As “Armas Secretas” da Alemanha Nazi

O projeto nazi de uma arma secreta: “Die Glocke”. Mito ou Realidade?…

Como saberão os mais antigos visitantes do Quintus, um dos meus focos de interesse foram as Armas Secretas da Segunda Grande Guerra… por isso, quando recentemente no Canal História vi um documentário sobre uma destas “armas”, mas de uma de que nunca tinha ainda ouvido falar fiquei muito espantado…

1. Introdução

A dita “arma” era a “Die Glocke” (ou “O Sino”) e terá sido uma das “armas secretas” de Hitler, como a V2 ou o Me262, com as quais o regime nazi pretendia inverter o curso de uma guerra que, a partir de Estalinegrado, parecia inevitavelmente perdida. O primeiro autor a mencionar a Die Glocke foi o jornalista polaco Igor Witkowski, cujo trabalho de investigação foi posteriormente desenvolvido por outros autores comoo Nick Cook ou Joseph Farrell. É contudo unânime entre os historiadores que não existem provas suficientes para afirmar que o Die Glocke existiu mesmo e que não passa de um mito urbano….

O primeiro livro que refere a existência desta “arma secreta” é com efeito de Igor Witkowskiz: “A Verdade sobre a Arma Maravilha”) de 2000, não havendo qualquer referência anterior a este suposto engenho nazi.

2. A Fonte principal: o interrogatório do oficial SS Jakob Sporrenberg

O jornalista polaco no seu livro revela que descobriu a existência do Die Gloce lendo a transcrição do interrogatorio de um antigo oficial das SS de nome Jakob Sporrenberg. Esta transcrição terá sido mostrada a Witowski em agosto de 1997 por membro dos serviços secretos polacos que teria acesso a um arquivo governamental polaco secreto contendo informacoes sobre armas secretas alemãs. O jornalista alega que lhe permitiram apenas copiar o texto, tendo que o devolver sem sequer o fotografar. Ou seja, infelizmente, a única fonte material que poderia comprovar a veracidade do projeto é esquiva e, a existir, continua enterrada num arquivo governamental ou… não passa do produto da imaginacao de um escritor, tendo o mobil evidente de vender papel. Nada animador para a veracidade desta história, portanto… os restantes autores que pegaram na história limitaram-se a especular sobre ela, desenvolvendo os elementos “factuais” apresentados por Witowski em 2000, especulando a lançando teorias, mas sem realmente introduzirem algo de novo.

3. Die Glocke

O Die Glocke seria assim uma experiência científica conduzida por cientistas alemães trabalhando diretamente para as SS numas instalacoes secretas conhecidas por Der Riese (“O Gigante”). Estas instalacoes situam-se perto da mina de Wenceslaus e perto da fronteira checoeslovaca.

As descrições do Die Gloce descrevem-no como um engenho feito de um metal muito resistente e pesado com uma largura de cerca de 2.7 metros e cerca de 4.5 metros de altura. O objeto teria a forma de um sino (daí o nome em alemão).

O engenho teria dois cilindros em contra-rotação que estaria cheios de uma substância “semelhante ao mercúrio” e de cor violeta. Tendo esta substancia a designacao de “Xerum 525″. Fora do Die Glocke, a substância seria cuidadosamente armazenada num termo muito fino e protegido em chumbo. O engenho teria também utilizado uma espécie qualquer de Leichtmetall (metal leve). Alguns autores referem que o objeto emitiria uma forte radiação quando estava ativo (por nunca mais de dois minutos), tendo a dado momento causado a morte a 60 cientistas que foram depois enterrados numa sepultura coletiva nos arredores. Pelo menos esta é a tese de Joseh Farell, já que Cook alega que estes cientistas foram executados pelas SS perante a aproximação das forças soviéticas…

Quando estava ativo, o Die Glocke estava sempre em rotação provocada pela passagem de uma forte corrente elétrica através do Xerum ou através de uma rotação mais mecânica criada por uma turbina idêntica aquelas que então equipavam os jatos alemães.

Após a primeiraa ativacao (aquela que terá vitimado dezenas de cientistas que trabalhavam no projeto) outras se seguiram, tendo sido colocadas nas suas imediacoes várias plantas e animais, os quais teriam sido “decompostos numa amálgama negra” numa questão de minutos ou horas depois desta exposição. Como tal efeito não se observa com a exposicao à radiação nuclear, especula-se sobre se o engenho também produziria outro tipo de radiação, eletro-magnética (que tambem não produz estes efeitos) ou de um outro tipo, desconhecido (e altamente improvavel…). Os cientistas que monitorizavam à distância estas experiencias descreviam ter sentido “um sabor metálico” nas suas bocas, depois do termo da ativacao, o que aponta na mesma direção de uma emissão de uma radiação de qualquer tipo o que seria consistente com os relatos de “problemas de sono, falta de memória e equilíbrio e espasmos musculares” relatados no testemunho do oficial das SS.

Este relatos acrescentam ainda que o engenho era ativado depois de ser envolvido por tijolos de cerâmica e camadas de borracha, mas que estes materiais tinham que ser substituidos após cada ativacao uma tarefa provavelmente letal que cabia a prisioneiros dos campos de concentracao da região.

4. O Xerum 525

Um dos elementos centrais nesta história parece ser a misteriosa substância designada como “Xerum 525″. As descrições apontam para que fosse um isótopo de mercúrio, muito radioativo. Podendo ser um composto química de outro tipo, mas igualmente radioativo. O mítico “mercúrio vermelho”, um produto que começou a aparecer nos media na década de setenta como um “elemento vital para a fabricação de armas nucleares” e que no Pravda, em 1993 aparecia como “super-condutor”. A Agência Internacional de Energia Atomica emitiu em 2004 uma declaração em que confirma a natureza mítica do “mercúrio vermelho” negando assim o mito segundo o qual seria um elemento (invento na Rússia “vermelha”) para acelerar o trabalho das centrifugadoras de enriquecimento de Urânio. Neste contexto, emitiria uma forte radiação de neutroes, o que explicaria os relatos de radiação durante a ativacao do Die Glocke.

O jornalista polaco especula que uma estrutura de betão armado nos arredores da mina de Wenceslau e conhecida como “Die Henge” terá servido como local de testes para o Die Glocke, embora a tese oficial alegue que seria apenas uma torre de arrefecimento ou uma parte de uma estrutura destinada a enviar ar puro para a mina ou o suporte de um depósito industrial de água. Contudo, nem a posição (longe do poço da mina), nem a altitude (baixa) explica de forma decente essa estrutura construida efetivamente no período nazi.

5. Capacidades do Die Glocke e o que era este engenho?

1. Uma das teses mais prosaicas quanto ao objetivo do Die Glocke alega que ele seria apenas uma experiência de um engenho de voo através da combinação de duas turbinas de muito alta rotação contrária.

2. Outra tese, de que esta rotação centrífuga de alta velocidade serviria para produzir a tal substância radioativa, o “Xerum 525″ para uso em bombar nucleares ou radioativas.

3. Uma teoria – mais arrojada – defende que o engenho seria usado nas propriedades de materiais radioativos em vortex ou inércia quanto submetidos a rotacoes muito elevadas. Esta teoria parte diretamente da transcrição do testemunho de Sporrenber que associa o engenho à “compressao de vortex” e à “separação de campos magnéticos”.

4. Alguns defendem que o Die Glocke teria um espelho côncavo no seu topo onde seriam projetadas “imagens do passado” quando o engenho estava ativado.

5. Outros defendem que o engenho seria um “gerador de anti-gravidade” que posteriormente seria utilizado em aviões de combate ou nos míticos “discos voadores” da Alemanha Nazi.

6. O autor Nick Cook descreve uma história contada por “cientista britânico iminente” anónimo e segundo o qual o Die Gloce seria um “gerador de um campo de torsao” o que estaria ligado a um dos supostos nomes de código do projeto: Chronos… segundo esta tese, o engenho seria capaz de “torcer” as quatro dimensões do espaço-tempo nas suas imediacoes e distorcer o Espaço e, consequentemente, o Tempo. Ou seja, o Die Glocke seria uma “máquina do tempo”…

6. O Destino do Die Glocke

O jornalista polaco que deu origem a esta polémica especula que o engenho foi transportado no final da guerra para um país sul-americano “simpatizante” da Alemanha nazi. Nick Cook acredita que foi capturado e recambiado para os EUA como parte do acordo estabelecido entre este país e o general SS Hans Kammler. Mais tarde, o engenho seria libertado e apareceria novamente na História envolvido no “incidente OVNI” de Kecksburg.

Há também quem acredite que o Die Gloce viajou no tempo com o desaparecido General Kammler, que de facto, tinha já estabelecido uma retirada pacata para os EUA a troco de várias informacoes sobre as armas secretas cujo desenvolvimento supervisionava… há também quem acredite que o engenho foi transportado por um U-boat até à mítica “Base 211″ no Pólo Sul, na Neu Schwabenland. Há também quem pense que foi levado para um dos últimos redutos nazi nos últimos meses da grande guerra, a Noruega, por um Ju-390 especificamente guardado em reserva para essa missão num aerodromo perto de Praga. O responsável da unidade SS a quem caberia este transporte era o oficial SS Jakob Sporrenberg, que mais tarde foi capturado pelos britanicos e entregue aos polacos sendo então interrogado dando as transcricoes deste interrogatorio origem a toda esta polémica…

Fontes principais:
http://www.youtube.com/watch?v=b8e6wUfueBo&feature=player_detailpage
http://en.wikipedia.org/wiki/Die_Glocke
http://discaircraft.greyfalcon.us/DIE%20GLOCKE.htm
http://blogdoastronomo.wordpress.com/2011/08/27/die-glocke-o-sino/
http://www.unexplained-mysteries.com/column.php?id=224661

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A Arma Anti-aérea de “Pó de Carvão” do Dr. Zippermeyer

A ideia para esta arma anti-aérea partiu do Dr. Zippermeyer, um investigador austríaco. A sua concepção era a de uma ogiva anti-aérea que transportava apenas o explosivo suficiente para quebrar o metal da ogiva lançando no ar um pó de carvão extremamente fino.

Esse pó incendiava-se no momento da explosão consumindo-se em 15 segundos numa núvem de carvão ardente. Ensaios preliminares mostraram o potencial sucesso do sistema relevando-se capaz de destruir um avião em vôo ou de quebrar as suas asas, mas repetidas dificuldades em estabelecer a relação entre a quantia da carga explosiva (cuja eficácia diminuia com a distância) e problemas com a definição do momento exacto da detonação levaram a que a equipa ponderasse a substituição do carvão por um combustível gasoso. Estas ogivas não estavam contudo prontas para serem usadas quando o conflito terminou, pelo que não houve nenhuma utilização deste inovador e promissor sistema anti-aéreo.

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Lippisch P13a


(http://www.paginaplastico.com)

Função: Caça.

Dimensões: Comprimento, 6.70 metros; Largura, 6 metros; Altura, 3.25 metros.

Área alar: 20 m2.

Peso Vazio (DM-1): 375 kg. Em vôo (P13a): 2.300 kg.

Propulsão: ramjet.

Velocidade: Máxima, 1.650 km/h.

Alcance: 1.240 km

Tripulação: 1 sentado.

Armamento: 2 canhões MK 108 de 30 mm (P13a). Nenhum (DM-1).

O interceptor Lippisch P13a utilizaria um motor ramjet propulsionado parcialmente por carvão. Para um vôo de trinta minutos 500 kg de grânulos de carvão seriam suficientes, grânulos que seriam injectados na câmara de combustão conjuntamente com óleos pesados. Ensaios com este estranho motor foram realizados pelo Dr. Schwabl de Viena e pelo Dr. Saenger, que então trabalhava no DFS.

Como o ramjet só podia funcionar a altas velocidades o caça dependia de um motor-foguete para descolar e levar o aparelho até às velocidades minímas requeridas pelo ramjet.

O caça teria asas delta com 60º de inclinação, com o motor colocado na parte central da asa. O leme tinha a forma de uma barbatana incluindo a cabina do piloto e estendia-se por toda a área horizontal do aparelho e estava inclinada também ela num ângulo de 60º. À semelhança de outros aparelhos a reacção alemães a aterragem seria realizada sob um esqui.

Uma forma tão invulgar requeria extensos testes aerodinâmicos, que começaram com vôos de uma versão à escala em Maio de 1944 em Spitzerberg, nos arredores de Viena. Seria também construído um modelo para testes em túneis de vento, dos quais se utilizaria o do Aerodynamischen Versuchsanstalt (AVA) em Goettingen. Esta primeira fase revelou boas características aerodinâmicas pelo que o projecto passou para a construção de modelos de madeira em tamanho real, ainda sem motor, mas já tripulados. Estes seriam os modelos DM-1, cuja construção arrancou em Agosto de 1944. Mas um bombardeamento a 11/12 de Setembro de 1944 destruiria completamente as instalações do FFG Darmstadt, e com elas muito equipamento do projecto P13a. O material sobrevivente foi embalado e enviado para Prien am Chiemsee, continuando o trabalho na filial do FFG em Munique. Este protótipo, conhecido até então como D33 recebia agora a designação oficial DM-1 (“D” de Darmstadt e “M” de Munique). O planador não tinha propriamente uma fuselagem, visto que a carlinga estava inserida no sector dianteiro do estabilizador vertical. No chão da cabina do piloto existia uma janela. O trem de aterragem era um triciclo, que só podia ser retraído no solo.

O planador experimental DM-1 devia ser rebocado de um bimotor Siebel Si 204A, tendo sido prevista a instalação de dois foguetes de combustível sólido que o levariam até aos 800 km/h depois de largados os três cabos que o ligavam ao bimotor. No começo de 1945 dois Siebel tinham sido alocados ao projecto e aguardavam utilização na pista do aeródromo de Prien. O Hans Zacher deveria ser o piloto de testes do planador, mas nunca chegaria a cumprir esse papel.

A 3 de Maio de 1945 o aeródromo de Priem am Chiemsee foi ocupado pelo exército americano, sendo capturado o DM-1. Foi então decidido continuar o seu desenvolvimento nos EUA, embora se decidisse pelo pouco futuro do modelo.

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A Predominância da Política das “Armas Secretas” na Alemanha Nazi

Um dos factos que transparece quase imediatamente após a leitura deste livro deverá ser a quase exclusiva presença de projectos oriundos ou propostos pela Luftwaffe. Esta predominância é explicada citando as palavras do Engenheiro de Projectos Arthur Rudolph: “…o inteiramente novo, fantástico, não-burocrático, rápido e decisivo” carácter da gestão da Luftwaffe causava grandes invejas ao grupo de investigadores do Arsenal de que Rudolph fazia parte, confrontados frequentes vezes com a inércia e o peso aparelho burocrático da Werhmacht durante os primeiros anos do conflito.

As razões para esta inovação intrínseca à Luftwaffe têm várias explicações. Desde logo a Luftwaffe, no seio do exército alemão era uma estrutura nova e particularmente aberta a receber ideias revolucionárias. Por outro lado, a ciência aeronautica alemã de então encontrava-se à frente dos demais países em quase todos os domínios concernentes ao vôo a altas velocidades, e quase todos estes aerodinamicistas tinham ligações directas com o Ministério do Ar e sabiam que os limites teóricos dos motores de pistões seriam atingidos em menos de uma década. Para além disso, a preocupação pelo Rearmamento alemão era uma preocupação e a maior prioridade dos primeiros anos do regime nazi, Goering, sempre desejoso de agradar ao seu Fuhrer procurava capitalizar os progressos tecnológicos a seu favor, de modo a recolher daí o favor de Hitler e a consolidar a sua posição no interior do regime.

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Panzerblitz


(http://www.dekomunition24.de)

Peso total: 6.54 kg

combustível carregado: 1.030 kg

peso explosivo: 2.10 kg

impulso: 440 kp

velocidade: 374 m/segundo

À semelhança de outros foguetes anti-aéreos não guiados, este sistema foi desenvolvido directamente pelas oficinas de manutenção da frente. O seu objectivo era produzir rapidamente e em grandes números um sistema anti-tanque chamado nos documentos de “Terror voador dos tanques”. Para reduzir ao minimo o tempo de desenvolvimento partiu-se de uma arma de infantaria que seria adaptada para ser transportada num avião. A sua ogiva estava acompanhada de uma caiza com a carga de propelentes com a forma de um anel de seis braçadeiras.

O primeiro modelo testado apresentava problemas aerodinâmicos tão sérios que uma segunda versão foi construída a partir de velhas munições do exército. Foi esta que foi colocada debaixo das asas de um Focke Wulf FW 190 F-8 em fileiras de quatro, seis e oito foguetes. Testes posteriores utilizaram o tubo do foguete anti-tanque Panzerbuchse, debaixo da designação “PD 8.8 cm Buchsenrohr”. O próximo passo do desenvolvimento do sistema foi o Panzerblitz I, criado a partir da granada altamente explosiva de 8 cm da Artilharia. O Panzerblitz III, uma versão melhorada do modelo “I” nunca chegou a ser utilizado.

As primeiras entregas para uso operacional foram feitas a partir do início de Outubro de 1944. Mas os efeitos da arma na frente foram decepcionantes. O Focke Wulf FW 190, para disparar os seus foguetes tinha que descer para o alvo a cerca de 490 km/h tornando-o uma presa fácil para os caças inimigos.

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A Política Nazi das “Armas Secretas”

A primeira referência pública indirecta de Hitler à existência de “armas secretas” data do Outono de 1941 quando num discurso no Palácio dos Desportos em Berlim o ditador enumerava as razões que o levavam a acreditar na inevitável derrota da União Soviética: “o génio inventivo dos sábios deste país não era uma quantidade para desprezar no quadro dos factores em que a guerra estava a evoluir.”

Com o avanço soviético a leste e com a eminência do desembarque aliado a Oeste a estratégia alemã foi subitamente invertida por Hitler. Vendo que lhe era impossível combater na quantidade contra os numerosos adversários que tinha atraído, Hitler decidiu concentrar-se na qualidade. A partir de princípios de 1943 foram aceleradas dramaticamente as investigações de novas armas que devolveriam à Alemanha a superioridade nos campos de batalha. Foram dadas ordens às tropas que se batiam na frente Leste para retardarem ao máximo o avanço soviético, mas que fossem sempre recuando ordeiramente enquanto não chegavam as novas armas, mas estas, quando chegaram, em números muito escassos, foram quase todas empregues a Ocidente, e raramente a Leste porque Hitler acreditava que era possível obrigar os aliados ocidentais a assinar a paz, podendo depois a Alemanha dedicar-se exclusivamente ao “urso” russo. A existência destas armas foi largamente publicitada pelos alemães numa tentativa de ganhar alguma espécie de vantagem psicológica sobre os aliados em progresso pelos campos alemães e para moralizar o próprio povo alemão. A prioridade estratégica dada pela Alemanha nazi às “Armas Secretas” a partir de 1943 é-nos revelada pelas afirmações que, em Lisboa (um ponto privilegiado de contactos mais ou menos secretos entre Aliados e o Eixo), um certo capitão Kramer da Abwer teria feito ao Coronel Kowalewski, um agente polaco ao serviço dos Serviços Secretos Britânicos em Outubro de 1943: “…Nós temos armas novas. O mundo ficará surpreendido com o seu efeito devastador. Estão a ser preparadas coisas colossais. Verá. Nada nos pode deter. Londres será destruída e todo o Sul da Inglaterra ficará em chamas. A Grã-Bretanha deixará de existir como nação organizada. Nada lhe posso dizer sobre o aspecto técnico dessas armas secretas, mas pode acreditar quando lhe digo que a sua produção está muito avançada e já começámos a sua instalação.” Das afirmações se deduz facilmente que Kramer se referia aos V-1 e V-2, que em 1943 se esperava produzirem precisamente esses efeitos no Sul de Inglaterra. É o mesmo agente polaco que declara que os Aliados conheciam a viragem estratégica alemã para os efeitos miraculosos da aplicação das “Armas Secretas” quando ao reportar o encontro com Kramer retira as seguintes conclusões: “Aqueles que ainda acreditavam que a vitória era possível, contavam unicamente com as armas secretas para salvar a Alemanha do seu destino [após Estalinegrado]. Mas, entretanto, os Aliados já sabiam da existência dessas armas e a contribuição de Kramer consistiria em revelar onde e quando seriam empregadas. O grande erro alemão tinha sido o de concentrar tantos esforços na produção dessas armas secretas para destruir a Inglaterra, a ponto de a produção de aviões ter sofrido bastante com isso”. A importância das “armas secretas” em investigação em 1943 era já suficiente para merecer a Hitler o seguinte comentário, proferido a 31 de Maio durante uma reunião sobre a ocupação da Espanha e de Gibraltar: “O ataque a Gibraltar, empregando algumas das nossas armas secretas, tem inconvenientes, o principal dos quais é o dos ingleses descobrirem essas armas ficando assim a conhecê-las e impedindo o efeito de surpresa que pretendemos alcançar no momento oportuno do seu emprego”. O próprio Adolf Hitler no Natal de 1944 terá comunicado, através da Rádio Berlim, a existência de uma “Arma de Extermínio Total”, cuja conclusão estava eminente. Esta seria, nada mais, nada menos, a bomba atómica, que efectivamente se encontrava então num estádio avançado de produção, depois travado. Esta foi apenas uma das muitas manobras propagandísticas para elevar o moral do povo e do exército alemão, fazendo-lhes crer numa súbita inversão das condições militares pela utilização generalizada de grande quantidades de armas milagrosas que estavam a ser desenvolvidas pelos cientistas alemães e que a indústria começara agora a produzir. Perante a esmagadora superioridade numérica aliada (especialmente na Frente Leste), restava apenas a Alemanha vencer a batalha da Qualidade. A crença na supremacia racial alemã e na sua superior inteligência estava perfeitamente consonante com a superioridade técnica que lhe permitiria essa Vitória qualitativa. Por outro lado, o intenso misticismo que impregna todos os domínios e manifestações do III Reich adequava-se na perfeição às obscuras e misteriosas “armas secretas”, além do mais um excelente instrumento propagandístico. São estes fins políticos que observou o embaixador italiano em Berlim em 1943, Alfieri (“Dois ditadores frente a frente”): “[Hitler] deu-lhes o nome de armas secretas com um objectivo de propaganda. Queria ferir a imaginação do povo alemão e envolver num veu de lenda e mistério impenetrável o seu poder mágico e diabólico. Tratava-se, efectivamente, de armas novas que a serem utilizadas, em grande escala, poderiam mudar o curso da guerra.” Para defender as regiões onde as investigações e os testes eram conduzidos o regime nazi chegou ao ponto de fazer circular boatos acerca de fantasmas e a ressuscitar as bruxas, sobretudo quando as zonas eram rodeadas por florestas quase impenetráveis.

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A Produção do V2 (A4)


(http://www.hrw.com)

Após a construção da fábrica de misseis de Peenemunde, o Reich esperava obter uma produção anual de 500 A-10s ou 1500 A-4. Estas estimativas, de 1939, revelaram-se afinal pouco optimistas. A produção de 6.000 A-4 em condições mais dificeis do que aquelas então previstas nos últimos 15 meses de guerra mostra-o bem. Como se explica assim um número tão baixo? Em primeiro lugar o Exército da década de Trinta preferia a qualidade à quantidade, e esta caracteristica seria ainda reforçada pelo próprio carácter inovador e revolucionário da fábrica de Peenemunde.

Um ano depois, em 20 de Junho de 1940, a guerra mundial parecia aproximar-se do seu fim, mas apesar disso Emil Leeb, que se sucedera a Becker na chefia do Arsenal ainda defendia que grandes números de A-4 deviam ser produzidos “de modo a ter a possibilidade de manter a Inglaterra sob pressão mesmo depois da conclusão da paz.” Mas esse argumento não prevaleceria e no final de Setembro de 1940 o programa de foguetes seria reduzido para o nível “Ib”, que correspondia à terceira prioridade. Mas o Arsenal não ficou de braços cruzados. Os protestos de Dornberger fizeram com que duas semanas depois o programa subisse à segunda prioridade “Ia” pelo OKW, não era o nível máximo “S” mas pelo menos os projectos em curso não sofreriam atrasos significativos.

Os problemas com níveis de prioridade regressaram nos começos de 1941 quando foi criado um novo nível superior a todos os outros, o “nível especial SS” (nada a ver com as SS). Consequentemente, os níveis anteriormente existentes viram perder a sua importância e em reconhecimento deste facto em Fevereiro de 1941 os níveis inferiores a “SS” e “S” seriam classificados como desprovidos de sentido. Peenemunde conseguiu uma vitória ao conseguir que o desenvolvimento do A-4 recebesse a classe “SS”, contudo a fábrica de misseis de Peenemunde só obteve a “S”, o que concorda com a falta de entusiasmo de Hitler. Razoávelmente, o ditador preferia esperar que a investigação produzisse resultados antes de atribuir máxima prioridade à fabricação do engenho, conforme pretendia o grupo de Peenemunde.

Durante seis meses, a investigação do projecto A-4 mantivera-se em prioridade inferior, mas se a situação estava agora reestabelecida, na fábrica os problemas mantinham-se. As máquinas-ferramentas e os operários especializados ainda escasseavam mas Dornberger ainda acreditava ser possível produzir o míssil em pequena escala nos começos de 1942. Os planos originais para a fábrica previam a entrega de 500 A-4 por ano, um número irreal, mesmo antes da descida de classe de prioridade da fábrica, visto que concluir o desenvolvimento e iniciar a produção em menos de um ano era impossível, aliás, a decisão de Hitler de cortar as cotas de aço ainda viria a aumentar mais as dificuldades da fábrica de misseis de Peenemunde.

A batalha de Peenemunde para transformar o A-4 numa prioridade nacional teve um novo episódio a 20 de Agosto de 1941. Nesse dia Dornberger, von Braun e Steinhoff tiveram uma reunião com Hitler no seu quartel general na Prússia Oriental em Wolfsschanze. Dornberger começou com a projecção de um filme sobre o A-2, o A-3, A-5, a construção de Peenemunde e imagens diversas sobre aviões-foguetes e descolagens assistidas por foguete. Pela primeira vez, o Fuhrer parece ter ficado realmente impressionado: “este desenvolvimento de revolucionária importância para a condução da guerra em todo o mundo. A utilização de algumas centenas de aparelhos por ano é portanto pouco sábia. Se fôr usado, centenas de milhares de aparelhos por ano devem ser fabricados e lançados”. A citação permite constatar que o ditador nazi não estava tão iludido quanto à amplitude dos efeitos psicológicos do A-4 como estava o grupo do Arsenal. Hitler parecia saber que o uso de algumas centenas de misseis seria irrelevante e que somente a construção de milhares poderia ter algum peso no conflito. Mas se neste aspecto Hitler parece ter estado à frente de Dornberger, no que respeita à possibilidade práctica de construir centenas de milhares de A-4 o ditador estava completamente equivocado quanto á capacidade da industria alemã e revela-se neste ponto que encarava o A-4 como uma espécie de ogiva de artilharia, o que nos recorda a afirmação de Speer de “o Fuhrer só estava confortável com a tecnologia da Primeira Guerra”.

O número mais tarde sugerido apontava para a produção de 150.000 misseis anualmente, valor cedo dado como impossível por Peenemunde e pelo Gabinete Económico do OKW (Alto Comando Alemão): Para o cumprir seria necessário empenhar toda a capacidade industrial alemã e, em consequência, essa ordem acabou por cair no esquecimento. A fábrica de Peenemunde, encarada nesse plano como mais uma unidade de produção, regressou ao seu papel original de principal unidade de montagem e recebeu o encargo de construir os primeiros 585 misseis (enquanto as oficinas de Peenemunde montavam mais 15). O delirante valor proposto, após um cálculo de Dornberger produzido a partir no suprimento limitado de oxigénio líquido, desceu para 5.000 misseis por ano.

Entretanto ocorrera a nomeação de Albert Speer para o Ministério do Armamento. Esta nomeação veio insuflar novo entusiasmo no grupo de Peenemunde visto que o novo ministro sempre se assumira como um entusiasta do programa de misseis, e manteve-se nessa linha até quase ao momento da Rendição, altura em que afirma ter mudado de opinião. Talvez após sugestão de Speer, Hitler pedia-lhe a 6 de Março para investigar a quantidade de matérias-primas necessária para produzir 3.000 A-4s por mês. Aparentemente o ditador já não se recordava da sua ordem para a produção de 150.000 unidades mensais visto que mencionava agora a produção de 36.000 unidades sem a referir. Dornberger em Abril de 1942 diria a membros do ministério de Speer que 1.000 unidades mensais era um número razoável, se fossem construídas mais fábricas de oxigénio e se se optasse pelo etanol como combustível, uma opção que implicava uma ligeira quebra de performance. Um memorando datado de Setembro de 1942 mostra bem qual era então a situação da produção do A-4/V-2:

“After presentations to the Reich Minister for Armaments and Munitions [Speer], the Chief of Army Armaments and the Commander of the Replacement Army [Fromm], and the Chief of Ordnance [Leeb], the situation for HAP [Peenemunde-Este] is, at the moment, the following:

1) the Fuhrer does not believe in the sucess of the guidance system and therefore in its ability to achieve the desired accuracy,

2) the Reich Minister… doubts our sucess. He is supported in his opinion by Hauptamtsleiter Sauer [Karl Otto Saur, um membro da equipa de Speer] and Field Marshal Milch,

3) [General Fromm] has lost trust in our ability to meet our deadlines because, at the end of 1942, we still have not achieve a long range shot, [e]

4) the Chief of Army Ordnance is beginning to doubt our word.”

Dornberger delineou uma série de passos para acelerar a produção do A-4. O seu objectivo era de lançar os primeiros vinte misseis até 31 de Dezembro de 1942, para o que seria necessário que Peenemunde trabalhasse a turno e que todos os outros projectos fossem quase congelados. Esses esforços seriam coroados de sucesso quando a 3 de Outubro de 1942 um A-4 caiu a mais de 190 km de distância do ponto de lançamento. Todos os recordes mundias de altitude e velocidade tinham sido pulverizados, mas os lançamentos seguintes foram fracassos rotundos, o que levaria Dornberger a escrever a von Braun:

“Lately there have been many remarks from government offices, firms, etc., that the A-4 program no longer possesses the importance ascribed to it by the people who work on it. In that connection, confidential hints have been made that “Cherry Stone”… is far more valuable and has every chance of catching up and passing the A-4 program, if not making it altogether illusory.”

Mas estes problemas não parecem ter chegado ao conhecimento do ditador, que segundo a minuta de uma reunião que teve lugar a 22 de Novembro de 1942 tinha a seguinte opinião: “the Fuhrer takes a great interest in A-4 production planning and believes that, if the necessary numbers can be produced promptly, one can make a very strong impression on England with this weapon.” Aparentemente, Hitler tinha mudado a sua opinião contra a V-2 e achava que o efeito moral do lançamento impune de um pequeno número de mísseis podia produzir resultados na condução da guerra, como escreveria Himmler a 3 de Fevereiro de 1943 sobre o interesse de Hitler na arma: seria “a very decisive weapon for the future.” Mas essa mudança de opinião não era ainda suficientemente clara para que o programa de mísseis recebesse a classificação de prioridade “DE”. De qualquer modo Hitler não compreendia ainda a complexidade técnica da arma, porque em Janeiro de 1943 ele ordenaria ao Ministério do Armamento que estudasse a possibilidade de se lançar a V-2 do morteiro de 80 cm Dora.

Só no Verão de 1943 é que o A-4 recebia a mais alta classificação de segurança, consumada a 11 de Junho de 1943 pelo Ministério do Armamento: “O Fuhrer ordenou que o programa A-4 fosse classificado em prioridade mais alta que qualquer outra produção de armamento”. Dada a degradação da situação militar a Leste e perante a eminência de um desembarque aliado a Ocidente, o Reich depositava nas armas secretas as suas maiores esperanças. Em Fevereiro de 1943 a “Comissão Para o Bombardeamento a Longa Distância”, dirigida por Speer aprovava em simultâneo o A-4 (V-2) e o Fieseler Fi 103 (V-1). Esta aparente contradição em aprovar dois misseis tão dissemelhantes justificava-se porque a V-1 era bastante mais barata, mas vulnerável no solo (as suas rampas eram claramente visíveis do ar) e o ar. A V-2 era bastante mais dispendiosa, mas bastante mais precisa e impossível de abater. As suas características tornavam-nas armas complementares para a guerra psicológica contra o Reino Unido. Mas uma razão política deverá ter pesado mais do que qualquer argumento técnico ou militar. Já escrevemos que o III Reich era o conglomerado de uma série e impérios burocráticos autónomos e que só respondiam perante o ditador. A V-1, era claramente uma aposta forte da Luftwaffe, enquanto a V-2 era fruto do ambicioso programa de misseis do Arsenal da Werhmacht. Em 1943 nenhum dos dois tinha força suficiente para fazer impôr a sua escolha ao adversário, assim a Speer só restava manter os dois programas em paralelo.

Até 18 de Março de 1945 os números de A-4 construídas eram os seguintes: Mittelwerke, 5789 e Peenemunde, 150 a 200 modelos de teste. Numeros assombrosas, dadas as condições que a Alemanha enfrentou a partir de finais de 1944. Estes valores podem ser explicados pelo crescente acumular de experiência na fabricação dos engenhos, mas principalmente pela alta prioridade que a V-2 manteve até ao final da guerra. Mas nos finais de Março de 1945, a frente Ocidental colapsou. O Reno foi ultrapassado e instalou-se um sentimento de derrota inevitável nas forças armadas alemãs.

O balanço final da V-2 (A-4) aponta para um fenómeno tristemente irónico: estima-se que morreram menos de 2.000 pessoas com os impactos desses misseis, mas em contrapartida quase 6.000 alemães, prisioneiros de guerra e internados judeus e eslavos terão morrido durante os bombardeamentos aliados e devido às duras condições das fábricas de Mittelwerke. Ou seja, a V-2 produziu mais baixas em casa do que no alvo, e isto à custa de um impacto psicológico que os britânicos puderam suprir facilmente com a imposição de uma severa censura aos números das baixas civis provocadas pelo míssil.

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As Minas Magnéticas “Ostra”

As investigações alemãs sobre minas magnéticas, iniciadas em 1939, deram à Alemanha nazi uma nítida superioridade tecnológica nesse domínio, superioridade essa que seria consolidada em Junho de 1944 aquando do desembarque da Normandia. Fez então a sua aparição uma mina indetectável que os aliados passariam a chamar de “Ostra”. Estas novas minas, lançadas nas praias da Normandia provocavam grandes transtornos nas lanchas de desembarque, forçando-as a navegarem à velocidade de apenas uma milha horária. Apesar disso, os alemães não puderam aproveitar essa vantagem, visto que não possuiam os meios necessários a anular a esmagadora superioridade técnica e numérica da força invasora.

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O foguete Ar-Ar Orkan R4/M

Peso total: 3.85 kg
combustível carregado: 0.815 kg
peso explosivo: 0.520 kg
impulso: 245 kp
velocidade: 525 m/segundo
alcance: 1.500 metros.
O R4/M foi o primeiro foguete lançado do ar realmente eficaz. Os ensinamentos dos primeiros RZ tinham mostrado que era preferível usar um foguete estabilizado por aletas e o “Orkan” tirou muito do seu sucesso desse ensinamento. O desenvolvimento do R4/M coube principalmente a Fritz Heber, o mesmo homem que criara as primeiras miras para metralhadoras em aviões quando trabalhava na Fokker de Schwerin em 1915. Agora proprietário da firma Heber sediada em Osterode, desenvolvera o R4/M (“R” de Rakete, “4” do peso de 4 kg e “M” de Minenkopt, ou ogiva de mina). Após ensaios bem sucedidos conduzidos pessoalmente pelo famoso Generalmajor Galland na unidade Jagdverband (JV) 1944 Heber recebeu contratos para construir 20.000 desses engenhos, dos quais só conseguiria entregar 2.000.

A partir de Março de 1945 já 50 Me 262 A-1b tinham sido equipados com 24 R4/M com excelentes resultados. Alguns Me 163 também receberam o R4/M e o Bachem Ba 349 também deveria acomodar uma 28 de foguetes desta classe numa “colmeia” montada no seu nariz. O projecto Blohm & Voss Jager P.212 que também devia receber o R4/M nunca chegou ao ponto de desenvolvimento que requeria testes reais com a arma.

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O Lançador de Foguetes NbWf4128

A aparição deste modelo permitiu a criação de regimentos pesados de lançadores. O lançador diferia substancialmente do modelo anterior: não apresentava tubos mas ralis para a instalação de seis foguetes que podiam ser facilmente adaptados para vários calibres. As ogivas que tinham 1.18 metros de comprimento pesavam 83 kg. O custo total de construção do lançador era de 1835 Reichsmarks.

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O Lançador de Foguetes NbWf4115

As origens dos lançadores de foguetes militares residem no desenvolvimento dos foguetes com movimento rotativo em 1931 (e sem asas, como faziam então os russos) e sem as linhas do interior dos canos da artilharia. Estas experiências destinavam-se a aumentar a estabilidade do vôo dos foguetes depois das experiências do Hauptmann Dr. Ing. Walter Dornberger e o seu colega Wernher von Braun no final de 1935. Foi o conjunto dos dados recolhidos nestas experiências que resultou em 1937 no NbWf 41 de 15 cm, o primeiro lançador múltiplo que substituiria todos os tipos que existiam no exército e que seria utilizado e fabricado até ao fim do conflito mundial.

O lançador, conhecido como “Do-Werfer” (de Dornberger, o líder do Arsenal do Exército) apresentava importantes vantagens sobre a artilharia convencional (que se estendiam aos restantes modelos da série):

1) O baixo peso relativo do lançador (entre 540 a 1200 kg) correspondia a 1/3 a 1/6 dos canhões equivalentes;

2) O sistema apresentava uma baixa elevação de tiro;

3) Facilidade de utilização em terreno aberto, sendo relativamente fácil deslocá- lo apenas à força de braço.

4) O lançador era de construção robusta e simples. O sistema de lançamento era altamente padronizado: a maioria dos lançadores suportavam somente um tipo de carga.

5) O lançador custava apenas 1/3 a 1/20 de um canhão convencional equivalente (entre 1500 a 500 Reichmarks).

6) Os projécteis podiam ser disparados imediatamente após terem sido tirados da embalagem.

7) A área coberta por uma bateria de lançadores era maior que a coberta

por uma unidade de artilharia com 600 por 100 metros, uma unidade de lançadores mais que um regimento de artilharia convencional com

2000 por 100 metros. Uma tal taxa de cobertura era inédita para a época.

8 ) Por fim, o sistema de ignição eléctrica dos lançadores contribuía para aumentar a cadência dos disparos.

À designação Do-Werfer, a que já aludimos, para o NbWf 41, correspondia em diversos documentos oficiais a classificação dos lançadores como “lançadores de fumos”. Ambas as designações pretendiam camuflar a verdadeira natureza das armas utilizadas pelas unidades de artilharia que as empregavam e manter a sua existência e características no maior secretismo possível.

A ignição do lançador era produzida a uma distância de 30 metros através de cabos eléctricos através do distribuidor eléctrico ERZ 39. O foguetes propriamente ditos utilizavam três tipos de propulsantes, uma para cada tipo: normal (com pólvora negra), trópicos (diglycol) e ártico (com triglycol). Cada lançador possuía três tubos para três foguetes e cada unidade de lançadores transportava 20 salvas de foguetes de explosivos e 5 de fumo. Os lançadores eram fabricados na Frama Works em Hainichen e na reconvertida Fábrica Têxtil Saxónica em Chemnitz.

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NbWf3042

Com a intensificação das campanhas de bombardeamento aliadas, o exército procurou desenvolver armas anti-aéreas próprias. Partindo do Nebelwerfer 41, um lançador multiplo de foguetes com cinco tubos montados numa estrutura que disparava um projéctil de 125 kg a distâncias de até 7580 metros. O Werfer 31 de 28.32 cm, uma arma pesada e pouco prática, foi rapidamente substituído pelo Werfer 30/42.

Para equipar os Focke Wulf Fw 190 foi construída a série R6, para os Messerschmitt Bf 109 G-6, a série R-2 e para o Messerschmitt Bf 110 a M5. Estas montagens consistiam numa simples armação de um tubo de 130 cm nos monolugares e num par destes no Bf 110, caso em que o par era montado de modo a que os foguetes lançados convergissem a cerca de 1400 metros. Os foguetes eram lançados através de um detonador eléctrico incandescente de baixa tensão, o ERZ 38. A mira Revi 16 F era usada nestes aparelhos para disparar os foguetes.

Apesar de bastante rude, a arma conheceu alguns sucessos apreciáveis. A 17 de Agosto de 1943 dos 376 B-17s do 8º Exército Aéreo da USAAF, 60 (16%) foram abatidos pelos foguetes de 21 cm. A 14 de Outubro do mesmo ano, durante um ataque às fábricas de rolamentos de Schweinfurt, dos 291 aviões atacantes, 60 foram abatidos sobre a Alemanha, 17 no regresso e 121 ficaram tão danificados que foram dados como inutilizáveis mais tarde. As perdas provocadas pelos foguetes de 21 nesse período foram tão intensas que a USAAF enfrentou temporariamente uma falta de meios para prosseguir as suas missões sobre a Alemanha, contudo, a aparição no teatro europeu dos excelentes caças North American P-51 ao lado dos bombardeiros desiquilibrou imediatamente a balança contra os lentos e pouco manobráveis Bf 110.

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Mistel 5


(http://www.geocities.com/Heartland/Village/4082)

Tratava-se uma bomba voadora não tripulada, que deveria transportar um Heinkel He 162 no dorso, do mesmo modo que um Me 109 ou um Fw 190 era acoplados com um Ju 88-ogiva das versões originais do Mistel. O piloto do He 162 devia apontar o míssil para o seu alvo, e então separar os dois aviões e voar de regresso para a base. O componente não-tripulado é referido por duas fontes diferentes quer como sendo o Arado E-377a ou o Junkers Ju 268. A propulsão seria assegurada por duas turbinas BMW 003. Nunca sairia das pranchas de desenho.

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Mistel 1


(http://batfredland.free.fr)

Tipo: Bombardeiro.

Dimensões: Envergadura de 20 m.

Velocidade: 482 Km.

Autonomia: 770 Km.

Altitude: 760 m.

Este avião foi sob muitos aspectos único. Tratava-se de uma aeronave compósita, consistindo básicamente num caça que transportava consigo, ou melhor, debaixo de si, uma enorme carga de explosivos. O míssil que possuía essa carga explosiva era conduzido pelo caça que depois o abandonaria e regressaria à base.

O primeiro Mistel, o Mistel I, foi construído em1943. Este protótipo utilizava a carcaça de um Junkers Ju 88 A-4 como míssil e um Bf 109 F-4 modificado para guiar a sua letal carga até ao alvo. Os testes com este protótipo foram bem sucedidos, sendo construídos outros modelos experimentais com pequenas diferenças em relação ao primeiro. Entre estes estava o Mistel II (combinando um Ju 88 G-1 e um Focke Wulf FW 190A-6) e o Mistel III, com dois sub-tipos, o 3B e o 3C, que incluiam um Junkers Ju 88 H-4 muito modificado, também o FW 190 fora bastante alterado, recebendo tanques de combustível adicionais. Cerca de 250 aparelhos da série Mistel foram entregues à Luftwaffe antes do conflito terminar. É conhecido pelo menos uma utilização prática deste estranho avião, que segundo alguns autores teria ocorrido nos inícios de 1945, mas com um sucesso bastante reduzido..

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Do empenhamento nazi num “Programa de Mísseis”

As origens da escolha “política” pelo empenhamento profundo no programa de mísseis alemão do Arsenal da Wehrmacht estão espelhadas numa citação de Walter Dornberger, seu lider durante muitos anos: “Sou um velho artilheiro de longa distância. A arma mais famosa desse tempo era o Canhão de Paris… Esta arma disparava a um alcance de 125 km, mas tinha um peso terrível na posição de tiro e uma dispersão terrível. Eu quero eliminar este peso desagradável da arma na posição de tiro usando um foguete de combustível liquido de um único andar que seria lançado verticalmente. O foguete deveria transportar cem vezes o peso de explosivos do Canhão de Paris (1000 kg) (…) sobre o dobro do alcance”.

Sobretudo, pretendia-se melhorar a precisão do tiro em relação à artilharia convencional. As primeiras especificações para os mísseis mencionavam que mais de metade dos mísseis lançados deveriam cair dentro de um circulo de dois ou três “mils” (linguagem de artilharia para 0.2 a 0.3% do alcance total). O alcance rondaria os 250 km, o que implicaria que os modelos realmente construídos nunca se aproximariam sequer dos valores estipulados inicialmente. Outra especificação mencionava que as asas do míssil deveriam ser suficientemente estreitas de modo a permitir o seu transporte num túnel europeu de caminho de ferro, antevendo o transporte de grandes números desses engenhos.

Estas especificações muito ambiciosas revelavam sobretudo que para o pensamento de Dornberger o míssil era essencialmente o sucessor da famosa Paris Gun, uma gigantesca arma de artilharia que bombardeara Paris a partir da Linha de frente alemã durante a Primeira Grande Guerra em 1918. Os pressupostos eram os mesmos: como com a Paris Gun esperava-se que o impacte psicológico fosse bastante para compensar os reduzidos efeitos materiais obtidos. A mera fascinação pela ultrapassagem dos limites técnicos da artilharia convencional tinha-se sobreposto à análise custos-beneficios. O míssil, conforme era encarado por Becker, o primeiro lider do Arsenal do Exército, era acima de tudo uma maneira de eliminar a imensa massa da Paris Gun e de simplificar o equipamento de transporte e suporte, prometendo adicionalmente aumentar enormemente o alcance e as cargas enviadas para além das linhas inimigas. Mas apesar dessas promessas, efectivamente concretizáveis a longo prazo – e mesmo para além de todas as expectativas – o desenvolvimento de um tão complexo e inovador sistema de armas estava para além das verdadeiras capacidades financeiras do III Reich, o que aliás permite explicar as sucessivas reavaliações das despesas com Peenemunde e com o míssil A-4 (V-2).

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Mísseis com motores atómicos e o problema dos custos do programa nazi de mísseis

Em 1942 foi assinado um contrato com o Instituto de Pesquisa do Ministério dos Correios do Reich para a investigação da aplicação de reactores atómicos à propulsão de foguetes. Nada se conhece sobre o andamento desse projecto.

Embora na época essa relação nunca tenha sido estabelecida, existem afirmações proferidas em Maio de 1945 por von Braun e Dornberger que dizem que o Centro Experimental de Peenemunde custou 300 milhões de Reischmarks. Sabe-se que em meados de 1944 os custos de operação mensais do Centro ascendiam a 13 milhões. Deste valor, a parte de leão cabia ao A-4, que recebera 450 milhões sem contar com o custo das ogivas e do dispendiosos sistemas de controlo. Os custos laterais ainda são mais dificeis de determinar, mas o autor do “The Rocket and the Reich” acredita que um número total da ordem dos dois biliões de marcos é perfeitamente credível, e nós concordamos inteiramente com essa verba. Comparativamente, em termos absolutos, o Projecto Manhattan dos EUA para o desenvolvimento de bombas atómicas custou quatro vezes mais, mas a escala da economia alemã era muito inferior em 1944-45 ao da dos EUA, pelo que em termos relativos o programa de mísseis representava um esforço muito mais importante. E isto à custa de resultados materiais minímos (quanto comparados com os pesados bombardeamentos aliados) e em benefício de presumíveis efeitos psicológicos limitados só à primeira campanha das V-1, que cedo foram suprimidos com o aumento de eficiência da defesa anti-aérea. Segundo a estimativa do United States Strategic Bombing Survey, as armas V alemãs custaram o mesmo que 24.000 caças, num período de tempo em as fábricas do Reich produziram 36.000 caças. Esses 24.000 caças adicionais bem podiam ter readquirido o domínio dos ares sobre a Alemanha.

A maior dificuldade enfrentada pelo programa de mísseis alemã era a falta de precisão dos sistema de controlo do míssil utilizados. A V-2 conseguia atingir uma cidade de razoáveis dimensões, enquanto que a V-1 ainda era menos precisa. Os mesmos problemas atrasaram o desenvolvimento da maioria dos mísseis anti-aéreos.

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O míssil de 100 toneladas de impulso de Peenemunde

Desde os fundamentos da Base Experimental de Peenemunde que se previra a construção de mísseis que utilizavam um gigantesco (para a época) motor capaz de 100.000 kg de impulso (o motor do A-4 só debitava um quarto desse valor). Seria este o próximo motor de série que a base utilizaria em todos os seus misseis e as rampas de lançamento foram construídas tendo em consideração este sucessor do A-4. Mas na realidade, Peenemunde nunca chegaria a testar nenhum destes motores, que nunca passariam do papel.

Foi a partir de Fevereiro de 1936 que começou o trabalho num motor capaz de 100 toneladas de impulso. Nesse mês a Divisão de Pesquisa da Base Experimental de Peenemunde contratou Eugen Saenger para trabalhar no estabelecimento aeronautico situado nos arredores de Braunschweig. Saenger e o seu grupo começaram imediatamente a investigar um motor foguete de oxigénio e óleo diesel capaz de 1000 kg de impulso, que em 1939 estava bastante adiantado e concebeu o desenho para um motor de 100 toneladas, mas Saenger tinha sido contratado pela Luftwaffe e nessa altura já a Luftwafe tinha abandonado o programa de construção de grandes foguetes paralelo ao Exército. Por outro lado, o Exército, já empenhado na sua própria linha de motores, não estava interessado em receber o contributo de Saenger.

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Messerschmitt P1104


(http://www.luft46.com)

O projecto P 1104 da Messerschmitt nunca ultrapassou o estádio de desenho, do qual o último esboço conhecido data de 22 de Setembro de 1944 em que o avião surge como um caça que descolava rebocado e aterrava em esquis. Apresentava uma envergadura de 6,2 metros. A propulsão era assegurada por um foguete HWK 109-509-A1. O piloto estava alojado numa estrutura blindada visto que o aparelho era afinal mais um “caça de choque” que deveria destruir os bombardeiros inimigos chocando com eles. Mas ao contrário dos outros projectos semelhante, o avião deveria continuar activo depois desse choque utilizando um canhão MK 108 de 30 mm com balas explosivas. Estimava-se que este robusto avião deveria atingir os 800 km/h com os seus 2540 kg até um alcance de 90 km. A sua altitude máxima não devia exceder os 13.000 metros. Previa-se uma variante como monoplano de meia asa, designada como “S53″.

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Messerschmitt P1103

O primeiro desenho de um caça de choque da Messerschmitt foi feito no Verão de 1944 e mostrava um avião blindado, com um nariz especialmente reforçado e seis janelas de vidro reforçado. A cabina estava incluída dentro de um cilindro blindado com 10 mm de espessura. A estrutura própriamente dita do avião seguia de perto a da V1 e era de madeira, de modo a reduzir o custo de produção e a manter o baixo peso do aparelho.

À semelhança de outros caças de choque, depois de atacar, o piloto tinha que se afastar e era retirado do caca com o assento por paraquedas. A celula blindada descia de paraquedas. Isto permitiria que a carlinga com os seus 4 foguetes RI-202 na rectaguarda e as 2 metralhadoras MK 108 podiam ser reutilizadas. Sob a fuselagem estava um lança-foguetes, virado a rectaguarda de 21 cm como armamento defensivo. A máquina tinha um comprimento de 4.7 metros, uma área de asa de 5.8 m2, e pesava 1110 Kg. Uma planeada segunda versão do P.1103, um caça levado num navio (Bordjaeger), tinha o piloto sentado ao alto, sem blindagem, e um único MK 108.

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Messerschmitt P1101


(http://renax.club.fr/sharkit)

Função: Caça.
Propulsão: um Junkers Jumo 004B.

Este caça a reacção era propulsionado por um único Junkers Jumo 004B montado sob a fuselagem e alimentado por uma entrada de ar na vanguarda, num desenho similar ao do Yak 17 ou do Saab 29. A sua única inovação eram as asas de geometria variável, as primeiras tentadas num avião. Só um protótipo estaria terminado antes do projecto ser preterido a favor do Focke Wulf Ta 183, mas que nunca voaria antes da guerra, mas seria transportado para os EUA onde voaria com uma turbina Allison J35, ficando tão danificado que não pôde mais tornar a voar. O Bell X-5 era baseado no desenho do P.1101. Note-se que o X-5, como o P.1101 não era capaz de uma verdadeira geometria variável, visto que o ângulo da asa só podia ser ajustado no solo e nunca em pleno vôo, onde seria mais necessário realizar essa mudança. Essa possibilidade deveria ser implementada na versão de produção.

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Messerschmitt Me 309

Tratava-se de um projecto para a construção de um caça de dupla fuselagem. Construído a partir de dois Me 309, este estranho projecto cedo seria abandonado devido às fracas performances do Me 309, por si só inferiores às dos Bf 109Z e do Me 409.

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Messerschmitt Me 328


(http://avia.russian.ee)

Função: Ataque ao solo e caça diurno.

Dimensões: Envergadura (pequeno) 6,4 m, (grande) 8,5 m; comprimento

6,83, (com motor na fuselagem) 8,63 m. Altura (sobre o esqui) (versão A) 2,10 m, (B) 2,5 m.

Peso: Vazio (B-0 e B-1): 1542 Kg, carregado (A-1) 2200 Kg, (A-2) 3800 Kg, (B-1): 2700 Kg; (B-2): 4730 Kg.

Propulsão: Dois pulso-reactores Argus As 014 de 300 kg de impulso.

Velocidade máxima em baixa altitude: (A-1): 755 km/h; (A-2): 920 km/h; (B-1): 680 km/h; (B-2): 590 km/h.

Armamento: Duas metralhadoras de 15 mm.

O desenvolvimento e a construção dos primeiros protótipos deste aparelho começaram no já referido DFS sob a direcção de Jacob Schweyer que construiu o primeiro protótipo.

As investigações começaram em 1941. Pretendia-se então produzir um pequeno e leve caça parasita que seria lançado de um bombardeiro e posteriormente recuperado. O aparelho deveria ter a função de um avião de ataque ao solo barato e de construção rápida, com o papel secundário de caça diurno. Após longas pesquisas e uma série de fracassos o planador V1 fez os seus primeiros testes de vôo preso às costas de um bombardeiro Do 217, no Outono de 1943. Como aerodinamicamente o comportamento do aparelho foi notável passou-se de imediato à fase de testes com motor.

A fase de testes com motor começou logo de seguida. Escolheram-se os motores Argus As 014 capazes de impulsão de 300 Kg. A instalação do sistema propulsor na parte traseira da fuselagem não foi contudo das mais felizes e os problemas causados por esta opção sucederam-se. Para os resolver instalara-se dois dutos nas asas, colocando o escape das chamas tão longe quanto possível delas, não tanto pelo risco de incêndio, que também existia, mas mais para reduzir as vibrações que danificavam a estrutura de madeira do aparelho. A versão A-1 possuía dois dutos, um em cada asa, a A-2, quatro inseridos na própria fuselagem do avião. O armamento do A-1 incluía duas metralhadoras MG 151, o do A-2, dois canhões MK 103.

O projecto sofreria o mesmo trágico destino do Me 262. A configuração como interceptor foi mudada para a de um avião de ataque, prevendo mesmo a eventualidade de se tornar num aparelho não-reutilizável. Esta versão transportaria uma carga de bombas até 1.400 Kg, possuindo o B-1 os motores instalados nas asas e o B-2 dutos maiores capazes de 400 Kg de empuxo cada. A descolagem era feita a partir de um carro pela ignição de um foguete, guinchos de cabos e outros meios hoje desconhecidos, previa-se também a construção de versões que poderiam ser lançadas de submarinos emersos, num dos vários projectos que no final da Guerra os alemães alimentaram para se vingarem dos bombardeamentos americanos. Como o Me 262, a mudança radical de função do Me 328 atrasou o andamento do projecto, ao ponto de nenhum das diversas versões de caça e ataque chegar a conhecer o serviço activo.

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Messerschmitt Me 264


(http://xplanes.free.fr)

Função: Bombardeiro de Longo Alcance.
Dimensões: Comprimento, 20.90 metros; Envergadura, 43 metros; Altura 4.30 metros.
Propulsão: 4 motores a hélice Junkers Jumo 211-J. ou 4 BMW 801D ou ainda
4 BMW G 18.
Velocidade: 565 km/h.
Raio de Acção: 14.000 km (ou 45 horas de vôo).
Armamento: O Me 264V1 transportaria caças Me 328 e Fi 103 além de transportar 1.800 kg em bombas.

Este era um dos vários projectos existentes na Alemanha que visavam a construção de um bombardeiro de grande raio de acção capaz de chegar aos EUA. Destes projectos, o Me 264 V1 era o que tinha começado mais cedo – ainda em 1943, pouco antes do Ju 287 – e que por essa razão se encontrava mais avançado aquando do Dia V. O primeiro protótipo voaria pela primeira vez em Dezembro de 1944 e o segundo seria destruído por um bombardeamento. O Me 264 podia transportar 39.400 litros de combustível e 1.800 kg em bombas. Existiam planos para uma versão só com motores a reacção e para outra propulsionada a carvão (como o Lippisch P13a), mas que nunca ultrapassaram a fase de desenho. Outros planos previam o aumento da carga de bombas à custa do sacrificio do bombardeiro que cairia no mar sendo os tripulantes resgatados por um U-boat.

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Messerschmitt Me 262A-1a/U3


(http://www.stormbirds.net)

A versão Me 262A-1a/U3 era um avião de reconhecimento fotográfico sem armamento, tratava-se de mais uma variante do caça 262A, mas desta feita equipada com duas camaras oblíquas (uma Rb 50/30 ou Rb 20/30 e uma 75/30) colocadas numas bolhas no nariz da aeronave. Algumas unidades desta variante conheceram o serviço activo no Einzatzkommando Braunegg, colocado no noroeste de Itália durante o mês de Marco de 1945.

O bombardeiro Me 262A-2a Sturmvogel, o caça tranformado em bombardeiro por ordem pessoal do Fuhrer, transportava duas bombas gémeas de meia tonelada cada. A primeira unidade operacional do A-2a foi a III/KH 51 que iniciou a sua actividade em Hopstein, próximo do Reno a 5 de Outubro de 1944.

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Messerschmitt Me 262

Propulsão: dois Junkers Jumo 004B-1 axiais de 898 Kg

Velocidade: 827 km/h ao nível do mar, 870 a 6.000 metros.

Alcance (com tanque interno e na versão de caça): 480 km ao nível do mar, 1.050 a 9.000 metros.

Armamento:

Versão de Caça (A-1a):

4 canhões Rheinmetall Borsig MK 108 de 30 mm, com 100 tiros em cada uma das armas superiores e 80 em cada uma das inferiores.

Versão de Caça (A-1a/U1):

2 canhões Rheinmetall Borsig MK 103 de 30 mm, 2 MK 108 e 2 MG 151/20 de 20 mm.

Versão de Caça (A-1b):

4 canhões Rheinmetall Borsig MK 108 de 30 mm, com 100 tiros em cada uma das armas superiores e 80 em cada uma das inferiores 24 foguetes não-guiados R4M de 50 mm.

Versão de Caça (B-1a):

4 canhões Rheinmetall Borsig MK 108 de 30 mm, com 100 tiros em cada uma das armas superiores e 80 em cada uma das inferiores.

Versão de Caça (B-2a):

4 canhões Rheinmetall Borsig MK 108 de 30 mm, com 100 tiros em cada uma das armas superiores e 80 em cada uma das inferiores; 2 MK 108 à ré, inclinados.

Versão de Caça (D):

SG 500 Jagdfaust com 12 morteiros inclinados no nariz.

Versão de Caça (E):

1 canhão MK 114 de 50 mm ou 48 foguetes não-guiados R4M;

2 bombas de 500 kg.

Versão Caça-bombardeiro:

2 canhões Rheinmetall Borsig MK 108 de 30 mm, com 80 tiros cada; 2 bombas de 250 kg sob o nariz.

Versão Reconhecimento:

2 câmaras aéreas também 50/30 sob o nariz.

Versões:

Me 262A-1a Schwalbe,

Me 262A-2a Sturmvogel,

Me 262B-1a.

A-1a caça monoposto;

A-2a/U2 Loftwbomber bombardeiro monoposto;

262 A-3a avião de ataque;

Me 262A-1a/4 com um canhão anti-tanque no nariz;

Me 262 1A-1a com velocidade de 869 Km em 1944;

Me 262b-1A caça nocturno biposto com radar (Outubro de 1944) e

Me 262 B-1a/U1 com velocidade de 809 Km em 1945.

Envergadura: 12,5 m,

Comprimento: 10,6 m (262B-1a, excluídas as antenas de radar) 11,8 m,

Altura: 3,8 m.

Peso: Vazio (A-1a, A-2a): 4.000 Kg; 4.400 Kg; carregado (A-1a, A-2a) 7.045 Kg; (B-1a) 6.400 Kg.

Ascensão inicial: cerca de 1200 m/min. Tempo para chegar aos 6.000 metros: 6 minutos e 48 segundos.

Altitude máxima: 38.500 pés, embora o tecto operacional fosse de 30.000 quando em formação devido à dificuldade de manter formações a alta altitude e à probabilidade de as turbinas se incendiaram a altitudes superiores sempre que se movimentasse, mesmo que ligeiramente, o acelerador.

Histórico: Primeiro vôo (262V1 equipado com motor Jumo 210 de pistão): em 4 de Abril de 1941; (262V3 equipado com dois Jumo 004 turbojactos); em 18 de Julho de 1942; (Me 262A-1a): em 7 de Junho de 1944; primeira entrega (A-0 a Rechlin): em Maio de 1944; primeira unidade experimental de combate (EK 262): em 30 de Junho de 1944; primeiro esquadrão regular (8/ZG26): em Setembro de 1944.

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Messerschmitt Me 209H

A partir de finais de 1942 tornou-se evidente para as chefias da Luftwaffe que faltava por entre os interceptores então disponíveis uma arma capaz de combater a altas altitudes e de abater os bombardeiros aliados que começavam então a intensificar os seus ataques. A urgência da necessidade levou a que se tentassem poupar passos na investigação partindo da carcaça de um caça já bem conhecido e que tinha até então prestado boas provas, o Me 109. As alterações que o 109 sofreria passariam pelo aumento da área das asas e pela colocação de um motor especial para altas altitudes que estava então em desenvolvimento na Daimler Benz.

Esta nova versão do Me 109 juntar-se-ia às dezenas que este modelo conheceria durante a Guerra, recebendo a designação de Me 209H. Mas logo depois decidiu-se que para acelerar ainda mais o andamento do projecto deveria existir um projecto paralelo, desta feita usando os componentes básicos do Me 109G, este outro caça de alta altitude baseado no Me 109G receberia a denominação Me 109H. O protótipo Me 109H V49 foi então construído unicamente para testar a instalação dos motores para altas altitudes na carcaça do Me 109H. Após testes bem sucedidos com o Me 109H V49 decidiu-se prosseguir com o projecto Me 209. Seria então construído um protótipo que receberia a designação Me 209 V6, este avião voaria pela primeira vez, segundo Hithcok em Abril de 1944, segundo Nowarra em Maio de 1944. Mas apesar de todas as decisões tendentes a acelerar o andamento das investigações o projecto não avançou à velocidade esperada. Aliás uma das escolhas tomadas precisamente para acelerar o projecto contribuiu precisamente para o tornar obsoleto, a escolha de um caça que em 1942 se aproximava do seu ciclo útil de vida, o Me 109. Com efeito, quando o primeiro protótipo Me 209H (do qual se conhece apenas uma única fotografia) fez o seu vôo inaugural, em Junho de 1944 estava já ultrapassado pelos novos aviões a reacção testados na Messerchmitt e noutras fábricas.

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Messerschmitt Me 262 B-1a

A variante de caça nocturno Me 262 B-1a seria construída a partir do A-1a, recebendo o radar SN-2 e um assento na ré para o operador do radar. Esta versão chegou a estar operacional nos últimos meses do conflito, mas em números insuficientes para ter qualquer reflexo real no decorrer do conflito.

O Kommando Welter, a primeira unidade de reconhecimento com estas aeronaves, pouco depois da sua entrada em serviço veria o nome mudado para 10ª Staffel da Nachjagdgeschwader 11. Nos finais de Janeiro de 1945, o primeiro bilugar Me 262B seria entregue no aeródromo de Staaken (nos arredores de Berlim). O radar que o equipava era o FuG 216 Neptun com os controles e visores no lugar da rectaguarda. Embora as antenas exteriores reduzissem a velocidade do aparelho para menos 60 km horários, o Me 262 continuava a ser muito mais rápido que o seu rival nocturno mais comum, o Mosquito britânico. O primeiro caça nocturno deste tipo entrou em operação em Fevereiro de 1945, mas as crescentes dificuldades de produção da Messerschmitt e as ainda mais graves questões de transportes fizeram com que a maioria das acções nocturnas fossem empreendidas por monolugares guiados apenas por projectores de luz, logo, sem radar. Apesar dessas limitações, as três dezenas de Mosquitos que os britânicos perderam sobre Berlim em 1945 foram abatidos precisamente por esses monolugares sem radar.

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O Uso de Lançadores de Foguetes pela Alemanha Nazi

As primeiras utilizações reais em grande escala dos lançadores datam de 1941, mas só em Dezembro de 1944 é que se assistiram aos primeiros usos realmente massivos. Podemos avaliar o crescimento do ramo quando observamos que em 1939 reunia apenas 332 oficiais subalternos e 1612 soldados (2.044 homens). Em 1945, já agrupava 5.257 oficiais superiores, 18.150 oficiais subalternos e 88914 soldados (112.321 homens, com 4.816 lançadores e 27.066 veículos), sem dúvida um crescimento espectacular.

A produção de lançadores era repartida por seis firmas: Hartmann, Frama, Sack, Eberhardt, Schwartzkopt e Donauworth. A partir de 1944, a ex-checoslovaca Skoda assumiria a liderança da produção e até técnica, sugerindo por exemplo um lançador de ar comprimido.

Podemos determinar que foi a partir de Julho de 1944 que Hitler começou a apostar seriamente nos sistemas lançadores de foguetes, neste contexto se insere a sua ordem para aumentar a produção para 3.6 milhões de foguetes e, em Agosto do mesmo ano a sua ordem para a construção de 1500 novos lançadores até Outubro de 1944 (número que aliás, seria alcançado). Estes valores seriam aumentados por Hitler em Julho e Setembro, ordenando o aumento da produção de munições de lançadores de 15 cm, de 200.000 para 400.000 por mês. Mas o agravamento da situação militar prejudicava já a normal execução destas ordens. Nos finais de Novembro, como a pólvora se revelava insuficiente para as necessidades, estudou-se a redução do alcance para 1 a 2 km, de modo a aumentar a taxa de tiro. Por outro lado, e mais grave, devido à falta de aço, Speer a 14 de Janeiro de 1945 comunicava ao Fuhrer que somente 37% das munições necessárias para os lançadores seriam entregues à Wehrmacht.

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