“Um relatório da Northeastern University demonstra que em 2010, 88% do crescimento do rendimento nacional real serviu para aumentar os lucros das empresas, enquanto que os ordenados não beneficiaram deste mais do que um pouco acima de 1%. Jamais na historia americana, os trabalhadores tinham recebido uma parte tão minúscula do valor acrescentado.”
O Ano de 2012 será terrível! Dívida Pública: Como os Estados se tornaram prisioneiros dos Bancos
Alain de Benoist
Finis Mundi, número 3
Vivemos já em plena Corporotocracia: o governo das Corporações (ou multinacionais e grandes empresas). O fosso crescente entre rendimentos do Trabalho e do Capital que, longe de se encontrar restringido aos EUA, mas que, pelo contrário, está hoje generalizado é resultado de décadas de intenso lobbying por parte dos mais ricos junto dos políticos (usando os perniciosos “donativos” partidários) que tiveram o seu paroxismo entre 1990-2000 numa década plena de desregulações.
O mundo de hoje é um mundo mais desigual do que o mundo da década de 1990. Portugal, em particular, é também um pais muito mais desigual. Em 2010 éramos o terceiro país mais desigual da OCDE, depois da Bulgária e da Letónia. Hoje (2012) somos o mais desigual. Manifestamente, algo está muito mal na sociedade portuguesa e, pior, algo está a piorar e não a melhorar. O problema é, antes do mais moral, sabendo-se que três das maiores redes de distribuição em Portugal (Continente, Lidl e Pingo Doce) têm sede fiscal na Holanda e Alemanha, furtando-se assim ao devido cumprimento dos seus deveres fiscais em Portugal. Os que pertencem aos segmentos mais economicamente mais elevados da sociedade têm o dever moral de dar o Exemplo ao resto da sociedade. Se são corruptos, a sociedade é corrupta. Se são desonestos, a sociedade é desonesta. Se fogem aos Impostos, todos fogem aos Impostos.
O problema Moral não se resolve contudo por Leis. Resolve-se pela Educação nas crianças, estimulando formas de participação cívica e política por parte dos cidadãos e localizando as decisões centralizadas, democratizando a economia e a decisão política.

















Comentários recentes