a política há muito que se tornou no campo de expressão dos lobbies financeiros. Os ditos “partidos de governo” que se alternam ano após ano, nos países que compõem a União Europeia são hoje pouco mais que joguetes destes interesses que financiam as campanhas eleitorais e que empregam os políticos quando estes se “reformam” da política ativa. A moralização da política é assim uma das prioridades das nossas sociedades, por forma a obviar à ocorrência destas cumplicidades. Mas a agilidade e a devida dotação de meios das policias e dos tribunais é ainda mais importante, porque urgente e porque mais produtiva a curto prazo. Mas não chegam. É preciso também que sejam completamente proibidos todos os financiamentos partidários, de empresas ou particulares e que todos os partidos políticos dependam unicamente dos orçamentos de Estado. E que se estabeleçam regras muito restritivas quanto ao tipo de carreiras e ramos profissionais que os antigos políticos podem exercer após o abandono da sua carreira política ativa.

Fonte:
Expresso; 8 de outubro de 2011

Categories: Economia, Europa e União Europeia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 4 Comentários

A Rússia aproxima-se da Europa a propósito da exploração de Marte

A agora perdida Phobos Grunt (aviacaogeral.com)

A agora perdida Phobos Grunt (aviacaogeral.com)

Depois de uma sucessão de problemas com a sua industria espacial, dos quais a traumática perda da sonda marciana Phobos Grunt foi apenas a mais recente, a Rússia está agora a reorganizar as suas forças. Como parte dessa reorganização está uma aproximação à ESA que pode levar este país do Leste europeu a tornar-se um parceiro de pleno direito no programa europeu de exploração do Planeta Vermelho.

Decorrem neste momento conversações entre as cúpulas da NASA, ESA e da Roscosmos a propósito da exploração de Marte e a entrada russa no projeto ExoMars (bloqueado pela dificuldade da NASA) poderia retomar o rover ExoMars dentro dos eixos… As negociações devem estar concluídas em fevereiro, data em que se assinará um memorando de entendimento.

Fonte:
http://www.marsdaily.com/reports/Russia_could_join_ExoMars_as_full_partner_999.html

Categories: SpaceNewsPt | 1 Comentário

António Barreto: o Estado da Medicina Pública em Portugal (entrevista)

António Barreto (http://www.ffms.pt)

António Barreto (http://www.ffms.pt)

“É necessário que o poder político tenha mais firmeza sobre os lóbis e não tem tido há 30 anos. Temos de olhar para os custos. Por exemplo, um bloco cirúrgico deve trabalhar 14 horas por dia e a maioria em Portugal trabalha cinco ou seis porque os médicos estão em duplas funções. Há promiscuidade, não há controlo suficiente sobre o trabalho e há pouca dedicação exclusiva nos hospitais públicos.”

> nesta entrevista, António Barreto desfere algumas farpas certeiras contra uma das mais poderosas e privilegiadas corporações da sociedade portuguesa: a dos Médicos. Sem dúvida que existem nos (falidos) hospitais públicos muitas anomalias com médicos que usam as consultas no sistema público como “captação” de clientes-pacientes para os seus consultórios e hospitais privados. Sem duvida que existem muitos casos de incumprimento de horários e de uso de meios públicos para interesses privados. E que estes abusos (protegidos pela Corporação) têm que acabar.

“Mas muitos especialistas dizem que o SNS está a ficar depauperado…
– É um mito urbano. É verdade que há casos de hospitais privados que contrataram dezenas de médicos do sistema público. Mas dado que o nosso número de médicos é superior à média dos outros países; é minha convicção absoluta que se os médicos trabalharem em exclusivo no privado ou no público não existirá problema. Esse rumor é defendido por quem quer manter a promiscuidade e ter dois empregos em full-time.”

- A dedicação em exclusividade é portanto uma das saídas para a atual insustentabilidade financeira do SNS. Só médicos em regime de exclusividade se poderão dedicar por completo aos doentes que mais deles precisam, sem estarem permanente conflito de interesses com a sua clínica privada, nem sob permanente tentação de abuso dos equipamentos públicos ou de captação de doentes. Em termos financeiros, a obrigação de existirem apenas médicos em exclusividade, pode também representar uma poupança significativa, já que em médicos em regime “livre” na verdade acabam geralmente por apresentar uma produtividade muito baixa e são pouco mais que um peso morte no pesado orçamento do SNS.

“Mas nao há sinais preocupantes, por exemplo, a nível dos transplantes, quando o ministro diz que, se calhar; não há riqueza para manter os números atuais?
– Porque é que damos de barato que para se fazerem transplantes tem de se pagar mais aos médicos? Porque é que os médicos não estão disponíveis para so receberem metade em incentivos?”

- é verdade que Portugal graças a esta política de incentivos muito generosos aos transplantes está nessa área muito à frente da maioria dos países ocidentais, em termos de médias de transplantes por cada mil habitantes. Mas é igualmente verdade que alguns médicos enriqueceram de forma ostensiva e escandalosa por cumprirem aquela que é afinal a sua missão e a razão do seu emprego: salvar vidas! Compreende-se que existam prémios de desempenho e incentivos no sistema publico de saúde, mas os valores dos mesmos, nas áreas de transplantes, passavam todos os limites, especialmente dada a critica situação do país!

“Os falsos atestados médicos. Há milhares passados todos os dias e não há processos. Perdem-se milhões de dias de trabalho.”

- Ninguém sabe (obviamente) quando dinheiro e horas de trabalho se perdem anualmente em baixas fraudulentas. Elas não sendo exclusivas do funcionalismo e das empresas publicas são efetivamente mais comuns aqui, explicando boa parte do elevado absentismo aqui registado. Atualmente, o processo de verificação assenta em inspeções ao estado real de saúde do doente. De futuro, seria desejável, que se estendesse também aos clínicos que passam baixas acima da media ou cujas baixas sejam recorrentemente identificadas como fraudulentas nas inspeções…

Fonte:
Expresso, 8 de outubro de 2011

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O Irão capturou um UAV Stealth “RQ-170 Sentinel” norte-americano

O Irão alegou recentemente ter conseguido capturar um avião espião dos EUA, mas existem algumas inconsistências na história… Uma imagem que passou na televisão iraniana mostra aquilo que parece ser um ultra-secreto UAV “RQ-170 Sentinel” que teria caído em território iraniano a 4 de dezembro deste ano. As fotografias e imagens conhecidas do aparelho mostram-no praticamente intacto.

O facto de o UAV ter sido capturado voando junto ou dentro das fronteiras da República Islâmica indica que os EUA estão empenhados numa intensa campanha de reconhecimento aéreo de potenciais alvos no Irão…

Por outro lado, a afirmação iraniana segundo a qual as “defesas aéreas iranianas” teriam sido capazes de abater o UAV depois de ele ter violado o espaço aéreo iraniano, junto à fronteira afegã não confere com a afirmação do representante diplomático iraniano na ONU onde este diz que o UAV foi abatido quando voava bem dentro do espaço aéreo iraniano, perto da cidade de Tabas. Ambos os relatos conferem, contudo, no detalhe em que ele terá sido abatido pela defesa aérea iraniana. Duas descrições incompatíveis, portanto… a que há que somar ainda uma terceira: outros membros do governo iraniano dizem que a explicação para a aparente falta de danos no UAV (e obrigatória, caso este tivesse sido abatido) se deve ao facto de o aparelho ter capturado por uma unidade de guerra cibernética da Guarda da Revolução, que terá assumido o controlo do avião, fazendo-o aterrar suavemente num aeródromo iraniano.

Os EUA não estão a responder a estas afirmações (propangadisticas, como é a tradição islâmica), mas parece certo, pelas evidencias fotografias que o aparelho foi mesmo capturado quase ou totalmente intacto. E a ser assim, a tese de que estaria voando no interior do Irão e não junto à fronteira com o Afeganistão torna-se muito provável: isso daria aos iranianos mais qualidade de sinal e tempo para assumir o controlo do UAV…

Existe também a possibilidade (elevada já que o UAV encripta todos os canais de comunicação e controlo) de que o aparelho tenha sofrido uma avaria que o levou a cair de forma mais ou menos controlada no Irão. Esta é a tese que favorecemos, especialmente tendo em conta passadas declarações bombásticas e infundadas de responsáveis militares iranianos quanto à capacidade das suas defesas.

Fonte:
http://www.defensenews.com/story.php?i=8530940&&s=TOP

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Sobre a necessidade de um avião de combate “Low Cost” nas forças aéreas europeias

Agora que a campanha aérea da Líbia chegou ao fim importa colocar uma questão: seria mesmo necessário usar aviões tão caros e sofisticados como  o Typhoon ou o Rafale? Se ainda estivesse disponível um aparelho mais básico, mas de custos de operação muito inferiores como AMX não teria sido mais fácil realizar a missão que depôs a ditadura líbia de Kadafi?

A quantidade de saídas que foi necessário realizar, a sua intensidade e os elevados custos daqui decorrentes levaram à necessidade de a partir de um dado momento da campanha abrandar o ritmo das operações por falta de meios e de aviões disponíveis.

Coloca-se assim a questão: terá sido uma boa opção, do ponto de vista financeiro e da disponibilidade de meios, apostar tudo na substituição de vários tipos e categorias de aparelhos por um único, seja ele o Rafale ou Typhoon? Não deveriam os europeus terem mantido, pelo menos, um avião de suporte de proximidade media tecnologia e de baixo custo operacional e de construção.

Aparelhos como o Rafale e o Typhoon podem ser essenciais a assegurarem o controlo do ar num dado cenário de crise, mas uma vez este estabelecido não conseguem manter a intensidade de missões de suporte terrestre que são necessárias para auxiliar as forças no terreno. Em suma, os países europeus devem reavaliar a sua opção das ultimas décadas e que consistiu em substituírem todos os tipos de aviões por um único, caro, multi-função e extremamente versátil, sofisticado e caro. A esta aparelho deve seguir-se um outro menos sofisticado, que possa ser construído em números razoáveis e a custos baixos. Ou seja, um “AMX 2.0″…

Fonte:
http://www.aviationweek.com/aw/generic/story_generic.jsp?channel=defense&id=news/asd/2011/11/10/02.xml&headline=Libya%20Ops%20Show%20Need%20For%20Lower-Cost%20Strike

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Pedro Nuno Santos e a “bomba atómica” da Bancarrota

Pedro Nuno Santos (http://www.ps.parlamento.pt)

Pedro Nuno Santos (ps.parlamento.pt)

Recentemente, muita celeuma foi criada quando Pedro Nuno Santos, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, disse que Portugal devia ameaçar com a “bomba atómica” da suspensão do pagamento da dívida externa por forma a conseguir recolher da Troika melhores condições de ajustamento financeiro. Sendo muito direto, o deputado socialista afirmou que “Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida”.

As palavras (e o tom) podem ser excessivos, mas não andam nem perto de metade daquilo que já escrevi aqui sobre os credores da nossa dívida… E o que diz o deputado socialista é factual: num incumprimento ou bancarrota, quem perde mais é sempre o credor, não o devedor. É certo que tal opção implicaria o afastamento total dos mercados da dívida durante um prazo nunca inferior a dez anos (observando o caso argentino), e que o ajustamento seria mais brutal do que pela via atual, via dinheiro da UE e do FMI, seria também certo que haveria necessidade de reduzir rapidamente e de forma radical as despesas com salários da função pública e pensões, com despedimentos e redução de pelo menos 50%, mas a prazo haverá outra opção? Sim, a de recolocar a economia a crescer pelo menos 2% ao ano até 2020. Mas como o fazer com um pesado serviço da divida e com as politicas de austeridade impostas pela Troika?…

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=525585

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Sobre o interessante movimento “Provo” na Holanda da década de 60

White Bycicle Plan (http://georgemckay.org)

White Bycicle Plan (http://georgemckay.org)

Em época de contestação social em ascensão e espelhada nos EUA pelos movimento “Occupy”, na Europa pelos movimentos de “Indignados” e no mundo Árabe pela “Revolta Árabe” importa utilizar uma ferramenta caída em desuso nos últimos anos: a Memória Histórica e recordar-nos de um dos movimentos contestatários mais interessantes do século XX: o Movimento Provo.

O Movimento Provo nasceu na Holanda, em meados da década de 60. As suas influências radicam no Movimento Hippie Nozem e no próprio – mais difuso – Movimento Hippie. O provo foi fundado oficialmente a 25 de maio de 1965 por um quarteto formado por Robert Jasper, um filósofo e conhecido ativista anti-tabaco, pelo artista plástico Rob Stolk e Roel van Duyn, inteletuais conotados com o Anarquismo. O empresário e inventor Luud Schimmelpennink é também associado em algumas fontes à fundação dos Provos. O movimento empenhava-se particularmente em desafiar todo o tipo de autoridade, mas focava as suas atenções na polícia e na monarquia holandesa, que foi desde o seu princípio, até ao fim, o seu principal alvo.

O termo “Provos” pode ser encontrado numa dissertação do filósofo Wouter Buikhuisen de 1965 onde descreveu a ação de “jovens causadores de problemas, os provos”. O grupo foi sempre mais ativo na cidade de Amesterdão, cidade onde se concentravam a maior parte das suas atividades e das suas reuniões, as quais tinham geralmente lugar em cafés de Jazz.

Segundo o manifesto Provo, escrito em 1965: “Os Provos escolheram entre a resistência desesperada ou perecer de forma apática. Os Provo sabem que eventualmente serão perdedores, mas não vão deixar escapar a última oportunidade de incomodar e provocar as bases mais profundas desta sociedade. Os Provos encaram o anarquismo como uma fonte de inspiração para resistirem. Os Provo queriam renovar o anarquismo e torná-lo mais bem conhecido junto da juventude.”

Embora exista uma data “oficial” de fundação, um manifesto e uma liderança mais ou menos incontestada, a verdade é que os Provos eram fundamentalmente anarquistas: Não tinha existência formal. Não realizam reuniões ou encontros formais, não tinham uma estrutura ou organização formal, nem sequer “listas” de membros ou simpatizantes. Todas as suas decisões eram tomadas em conjunto, por votação de todos os indivíduos que estavam presentes. Esta desorganização anárquica espantava muito as forças policiais, que até à sua extinção formal sempre acreditaram que existia uma “direção secreta” com uma correspondente cadeia de comando, algo, que de facto, os Provo nunca tiveram, nem quiseram ter…

O principal objetivo era o ataque à autoridade. Fortemente republicanos, na monarquia holandesa apontaram baterias ao rei e à rainha. As cerimónias reais eram um dos seus alvos favoritos sendo a sua intervenção no casamento real da Princesa Beatrix com Claus von Amsberg, especialmente detestado pelos Provos devido ao seu passado como membro de organizações juvenis nazis como a Deutsches Jungvolk e da Juventude Hitleriana, mais tarde em 1944 serviria na 90ª Divisão Panzergrenadier em Itália. Para perturbar o casamento, os Provos puseram a correr o rumor de que teriam contaminado a água pública da cidade com LSD e que os cavalos da carruagem real teriam sido drogados. Obviamente, nenhum dos alertas era verdadeiro, mas a confusão que geraram nas forças da ordem foi muito notável… Não satisfeitos, fizeram correr a notícia de que a Rainha Juliana (mãe de Beatrix), se confessava anarquista e que estava a negociar a transferência do poder para os Provo. Estes rumores faziam parte de um plano, o “Plano do Rumor Branco” e foram a razão pela qual o exército teve que enviar 25 mil homens para guardarem o casamento real. Apesar deste contingente, vários militantes Provo conseguiram infiltrar-se na multidão que assistia ao casamento e lançar bombas de mau cheiro. A polícia reagiu violentamente e carregou sobre a multidão, transformando o casamento numa imensa confusão. Nas semanas subsequentes, a reação exagerada da polícia foi muito criticada, conseguindo assim alcançar-se o objetivo inicial dos Provo: denegrir a imagem das autoridades.

Um dos textos programáticos dos Provos descreve que o seu militante estava “contra o capitalismo, o comunismo, o fascismo, a burocracia, o militarismo, o profissionalismo (!), o dogmatismo e o autoritarismo.”

A legalização das drogas leves foi outra das principais causas dos Provos: para provocarem as autoridades, começaram a espalhar o rumor de que consumiam “chá de marijuana”, chamando de seguida a policia denunciando-se depois a eles próprios… De facto, tratava-se de inócuos chás de ervas. Em certa ocasião, um grupo de Provos alugou um autocarro e partiu para a Bélgica, mas antes telefonaram à polícia dizendo-lhe havia droga no veículo: esta intercetou o autocarro na fronteira levando consigo vários jornalistas e numa busca encontrou o que os Provos lhe diziam ser haxixe, mas que na verdade era apenas comida de cão e alguns chás de ervas perfeitamente legais.

Mas os Provos não foram apenas um movimento de contestação de rua. Chegaram a eleger cinco representantes para o concelho municipal de Amesterdão e tentaram aqui implementar uma serie de medidas muito originais e criativas a que intitularam de “Plano Branco”, que se compunham de facto, de vários “Planos Brancos” setoriais:

“Plano Bicicleta Branca”: Este foi o Plano Branco mais famoso. Concebido por Luud Schimmelpenninck em 1965, propunha a proibição total de veículos poluentes da cidade de Amesterdão e a sua substituição por bicicletas, que seriam gratuitamente fornecidas pelo município. As bicicletas seriam brancas e o uso de cadeados seria proibido, por forma a serem sempre de uso livre. O objetivo era aumentar a frequência dos transportes públicos em 40%, reduzir custos em combustíveis e a poluição urbana. Os Táxis teriam que ser substituídos por veículos elétricos e não poderiam circular a mais de 50 km/h. O Plano previa a disponibilização de 20 mil bicicletas publicas por ano. Infelizmente, a proposta foi recusada pelo município… Isso não fez desistir os Provos, que compraram eles próprios 50 bicicletas, pintaram-nas de branco e as colocaram-nas à disposição dos munícipes. A policia – contudo – confiscou as bicicletas, alegando que violavam o regulamento municipal que proibia os cidadãos de Amesterdão de deixarem bicicletas sem cadeados. Quando, por fim, as bicicletas foram devolvidas aos Provos, estes instalaram-lhes cadeados e pintaram as combinações dos mesmos nas bicicletas…

“Plano Branco das Casas”: Com a partilha de residências vazias. A especulação imobiliária seria proibida. Incluía também a transformação de uma região de Amesterdão (Waterlooplein) como um mercado livre a céu aberto e o abandono dos planos de construção de uma nova sede para o município.

“Plano Branco das Crianças”: Oferecendo Centros de Dia infantis informais gratuitos. Os centros seriam formados pela agregação de grupos de cinco casais, que depois e por turnos tomariam conta das respetivas crianças a dias diferentes da semana ou a horas diferentes do dia.

“Plano Branco das Chaminés”: Impondo impostos especiais aos poluidores e pintando de branco as suas chaminés.

“Plano Branco das Mulheres: Oferecendo cuidados médicos gratuitos a mulheres. Esta proposta rede de clínicas seria especializada em consultas de planeamento familiar, disponibilizando aconselhamento e contracetivos, com a intenção de reduzir a taxa de gravidez indesejada. O Plano defendia também a existência da Educação Sexual nas escolas.

“Plano Branco das Vítimas”: Todos os que tivessem provocado uma morte, enquanto ao volante deviam construir com as suas próprias mãos um memorial no local do acidente gravando o contorno da vitima no pavimento e preenchendo-o a tinta branca.

“Plano Branco do Carro”: Tratava-se de um projeto de partilha de automóveis proposto por Schimmelpennink. Tratava-se de disponibilizar por parte do município de carros elétricos que podiam ser usados gratuitamente pelos seus cidadãos. O projeto chegou a ser implementado de forma limitada em 1974 pelo sistema Witkar e funcionou de forma limitada até 1986. O Witkar tinha 3 rodas era pintado de branco e foi uma das primeiras aplicações do conceito de “car sharing” de sempre. O Witcar, contudo, não era gratuito, mas disponível por assinatura. A cooperativa Witkar iniciou a sua atividade em 1968, mas como nunca obteve o necessário apoio municipal nunca se tornou realmente parte do sistema de transportes públicos de Amesterdão. Ainda que de forma limitada, continuou a funcionar até 1986, quando a cooperativa declarou a sua extinção.

Porque nunca conseguiram mais do que cinco deputados municipais, nenhum destes planos viu a luz do dia. Muitos deles, contudo, foram inspiração para medidas semelhantes, noutras cidades do mundo. Por exemplo, a cidade Aveiro implementou um projeto semelhante em torno da partilha gratuita de bicicletas.

Os Provos decretaram o seu fim em 13 de maio de 1967. Não tendo conseguido o grau de impacto que ambicionavam estiveram por detrás de uma serie de iniciativas que, depois da sua extinção, se tornaram úteis a outros movimentos e até a partidos políticos. A atual tolerância holandesa para com as Drogas, deve muito à sua influencia, por exemplo. O mesmo se diga dos planos públicos de partilha de bicicletas em pratica em muitas cidades no mundo e das varias empresas de “car sharing” hoje ativas. Os provos foram também o primeiro grupo político com um grande foco no Ambiente e na Ecologia. Pela sua grande originalidade, ousadia e criativa, os Provos foram certamente um dos movimentos sociais mais interessantes do século XX e o seu exemplo e propostas continuam tão atuais hoje, como o eram na década de 60… e num contexto em que as condições para a erupção de níveis inéditos de revolta social, as suas políticas, iniciativas e propostas devem ser estudadas muito atentamente como aquilo que de facto são: Exemplares.

Fontes:
http://www.cuzproduces.com/drupal/node/116
http://www.lib.umich.edu/netherlandic-treasures/provo.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Provo_%28movement%29
http://en.wikipedia.org/wiki/Luud_Schimmelpennink

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França confia que o seu Rafale sairá vencedor do F-X2

Dassault Rafale (http://levin.blog.br)

Dassault Rafale (http://levin.blog.br)

Ainda que o programa brasileiro FX-2 continue bloqueado, França continua otimista quanto ao seu desfecho… Isso mesmo veio dizer recentemente o Primeiro Ministro gaulês (sim! Ele existe!), François Fillon dizendo que estava confiante na venda de 36 aviões Rafale ao Brasil porque “a tecnologia do aparelho não podia ser igualada pelos seus rivais”, referindo-se ao F/A-18 Super Hornet e ao Gripen. O responsável governamental francês acrescentou também que França incluia o melhor pacote de transferência de tecnologia de todos os concorrentes.

A verdade é que o Rafale está em dificuldades. O ministro francês da Defesa, Gerard Longuet disse em novembro de 2011 que a menos que o Rafale encontre um comprador estrangeiro, o governo terá que parar o financiamento da sua produção, algo que nunca havia sido dito até hoje e que se enquadra numa história cinzenta onde as derrotas da Dassault na exportação do Rafale são já muito numerosas… Tendo sido a derrota para o Gripen, na Suíça, apenas a mais recente.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/French_PM_confident_of_Brazil_fighter_jet_deal_999.html

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Sobre a combinação de preços na Distribuição (Pingo Doce e Continente)

Certo dia, meti-me à tarefa de comparar preços nos supermercados. Obviamente, a ideia era identificar o melhor local, entre as opções mais próximas, onde passaria a fazer as minhas compras… A ideia era cortar no tipo de despesa que responde em Portugal pela maior fatia nos orçamentos familiares e assim responder a uma necessidade imperativa (comum a muitas famílias portuguesas) de conter a despesa.

Comecei pelo mais lógico: por comparar preços nos dois maiores (supostos) concorrentes no mercado da distribuição: Pingo Doce e Continente. Em teoria, seriam entre estas duas redes de supermercados que encontraria as maiores diferenças. Para simplificar e tornar o mais neutra possível o meu pequeno “inquérito”, escolhi apenas produtos que não faziam parte das ditas “marcas brancas”, mas produtos que podem ser comprados nas duas superfícies comerciais, como a manteiga Milhafre, o Leite Gresso de 1L e outros. Comparei, comparei, confirmei com os preços na Loja Online do Continente e descobri algo espantoso:

Em praticamente todos os preços comparados havia uma exata coincidência, até ao detalhe do cêntimo! Perante uma coincidência tão exata, tão precisa, tão abrangente, so havia que retirar uma conclusão: há concertação de preços no mercado da distribuição em Portugal.

Perante tal evidencia, fiz uma queixa à Autoridade da Concorrência. Dias depois vinha a resposta, que aqui compartilho:

Em particular o Artigo 4º da referida lei condena práticas concorrenciais ilícitas que resultem de acordos entre empresas que tenham «…como o objeto ou efeito impedir, falsear ou restringir de forma sensível a concorrência…». Tais práticas podem traduzir-se na fixação de forma direta ou indireta [d]os preços de compra ou venda ou [na interferência] na sua determinação pelo livre jogo de mercado.

Decorre assim deste Artigo que, quando os preços de venda de um determinado produto praticados por um conjunto de empresas, num determinado mercado, resultam de um acordo explícito entre elas, estar-se-á perante uma violação das regras de concorrência. Contudo, a Autoridade da Concorrência nota que a mera observação de preços idênticos não constitui uma condição suficiente para que se esteja perante uma violação das regras de concorrência.

Com efeito, como a jurisprudência do Tribunal Europeu de Justiça tem vindo a salientar:

«[U]m paralelismo de comportamento não pode ser considerado como fazendo prova de uma concertação, a menos que a concertação constitua a única explicação plausível para esse comportamento. É necessário ter presente que, embora o artigo [101º] proíba todas as formas de conluio que sejam de molde a falsear a concorrência, não priva os operadores económicos do direito de se adaptarem de maneira inteligente ao comportamento verificado ou previsto dos seus concorrentes» – vide Acórdão Pasta de Papel II, considerando 71.

Acresce que em mercados onde as empresas concorrem de forma competitiva, o paralelismo de preços é um resultado desse comportamento, facto que é válido para estruturas de mercado do tipo oligopolista.

A Autoridade da Concorrência, no exercício dos seus poderes de supervisão conferidos pelo n.º 3 do artigo 7.º dos seus Estatutos, aprovados pelo Decreto-Lei n.º 10/2003, de 18 de Janeiro, realiza estudos aprofundados em matéria de concorrência em mercados específicos. É o caso da análise efetuada no “Relatório sobre as Relações Comerciais entre a Grande Distribuição Alimentar e os seus Fornecedores”, publicado em 29 de Outubro de 2010, e cuja versão final está disponível na página da Autoridade:

http://www.concorrencia.pt/vPT/Estudos_e_Publicacoes/Estudos_Economicos/Outros/Paginas/Relatorio-Final-Relacoes-Comerciais-entre-Distribuicao-Alimentar-e-Fornecedores.aspx?lst=1

Da análise efetuada neste Relatório não resultaram indícios de quaisquer práticas de concertação de preços entre grupos de empresas da distribuição alimentar. De facto, em Portugal e na generalidade dos países da União Europeia, é reconhecido o facto de o mercado da distribuição alimentar ser caracterizado por níveis de concorrência bastante acentuados entre as suas empresas, o que resulta em claros benefícios para os consumidores.”

Em suma: sem provas materiais e físicas de conluio: nada feito. E como estas combinações de preços não são feitas em reuniões formais com atas e relatórios, mas acertados (obviamente) debaixo da mesa e em encontros informais de café, essas provas não existem. Mas estas coincidências até ao detalhe do cêntimo, em vários produtos, são fatuais e não podem resultar de simples coincidências, já que as estruturas de custos da distribuição, armazenagem e venda são necessariamente diferentes. Logo, os preços finais ao consumidor também terão que ser diferentes.

A Alta Autoridade que levante o rabo da cadeira, que deixe os seus “modelos matemáticos” e que estabeleça com as policias investigações sempre que um numero demasiado suspeito de coincidências de preços for observada. Não esperem que as empresas em conluio lhe ofertem as provas dos seus conluios, ajam e façam por cumprir a sua missão de defesa do consumidor e da saúde e dinamismo da economia.

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O Stratolaunch: um projeto de avião espacial/foguete revolucionário

Stratolaunch (http://i.space.com)

Stratolaunch (http://i.space.com)

O multimilionário e co-fundador da Microsoft, Paul Allen anunciou planos para a construção de um avião-mãe para transportar turistas e carga até ao Espaço. O plano é levar um foguetão até às camadas superiores da atmosfera terrestre e aí lançar um foguetão que ascenderá até entrar em órbita.

Paul Allen vai financiar este projeto juntamente com Elon Musk (fundador do PayPal) e Jeff Bezos (fundador da Amazon). Elon Musk é conhecido pela sua empresa, a SpaceX que em fevereiro de 2012 vai enviar a primeira cápsula Dragon para a ISS. Será a SpaceX que fabricará a cápsula e o foguetão do projeto, que recebeu a designação de Stratolaunch. A concepção do Stratolaunch cabe a Burt Rutan, o que criou o primeiro avião espacial em 2004 no âmbito do concurso X-Prize.

O Stratolaunch terá uma envergadura de 116 metros, ou seja, maior do que qualquer avião jamais construído e irá transportar uma cápsula com um motor foguete que poderá levar até seis tripulantes. Assim se poupará o combustível de foguetão e os estádios descartáveis do lançador.

Fonte:
http://www.csmonitor.com/Innovation/Latest-News-Wires/2011/1214/Stratolaunch-plane-could-make-space-tourism-affordable

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Cinco técnicas para impedir uma catástrofe global provocada por um asteroide

A aproximação à Terra do asteroide 2005 YU55, com o tamanho aproximado de um porta-aviões e que passou entre a orbita da Terra e da Lua recordou-nos a todos que… da próxima podemos não ter tanta sorte. Na verdade, temos que começar a fazer alguma coisa que evite que tenhamos o mesmo destino que os dinossauros, extintos precisamente pela queda de um grande asteroide.

O globo deve unir-se e começar a desenvolver um sistema conjunto de proteção da Terra contra impactos de asteroides. Tecnicamente, temos já essa capacidade, e de varias formas:

1. Desde que descubramos o asteroide em rota de colisão com a necessária antecedência, podemos enviar uma sonda e fazê-la aterrar nele. A simples adição de massa, vai alterar a sua orbita e afastá-la do nosso globo. A tecnologia para realizar este tipo de missão já é bem conhecida, com varias missões semelhantes já realizadas, como a Dawn da NASA ou a japonesa Habusara.

2. Se o tempo de aviso não for tão generoso é possível atirar uma sonda contra um asteroide e mudar assim a sua orbita. Esta tecnologia também já é conhecida, em 2005 a NASA enviou uma sonda de impacto contra o cometa Tempel 1.

3. Ainda com menos tempo de alerta, é possível enviar uma sonda até um asteroide e detonar por contacto uma ogiva nuclear. Esta opção pode ser mais razoável se o asteroide for detetado demasiado perto da Terra ou se for de maiores dimensões. Infelizmente, detonar um asteroide pode revelar-se uma cura pior que a doença… os fragmentos podem assumir trajetórias imprevisíveis e cairem sobre a Terra, multiplicando assim o numero de catástrofes potenciais.

4. Uma solução mais “subtil” e menos perigosa que a opção nuclear poderá ser enviar para um asteroide uma sonda com espelhos. Pela concentração num ponto da superfície do asteroide dos raios do Sol, a rocha irá evaporar-se e produzir um impulso que alterará a orbita do asteroide.

5. Colocar película ou tinta refletora na superfície de um asteroide pode ser uma outra opção: os raios do sol refletidos por ela exercerão uma certa pressão que – com o devido tempo – vai alterar a orbita do asteroide.

Obviamente, embora toda esta tecnologia esteja já hoje disponível. O sucesso da sua aplicação depende do tempo disponível para a aplicar: detetar um asteroide perigoso com a antecedência suficiente para projetar, construir e lançar uma sonda será absolutamente crucial para o sucesso da missão e para o salvamento ou da Terra ou de centenas de milhares ou milhões de vidas. Muito se tem feito a este respeito nas ultimas décadas (com o programa multinacional “Spaceguard”) estando hoje já mapeados todos os grandes e médios asteroides do Sistema Solar e, sobretudo, aqueles que mais perto de nos passam… Mas há ainda algumas centenas de asteroides com centenas de metros de diâmetro por rastear… e é aí que reside o perigo. Aí e em Apophis, claro.

Fonte:
http://www.space.com/13524-deflecting-killer-asteroids-earth-impact-methods.html

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A Embraer e as OGMA assinam um contrato de parceria para a fabricação do KC-390

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

A Embraer e as OGMA assinaram um contrato de parceria para a fabricação de componentes para o programa de transporte e abastecimento no ar KC-390. O acordo, segundo o presidente da empresa aeronáutica brasileira, Luiz Carlos Aguiar, enfatiza a importância de Portugal para o Brasil já que “a participação de Portugal no KC-390 fortalece a nossa posição no mercado europeu de Defesa”.

Este acordo entre a Embraer e as OGMA tinha sido precedido em setembro de 2010 pela assinatura de acordo de intenções onde Portugal se comprometia a adquirir alguns aviões KC-390.

Além das OGMA de Alverca, faz parte deste acordo com a Embraer, a EEA – Empresa de Engenharia Aeronáutica S.A., da Maia, uma empresa especializada na concepção e desenvolvimento de engenharia de projetos aeronáuticos.

Com a sua presença neste programa militar, as OGMA e outras empresas nacionais que funcionarão como fornecedoras vão adquirir conhecimento e escala que pode servir para alavancar o surgimento de um cluster aeronáutico português.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/brazil-and-portugal-sign-defense-partnership-for-kc-390-program-38979/

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A NASA vai fazer um voo de teste da Orion em 2014

Cápsula Orion (images.ctv.ca)

Cápsula Orion (images.ctv.ca)

A NASA anunciou que lançaria em 2014 um voo não tripulado da sua nave Orion, fabricada pela Lockheed Martin. O lançamento será feito em Cape Canaveral. A Orion deve cumprir duas órbitas completas e depois, realizar a reentrada e amaragem no Pacífico. Os dados recolhidos neste teste permitirão aferir os custos do programa e os riscos resultantes da implementação da Orion.

A Orion será capaz de enviar astronautas para órbita, Lua, asteroides e até para Marte. Obama pouco depois de entrar na Casa Branca cancelou o programa Constellation, que incluía a Orion, mas anunciou simultaneamente que a NASA enviaria astronautas para um asteroide até 2025 e para Marte até 2035. Estas missões – sabe-se hoje – serão realizadas por uma variante da Orion.

A Orion começou a ser concebida em 2006 pela Lockheed Martin, pesará 23 toneladas e será capaz de transportar até 4 tripulantes.

Fonte:
http://www.space-travel.com/reports/NASA_plans_2014_test-flight_of_deep-space_capsule_999.html

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Sobre a suspensão do investimento da Nissan em Portugal

A recente suspensão do investimento da Nissan-Renault em Aveiro, para a construção de uma fabrica de baterias resulta do acordo com a Troika, da sua alínea em que se proíbem expressamente a atribuição de novos benefícios fiscais.

Segundo o governo, “o acordo assinado entre o Estado português e a troika impede expressamente novos benefícios fiscais ou o alargamento dos existentes”. Ou seja, Portugal foi impedido de cativar esse investimento estratégico para a economia e independência energética nacionais pela Troika.

O projeto iria criar pelo menos 200 postos de trabalho em Aveiro e permitiria que todas as baterias para os novos carros elétricos fossem produzidas no país já a partir do começo do próximo ano.

Segundo a Renault-Nissan, a suspensão da construção da fabrica deve-se não à impossibilidade do aumento das facilidades fiscais, mas à “conclusão de que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes”, tendo em conta o abrandamento da procura resultante da recessão mundial que parece cada vez mais inevitável.

Os números das necessidades nacionais em carros elétricos foram também revistos – em baixa – pelo governo, cujo secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, afirmou não existir mercado para uma quarta fábrica de baterias para carros elétricos da Nissan: “A empresa tem três fábricas de baterias em todo o mundo. Se considerássemos a produção da unidade de Cacia, estaríamos falar de uma produção de 500 mil baterias em quatro anos. Pessoalmente não vejo onde haveria mercado na Europa”. Tal declaração confirma que o Governo desistiu do projeto e não pretende bater-se pelo seu estabelecimento em Portugal, nem mesmo recorrendo aos incentivos ja existentes em Portugal e na base dos quais o projeto da Nissan-Renault tinha sido estabelecido.

O governante adiantou também que o “projeto de mobilidade elétrica português (MOBI.E) “está em avaliação para garantir a sustentabilidade, nomeadamente o modelo tarifário, que não deve sobrecarregar a parte energética”, mas sabe-se já que em vez de 250 mil carros elétricos em 2020 se estima agora que nesse ano existam pouco mais de 50 mil veículos elétricos a circular nas estradas portuguesas, ou seja 2% do total… Terá sido esta estimativa; assim como a revisão do MOBI.E que terão levado mais à suspensão do projeto de investimento do que a negação de novos benefícios fiscais por parte da Troika, suspeitamos nós…

Fonte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia-nacional/nissan-fabrica-baterias-agencia-financeira-incentivos-fiscais/1308069-5205.html

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Temos 5 anos para fazer algo sobre o Aquecimento Global. Ou então é tarde demais.

Um relatório recente da “Agência Internacional da Energia” (International Energy Agency) indica que temos apenas cinco anos para impedir uma mudança climática irreversível. Esta informação – a confirmar-se – não podia vir em pior altura. O Ocidente (EUA e União Europeia) está paralisado por uma “crise da dívida soberana” que vai demorar nunca menos de dez anos a resolver… a China tomou recentemente algumas medidas, mas ainda de forma tímida e inconsistente e o resto do mundo está basicamente expectante quanto ao que a Europa vai fazer. Ora como esta está paralisada…

A situação ainda é mais grave do que parece, porque embora a economia mundial esteja anémica, o consumo de energia subiu 5% entre 2009 e 2010. Este aumento de consumo implicou um aumento das emissões de CO2 e, logo, do Efeito de Estufa que ameaça colocar em risco a sobrevivência do Homem neste planeta.

Ainda não é tarde. E a descida muito significativa dos preços dos painéis solares registada nos últimos anos pode ser decisiva. Infelizmente, além da gigantesca dificuldade que seria converter a economia mundial para fora do Carbono num prazo tão curto (inferior a 5 anos!) o recente desprestígio da Energia Nuclear, depois do desastre de Fukushima e as grandes dificuldades orçamentais dos países do Ocidente (que liderava no mundo o processo de combate às alterações climáticas) não auguram nada de bom…

Fonte:
http://science.slashdot.org/story/11/11/10/037228/iea-warns-of-irreversible-climate-change-in-5-years

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A reforma do Conselho de Segurança da ONU e a sua decomposição com organizações regionais como a CPLP

Conselho de Segurança da ONU (http://assets0.exame.abril.com.br)

Conselho de Segurança da ONU (http://assets0.exame.abril.com.br)

O processo de reforma da ONU já se vem arrastando desde à algum tempo… Mas num mundo cada vez mais turbulento e a entrar a toda a força numa recessão global é preciso que a anacrónica composição do Conselho de Segurança seja revista e que países isolados sejam aqui substituídos por organizações regionais, como a União Europeia, a ASEAN, a NAFTA ou a CPLP. Com esta nova composição, o equilíbrio regional e entre potencias seria maior e a inclinação neoimperial por parte de algumas potencias e superpotências seria anulada.

Esta é a proposta para revisão do Conselho de Segurança da ONU do professor Adriano Moreira que o MIL homenageará como “Personalidade Lusófona” em 24 de fevereiro de 2012 e recebeu recentemente o doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo (Cabo Verde).

Segundo defende o académico: “As pessoas preocupam-se tanto com o globalismo, que no fundo é uma teoria de interdependência, e esquecem-se das especificidades, que são cada vez mais importantes. A CPLP tem uma especificidade em relação ao globalismo, que tem uma importância extraordinária para a reorganização da ordem mundial”.

Adriano Moreira, não defendo contudo uma reformulação radical, que exclua do CS completamente os grandes países: “Haverá grandes países que terão o seu lugar, mas as organizações internacionais especializadas terão de ter o seu lugar. A Inglaterra e a França não devem estar no Conselho de Segurança, mas sim a Europa. Em muitas organizações, como a CPLP, o regionalismo das especificidades vai ter o seu lugar”.

Ainda que a proposta de Adriano Moreira seja muito interessante enferma – na nossa modesta opinião – de uma grande dificuldade: como definir um “grande país”? Será um país com mais de cem milhões de habitantes? Uma das 20 maiores economias do mundo? Um país que tenha mais de 2 milhões de Km², que esteja num dado patamar de IDH, etc… Um cruzamento ponderado de todos estes valores?… Seria inviável e forçaria a recomposições constantes consoante os “grandes países” ascendiam ou caiam nesses indicadores e lançaria achas constantes de invejas cruzadas. Por essas razões defendemos a substituição total dos países (grandes ou pequenos) no Conselho de Segurança por organizações regionais. Mas seria preciso que estas nomeassem os seus representantes no CS por processos democráticos e que estas próprias organizações tivessem no seu seio a obrigação de que os seus Estados-membros cumprissem regras de respeito básico aos Direitos Humanos e à Democracia.

Este tipo de reorganização do Conselho de Segurança colocaria a CPLP num primeiro patamar de presença e influência no mundo e permitiria alavancar de uma forma profunda e sustentável a autoridade e eficácia desse órgão máximo da ONU que é o Conselho de Segurança, permitindo minorar e resolver aqui muitos conflitos que hoje e no futuro assolarão o mundo. Com a CPLP, os países da Lusofonia representados bem no seu seio.

Fonte:
http://www.publico.pt/Mundo/organizacoes-regionais-deveriam-passar-a-integrar-conselho-de-seguranca-diz-adriano-moreira-1524599

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Os custos da Energia Solar estão a cair a pique

O grande problema da energia solar sempre foi o do custo de investimento por quilowatt. Contudo, isto está a mudar muito rapidamente. Os progressos tecnológicos dos últimos anos têm sido tremendos, sobretudo, os preços têm caído espetacularmente a um ritmo de 7% ao ano.

Esta queda de preços resulta da eficiência cada vez mais elevada dos painéis, mas sobretudo do nível muito elevado subsidiação da industria solar chinesa por parte do governo de Pequim. Esta política de subsídios reduziu os preços dos painéis solares de 2010 a 2011 em quase 40%. Obviamente, tal política levou à falência muitas empresas do ramo na Europa e nos Estados Unidos…

Além dos custos de fabricação estarem em queda, também os de instalação estão em queda: nos EUA, os custos de construção de grandes instalações solares caíram 17% apenas em 2010.

O facto de existirem cada vez mais economias de escala, na Energia Solar, contribuiu também de forma muito importante para a queda dos preços da energia solar: em 2010, só nos EUA foram instalados mais de 17 giga-watts em painéis solares, ou seja, o equivalente a 17 novas centrais nucleares!

A China é hoje o maior fabricante mundial de painéis solares. O facto desta industria ser altamente subsidiada (na China e no resto do mundo, como em Portugal) coloca a questão: quando pela via da atual crise financeira os governos deixarem de a poder subsidiar ela vai sobreviver e, sobretudo, vai manter a tendência de descida dos custos?… É impossível saber. A manterem-se as tendências atuais os custos por quilowatt da energia solar deverão entrar em paridade com os da energia fóssil por volta de 2018, segundo a consultora Ecofys, mas para isso os custos terão que descer ainda mais algumas dezenas de vezes a partir dos atuais um euro por watt.

Acreditamos que nesta equação os ditos “impostos de carbono” terão também um papel a cumprir… desde logo porque todas as externalidades económicas dos combustíveis fosseis não fazem atualmente parte da sua estrutura de formação de preços: as calamidades naturais provocadas pelo Aquecimento Global e suportadas pelos Impostos não estão refletidas nos preços… E essa reflexão só pode suceder pela via fiscal. Estes “impostos de carbono”, como aquele que acaba de ser inaugurado na Austrália, permitiram manter algum tipo de subsidiação na energia solar e compensar os seus custos, aumentando os dos combustíveis fosseis pela introdução de uma componente de custos que hoje é aqui escamoteada.

Fonte:
http://www.washingtonpost.com/blogs/ezra-klein/post/solar-is-getting-cheaper-but-how-far-can-it-go/2011/11/07/gIQAuXXuvM_blog.html?wprss=ezra-klein

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O chefe das Forças Armadas de Timor-Leste, general Lere Anan Timur, dizer que Timor deve a Portugal “a transformação de uma guerrilha num exército regular”

Não há dúvidas de que Portugal não esteve à altura do que era exigido de si quando retirou de Timor e deixou o povo irmão de Timor à mercê dos invasores javaneses. Mas quando na década de 90 o país inteiro se juntou na defesa inequívoca da causa timorense, Portugal redimiu-se dessa retirada vergonhosa em 1975.

Resulta assim particularmente honroso ouvir o chefe das Forças Armadas de Timor-Leste, general Lere Anan Timur, dizer que Timor deve a Portugal “a transformação de uma guerrilha num exército regular” acrescentando que “foram eles os primeiros a treinar e a instruir os que vieram do mato para  se tornarem numa força regular ou numa força profissional”. A declaração foi produzida no contexto da visita do chefe de Estado-Maior do Exército português, general Pinto Ramalho, um sinal de que a  cooperação técnico-militar entre Portugal e Timor está de boa saúde e recomenda-se, apesar da influência do vizinho australiano e das atuais dificuldades orçamentais portuguesas.

Timor é um país irmão, com o qual Portugal tem uma ligação emocional muito forte e que apesar da distancia, dos atuais problemas financeiros e da presença intimidante de duas grandes potencias regionais (a Indonésia e a Austrália) tem todo o interesse em continuar a manter ligações estreitas com os países da CPLP. Nação pequena, encastrada entre grandes potencias e com um recurso marítimo valioso (o petróleo do Mar de Timor), o país tem todo o interesse em manter uma rede alargada e distante de alianças diplomáticas e militares que assegurem a sua Defesa, de uma forma que os meios militares locais nunca poderão garantir.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=8317ED76-E89B-4953-9B61-E8387D229BDC&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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O reator de Fusão Fria E-Cat de Andrea Rossi

O reator de Fusão Fria "E-Cat" e Andrea Rossi (http://scm-l3.technorati.com)

O reator de Fusão Fria "E-Cat" e Andrea Rossi (http://scm-l3.technorati.com)

A recente noticia do sucesso da experiência da equipa do físico italiano Andrea Rossi a 28 de outubro pode ter marcado uma data decisiva na Historia da “Fusão Fria” e da Energia Nuclear.

O reator da equipa de Rossi terá sido demonstrado a um investidor norte-americano anónimo e logrou produzir 470 kilowatts de potencia durante algumas horas. Infelizmente, os jornalistas presentes não tiveram acesso total ao reator, o que é lamentável, dada toda a polémica que rodeia a “fusão fria”.

Este investidor terá comprado o reator demonstrado, que tem a designação “E-Cat”. Segundo Rossi, existem mais 30 encomendas dos EUA e da Europa para um reator que custará cerca de dois milhões de dólares por unidade. Rossi promete lançar ainda em 2012 uma versão domestica do “E-Cat”. A equipa italiana está também a desenvolver uma variante do reator que seja capaz de converter o calor que gera diretamente em eletricidade, mas esta versão não devera ver a luz do dia antes de 2013.

Todas estas alegações são animadoras. Mas persiste uma nuvem… O impedimento de acesso aos jornalistas não foi positivo. Não ficou claro se o E-Cat estava ou não completamente desligado de qualquer cablagem externa. A potencia obtida (de 470 kilowatts) foi também suspeitosamente baixa, ja que o reator tem uma capacidade teórica de gerar o dobro…

O que causa mais suspeição é o facto de Rossi estar precisamente na fase em que procura cativar mais capital e investidores… O facto de – alegadamente – estar apenas a receber encomendas de “grandes clientes” que testarão (supostamente) os reatores antes de os pagarem credibiliza-o, mas restam as citadas nuvens de incerteza…

Fonte:
http://www.wired.co.uk/news/archive/2011-11/06/cold-fusion-heating-up

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O ministro da Defesa da Guiné-Bissau apelou aos restantes países da CPLP que apoiassem a reforma do exército guineense

MIlitares guineenses (www.africanidade.com)

MIlitares guineenses (www.africanidade.com)

O ministro da Defesa da Guiné-Bissau apelou aos restantes países da CPLP que apoiassem financeiramente o importante processo de reforma do exército guineense. O apelo de Baciro Djá foi feito no contexto da passagem antecipada à reforma de um grupo de militares, um processo que está a ser travado pelo esgotamento do Fundo de Pensões, contendo hoje pouco mais de meio milhão de dólares dos 63 milhões que se estimam necessários para os próximos cinco anos.

Sem a reforma desses militares (a maioria diretamente envolvidos em golpes militares e no narcotráfico) não será possível recrutar novos militar e purgar as forças armadas guineenses dos maus elementos que hoje as desprestigiam aos olhos dos cidadãos da Guiné e da comunidade lusófona e internacional.

A estabilização militar e de segurança da Guiné-Bissau é crucial para o desenvolvimento deste conturbado país lusófono. A presença de meio milhar de militares angolanos em missão de observação e treino das forças locais foi muito bem percepcionada pelas populações locais, como pude constatar eu próprio quando estive em Bissau em março de 2011, mas agora é preciso dar o passo seguinte e excluir do exercito os elementos mais turbulentos, indisciplinados e corruptos das suas hostes. E para isso – dada a pobreza endémica do Estado guineense – a comunidade lusófona tem o dever moral e o imperativo de consciência de contribuir.

Fonte:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=544925

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Entrevista ao galizalivre.org: “Sendo Português existe um dever moral e histórico de solidariedade para com a Galiza”

Ler AQUI.

Categories: Galiza, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono | Tags: | 11 Comentários

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