“Apesar de em 2011 as criticas às três agências de rating norte-americanas, que partilham mais de 90% do setor, se terem multiplicado, os alemães não se manifestaram incomodados com as intervenções da Moody’s, SP e Fitch. Bem pelo contrario, o ministro das Finanças alemão, saudou a ameaça da SP de baixar o rating de 15 países da Zona Euro e o do FEE, decisão que classificou como o “melhor encorajamento para chegar a uma solução”. Ao reprovarem o comportamento dos europeus desleixados, as empresas de notação financeira ajudam a estratégia alemã que condiciona o apoio de Berlim à adopção de medidas de ajustamento severas.”
Os alemães não se preocuparam com estes absurdos, injustos e profundamente perturbadores para as economias dos países afetados porque são – juntamente com a Holanda e a Suíça – os grandes beneficiário do Capital que, em pânico, foge dos países afetados pelas agências de raters. Se fossem eles o alvo (como serão) então não viriam defender publicamente estas agências e as politicas que estas, com uma imensa e escandalosa desfaçatez se atrevem a sugerir a países livres, independentes e soberanos.
“Ao longo de 2011 as comissões que avaliaram a acção das raters produziram conclusões devastadoras, acusando-as, entre muitas coisas, de atribuírem boas avaliações a ativos tóxicos a troco de dinheiro. O Financial Times noticiou que a Moody’s alterou o comportamento quando pediu a admissão à cotação, passando a emitir analises mais regulares e menos exigentes e a partir daí os seus lucros não pararam de subir. Em junho de 2009, horas antes de a SEC, o regulador dos mercados dos EUA, anunciar que tinha dado inicio a um processo de investigação à actuação da Moody’s, o seu maior acionista durante toda a década, Warren Buffett, vendeu 30 milhões de acções da empresa, o que gerou suspeitas.”
Ao contrário do que sonham lunáticamente alguns federalistas europeus, estes desmandos, abusos e ilegalidades das agências de rating americanas não irão desaparecer com a erupção de uma agência europeia publica de rating. Pelo contrario. No contexto em que esta vai surgir, não merecerá credibilidade alguma e não vai resolver nada a ninguém além daqueles empregos para boys que acabará por “criar”.
Chegou a altura da Comissão Europeia avançar com as mesmas garras com que multou a Microsoft e a Oracle em processos legais no passado recente e aplicar a estas três agências (que operam e têm escritórios na Europa) multas tao pesadas que as obriguem a abandonar a operação na Europa. Mas é claro que para isso os alemães teriam de beneficiar com as suas avaliações… E isso não vai acontecer nunca.
Fonte:
Publico, 30 dezembro de 2011


















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