
Não existem condições para que qualquer um dos países europeus que se encontram hoje a braços com dividas externos cada vez maiores as possam pagar. Nenhum crescimento expectável nas próximas décadas será suficiente para pagar estas dividas – que crescem todos os anos – já que o Ocidente se deixou desindustrializar e tercializar… Improdutivo, o Ocidente depende cada vez de Crédito e da produção chinesa para manter os seus elevados padrões de consumo, numa louca espiral que cedo ou tarde irá descambar numa parede chamada… Bancarrota.
O objetivo deste pequeno artigo é descrever a situação que terão que atravessar os países que se encontrarem nessa situação:
A bancarrota do primeiro pais europeu irá desencadear – em menos de uma semana – idênticos fenómenos nos países europeus que se encontram hoje a braços de dividas externas semelhantes (Bélgica, Áustria, Itália, França, Espanha e Portugal)… O cenário que aqui traçamos não será assim exclusivamente um “cenário grego”… Ainda que segundo toda a probabilidade se venha a materializar na Grécia.
A primeira grande consequência da declaração publica de Bancarrota será uma corrida generalizada aos bancos. A população tentará levantar a maior quantidade possível dos seus depósitos e investimentos financeiros como forma de tentar obstar à violenta e rápida desvalorização do Euro nos dias seguintes a essa declaração. Como consequência paralela, o poder de compra sofrerá uma variação negativa muito profunda e intensa, resultante da impossibilidade de se financiarem as importações de bens orientais de que dependem hoje doentiamente a Europa.
A corrida aos depósitos levará à falência técnica dos bancos de retalho e a desvalorização do mercado acionista arrastará a banca de investimento para o mesmo negro destino. Os governos irão reagir decretando administrativamente o encerramento dos bancos, procurando evitar o seu colapso e nos dias seguintes decretarão montantes máximos de levantamentos.
Os motins serão uma constante… Assim como os saques contra as grandes superfícies e o pequeno comercio. O exercito será colocado nas ruas, protegendo estes espaços comerciais e – sobretudo – as agências bancarias. A policia será paralisada pela escala da revolta social e pelas dificuldades de financiamento dos seus salários durante os primeiros meses após a declaração de bancarrota cabendo assim ao Exercito o essencial dessas operações de restauro da ordem pública.
Nos meses seguintes, as funções mais básicas do Estado serão gravemente afetadas, com dificuldades em manter as estruturas mais básicas, como estradas e hospitais e, sobretudo em comprar combustível ao estrangeiro e em pagar salários às policias, empresas públicas e aos funcionários públicos. O efeito dominó – intenso numa economia como a portuguesa que depende em 60% do Estado – rapidamente se propagará às empresas privadas, estendendo de forma violenta e rápida as vagas a toda a sociedade.
Este é o cenário que todos teremos que enfrentar mais cedo ou mais tarde… A menos que os credores abdiquem dos seus créditos como derradeira forma de obstarem a que esta bancarrota descontrolada engolfe tudo num processo caótico que não pode ser controlado e de efeitos e alcance completamente imprevisíveis.















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