Resposta a Enoque sobre o Passaporte Lusófono

“Caro CP,
Saiba que eu respeito os seus sentimentos pela Lusofonia, mas não apóio tal passaporte e nem tal cidadania comum. Se Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e o Timor Leste quiserem criar tal passaporte e unificar a cidadania entre eles mesmos, é a decisão soberana de cada povo, eu respeito.
Mas como cidadão brasileiro, eu não apóio a presença do Brasil em tal empreendimento. Vou tentar ser claro quanto as minhas razões.”

- a discordância é por aqui muito bem vinda: como um convite ao debate frutuoso e ao desenvolvimento e aprofundamento das opiniões de cada um de nós! A minha resposta aos teus parágrafos segue entre linhas:

“1º- O Brasil não deve receber imigrantes apenas porque são falantes da língua portuguesa. O Brasil deve receber imigrantes segundo as suas necessidades econômicas e sociais. Ou seja, o Brasil deve receber mão-de-obra especializada, seja vinda de algum país lusófono ou não. Assim sendo, são bem-vindos os Portugueses e demais Europeus, os Africanos, os Asiáticos, gente de todo este planeta. Quais os critérios? Os mesmos que o Canadá aplica no seu sistema de legislação para imigração. Eu prefiro um indivíduo nativo da Somália especializado do que um nativo da Alemanha analfabeto* (é apenas uma forma de comparação), como imigrante. E não basta ser mão-de-obra especializada, deve ser bom cidadão, ter consciência cívica, não ter um passado sujo por práticas criminosas.”

- não defendo que se estabeleça de forma absoluta e imediata uma abertura radical de fronteiras. O grande objetivo do Passaporte Lusófono seria servir como uma (de várias) ferramentas de aproximação lusófona. Não é o destino nem a via única, mas uma de muitas ferramentas confluentes. Acredito que a migração deve ser subsidiária e não central a qualquer economia, isto é, deve servir para servir certas necessidades demográficas pontuais ou profissionais, e não ser permanente ou totalmente desregulada. Uma politica de imigração totalmente liberalizada produz sempre mais maus resultados que bons, porque não favorece a integração dos migrantes, nem a estabilidade social, nem sequer o desenvolvimento económico e social dos próprios migrantes. Defendo assim – como o Enoque – a regulação dos fluxos migratórios, a expulsão de todos os criminosos e o estabelecimento de quotas profissionais por áreas profissionais. Mas isto num prazo curto. A prazo, no quadro de uma União Lusófona, a livre circulação seria a regra. Mas apenas depois de estabelecer um grau de desenvolvimento comum mais aproximado que o atual. A questão é que defendo a união politica entre os países da Lusofonia e seria absurdo e inconsistente defender tal aproximação e não defender a livre circulação de pessoas e bens entre as varias regiões desse super-estado. Por isso defendo essa posição de principio, mas sem radicalismos nem populismos… Tanto mais porque as coisas neste mundo rápido de hoje mudam muito rapidamente. Quem pensaria há uns anos atrás que haveria dez vezes mais portugueses em Angola do que vice-versa? Hoje há uns 25 mil portugueses imigrantes no Brasil e mais de 200 mil brasileiros em Portugal, mas quem diz que será assim daqui a dez anos?…

“2º- De igual forma, se o Brasil aderir a tal passaporte lusófono, vai prejudicar os demais países devido aqueles maus cidadãos brasileiros terem livre circulação nos demais países e, vai receber maus cidadãos dos demais países também. É muito arriscado, CP.”

Haverá sempre gente indesejável a entrar em todos os países… A solução não é fechar fronteiras. É partilhar informação e acelerar procedimentos judiciais e policiais, não fechar portas a povos irmãos, cultural e linguísticamente tão semelhantes. Os países dessa eventual União Lusófona têm a “vantagem” de não terem ligação terrestre, ou seja, as migrações fazem-se todas por via aérea e aí é fácil controlar admissões, desde que o perfil criminal de cada candidato a migrante ou falso turista seja conhecido pelos SEFs dos países integrantes. Quanto às tão temidas “invasões migratórios” sempre que elas foram temidas, nunca se concretizaram. Por exemplo, temeu-se tal fenómeno quando a Bulgária e a Roménia entraram na UE, mas apesar de algumas migrações de etnia cigana, o tal êxodo nunca aconteceu… E o mesmo quando os países do sul entraram na União Europeia/CEE.

“3º- A globalização tem provado ser algo muito mais nocivo do que benéfico. Tem os seus benefícios sim, mas no geral, atende basicamente os interesses da elite global, dos especuladores, dos banqueiros, as nações estão escravizadas pelo Neoliberalismo.
Eu até reconheço que a UE fez da Alemanha uma superpotência, pois é a Alemanha quem comanda a UE de facto. O euro é o marco alemão disfarçado. Mas para países como a Alemanha, a França, a Itália que já foram unidas pelo Império Franco e pelo Sacro Império Romano-Germânico, e nações menores como a Áustria, a Suíça, a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo, o Liechtenstein, São Marinho, Vaticano… até vale mais a pena para eles se unirem para enfrentar a hegemonia dos EUA do que ficarem cada um por si. Assim como os países nórdicos entre eles mesmos. O Reino Unido tem se mostrado mais pró-EUA do que pró-UE, então a minha recomendação aos Britânicos é que saiam da UE de uma vez por todas e façam um bloco à parte com os EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Por mais que os Russos e os demais Europeus tenham tantas divergências, é válido à UE tentar cativar a Rússia, no lugar dos Alemães e dos Franceses, eu olharia a Rússia com respeito devido ao seu potencial.
Mas no geral, eu vejo mais desvantagens do que vantagens na globalização.”

A globalização parecia estar a correr bem, até 2007, mas havia já sinais preocupantes de sobre-endividamento das economias ocidentais, de práticas desleais na China e de desregulações financeiras sem freio. Houve e há uma muito notável e benéfica transferência de riqueza do Ocidente (EUA e Europa) para os países em desenvolvimento, mas o processo perdeu o controlo, o esvaziamento industrial radical do ocidente e a prática de condições inumanas na China e em outros países em desenvolvimento estão a destruir o poder de compra do ocidente a ameaçar assim as próprias exportações deste países em desenvolvimento. Os ingleses estão na UE com uma atitude profundamente egoísta: retiram dela tudo o que podem (p.ex. os seus agricultores recebem mais subsídios per capita que os portugueses!) e sairão logo que a torneira secar… Não acredito que procurem formar uma “união anglofona”: simplesmente nunca aceitariam nada que não pudessem liderar diretamente… Em termos estratégicos e civilizacionais faria todo o sentido atrair a Rússia. Mas esta europa é uma europa com “e” pequeno, sem Visão e outra estratégia que não seja o curto prazo.

“4º- Eu concordo com uma grande aliança entre os países de língua portuguesa. Acredito no potencial de cada uma das nações lusófonas. Mas não vejo necessidade da aliança entre os países lusófonos ser igual a UE. Para quê “espaço de Shengen lusófono”? Para quê “moeda única lusófona”? Para quê “governo federal lusófono”? Para quê “parlamento lusófono”? Os povos lusófonos não sentem necessidade de tais coisas. Por que não deixar os países lusófonos independentes, cada um com o seu governo e suas leis?”

Esses são os objetivos de longo prazo… Antes de chegar a qualquer um deles há que vencer muitos obstáculos e cumprir muito trabalho. Nada se conseguiria de forma estável, segura e produtiva de forma rápida. Acredito numa abordagem de pequenos, mas seguros passos. Começando no aprofundamento funcional e financeiro da CPLP. Depois estabelecendo alianças bilaterais em domínios muito específicos e concretos dentro das estruturas da CPLP, expandi-as depois e lançando assim, de forma gradual e serena, os alicerces dessa sonhada (mas possível) Comunidade ou União Lusófona.

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Categories: Brasil, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 17 Comentários

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17 thoughts on “Resposta a Enoque sobre o Passaporte Lusófono

  1. Enoque

    CP,
    “a discordância é por aqui muito bem vinda: como um convite ao debate frutuoso e ao desenvolvimento e aprofundamento das opiniões de cada um de nós!”
    – Obrigado. Espero conseguir colaborar com as minhas opiniões, embora nem sempre tenho razão. :)
    “não defendo que se estabeleça de forma absoluta e imediata uma abertura radical de fronteiras.”
    – Ainda bem! Fico contente que você tenha consciência. :)
    “O grande objetivo do Passaporte Lusófono seria servir como uma (de várias) ferramentas de aproximação lusófona. Não é o destino nem a via única, mas uma de muitas ferramentas confluentes.”
    – Mas mesmo assim, é uma proposta prematura. Não é o momento ideal para se propôr a criação de um passaporte único lusófono. Sem falar que Portugal está ligado a UE e faz parte do espaço de Shengen. Vai dar “treta” Portugal ficar integrado à UE e às demais nações de língua portuguesa ao mesmo tempo, no mesmo sistema de integração, de união. E estou curioso, como é que os cidadãos portugueses vão concordar com a saída de Portugal da UE, do euro, do espaço de Shengen para fazer uma união análoga com suas ex-colônias?
    “Acredito que a migração deve ser subsidiária e não central a qualquer economia, isto é, deve servir para servir certas necessidades demográficas pontuais ou profissionais, e não ser permanente ou totalmente desregulada. Uma politica de imigração totalmente liberalizada produz sempre mais maus resultados que bons, porque não favorece a integração dos migrantes, nem a estabilidade social, nem sequer o desenvolvimento económico e social dos próprios migrantes. Defendo assim – como o Enoque – a regulação dos fluxos migratórios, a expulsão de todos os criminosos e o estabelecimento de quotas profissionais por áreas profissionais.”
    – É claro que a imigração não deve ser mais do que um complemento para colaborar no desenvolvimento de uma nação. Como todos os seres humanos têm o direito a uma pátria, a um lar, ninguém deve viver como apátrida, pois tal é violação aos direitos humanos conforme a legislação da ONU, se um cidadão nato não colabora devidamente com o funcionamento harmônico da sociedade, da coletividade, compete ao Estado que comanda o território onde ele nasceu discipliná-lo ou removê-lo do meio social. Mas um indivíduo nascido fora do território nacional, ou em veículos como navios, barcos, aviões fora do território que não pertençam ao país, e tal indivíduo demonstrar ser ameaça a segurança dos cidadãos natos, o Estado não tem obrigação de aceitar o indivíduo que não é nato mas é causador de problemas em seu território. Um imigrante ou um grupo de imigrantes que se comportam mal levam os demais imigrantes daquela nacionalidade a serem estigmatizados. Exemplo, hipótese: O país A no momento tem vagas de emprego e falta de mão-de-obra nacional, decide abrir as portas para imigrantes do país I e do país Y, países com desemprego ou salários insuficientes e 20% dos imigrantes do país I e do país Y optam por roubar, furtar, agredir as pessoas, seqüestrar, ou prostituição, e os governantes do país A não adotam medidas firmes corretivas focadas nos 20%, não mudam o sistema de imigração, quem vai ser o grande prejudicado? Os cidadãos natos do país A serão prejudicados, mas os demais imigrantes, os 80% restante, vão ser mal vistos na sociedade, serão tratados com desconfiança, vão ser motivo de anedotas, vão ser humilhados, discriminados. Eles é que serão os maiores prejudicados, e os nativos do país I e Y que permaneceram em sua terra natal também passarão a ser mal vistos pelos nativos do país A, embora não sintam o prejuízo na pele. Será que você consegue entender o perigo do passaporte lusófono? A criação do passaporte lusófono implica em criação de cidadania comum e de livre-circulação de pessoas.
    “Defendo assim – como o Enoque – a regulação dos fluxos migratórios, a expulsão de todos os criminosos e o estabelecimento de quotas profissionais por áreas profissionais.”
    – É claro, CP. Os criminosos dentre os imigrantes devem ser deportados, expulsos, não só pelo bem da sociedade local, mas pelo bem dos demais imigrantes que sejam bons cidadãos também. Deve haver um rigoroso controle na imigração.
    “A prazo, no quadro de uma União Lusófona, a livre circulação seria a regra. Mas apenas depois de estabelecer um grau de desenvolvimento comum mais aproximado que o atual.”
    – E tal grau de desenvolvimento igualitário vai levar um bom tempo ainda. Talvez o mundo da forma como conhecemos acabe antes. :D
    “A questão é que defendo a união politica entre os países da Lusofonia e seria absurdo e inconsistente defender tal aproximação e não defender a livre circulação de pessoas e bens entre as varias regiões desse super-estado.”
    – Sim. Compreendo. Mas tal processo de equilíbrio não será tão breve. E não sabemos qual será a ideologia predominante em cada país lusófono daqui para frente.

    “Por isso defendo essa posição de principio, mas sem radicalismos nem populismos…”
    – Que bom!
    “Haverá sempre gente indesejável a entrar em todos os países… A solução não é fechar fronteiras.”
    – Eu sei que sempre vai haver gente indesejávem em todos os países, mas o descontrole gera como conseqüência o preconceito, a discriminação contra quem não merece. A solução não é fechar as fronteiras mas também não é abrir as fronteiras, obviamente. E regular corretamente as fronteiras.
    “não fechar portas a povos irmãos, cultural e linguísticamente tão semelhantes.”
    – Eu me pergunto, realmente a maioria dos Lusófonos considera os demais povos lusófonos seus irmãos? Como pode os Brasileiros terem visto o sofrimento os seus irmãos Timorenses sob a opressão indonésia e terem assobiado para o lado? Como podem os Brasileiros ver os seus irmãos Angolanos durante anos em guerra civil e não ter feito nada mais do que enviar forças de paz da ONU? E a guerra civil dos Moçambicanos? Pergunte para um Brasileiro médio o significado de Palop? Pergunte para um Brasileiro de qual país é Luanda é capital? E de qual país Maputo é capital? Pergunte a um Brasileiro médio de qual país é a região de Cabinda, qual é a sua importância econômica e o que deseja em relação ao país que pertence? Pergunte a um Brasileiro médio o que ele sabe sobre Goa? E sobre Macau? Faça a experiência! Vai se decepcionar com o desinteresse em saber. Pergunte sobre a situação histórica e política do Concelho de Olivença! Sabem alguma coisa do separatismo do País Basco e da Catalunha, mas ignoram a existência dos Galegos como nacionalidade histórica, apesar de já terem ouvido falar ou visto alguma foto da cidade de Santiago de Compostela. Para o Brasileiro médio, uma pessoa galega é uma pessoa loira de pele clara.
    “A globalização parecia estar a correr bem, até 2007…”
    Até que os “donos” do mundo, os illuminati/skull & bones/ bohemian grove/ bilderberger/the council on foreign relations provocaram a crise global para a gradual implantação da Nova Ordem Mundial.

    “Não acredito que procurem formar uma “união anglofona”: simplesmente nunca aceitariam nada que não pudessem liderar diretamente…”
    E Portugal? Aceitaria uma união lusófona em que não pudesse liderar?

    • Sim, sei que o desconhecimento da realidade lusofona é imenso no Brasil… Essa alias é uma consequencia dos problemas com o sistema educativo publico brasileiro (especialmente ao nivel dos primeiros graus de ensino). A este respeito (como na Saude) Portugal fez grandes progressos desde 75, embora sem um retorno totalmente compativel com o grau de investimento.
      Portugal faria parte de uma uniao politica que nao dominasse?… Sim, se esta fosse paritaria, ou achas que “dominamos” na UE?…

      • Enoque

        CP,
        “Portugal faria parte de uma uniao politica que nao dominasse?… Sim, se esta fosse paritaria, ou achas que “dominamos” na UE?…”
        – Não, vocês não dominam a UE. Mas, a sociedade portuguesa não olha os seus vizinhos europeus da mesma forma que olha a América do Sul e a África, não concorda? :)

        • a sociedade portuguesa sempre olhou para o mundo lusófono mais com o coração que com a carteira… enquanto que a “europa” foi sempre vista como uma “fornecedora de dinheiro”…. diferença substancial!

          • otusscops

            CP

            que conversa tão bonita e romântica, mas tão intoxicante…
            “a sociedade portuguesa sempre olhou para o mundo lusófono mais com o coração que com a carteira”

            há mais de 3 anos que frequento o Quintus e desde esses tempos te tenho dito o contrário.
            conheci muitos portugueses a trabalharem em África sempre a pensarem no dia do regresso a casa.

            seja em África ou em qualquer ponto do planeta.
            o português sai por necessidade sobretudo.
            o português leva a saudade e a nostalgia na mala de viagem.
            o português pensa sempre em regressar à terra que o viu nascer e quanto mais pobre foi e mais bem sucedido é mais vontade tem.
            não fiques a ver o Mundo da janela e presta atenção aos teus concidadãos.

            abro uma excepção ao Brasil, tenho que admitir que é o local com a taxa de não retorno mais elevada e os motivos são vários.

            • Os que partem hoej sao muito diferentes daqueles que partiam há uns anos: a maioria (especialmente os jovens, sem familia constituida) nao tem planos para regressar. Isto é especialmente verdade para os que nao vao para Angola ou Mocambique (que geralmente vao num horizonte de entre alguns meses e menos de cinco anos).

              • então a ideia “a sociedade portuguesa sempre olhou para o mundo lusófono mais com o coração que com a carteira” cai por terra também…

          • Thor

            “a sociedade portuguesa sempre olhou para o mundo lusófono mais com o coração que com a carteira…”
            – Referente a Goa, Damão, Diu, Dadrá e Nagar Haveli, Macau e Timor Leste, eu acredito. Referente ao Brasil e a África, não acredito. A maioria dos habitantes do Portugal continental não vêem a hora da Madeira se tornar independente. E olha que os madeirenses são etnicamente portugueses. :) A proposta do passaporte lusófono é ousada demais. Pelo menos no que se refere a participação do Brasil, eu não apóio! :)

            • Tudo o que o MIL defende hoje “é ousado demais”. Nao é nossa missao desejar ou defender apenas o que pode ser realizado a curto ou imediato prazo (enfim, exagero um pouco, mas enfim). Somos uma lanterna de vanguarda, um “apontador de caminhos”, utopicos, de longo prazo e de designios nacionais. Para ser mais teriamos que ter outra forma… a de partido politico, por exemplo. E para isso o tempo nao é ainda chegado…

              • otusscops

                sim, o MIL é um painel de iluminados cujos os seus concidadãos nem são merecedores de os ter…

                realmente diz muito sobre a qualidade de alguns filósofos que saem da nossas faculdades…

                Eduardo Lourenço e José Gil não advogam NADA daquilo que o MIL designa como Lusofonia.

                o desígnio é sempre em primeiro lugar PORTUGAL.
                foi assim no passado e terá de ser no futuro.

                • Nao vou responder – obviamente – no mesmo tom.
                  Direi apenas que sim, sabemos para onde vamos e onde lá chegar e nao receamos nem o ridiculo, nem a marcha contra a mole que elege cavaco apos cavaco, nem mantem o bipartido no poder desde sempre, com os resultados que estao hoje à vista de todos.

                • otusscops

                  CP

                  deixa-te de melindres, tá bem??? :(

                  se o MIL tem a solução então que a proponha.
                  falam em circuito fechado, não chega cá fora.
                  mas esse não é o caminho, a lusofonia é UM dos caminhos.

                  sê corajoso e responde ao que escrevi sobre esses dois vultos maiores do pensamento contemporâneo e não te refugies no Cagão Silva, tá bem???

                  P.S. – eu não me esqueci da Dilma e do seu decreto modificador da língua portuguesa.

                • As propostas do MIL saao multiplas e estao todas disponiveis no site. Propus pessoalmente muitas delas e nao enjeito nenhuma.

                • Por outro lado: és muito crítico das posicoes do MIL e daquelas que eu também defendo pelo que te lanço um desafio:

                  Escreve um texto, nao muito extenso, com uma serie de medidas, opcoes e designcios muito concretos para Portugal. Se positivo e nao negativo e eu prometo que o publico aqui no Quintus, devidamente identificado.
                  O que defendo para Portugal ja sabes, mostra la as tuas alternativas (e manter o que temos nao vale…)

            • otusscops

              Thor

              essa coisa entre Continentais e Madeirenses não é assim tão evidente.
              como anda tudo chateado (não há dinheiro, não há palhaços) diz-se todas as barbaridades.
              estive na Pérola do Atlântico (como a propaganda Jardinista designa a sua donatoria) em Outubro e na generalidade os Madeirenses sentem-se portugueses.

              mas parece que é essa a imagem que estamos a dar para o exterior e isso preocupa-me.

              essa coisa do passaporte lusófono ainda não percebi muito bem para quê também…

  2. Discussão maravilhosa que presencio. Vejo considerações a respeito de uma cultura unificada que grita, que se faz ouvir, fruto de um projeto milenar, integrado pelos nossos ancestrais reis, templários, franciscanos, jesuítas e muitos outros.
    Esta cultura vista de perto nos olhos brilhantes de quem fala português, e se orgulha disso, lá em Timos, em Angola….e por aí fora, é certamente um contraponto aos valores capitalistas que dominam e controlam nossa sociedade atual.
    Este passaporte em questão representa uma movimentação de valores e sentimentos que estão guardados nos povos lusófonos e não se medem em números. É um povo que sutilmente vem trazendo a espiritualidade para a vida social, através do relacionamento entre as pessoas, dessa abertura e tolerância, que só encontramos no Brasil, em Angola, em Portugal, em Timor…como o mundo está carente disso, e como despreza o que mais precisa. Não é o que os adolescentes fazem com os pais ?
    Penso que estamos a iluminar os valores em questão, seus pós e contras, com esta bela discussão.
    Falando-se de educação seria um grande passo trazer para o ensino primário o reconhecimento da cultura lusófona, existe uma vasta bibliografia que vem sendo intencionalmente ocultada dos livros de história a respeito da expansão marítima portuguesa e de suas intenções originais, à qual deveríamos fazer justiça.

  3. a Educação da Língua é crucial para desenvolver os laços entre os povos que falam a mesma língua e partilham este património cultural comum, decerto!
    O projeto não seria para concretizar no imediato, e iria requerer muito trabalho, preparação e mentalização… mas seria fundamental na formação da União Lusófona que é o projeto central do http://www.movimentolusofono.org

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