Daily Archives: 2012/01/15

A fuga do Pingo Doce e a Crise Moral Portuguesa

Boicote ao Pingo Doce
O grande problema português não ê a bancarrota (efetiva desde abril de 2010) do Estado, nem a crise económica, nem sequer a crise social. É a crise moral. A crise que levou alguns dos mais ricos “empresários” a levar para a Holanda os seus impostos e que conheceu no Pingo Doce apenas o seu episódio mais recente (depois de outro semelhante com o Continente).

Na Moral e ética coletiva de um país, o Exemplo assume um papel dominante: os governantes, juízes, académicos ou empresários são efetivamente aqueles que mais contribuem para uma sociedade moralmente elevada ou degradada. Se as elites são corruptas, a sociedade é corrupta. Se são imorais ou têm atitudes incívicas, então – pela via do Exemplo – o resto da sociedade exprimirá também baixos padrões de preocupação e acção cívica.

A manobra fiscal da Jerónimo Martins fez com que o Pingo Doce continuasse a pagar IRC em Portugal, mas o seu acionista de controlo, a família Soares dos Santos transferiu a sua Holding para a Holanda, juntando-se ali, de resto, à Sonae do Continente. Segundo a atual lei portuguesa (a carecer de revisão urgente) quando um acionista tem mais de 10% das ações, não paga imposto sobre os dividendos, pelo que por aqui, o Estado não sairá lesado. Mas agora, quando a holding pagar aos membros da família Soares dos Santos, ainda que continue a pagar 25% de IRS (como antes), Portugal recebe apenas 15% e a Holanda (país tao precisado…) recebe 10%. A argumentação do Pingo Doce (inclusa agora num folheto que as suas lojas distribuem aos clientes) é que não paga menos impostos e que mantém em Portugal o seu domicílio fiscal. Verdade. Mas que a decisão prejudicou Portugal nesta altura tao difícil e crítica da sua História isso é algo igualmente verdadeiro, como referi mais acima.

Eis porque defendo um Boicote ao Pingo Doce, a que pode aderir clicando AQUI.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=529417&pn=1

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Deixe o seu comentário

António Sérgio: “É mais plástico o nosso espírito, mais aberto, menos supersticioso e menos fanático, mais conciliador e mais empirista, mais político e mais cívico, mais humanista e liberal do que o espírito do Castelhano”

“É mais plástico o nosso espírito, mais aberto, menos supersticioso e menos fanático, mais conciliador e mais empirista, mais político e mais cívico, mais humanista e liberal do que o espírito do Castelhano: e se esta diferença de carateres se não revelou melhor na nossa historia, é porque a influência do reino vizinho nos desviou da órbita natural. Atribuo-a ao predominio que na nossa pátria, e desde início, teve a burguesia comercial marítima. (…) Somos liberais por natureza. Ama o Espanhol a sua aldeia, mas nao sente como nós a coisa pública. Um escritor aragonês que é meu amigo, elogia constantemente a superioridade cívica dos nossos, o seu gosto político natural.”
António Sérgio, 1927

Por “espanhol” entendia aqui António Sergio, o castelhano ou na sua versao contemporanea, o “espanholista” que a partir da centralista Madrid busca estender a sua língua e cultura dominante a toda a Península. Sérgio afirma os portugueses como menos fanáticos e conciliadores que os espanhóis, povo que efetivamente foi coletivamente responsavel por duas das maiores barbáries da História: A destruição das culturas pré-colombianas (asteca e inca) e as incríveis sevícias e abusos realizados pela “Santa” Inquisicao. Portugal não destruiu civilizacoes na escala espanhola, antes as integrou e dialogou com elas, e quando por fim – por pressao espanhola – importou também o Tribunal do Santo Ofício, não o fez de uma forma tão radical e integral como o desejavam os espanhóis.

Também Agostinho da Silva – amigo de Antonio Sérgio – considerava haver nos portugueses um verdadeiro “génio político” demonstrado pela sua grande realização coletiva que seria não a Gesta dos Descobrimentos e da Expansao, mas pela sobrevivência enquanto nacao livre e independente numa Península onde o centripetismo de Castela conseguiu destruir ou absorver toda a energia criadora e livre das nacionalidades ibéricos, parando apenas na fronteira portuguesa.

Fica também em última nota curiosa a observação de Antonio Sergio segundo o qual o portugues teria um comportamento cívico mais exemplar que o espanhol, o que contraria – pelo menos – a conviccao popular atual segundo o qual, no quadro europeu, os portugueses seriam dos povos europeus com menores niveis de consciência cívica.

Categories: Política Nacional, Portugal | 4 Comentários

Sobre a (Insustentável) Dívida Pública Europeia

“A dívida publica é apenas uma faceta da dívida total, esta última engloba igualmente a dívida das empresas e dos lares. Se tomarmos em conta o conjunto destes elementos, chegamos em 2010 a um endividamento global de 199.5% para a França, 202.7% para a Alemanha, 221.1% para a Itália, 255% para o Reino Unido, 269% para a Espanha e 240% para os Estados Unidos!”
O Ano de 2012 será terrível! Divida Pública: Como os Estados se tornaram prisioneiros dos Bancos
Alain de Benoist
Finis Mundi, número 3

Toda a Europa está endividada. Pela forma como falam alemães e franceses, um observador menos atento pode ficar a pensar que o problema é um exclusivo dos descabelados países mediterrânicos, mal geridos, povoados por hordas semi-bárbaras e completamente enlouquecidas por um consumismo desbragado. Mas não é assim. A própria orgulhosa Alemanha está atolada numa imensa divida externa que ultrapassa em muito aquilo que o seu germânico país consegue produzir em dois anos. A diferença, aqui, está apenas em que os credores (os especuladores dos Mercados) ainda acreditam que a Alemanha consegue a prazo pagar essa dívida e que os países periféricos da Zona Euro não conseguem. Ainda. Ainda, porque basta que a Grécia ou Portugal declarem falência para que um dois Bancos alemães declarem – em cascata – falência eles também e se os bancos alemães começarem a falir uns atrás dos outros (porque todos estão interligados) outros bancos do centro da Europa irão também para a estratosfera.

É esta fragilidade e os efeitos desta cascata que fazem com que a Alemanha mantenha o discurso de apoio ao Euro e à permanência da Grécia na Moeda Única.

Categories: Economia, união europeia | 2 Comentários

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