
Souto de Moura (http://porto24.pt)
“Muitos perguntaram como é que um pais pequeno consegue dois prémios Pritzker: Souto de Moura quase duas décadas depois de Álvaro Siza. A Espanha, uma potencia da arquitectura, só tem um. Só um prémio pode indicar que há um génio, dois indicam qualquer coisa mais. Indicam que há gerações que ensinam outras, que há uma continuidade. Talvez como o medico e neurologista Egas Moniz explique, em parte, a existência do neurocientista Antonio Damásio.
A segunda pergunta a fazer é o que é que a qualidade da arquitectura portuguesa, que permitiu dois prémios Pritzker, pode ensinar a Portugal? “Os dois prémios significam um padrão e que não se trata de coisa isolada.” (…) “Siza e Souto de Moura têm um grau de relação com o trabalho que é obsessivo. Esse grau de obsessão é um dado importantíssimo, porque, traduzido de outra maneira, é um grau de ambição que não é comum”. Essa forma de trabalhar, diz o critico, foi exportada para o resto do país. “É uma cultura que se tornou partilhada pela maioria das escolas e ateliers portugueses.” Depois, Siza e Souto de Moura têm uma auto-confiança cultural que pode ser um exemplo:”Ser português para eles não é uma calamidade A razão da nossa depressão é também um certo complexo de ser português. Temos uma hipersensibilidade à nossa dimensão periférica. Eles têm um sentimento de pertença e relacionam-se absolutamente à conta de com os nomes centrais da arquitectura mundial.” (Critico de arquitectura, Jorge Figueira)
Isabel Salema
Público 30 de dezembro de 2011
Apesar da oferta excessiva dos cursos de arquitetura existente em Portugal nas ultimas décadas existe em Portugal (sobretudo na chamada “Escola do Porto”) um registo consistente de excelência e de renome mundial. Portugal é hoje uma das potencias mundiais na área da arquitectura. Hoje, existe um profundo desequilíbrio no mercado laboral entre a oferta e a procura de arquitectos, mas ser um “arquiteto português” é – graças a Siza Vieira, Souto de Moura e outros – uma vantagem competitiva no mercado global. E com o desemprego a crescer em Portugal nos próximos dez anos, cada vez mais ou ateliers de arquitetura procuram clientes externos (sobretudo na África Lusófona), ou então os jovens arquitetos buscam a via da emigração…
De qualquer modo, Portugal faz bem, ou melhor, muito bem, na Arquitetura e num momento em que o pais mergulha numa depressão coletiva recordar que somos lideres em alguns dos campos mais competitivos e exigentes do mundo deve recordar-nos que somos um pais milenar, que já venceu inúmeras crises aparentemente fatais e que não será esta que vão acabar connosco.




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