Renato Epifânio: “Um dos grandes bloqueios do nosso regime democrático é a asfixia partidocrática que sobre ele os partidos exercem”

Renato Epifânio (http://profile.ak.fbcdn.net)

Renato Epifânio (http://profile.ak.fbcdn.net)

“Um dos grandes bloqueios do nosso regime democrático é a asfixia partidocrática que sobre ele os partidos exercem, exponencialmente agravada pela dificuldade de renovação do próprio sistema partidário.
Com efeito, enquanto que nos outros países europeus é relativamente natural a emergência de novos partidos – e a correlativa extinção de outros -, em Portugal isso parece ser cada vez mais impossível.”

Para a constituição da Plataforma Cidadania, Ecologia e Lusofonia
Renato Epifânio
Finis Mundi, número 3

Existe uma estranha imobilidade no quadro partidário português. O atávico receio da mudança, induzido durante séculos pela Inquisição, reforçado pelo Salazarismo e, mais recentemente, pelos Media, cristalizou o quadro politico português. As eleições são previsíveis e decidem-se através apenas da deslocação de pouco mais de 20% do eleitorado de um partido para outro, sem que exista erosão nos partidos fundados após 1975.

Portugal precisa de renovações profundas nos partidos políticos – especialmente naqueles que estão representados no Parlamento – e, sobretudo, de novos partidos. De partidos que recolham parcelas significativas dos sufrágios e que consigam realizar aquele milagre que seria furar o bloqueio mediático, de partidos de um novo tipo, menos corpocráticos e classistas, menos ligados a maçonarias, menos dependentes do Poder Económico. De “partidos” mais “completos” e representativos, que não tivessem receio em buscarem novos nomes e personalidades na sociedade civil nem de concorrer em competências ou responsabilidades com os “deputados independentes”, eleitos para a Assembleia da República fora dos circuitos partidários como defende o www.movimentolusofono.org.

About these ads
Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal | 8 Comentários

Post navigation

8 thoughts on “Renato Epifânio: “Um dos grandes bloqueios do nosso regime democrático é a asfixia partidocrática que sobre ele os partidos exercem”

  1. é um comentário com pertinência mas enganador por impreciso ao misturar tudo e todos.
    sejamos verdadeiros, o Centrão de Interesses, PS e PSD (a ordem é aleatória) com a ajuda do CDS nos últimos anos (a insistência de alianças com esta gente – radicais de direita – era uma qualidade de Cavaco Silva) é que tem asfixiado o povo português.
    os partidos são essenciais, mas estes dois estão podres.

    (e obviamente sou contra a eleição de deputados isolados/”independentes”)

    • São mesmo essenciais? Ou essenciais nesta fase atual do desenvolvimento politico e social português? Um povo realmente consciente, cívicamente ativo e informado dispensaria partidos e poderia auto-governar-se… Elegendo os seus representantes, sem intermediários (os partidos), via democracia direta e elegendo diretamente os seus representantes, como anteviam de resto os “pais fundadores” dos EUA, por exemplo…

      • CP

        são essencialíssimos!!!
        por favor, não venhas com sonhos irrealistas como essa coisa de auto-governação, nunca existiu tal a não ser na Utopia de Tomas Moro.
        só funcionou na Atlântida…
        ainda para mais, os portugueses são dos povos do ocidente menos escolarizados, com menores índices de participação cívica, maior bovinização, mais medrosos e concupiscientes que deve haver, não mexem uma palha se isso for contra os seus interesses particulares mesquinhos.
        estamos assim desde D. Teodósio de Bragança, que entregou Portugal aos Felipes para que não o incomodassem nem lhe retirassem bens e propriedades.

        • A Renascença Portuguesa tinha as respostas para essas tuas dúvidas: à lógica estéril e impossível do Ter opunha a do Ser. Releiamos Teixeira de Pascoaes e o “quarto homem português” de Pessoa e encontremos neste a saída para o dilema da insustentável forma pre 2008 de viver em Portugal: Nunca seremos materialmente tão ricos como os alemães ou dinamarqueses, mas não precisamos de o ser para sermos igualmente felizes ou realizados: busquemos no espirito, na cultura e na criatividade o essencial das nossas vidas e tornemos acessório tudo o que o é e então haveremos de ter realizado o ideal agostiniano da “vida conversável” de Agostinho… Ideal que repuganava aos teodósios dete mundo.

        • CP

          não estamos na Renascensa, ó balhame deuzzz…
          quando é que começas a prestar mais atenção ao que escrevo???
          “estamos assim desde D. Teodósio de Bragança, que entregou Portugal aos Felipes para que não o incomodassem nem lhe retirassem bens e propriedades.”
          é assim que estamos desde Alcácer-Quibir, quem nos governa não o faz para o colectivo, fá-lo para si e para “os seus”… e isso é determinante para a aquisição desses bens espirituais que enumeras, nunca poderás alcançar essa bonomia social quando sabes que existem castas que vivem à grande e o grosso da população na pobreza e na indigência.
          isso é conversa para gente como o Professor Agostinho da Silva, que era um filósofo, não tinha responsabilidades nem preocupações de ordem material, não serve para a esmagadora maioria dos outros homens e mulheres.

          e já agora, porque raio os dinamarqueses tem de ser mais ricos do que nós???
          são menos, mais pequenos, com menos recursos naturais, com um clima horrível, com muito menos mar e mais estéril do que o nosso, sem projecção histórica e linguística, com menor importância geo-estratégica???
          que baixar de braços é esse???

          • Essa é a grande diferença entre nós: é que acho mesmo que estamos (Portugal) no renascimento, que o nosso desenvolvimento politico, social e económico bloqueou depois da perda da Independência e que estamos em estado latente desde então, esperando algo que ainda não chegou e que nos permitira retomar o fio perdido do nosso desenvolvimento.
            A “esmagadora maioria” não está mentalmente preparada para deixar de Ter e passar a Ser. Ainda não. Mas nesse Portugal do Quinto Império, estará essa era a grande tese de Agostinho e era a minha. Existe uma disposição inata (herdada da nossa matriz hebraica) para o sacrifício e para a superação do corpo pela mente que vai despertar logo que sacudirmos (como desejava a Renascença Portuguesa) esses estrangeirismos que nos chegam de fora pela mão dos “teodosios” deste mundo. É nisso que creio…

          • CP

            isso da herança hebraica rima mais com dinheiro e banqueiros do que com valores espirituais… :mrgreen:

            quanto ao resto, apenas prova que és uma pessoa muito boa, um Homem de valores, de grande verticalidade.
            agora não me venhas com essa conversa que “Existe uma disposição inata (…) para o sacrifício …” isto é tóxico, estás a fazer um serviço aos opressores. discordo TOTALMENTE desta ideia, o Homem fez-se para ser livre, para alcançar a Felicidade, qual sacrifícios qual quê… pareces um evangelizador do Apocalipse, chiça…

            • Obrigado pelos elogios, mas na parte do sacrifício, sim, sou espartano por natureza e lacónico por educação (o que no fundo é a mesma coisa). A contenção, o rigor e a abstinência são valores em si mesmo, que libertam a mente da tirania do corpo e que reduzindo a nossa “pegada material” no globo são vias alternativas para o desenvolvimento individual e coletivo. Esse é o meu crer e que brota (creio também) dessa matriz judaico-cristã que é um dos esteios da forma portuguesa de estar no mundo.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Blog em WordPress.com. The Adventure Journal Theme.

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa.org

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

DIRECT e-DEMOCRACY NOMOCRACY & EQUALITY LAWS..! THE RULE OF LAW

Are we going to allow chinese dictators to own the whole planet?

looking beyond borders

Looking at foreign policy differently

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Parece piada... fatos incríveis, estórias bizarras e outros micos

Tem cada coisa neste mundo... e todo dia surge uma nova!

O Vigia

O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)

A Educação do meu Umbigo

Gaveta aberta de textos e memórias a pretexto da Educação que vamos tendo. Este blogue discorda ortograficamente. Contacto: guinote@gmail.com

Promocão e difusão da língua portuguesa

Blogvisão

"Qualidade de informação para qualidade de opinião!"

geoeconomia

Just another WordPress.com site

Egídio G. Vaz Raposo

Media Scholar | Communication Consultant | Trainer

Mudar as coisas...

vivemos no presente, e é nele que devemos mudar. mudarmo-nos é condição necessária para mudar as coisas…

Um Jardim no Deserto

Um minúsculo oásis no imenso deserto físico, mental e espiritual em que se está a transformar Portugal

Extraterrestres ARQUIVO

Seja bem vindo ao Site Extraterrestres Arquivo - Volte Sempre

Muralha Verde SCP

Em prol da defesa e do ataque do Sporting!

Pitacos De Um Torcedor Corinthiano

Louco por ti Corinthians!

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 4.725 outros seguidores

%d bloggers like this: