
Agostinho da Silva
“O conflito é muito grave; o progresso material exige que se abandonem todos esses hábitos mentais de vago impressionismo e de palpite, sob pena de inevitável catástrofe económica e política; uma Humanidade que não resolva, imediatamente, o problema da distribuição está votada, pela miséria que cria, a todos os desesperos e a toda a baixa de dignidade, que trazem; como consequência, a tirania.”
Agostinho da Silva, Sanderson e a Escola de Oundle
Num mundo de contrastes tão escandalosos quanto violentos, em que no mundo dito desenvolvido se desperdiça um terço dos alimentos comprados e se perde até um quarto entre a produção e a comercialização e no resto do globo se morre ainda de fome, há claramente um problema de distribuição.
Não há ainda na Terra (nem haverá nas próximas décadas) nenhum problema de produção de alimentos. O que existe é um grave problema de distribuição. Muitos alimentos perdem-se na armazenagem e na distribuição e em países como o Reino Unido um terço de todos os alimentos comprados são descartados sem chegarem a serem consumidos.
As soluções não são fáceis, mas os benefícios que delas resultam são tremendos. Perante o falhanço rotundo do sistema centralista experimentado nos vários regimes comunistas e confrontados com a ineficácia do atual sistema capitalista, urge conceber outras soluções, sem preconceitos nem ideias feitas. A este respeito não podemos deixar de nos recordar que a maior ameaça à produção de alimentos nos países do Terceiro Mundo é a agricultura industrial. Devemos também considerar opções radicalmente diversas de todas aquelas que ate agora foram ensaiadas. Considerados em primeiro o principio da autonomia e independência alimentar, em que cada região e país se deve bastar para a satisfação das suas necessidades básicas. Consideremos igualmente as “economias gratuitas” de Agostinho ou a livre propriedade ou propriedade comunal da Idade Media portuguesa. Ponderemos tudo isto com uma devida dose de imaginação e inteligência criativa e acabaremos por descobrir a solução para o problema mundial da distribuição de alimentos.















Concordo. Se bem que, para mim, não há alternativa à economia de mercado, à democracia liberal e ao Estado de Direito. Podem ser feitas intervenções pontuais, para corrigir certos desequilíbrios injustos ou inaceitáveis, mas sempre numa perspectiva de um reformismo crítico, parcelar e pontual, não de uma intervenção totalitária e abrangente. Um mercado saudável e bem regulado produz certos equilíbrios espontâneos que há que levar em conta.
Tambem defendo o modelo capitalista e de mercado. Mas regulado, de forma ativa e forte e com uma rede social sustentada pelos impostos dos mais afortunados, para obviar a situacoes extremas ou de emergencia.
Concordo: uma rede social para obviar às situações daqueles que, no mercado, não conseguem uma vida condigna com a «dignidade humana» e se vejam remetidos para posições de exclusão, é indispensável.