
Dilma Rousseff (http://a3.twimg.com)
“Dilma termina o primeiro ano com um recorde de popularidade de 56%. Nenhum Presidente teve um valor tão alto ao fim do primeiro ano. E isso acontece depois da saída de nada menos que sete ministros, seis deles por irregularidades. “Tolerância zero com malfeitos e corrupção”, tem sido o lema da Presidenta. Ela tem firmado uma imagem de transparência que Lula não tinha – ninguém esperara há um ano que superasse o seu criador. E o Brasil fecha o ano com dois números que são a cara e a coroa do seu momento histórico: sexta economia do mundo, com 11.4 milhões de pessoas a viver em favelas. Dilma diz que foi eleita para ser a Presidente dos pobres. Que assim seja.”
Publico, 30 de dezembro de 2011
Sejamos claros: nem tudo está bem no Brasil. Especialmente em termos de Educação Pública e de desigualdade social e de rendimentos. Mas o Brasil pode orgulhar-se de ter sido capaz de eleger dois grandes lideres seguidos, que usando os recursos do seu grande país e sabendo defender a sua economia dos assaltos da globalização (usando sem poder ferramentas neoproteccionistas) levaram o Brasil até ao invejável estatuto de sexta potencia económica mundial.
No que respeita ao Estado, o Brasil tem três grandes problemas: um municipalismo ainda muito incipiente e embrionário, níveis de corrupção ainda demasiado elevados e generalizados (apesar da correta intolerância de Dilma quanto ao problema) e… Uma timidez diplomática crónica que não é mais compatível com o seu novo estatuto de superpotencia mundial e que o torna ausente de praticamente todos os cenários internacionais de crise. Isso pode agora, com Dilma, começar também a mudar. E gostaríamos que começasse a mudar explorando a Lusofonia, o facto de o Brasil ter bons e fieis amigos em todos os países da CPLP, da Europa, a África, acabando na Ásia.
O Brasil, potencia mundial, pode ser a primeira verdadeira potencia mundial lusófona. Assim saiba explorar esse filão e vença a timidez atávica que o tem mantido até hoje como “gigante de joelhos”, sujeito à vontade e ditames das grandes potências mundiais. Mas isso está a mudar… E depressa.
O Brasil teve Lula e depois, teve Dilma. No mesmo período, Portugal teve Sócrates, Cavaco e Passos. Com os frutos e diferenças que estão hoje bem à vista de todos. Mas… Como seria o Portugal de hoje se tivéssemos tido – também nós + dois presidentes desta qualidade?… E livres para agirem sem as cangas da União Europeia?!















E viva o Brasil.
e o povo Brasileiro!!!
lá vem o CP irritar-me com o binómio Entusiasmo pró-brasileiro e Falta de Respeito a Portugal:
a primeira potência Lusófona foi Portugal.
“O Brasil teve Lula e depois, teve Dilma. No mesmo período, Portugal teve Sócrates, Cavaco e Passos. Com os frutos e diferenças que estão hoje bem à vista de todos. ”
esqueceste-te do Barroso. quando o Lula veio cá a 1ª vez foi vergonhosa a recepção do governo de direita com comentários estúpidos sobre o facto de ele ser de esquerda…
“E livres para agirem sem as cangas da União Europeia?!”
não esquecas, ingrato que as cangas deram-nos muitas coisas boas.
agora admito que atrapalham, mas ainda num passado recente ajudavam e muito, mas os nossos governantes – por nós legitimados – fizeram um péssimo trabalho.
e além demais o Brasil vive sobretudo de commodities , de exploração de recursos, tipo arvore das patacas. é uma situação de pura sorte, não tem mérito especial.
felizmente que está a mudar o seu tecido económico com industria, ciência, serviços, etc…
Uma coisa parece inegável no perfil de Dilma: ela não sai em defesa dos corruptos, como fazia seu antecessor. Outro fato positivo e o fato de ser mais técnica do que política. Isso explica muito da popularidade, principalmente entre as classes mais esclarecidas.
Isso é indubitável e algo que me agrada profundamente em Dilma. Mas o facto de ter tido já tantos ministros demitidos por corrupcao revela o elevado grau de corrupcao que assola a classe politica brasileira. Mas o que ela está a fazer pode dar o mote a uma verdadeira (e inédita) limpeza. Assim a corporacao policial e a judicial estivessem a demonstrar o mesmo empenho.
O antecessor de Dilma terminou os últimos meses de mandato com a popularidade superior à 80%, mas isso não se traduziu em votos, já que a então candidata Dilma teve que disputar o segundo turno com José Serra. Ou seja, o povo aprova a gestão mas o eleitorado nacional sempre foi dividido.
Quanto ao comentário de Otus, digo que o cresciemento econômico brasileiro é sustentado, como é sabido por todos, pela exportação de commodites, e não há pecado nenhum nisso. Vejamos o caso da Austrália, a título de exemplo, o país vive da exportação de minério de ferro para China, contudo, a depender da matéria-prima a ser explorada, é exigido um alto grau de desenvolvimento tecnológico. Vide Petrobrás e a exploração do pré-sal, somente possível depois de um investimento maciço em P&D. Outro caso de sucesso é a EMBRAPA, que desenvolveu novas técnicas de produção agrícula, e graças a ela o Brasil converteu-se em potência agrícola. Poderia citar diversos casos de sucesso (Embraer, Vale, etc) mas acho que já disse tudo.
Tudo aponta hoje para que o Brasil tenha dito a fortuna (providencial?) de ter tido dois grandes lideres, num contexto global de aumento dos precos das commodities agricolas e de uma notoria independencia energetica. O Brasil vive hoje o melhor dos mundos possiveis, mas ainda terá que vencer grandes problemas com o Crime a Corrupcao… As maiores ameacas atuais para essa grande nacao lusofona.