Daily Archives: 2012/01/14

“Portugal possui uma enorme Zona Económica Exclusiva e deve apostar claramente num cluster marítimo que inclua exploração dos possíveis recursos minerais e energéticos submarinos, construção e reparação naval e marinha mercante”

Zona Económica Exclusiva (http://www.igeo.pt)

Zona Económica Exclusiva (http://www.igeo.pt)

“Portugal possui uma enorme Zona Económica Exclusiva e deve apostar claramente num cluster marítimo que inclua exploração dos possíveis recursos minerais e energéticos submarinos, construção e reparação naval e marinha mercante. A economia é cada vez mais um importante factor de poder, sobretudo porque pode servir de base ao poderio militar sustentado, como o demonstra o professor Adriano Moreira.”
Portugal, Uma Análise do Poder
João Franco
Finis Mundi, número 3

Tornou-se um lugar comum defender o Mar como desígnio estratégico nos últimos anos. Tanto que tal objetivo surge quer à direita, quer à esquerda, de forma transversal e indiferentemente das escolas de pensamento. De facto, o Mar tornou-se de tal forma “popular”, que mesmo Cavaco Silva o Grande Coveiro da nossa indústria de pesca, que aceitou torpes e mal intencionados subsídios europeus para que Portugal abatesse a sua frota e deixasse os seus mares vazios para a frota espanhola fala agora na necessidade de “regressar ao Mar”.

Mas basta de conversa. Cavaco e os ditos “partidos do Poder” têm que urgentemente erguer um quadro multipartidário que seja consensual e que defina uma estratégia capaz de transitar de um Executivo para o outro e que recolha apoio sistemático no Parlamento. Um quadro que teça uma rede de apoio e incentivo a um “Regresso ao Mar”, com incentivos fiscais, capital de risco, investigação universitária, ninhos de empresa e, sobretudo, construindo (sem pudores neoliberais) a rede de apoio portuária, uma Marinha credível e disuasora de todos os abusos à nossa soberania e lançando empresas públicas de exploração dos recursos mineiros do subsolo marinho, de energia das ondas ou de transportes marítimos inovadoras, empresas que pelo seu superior interesse estratégico de longo prazo poderão não interessar a privados, mas que o Estado poderá depois vender (com lucro) ao fim de alguns anos de exploração. Este é o “regresso ao Mar” que Portugal tem que cumprir por forma a que possa reencontrar o caminho do desenvolvimento e da sustentabilidade da sua economia.

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António Sérgio: “Sempre me ri do perigo espanhol; e ri, porque sempre pensei que os nossos vizinhos nada poderiam levar a cabo, sem a cumplicidade de portugueses, contra a independência de Portugal”

António Sérgio (http://paginas.fe.up.pt)

António Sérgio (http://paginas.fe.up.pt)

“Sempre me ri do perigo espanhol; e ri, porque sempre pensei que os nossos vizinhos nada poderiam levar a cabo, sem a cumplicidade de portugueses, contra a independência de Portugal. Quando via insistir a alguns eruditos sobre as razões geograficas da independência, e sobre as fronteiras naturais que nos separam dos Castelhanos, respondia que isso, a meu ver, eram motivos de secundária importância. As razões supremas nas coisas humanas devem ser sempre as espirituais: e digo por isso que o nosso povo tem todo o direito a manter-se livre – sem necessidade de distinções geográficas – desde que queira realmente sê-lo. O essencial, pois, para que conservemos a independencia, é que haja na alma dos Portugueses um apego tenaz à autonomia. O remédio contra a absorção – não é mostrar entre as duas pátrias quaisquer fronteiras naturais: é acender nas almas dos cidadãos o amor candente da liberdade. Esse amor (e não as montanhas, nem os rios, nem diferenças de clima nem de vegetação) nos há-de defender da ambição de Castela.”

Antonio Sérgio
Agatão Lança
Bernardino Machado

De facto, Portugal não pode contar com a geografia para se proteger contra nenhum inimigo terrestre. As grandes planícies da Estremadura e do Alentejo sempre serviram de convidativa entrada para as hostes espanholas ou francesas que ao longo da História se entretiveram a invadir-nos. O que as expulsou não foram nem os canhões, nem os inóspitos gelos da Rússia nem tão pouco os asfixiantes calores da Libia. Foi sempre a indómita aspiração libertária dos Portugueses. Todos os ocupantes foram-no apenas enquanto nós os tolerámos e logo que provaram os seus intuitos anexionistas (Sob Filipe III e sob o “rei Junot”, mais tarde) não descansámos enquanto não os expulsámos.

A ameaça que hoje nos cerca não é tanto a espanhola, mas mais a sombra opressiva de uma europa eurocrata e temente apenas aos dogmas neoliberais e aos interesses imperiais dos grandes grupos financeiros. Não se trata aqui de um mero temor teórico ou hipotético. Um dos maiores países da União Europeia, a Itália, vive hoje já sob um sátrapa europeu, não-eleito e nomeado indiretamente pela “troika”. O mesmo se passa na Grécia e, em parte, em Portugal com a imposição pela troika de um detalhado plano governativo a aplicar fielmente durante os próximos anos.

Toda a opressão pode apenas vingar se esse for o desejo do oprimido. Em primeiro e em último grau a força da resistência não está na quantidade de espingardas ou de divisões com que se consegue ocupar um dado país, mas na capacidade para se quebrar o espírito daqueles que se invadiu, fazendo-lhes crer que não existem alternativas ao regime atual.

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