Brasil

Finantial Times: Dilma, a “tia”

Dilma Rousseff (http://img.estadao.com.br)

Dilma Rousseff (http://img.estadao.com.br)

Longo inimigo de Portugal, após vários artigos injuriosos contra o nosso país, o jornal britânico Financial Times erguei agora baterias contra o Brasil. Num artigo com o título “Dilma: Agony Aunt to the European Union”, os britânicos usam termos pejorativos para se referir à presidenta do Brasil como “tia” (“aunt”)…

Em particular os britânicos criticam Dilma Roussef por esta se ter atrevido a aconselhar a Europa sobre como esta está a lidar com os seus problemas financeiros e económicos, sobretudo quando Dilma critica os europeus pelos “impostos restritivos” cuja aplicação cega dos dogmas do Mercado está a arrastar a Europa para nova recessão económica. Os ingleses terão ficado particularmente irritados pela ousadia demonstrada pelo ministro das Finanças brasileiro, Guido Mantega, que recentemente propôs um “pacote de resgate à Europa” vindo dos BRIC.

Sem dúvida que nestas propostas existe um certo irrealismo e uma dose considerável de demagogia: apesar de todas boas palavras, até hoje o Brasil ainda não ajudou diretamente Portugal, o seu país-irmão na União Europeia e a sua economia (apesar do crescimento notável das últimas décadas) continua a ser menor que a dos grandes países europeus e Per Capita é muito inferior à média europeia.

Mas há um ponto que irrita muito particularmente os britânicos: é o aumento recente de impostos sobre importações de produtos estrangeiros (automóveis, mais concretamente) que visa estimular a indústria automóvel local e atrair mais indústrias ao Brasil…

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/985522-site-do-financial-times-publica-artigo-com-criticas-a-dilma.shtml

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Celso Amorim: “O programa F-X2 é urgente”. Mas e então o adiamento para 2012?…

Celso Amorim, o ministro da Defesa do Brasil declarou recentemente que o programa F-X2 era “urgente” apesar dos recentes cortes orçamentais. A decisão do contrato (a vencer pelo Rafale, Super Hornet ou Gripen NG) foi adiada para 2012.

O problema – referiu o ministro – está em que a frota brasileira está a envelhecer muito rapidamente: “No final de 2013, nenhum dos 12 Mirage da base aérea de Anapolis estará em estado de voar.” Segundo Celso Amorim “estes aparelhos precisam de defender o Amazonas e as fronteiras e nós precisamos de aviões de combate adequados. Reiterou novamente o desejo brasileiro na “transferência de tecnologia”.

O Brasil pretende adquirir inicialmente 36 aparelhos, mas a decisão devia ter sido tomada antes de Lula deixar a presidência, ou seja, antes do final de 2010, mas foi recentemente adiado para 2012… Ou não, se a vontade do ministro (tão inusitadamente lançado contra a posição oficial de Dilma) conseguir vingar em Brasília.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/brazil-in-urgent-need-of-fighter-aircraft-37407/#ixzz1ZiZFmvb1

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O Brasil protege a sua economia contra a crise mundial

Enquanto que na Europa se abrem as portas à indústria chinesa e assim se reforça ainda mais a deslocalização da indústria europeia e o empobrecimento do continente, no Brasil, o governo decide que produtos têxteis e de calçado podem ser até 8% mais caros por forma a terem preferência nas compras realizadas pelo Estado.

O Brasil irá brevemente lançar outros índices semelhantes em outros setores, com o mesmo objetivo de proteger a indústria local. Na lista, está a imposição de limites semelhantes na área de Defesa e da Saúde.

Recordemo-nos de que esta medida se insere num plano de resposta contra a crise internacional. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais, especialmente pela sua agro-indústria, mas apesar disto, e livre dos dogmas neoliberais europeus e do medo atávico pela China, o Brasil dá assim o exemplo afirmando que no mundo de hoje, o neoprotecionismo é uma das possíveis respostas.

O Brasil tem também em curso um aumento de impostos para os automóveis importados, também com o mesmo propósito e como forma de incentivar a instalação no Brasil de mais instalações fabris de empresas do ramo automóvel.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/982920-governo-anuncia-margem-de-preco-para-compra-para-setor-textil.shtml

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Selecionados mais fornecedores para o Embraer KC-390

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

A Embraer escolheu a subsidiária brasileira da empresa israelita Elbit “Aeroelectronica Sistemas” (AEL) para fornecer o sistema computacional de missão para o seu novo transportador militar KC-390.

A Embraer celebrou também com a AEL uma “joint venture” com a designação “Harpia Sistemas” para modificar e comercializar o UAV Hermes à força aérea brasileira e a outras forças aéreas do continente.

Em agosto, a Embraer anunciou também a seleção da empresa britânica Cobham Mission Equipament para fornecer os pods de reabastecimento em voo e a Finmeccanica italiana para fornecer o radar tático T-20 Gabbiano, a francesa Safran para as rodas e travões, a International Aero Engines (IAE) para os motores V2500-E5, a BAE Systems para o sistema de controlo de voo, a Rockwell Collins para o sistema de aviónica e a argentina Fabrica Argentina de Aviones (FAdeA) e a checa Aero Vodochody para a construção da fuselagem traseira do cargueiro.

Com esta multiplicidade de contratos, o Embraer KC-390 aproxima-se cada vez mais da concretização e este transporte militar médio com uma capacidade máxima de 23 toneladas e que tem já intenções de compra por parte da Argentina (6), Brasil (28), Chile (6), Colômbia (12), República Checa (2) e Portugal (6) torna-se cada vez mais real.

O primeiro voo de um protótipo deve ocorrer em 2014 e as primeiras entregas um ano depois, em 2015, se tudo correr conforme planeado.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/embraer-kc-390-suppliers-list-grows-37043/#ixzz1YNXrDeBv

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A decisão do vencedor do F-X2 foi adiada para 2012

Rafale: Ele talvez ganhe o F-X2. Um dia...

Rafale: Ele talvez ganhe o F-X2. Um dia...

É oficial: o programa F-X2 de aquisição de novos aviões para a FAB (Força Aérea Brasileira) foi novamente adiado. Desta feita, até 2012 (se não mais…). O objetivo da Administração Dilma é o de conter as despesas do Estado e assim travar a inflação e prevenir consequências do abrandamento económico que se começa a instalar nos principais parceiros económicos do Brasil.

Recentemente, a seleção dos Rafale no F-X2 foi discutida em Nova Iorque num encontro de bastidores na ONU entre Dilma Rousseff e Nicolas Sarkozy, o que parece indicar que apesar deste adiamento para 2012 a Dassault continua com vantagem sobre a Boeing e a Saab.

Fontes do Governo brasileiro acrescentaram que a aquisição será decidida em 2012 ou mais tarde dependendo da retoma económica mundial… ou seja se os receios de uma nova recessão global para 2013 e 2014 se confirmarem, os F-X2 poderão até chegar à FAB Apenas daqui a quatro ou cinco anos!

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/978963-brasil-vai-reconsiderar-compra-de-cacas-em-2012-diz-ministro.shtml

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No Brasil, uma norma “punitiva” está a resolver os atrasos nos tribunais de São Paulo… Um exemplo a seguir?

Embora Portugal esteja habituado a procurar os seus exemplos lá para as bandas das florestas húmidas e negras do norte da Europa, seria importante ter em conta pelo menos o exemplo do Tribunal de Justiça de São Paulo que há alguns meses decidiu lançar uma norma punindo (sim, o termo é mesmo “punir”) todos os magistrados que sejam “improdutivos”. Em resultado, nos primeiros cinco meses do ano houve uma redução notável do número de processos pendentes nos tribunais do Estado: mais 23% do que mesmo período do ano passado, e isto sem aumentar o número de juízes desembargadores.

Segundo a norma, os juízes que acumulem um certo número de processos parados são removidos dos mesmos e são obrigados a justificar a causa da paragem. A norma obriga também todos os magistrados com produtividade igual ou inferior a 70% da média de seus pares a explicarem esse desfasamento. O desempenho dos magistrados com mais atrasos é monitorizado pelos colegas com melhor desempenho, uma vez que são estes que acabam por receber os processos que os primeiros não conseguiram resolver… As respostas punitivas previstas são a reforma compulsória e o afastamento simples da funções (mas com remuneração parcial).

Ora aí está uma política a ponderar… apesar de todas resistências que a corporação judicial não deixará certamente de criar.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/963164-sob-risco-de-punicao-magistrados-de-sp-aceleram-processos.shtml

Categories: Brasil, Justiça, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 17 Comentários

Os problemas de juventude do satélite sino-brasileiro Cbers-3

O Brasil prepara-se para lançar em novembro do ano que vem o satélite Cbers-3. O lançamento terá lugar com um atraso de 5 anos.

O satélite será o quarto (o anterior era o Cbers 2-B) de uma série que começou em 1988 com Cbers 1. Estes satélites sino-brasileiros de observação dos recursos terrestres foram lançados dentro do ritmo previsto até 2007, mas a partir de então o Brasil deixou de conseguir cumprir os prazos de entrega dos equipamentos, atrasos que resultaram da dificuldade que a indústria brasileira tem em desenvolver os equipamentos que no acordo bilateral se previam serem fabricados no Brasil. O problema agravou-se no Cbers-3 porque enquanto que nos anteriores a incorporação de componentes brasileiros era de 30%, neste será de 50%…

O atraso será resolvido pela contratação pelo Inpe (“Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”) de 60 novos especialistas que serão enviados para a China, durante um ano, por forma a adquirem aqui o know-how que falta à indústria espacial brasileira e que esteve por detrás deste atraso de cinco anos.

Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/ti/pais-lancara-satelite-brasil-china-em-2012-23082011-24.shl

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Nos últimos 12 meses a desflorestação no Brasil aumentou 15%

Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (http://static.panoramio.com)

Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (http://static.panoramio.com)

Além da pobreza, da corrupção e da criminalidade, o grande problema do Brasil é a desflorestação. Segundo o “Instituto Nacional de Pesquisa Espacial” (INPE) nos últimos 12 meses o fenómeno teria aumentado 15%. Isto significa que entre julho de 2010 e julho de 2011 o país teria perdido 1649 km2 de vegetação apenas nos Estados de Mato Grosso e Pará. Estes números muito preocupantes resultam de observações por satélite.

Os dados do INPE relacionam o maior recuo de floresta no Mato Grosso (onde se registou 95% dessa perda) e onde a pressão contra a floresta realizada pelas grandes explorações agrícolas de soja e de pecuária tem sido mais intensa.

O Brasil é o quinto maior país do mundo em área bruta e tem no seu território cerca de 5.3 milhões de km de florestas e selva, a maioria destes na bacia do Amazonas.

Hoje em dia, o Brasil é um dos maiores emissores globais de gases com efeito de estufa devido, precisamente, à desflorestação. O fenómeno, contudo, está em declínio desde 2004. O aumento recente dos preços globais dos produtos do setor agro-pecuário tem contudo pressionado os produtos com terrenos junto à selva amazónica para aumentarem a sua produção à custa da expansão territorial da suas explorações… é que o Estado tem apenas pouco mais de um quinto dos terrenos da floresta amazónica, estando o restante em mãos particulares ou incertas, e estas terão sempre o impulso para aumentar os seus rendimentos à custa da desflorestação. Estão assim a criar-se cada vez mais condições para que o processo seja travado através de uma intervenção estatal, talvez sob uma forma de “reforma agrária” que nacionalize algumas dessas regiões fronteiras com a selva amazónica.

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/Deforestation_in_Brazils_Amazon_up_15_999.html

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O Brasil está a combater a triangulação de produtos chineses

No Brasil, a Receita Federal vai realizar uma campanha de fiscalização de todos os produtos têxteis importados para o Brasil. A operação, intitulada muito adequadamente “Operações Panos Quentes 3″, todas as mercadorias serão inspeccionadas tendo em vista identificar operações de triangulação (em que um produto com origem na China passa por outro país antes de chegar ao Brasil) assim como fraudes na origem das mercadorias. Os fiscais terão especial atenção com produtos têxteis, mas calçado, brinquedos e produtos de borracha estarão também na mira.

Desta forma, o Brasil toma ação contra um tipo de operação que os empresários chineses (com cúmplices locais) executam um pouco por todo o mundo, com relativa impunidade, por forma a iludirem a origem dos produtos com que inundam o globo, destruindo (frequentemente com “dumping”) as industrias locais.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/962330-receita-endurece-regras-para-importacao-de-texteis.shtml

Categories: Brasil, Economia | 12 Comentários

O Brasil está a “limpar” as favelas preparando os grandes eventos internacionais que se avizinham

Favelas do Rio de Janeiro (www.sempretops.com)

Favelas do Rio de Janeiro (www.sempretops.com)

O Brasil tem a intenção de “limpar” as favelas que rodeiam o Rio de Janeiro como forma de aumentar a segurança do Campeonato de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

As favelas do Rio de Janeiro servem de residência a mais de um milhão dos seis milhões de habitantes dessa grande metrópole brasileira, o que dá uma boa medida da escala do desafio que se oferece às autoridades brasileiras.

A estratégia passa por três tipos de medidas para acabarem com o controlo das favelas por parte dos gangs de narcotraficantes:
1. Ocupação física das favelas com polícias e militares do exército através do estabelecimento de bases permanentes nas favelas e pela formação de “unidades de pacificação” que se interponham entre os residentes das favelas e os gangs de criminosos.
2. Dilma Rousseff anunciou em junho de 2011 um “plano estratégico” de controlo de fronteiras com os seus vizinhos por forma a travar o contrabando. No cumprimento deste plano o governo de Brasília vai aumentar dramaticamente o número de militares nas fronteiras e nas regiões produtoras de petróleo e munidas de portos internacionais. Neste âmbito ainda, Brasília vai instalar um novo sistema integrado de radar para vigilância de fronteira.

O Brasil, contudo, tem em curso um intenso programa de redução de despesa pública que atrasou muitos programas de reequipamento militar para 2012 (como o F-X2) e que deverá impactar também este programa de reforço de fronteiras.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Brazil_seeks_firmer_grip_on_favelas_999.html

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Comentário ao artigo “Lusofonia: Cultura ou Ideologia?” de Lourenço Rosário (Moçambique)

“Quando em 1988, Itamar Franco se reuniu com os seus homólogos em São Luís do Maranhão, o encontro não se designou Lusófono, mas sim dos Países de Língua Portuguesa. Assim, também as bases para a constituição de uma comunidade constituída por esses Países também não adotou o nome de Comunidade Lusófona, mas sim Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. Este é o primeiro ponto que coloco à reflexão e discussão. Por que razão é que do ponto de vista oficial, na diplomacia e na cooperação multilateral, jamais o termo lusófono foi adotado? E por que razão é que a nível do discurso político, sobretudo na relação entre o olhar de vários segmentos da sociedade portuguesa, este termo tem vindo a ser consagrado como sendo o de maior utilidade”

> O termo “lusofonia” introduziu-se no discurso político, económico e comum da sociedade portuguesa do século XXI. É praticamente impossível abrir ou jornal ou assistir a um programa noticioso na televisão sem que a palavra “lusofonia” seja lida ou escutada. O termo entrou claramente na moda. Politicamente neutro, economicamente imparcial, socialmente e culturalmente muito relevante, a palavra “lusofonia” designa hoje um conjunto de países geograficamente descontínuos unidos entre si mais por proximidades linguísticas, históricas e culturais do que económicas, sociais ou políticas. Neste contexto, “lusofonia” é algo de profundamente diverso de “anglofonia” ou “francofonia”, termos neocoloniais onde o fator económico, militar e político são dominantes.

“Marcelo Rebelo de Sousa esteve recentemente em Moçambique, no âmbito de cooperação académica entre as universidades portuguesas e moçambicanas. Ele escandalizou meio mundo ao, pela primeira vez, assumir a postura muitas vezes pronunciada em surdina de que havia que resgatar o lado bom do colonialismo, fazendo justiça àqueles que, embora servidores do sistema, conseguiram dar-lhe um rosto humano.”

> Tido geralmente como um fenómeno completamente negativo, com efeito, o colonialismo (e em particular, o colonialismo português) foi algo de muito mais profundo e complexo do que as leituras feitas na época de descolonização pareciam fazer transparecer. Especialmente no caso português e apesar de toda a carga negativa e dada a especificidade da presença portuguesa em África não se traduziu numa exploração massiva de recursos, nem no saque sistemático que carateriza a maioria dos outros colonialismos europeus. Isto deveu-se ao cruzamento de vários fatores:
a. Demografia: Portugal nunca teve a escala populacional, nem o crescimento demográfico que lhe permitisse enviar excedentes humanos para as colónias, como fizeram os holandeses com a África do Sul, os franceses com o Quebec, os ingleses com os EUA, Austrália e Nova Zelândia. Com excepção única do Brasil, Portugal não “colonizou” (no sentido restrito, enviando “colonos” em massa) nenhuma das suas colónias.
B. A escassez de recursos financeiros e logo, militares do país nunca lhe permitiu manter nos territórios sobre os quais tinha direitos administrativos uma exploração sistemática de recursos. O contributo económico das colónias (com excepção de Angola na década de 70) foi sempre diminuto para o todo da economia nacional.
C. Como Portugal sai apressadamente das suas colónias africanas e depois de uma longa e dura tripla guerra colonial não teve nem tempo, nem disposição anímica para deixar atrás de si a rede de dependências neocoloniais que ainda hoje potencias como a França ou o Reino Unido deixaram em África.
Estas condições tornam o colonialismo português e, sobretudo, o o seu legado em algo de substancialmente diferente do que foi o colonialismo europeu em África.

“O destino dos portugueses é plasmar o seu ser nos quatro cantos do mundo. A história, em parte, confirma isso, na medida em que, a partir do século XV, Portugal tornou-se numa grande potência mundial, presente em todos os continentes, fazendo-se respeitar e fazendo com que a sua língua se tornasse na língua franca nos meandros da economia, do comércio e da diplomacia. Mesmo com o enfraquecimento do estado português e consequente desaparecimento desse poderio real, os portugueses interiorizaram esse desígnio de grandeza histórica que lhe não permite ser contido naquele pequeno rectângulo que constitui o seu território.”

> E é por isso que a adesão à União Europeia (então, CEE) não se traduziu no “salto em frente” que se esperava. Houve, desde 1986, uma melhoria significativa de muitos indicadores de desenvolvimento, mas nada que fosse correspondente à escala dos fundos estruturais derramados sobre Portugal nem que permitisse reduzir o hiato económico entre os países do norte e Portugal: com excepcao de alguns anos na década de 90, desde a integração, Portugal cresceu sempre a um ritmo médio anual de 2.5%, inferior ao da maioria dos seus parceiros do norte, que, de resto partiam já de um patamar muito mais elevado. De facto, e curiosamente, as décadas de maior crescimento em Portugal correspondem às que medeiam entre 1930 e 1970, onde a economia terá crescido mais de 30%, apesar dos custos humanos e económicos de manter o segundo maior exército ao sul da Saará em três frentes de guerra muito ativas.

“O primeiro grande golpe sobre o mito do império é dado no início da década de 60, com a saída pouco gloriosa de Portugal dos territórios e colónias da Índia. A rendição militar bateu fundo no orgulho histórico dos heróis do mar, nobre povo e nação valente. Mais do que o Ultimato Inglês dos anos 90 do século XIX, a perda de Goa, Damão e Diu constituía a primeira machadada na herança sonhada, criada e deixada por Dom João II. Quero lembrar aqui, que pouco tempo antes e não por mera coincidência, Gilberto Freyre fora hóspede convidado de Salazar, naqueles territórios, onde foi buscar mais subsídios para consubstanciar as suas teorias lusotropicalistas, ido de Cabo verde.”

> A teimosia de Salazar em deixar os territórios da União Indiana de uma forma negociada e que assegurasse a preservação da herança portuguesa no território pela via de um referendo que permitisse que a população local escolhesse entre autonomia, independência, integração na União Indiana ou continuação do domínio português condenou a Índia Portuguesa ao fim.
É certo que o regime do Estado Novo não estava realmente perante uma plena escolha: a preservação do império era parte da matriz identitária do regime e o exemplo da cedência – ainda que negociada – de uma das suas parcelas seria uma motivação para que outras colónias seguissem o mesmo caminho. Organizar e seguir um referendo livre e independente em Goa seria também muito problemático para um regime que ao fim ao cabo, não era democrático, nem na metropole e muito menos nas suas colónias… Os resultados até poderiam favorecer uma autonomia alargada ou a continuação no estatuto atual, dada a intensidade da presença portuguesa no território (especialmente religiosa e administrativa), mas um tal exemplo poderia ser depois ser seguido em Moçambique ou em Angola, onde o desfecho não seria certamente tão favorável aos interesses de Lisboa…

“Uma das grandes discussões que ainda divide os integrantes das estruturas do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, com sede em Cabo Verde, reside precisamente no facto de os representantes portugueses com a neutralidade cúmplice dos brasileiros considerarem que aquela instituição deve velar essencialmente os interesses e defesa da língua portuguesa, denominador comum dos países nele representados. Os africanos procuram lembrar aos seus parceiros que o panorama linguístico dos três países africanos continentais e Timor Leste é de diversidade linguística.” (…) “O impasse tem praticamente paralisado o IILP que não consegue encontrar saídas e os poucos projectos alternativos não avançam por falta de vigor.”

> A Lusofonia e a CPLP têm que trilhar o seu caminho na senda da originalidade e inovação. O IILP não deve, não pode ser uma pura emanação dos interesses da industria cultural portuguesa ou brasileira. Por isso, não pode ser um instrumento de um “imperialismo cultural lusófono” em que o português seja um agente de opressão ou imposição linguística e cultural. A língua de Camões não é uma língua morta, como o latim, e incorpora no seu seio muitos elementos alheios. Em África e no Brasil, em particular, as variantes locais do português incorporam vários vocábulos de línguas locais e isso enriquece a língua – no seu todo – tornando-a dinâmica, adaptável e viva. O IILP tem que incluir no seu programa operativo e de investigação não somente a promoção e o desenvolvimento da língua portuguesa, mas também o das línguas nacionais de todos os Estados da CPLP, incluindo o mirandês, em Portugal e a variante galega do português. Assim, enriquecerá a língua cuja defesa é a sua missão principal, não as tolerando (termo sempre pejorativo) mas promovendo-as e estimulando a sua coexistência ao lado do português.

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Da importância de Sines para Portugal e para o desenvolvimento dos laços com o Brasil

Porta-contentores da MSC (http://www.ships-info.info)

Porta-contentores da MSC (http://www.ships-info.info)

Portugal tem condições únicas para aumentar a importância dos seus portos no continente europeu. Sines é já hoje o porto de águas mais profundas da Europa e também um dos  mais modernos. Para além disso, a posição geográfica de Portugal ainda que tida numa perspetiva “europeia” como secundária e periférica pode revelar-se central se o excelente porto de Sines for usado pelos grandes armadores mundiais como um eixo direto de ligação aos portos do Brasil e da América do Sul.

Sines está a tornar-se no contexto europeu um agente importante no segmento de contentores e este papel será agora reforçado pela associação com a MSC, o segundo maior armador do mundo, que agora opera a partir de Sines uma ligação direta semanal com o continente sul americano.

Sines vai assim concorrer diretamente com o grande porto espanhol de Valência, oferecendo em relação a este uma maior proximidade com a América do Sul e especialmente com o Brasil, encurtando em três dias a distribuição por via rodoviária das mercadorias descarregadas em Sines.

A inauguração desta rota torna Sines um dos portos europeus mais importantes já que o porto português passa a ter ligações diretas à América do Sul para além das já existentes ligações aos EUA, Canadá, México, China (8 vezes por semana) e Turquia. Desta forma o importante mercado de “Transhipment” (dominado na península por Algeciras) torna-se passível de ser conquistado por Sines e espera-se que todas as estimativas de carga movimentada sejam superadas, isto apesar da crise que se começa a instalar novamente no continente europeu.

A carga transportada do Brasil que passa por Sines é atualmente pouco mais que simbólica, transitando por aqui apenas 0.012% das exportações brasileiras para a Europa. Atualmente, o maior obstáculo a que este valor seja aumentado significativamente é – além da própria capacidade do porto e a frequência das carreiras – a infra-estrutura de transportes que é claramente insuficiente. A este respeito, um TGV de mercadorias poderia representar uma solução para este problema. Um tipo de TGV que seria – segundo os estudos – muito rentável, bem ao contrário do tão badalado transporte de passageiros.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/sines-cresce-com-ligacao-directa-ao-brasil_122638.html

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Teresa Ter-Minassian: “Estes são os melhores tempos do Brasil”, mas…

Teresa Ter-Minassian (http://www.agenciafinanceira.iol.pt)

Teresa Ter-Minassian (www.agenciafinanceira.iol.pt)

“Estes são os melhores tempos do Brasil. O país emerge como o líder claro da América Latina e como interveniente-chave no plano global. A economia brasileira foi das primeiras a recuperar fortemente da recente crise financeira, e tem mantido um crescimento impressionante. A pobreza extrema diminuiu drasticamente e a desigualdade de rendimentos encontra-se em declínio, notando-se um aumento da classe média. Além disso, graças à descoberta de vastas reservas petrolíferas ao largo da costa brasileira, o país não só se tornou auto-suficiente em matéria de energia como está prestes a transformar-se num importante exportador de petróleo.”

> Os notáveis progressos sociais e económicos do Brasil, sob a Administração Lula deram ao país um sentimento de otimismo e progresso que mesmo os maiores críticos de Lula da Silva não conseguem negar. O país progrediu muito, mas continua sem uma política externa digna desse nome, realizando más escolhas sucessivas (por exemplo, apoiando o Irão dos Ayatolas) e por uma presença tímida ou ausente nos principais cenários internacionais de crise (da Somália ao Líbano, passando pelo Iraque e Afeganistão). Um gigante continental e económico que se porta como um tímido anão fora de portas, é isso que tem sido o Brasil nas últimas décadas.

“A curto prazo, é essencial evitar o sobreaquecimento económico: o crescimento anual real do PIB ultrapassou os 10% em 2010, devido a políticas monetárias e fiscais expansionistas e a condições comerciais favoráveis. É necessário garantir a desaceleração da procura nacional para um ritmo mais sustentável, para moderar a pressão no sentido da subida dos preços, que ameaça a credibilidade do combate à inflação no quadro da política monetária”.

> a inflação é de novo a grande ameaça da economia brasileira. O afluxo de capitais estrangeiros (que fogem das dívidas soberanas, anterior refúgio depois do colapso do imobiliário em 2008) e o aumento do consumo dos cidadãos brasileiros está a criar condições para fazer a inflação sair dos eixos. Como resposta, o Brasil tem que criar condições para refrear a entrada de Capital estrangeiro e para conter as despesas do Estado… Os programas sociais (que estiveram por detrás, também, dos anos Lula) poderão sofrer alguns abrandamentos, mas se o monstro da inflação despertar, será muito pior…

“O Brasil tem também de acalmar o seu inflamado mercado de trabalho e estancar a deterioração da balança externa (que passou de um ligeiro excedente a um défice de mais de 2% do PIB nos últimos 3 anos, apesar de um significativo ganho em termos de trocas comerciais).”

> a questão é que o “inflamado mercado do Trabalho” tem sido o maior responsável pela melhoria radical da qualidade de vida dos brasileiros. Cada vez mais têm empregos formais, pagando impostos e obtendo Empregos fixos e estáveis, e isto significou um aumento das receitas do Estado e a multiplicação dos consumidores que, até então, estavam condicionados à economia subterrânea. Este aumento do consumo, liberta o Brasil das flutuações de procura da economia mundial (uma das maiores fragilidades da China), mas criou no Brasil algo que é novo: um desequilíbrio na balança de pagamentos, que só pode ser resolvido incentivando à criação de indústrias de substituição que possa repor esse sempre necessário equilíbrio.

“Moderar a procura interna exige, antes de mais nada, contenção orçamental, porque mais aumentos das taxas de juro, que já são relativamente elevadas, apenas servirão para alimentar mais entradas de capital e pressionar no sentido da subida de um real já sobrevalorizado. Os gastos do Governo central aumentem cerca de 4% em termos reais em 2011 em relação ao nível historicamente elevado que atingiram em 2010″.

> esta necessidade explica a contenção da Administração Dilma em cumprir os planos de Lula nos campos da Defesa, sendo já hoje a maior razão do último adiamento do programa de reequipamento da Força Aérea Brasileira, o F-X2. Outros cortes se seguirão, nos próximos anos, sendo praticamente certo que a austeridade crescente será o principal traço desta administração, assim como a expansão e o crescimento foram os dois traços da passagem de Lula da Silva pelo Palácio do Planalto.

Teresa Ter-Minassian
Conselheira do FMI
Público, de 10 de julho de 2011

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O Brasil vai lançar o novo VLS em 2012

VLS brasileiro (http://www.wscom.com.br)

VLS brasileiro (http://www.wscom.com.br)

Após muitos atrasos e uma dose considerável de desilusões, eis que o primeiro voo experimental do novo Veículo Lançador de Satélites brasileiro aparece calendarizado para 2012. Esta foi a data anunciada pelo IAE (Instituto de Aeronáutico e Espaço), de São José dos Campos, que deverá concluir antes desta data a construção da nova TMI (Torre Móvel de Integração) do Centro de Lançamento de Alcântara (MA).

A primeira TMI foi destruída no grande acidente que então vitimou quase todos os especialistas brasileiros da época tendo sido a sua construção começada em 2009, mas esteve parada durante dois anos, devido a obstáculos judiciais.

O IAE está agora profundamente empenhado no aperfeiçoamento do VLS por forma a que os dois anteriores falhanços do foguetão não se tornem a repetir em 2012 na missão “VLS XVT-01″. O voo de 2012 irá testar a separação dos  estágios do veículo lançador tendo em vista o primeiro lançamento já com um satélite em 2014. Entre um e o outro, o Brasil tenciona lançar mais um voo experimental, o “VLS  XVT-02” em 2013.

De forma paralela a estes ensaios do VLS, o Brasil vai continuar a trabalhar no primeiro voo de teste do VLM-1. A seguir, o país lusófono vai concentrar-se no VLS Alfa de cujo sucesso depende o desenvolvimento do novo motor L75.

Fonte:
http://brazilianspace.blogspot.com/2011/01/torre-de-alcantara-ficara-pronta-para.html

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A decisão sobre o vencedor do F-X2 foi adiada para 2012

Apesar de toda a tinta que já se escreveu sobre o programa brasileiro F-X2 a verdade é que nada indica que seja tomada alguma decisão até 2012.

Na corrida, continuam a Boeing, a Dassault e a Saab. Os três fabricantes correm atrás dos 4 mil milhões de dólares dos primeiros 30 aparelhos e o principal fator de decisão continua a ser a transferência de tecnologia, por forma a permitir que o Brasil adquira no processo a tecnologia suficiente que lhe permita ser independente neste campo e construir num futuro próximo os seus próximos caças.

Até ao momento, a Dassault e o seu Rafale continuam a parecer ser os concorrentes melhor posicionados, devido precisamente à transferência de tecnologia prometida pelos franceses, já que os suecos estão limitados pelo seu uso de tecnologia norte-americana e a Boeing pelas limitações às reexportações que no passado recente já impediram exportações de aviões Super Tucanos para a Venezuela. Em suma, a França continua com vantagem, e isto apesar da recente visita de Obama ao Brasil, mas qualquer decisão será tomada apenas para o ano.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Brazilian_jet_fighter_deal_more_distant_999.html

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A Embraer vai construir uma terceira fábrica em Évora para a montagem final do Embraer KC-390?

Embraer KC-390 (http://t2.gstatic.com)

Embraer KC-390 (http://t2.gstatic.com)

O ministro da Defesa anunciou a vontade do atual governo para apoar a montagem final do transporte militar KC-390 em Évora. O aparelho irá dentro de alguns anos substituir os Hercules C-130 que equipam hoje a FAP.

O projeto irá promover e desenvolver o novo cluster aeronáutico de Évora a partir das duas fábricas que a Embraer está a construir e que se destinam à produção de componentes e materiais compósitos, que ascendem a um investimento total de 148 milhões de euros e que deverão corresponder a uma criação de mais de 500 postos de trabalho altamente qualificados.

Antecipando a montagem final dos KC-390, a autarquia local já reservou um terceiro lote de terreno com ligação direta à pista e onde poderia funcionar esta nova e terceira fábrica, que poderia empregar mais de 2500 novos funcionários.

Muitas forças aéreas no mundo estão a avaliar a substituição da frota de C-130 havendo um nicho de mercado que pode ascender a mais de 1600 aparelhos, que agora este avião da Embraer vem disputar, entrando assim esta potencial fábrica de Évora diretamente nesta concorrência, razão pela qual se trata de um projeto estratégico e vital para o interesse nacional.

Fonte:
Diário do Sul
11 de julho de 2011

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Sobre as dificuldades atuais da indústria espacial brasileira

Satélite brasileiro Amazónia 1 (http://www.fne.org.br)

Satélite brasileiro Amazónia 1 (http://www.fne.org.br)

O programa espacial brasileiro continua em dificuldades. Navegando entre vários escolhos, o país foi até recentemente obrigado a adiar o lançamento do satélite de observação Amazônia 1, inicialmente previsto para abril de 2010 foi agora adiado para 2012.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE): “a adaptação da indústria nacional aos padrões espaciais foi mais demorada do que se imaginava inicialmente. As indústrias penaram para aprender como fazer”.

Apesar disso, está em construção um satélite brasileiro com cerca de 550 kg e totalmente desenvolvido e fabricado no Brasil a partir do trabalho de 15 empresas locais. Uma das dificuldades, foi a falta de conhecimento sobre a tecnologia espacial, mas a curva de aprendizagem tem evoluído e o principal objetivo do satélite é o de desenvolver a tecnologia local, não lançar um satélite. Alguns dos componentes não conseguiam resistir nas câmaras que simulavam as duras condições do Espaço, e tiveram que ser refabricados.

Segundo a deputada federal Elizabeth Veloso, “a industria espacial nacional tem dificuldade de se desenvolver por falta de continuidade do Programa Espacial Brasileiro.” e sem “fluxo de compra”, não pode haver verdadeira industria espacial.

O caráter incipiente da industria espacial deixa o país lusófono na dependência das grandes potencias para lançar os seus satélites e monitorizar os seus extensos recursos naturais e geológicos.

Segundo Célio Costa Vaz, diretor da Orbital Engenharia Ltda, “o programa espacial encontra-se em espiral descendente” por falta de um volume de encomendas que permita que a industria espacial local viva com estabilidade. A entrega de um modelo de voo do gerador solar que vai equipar o satélite sino-brasileiro Cbers 3 (a lançar em 2012) é uma das raras excepções.

O Brasil deixa-se assim ficar para trás, quer em tecnologia de satélites, quer em tecnologia de lançadores quer (sobretudo) nos objetivos de médio e longo prazo. Atualmente o Brasil tem um programa espacial muito mais imaturo do que qualquer outra nação economicamente ou demograficamente comparável. Nem mesmo domina a tecnologia mais básica, a de lançadores, já que o Cyclone 4 é de facto uma variante civil dos ICBMs soviéticos da Guerra Fria. Países como o Irão, a China, a Coreia do Norte, o Japão e a Índia estao hoje muito mais avançados e alguns deles prestes a colocarem astronautas por meios próprios (Irão e Índia). O Brasil, por seu lado, nem sequer tem um lançador operacional. Precisa-se de estratégia e financiamento. Mas não há sinais que tal venha a suceder num futuro próximo com os cortes orçamentais impostos pela ameaça inflacionista e com alheamento dos temas do Espaço do discurso da nova Presidente.

Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/ti/falta-de-dominio-tecnologico-atrasa-satelite-13062011-8.shl

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O Brasil vai começar a construção de submarinos da classe Scorpène

Submarino Scorpène (http://www.military-today.com)

Submarino Scorpène (http://www.military-today.com)

A Marinha Brasileira vai começar a construção de submarinos franceses da classe  Scorpène. A fabricação sob licença é um resultado do Acordo Estratégico Brasil-França, de 2008, que haveria de dar origem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).

O começo da fabricação vai ser comemorado numa cerimónia com a presidenta Dilma Rousseff. No total prevê-se a construção de 4 navios e a incorporação do know-how necessário à construção destes submarinos será crucial para a construção do primeiro submarino nuclear de ataque brasileiro (SNA).

Os Scorpène terão componentes fabricados por mais de trinta empresas brasileiras e vão representar um passo decisivo para tornar o Brasil numa das potencias navais mais importantes do mundo, contribuindo para tornar esta grande nação lusófona num dos seis países do mundo capazes de construir e operar submarinos de propulsão nuclear.

Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/ti/brasil-vai-fazer-submarino-com-franceses-14072011-31.shl

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No Brasil, a “Alcântara Cyclone Space” continua encravada…

Foguetão Cyclone 4 da ACS (http://www.inforel.org)

Foguetão Cyclone 4 da ACS (http://www.inforel.org)

Não deixa de ser curioso que uma das mais importantes potencias emergentes da atualidade, o Brasil tenha um dos programas espaciais mais atrasados entre estas. E é ainda mais curioso que apesar desse atraso existam não um, mas dois programas alternativos.

O projeto que a curto prazo daria maiores garantias de sucesso é o da empresa bi-nacional ucraniana e brasileira Alcântara Cyclone Space. Mas a ACS está atualmente imobilizada pela falta de recursos financeiros, bloqueados pelo governo de Dilma Roussef.

A empresa não conseguiu ainda realizar o primeiro lançamento do seu Cyclone 4 da base de Alcântara, está em graves dificuldades financeiras (não pagando aos fornecedores desde abril) e se não receber dinheiro fresco rapidamente fechará as portas ainda em 2011.

Não falta contudo quem acuse a ACS de falta de transparencia na gestão dos seus fundos, provenientes em 50% de cada um dos países signatários, que também partilhariam em idêntica proporção os resultados de exploração. Mas dos mil milhões de Reais necessários, o Brasil já entregou 218 mil, enquanto que a Ucrânia apenas enviou para a ACS menos de metade desse valor, o que está na direta razão das dificuldades da empresa… Este subfinanciamento tem feito adiar o primeiro lançamento, inicialmente previsto para 2010 e agora adiado para 2013.

Estima-se agora que o Brasil entregue mais uma tranche em julho e a Ucrânia em setembro.

Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/politica-trava-programa-espacial-brasileiro-16062011-8.shl

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Sobre o projeto brasileiro de Scramjet: o 14-X

Scramjet 14-X (http://www.defesabr.com)

Scramjet 14-X (http://www.defesabr.com)

O Instituto de Estudos Avançados da Força Aérea do Brasil está a trabalhar num protótipo que deverá ser lançado pela primeira vez em 2013 e que tem o críptico nome 14-X.

O 14-X usa propulsão com a tecnologia Scramjet e deverá ser lançado por um foguete convencional, alcançando assim a velocidade requerida para que o Scramjet possa começar a funcionar. Nos primeiros dois testes, o Scramjet voará sempre acoplado ao foguete lançador, mas no terceiro será libertado e voará de forma independente até aquela que se crê ser a sua velocidade máxima de Mach 10.

A tecnologia Scramjet é o “santo graal” da propulsão de foguetes. Países como os EUA e a Austrália têm realizado aqui grandes investimentos dado que pela ausência de partes móveis se conseguem alcançar grandes velocidades com uma grande redução de peso pela poupança do comburente, que é recolhido diretamente da atmosfera (oxigénio) e não transportado em tanques dentro do foguete. A tecnologia tem a dificuldade de só funcionar a altas velocidades, devido à necessária hiper-compressão do oxigénio antes deste ser lançado na câmara de combustão.

Ficamos assim na expetativa do sucesso do 14-X  e que este dê ao dormente programa espacial brasileiro o impulso de que este precisa…

Fonte:
http://www.gizmodo.com.br/conteudo/brasil-prepara-14-x-uma-nave-hipersonica-para-voar-em-2013/

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Resposta a Riquepqd sobre uma União Portugal-Brasil

Este comentário de Riquepqd deriva de um artigo publicado recentemente no Finantial Times num muito pejorativo para com Portugal (algo que infelizmente esta longe de ser uma raridade na imprensa britânica). No essencial, o FT alega que Portugal devia tornar-se numa província brasileira, ao que Riquepqd responde:

“retiraríamos o termo província, que tem uma conotação pejorativo neste tipo de discussão, substituiríamos por Estado.”
– Obviamente, o termo “província” tem no articulado britânico uma intenção meramente insultuosa… Pretende tornar o milenar Portugal num apêndice de um outro pais, classificando como secundário, desprezível e irrelevante, como uma pulga que qualquer nação no mundo consegue esmagar. Desenganem-se os britânicos… A lista de invasores que tentaram absorver Portugal ‘e inumera e todos tem algo em comum: falharam. Portugal não ‘e um “estado falhado” e nunca será. O mesmo não se poderá dizer do Reino Unido quando as suas “colónias insulares” começarem a sair (a começar pela Escócia)…

Riquepqd prefere a aproximação politica entre Portugal e Brasil seguindo o primeiro um formato de “Estado”. ‘E verdade que o estatuto de “Estado” garante a essa entidade um maior grau de autonomia e auto governo que uma “província” (especialmente num estado relativamente muito centralizado como o brasileiro). Um Estado deve ter um elevado padrão de auto-governo e um amplo leque de competências, recursos e finalidades. De facto, na minha Visão os “Estados” devem ser confederados e não federados, mas o essencial das competências que tradicionalmente lhe são atribuídas devem ser delegadas a nível autárquico (descentralização municipalista), pelo que seria a este patamar (e não ao nível do Estado) que residiria o essencial do exercício da cidadania e do poder politico, o desvalorizaria a polémica Estado-Provincia, em grande medida…

“Segundo, hoje Portugal é um “federado” entre estrangeiros, quase sem voz e com graves problemas económicos na União Europeia.”
- Sendo esse estatuto menor e inferior obtido pelos europeus (liderados por uma alemanha que parece ter esquecido já as lições do expansionismo germânico do século XX) sem que tivesse havido um só referendo onde os cidadãos de Portugal tivessem expresso a sua vontade soberana em transferir a mesma para fora do seu pais. Nunca houve em Portugal um “referendo europeu” que legitimasse a deriva “federalista” (de facto, “centralista”) nem a submissão dos países mais pequenos aos maiores e mais ricos.

“Na federação brasileira, por sua importância histórica, política e geográfica, teria papel de destaque em todos os campos, principalmente no político, assim como fazem São Paulo e Rio de Janeiro.”
- De facto, o modelo que advogo (e advogamos no MIL) ‘e diverso: não ‘e uma absorção pura e simples na já existente federação brasileira, mas a formação de uma união lusitana, em que Portugal, Brasil e os demais paises lusofonos estariam ao mesmo nível (o modelo atual de funcionamento da CPLP), sendo este o único capaz de calar os criticos que apregoam “novos imperialismos” resultantes do papel “imperial” histórico português ou demográfico e económico atual do Brasil. Seria uma confederação de Estados independentes, intensamente descentralizada a nível municipal e profundamente diferente (no que concerne ao exercício da democracia) dos atuais modelos de Estado que hoje conhecemos, portanto.

“Terceiro, Brasil e Portugal teriam grandes vantagens em se tornar ao lado da França e Reino Unido, uma nação transcontinental. Com Portugal, o Brasil consolidaria papel entre os protagonistas do mundo, e com o Brasil, Portugal voltaria a ter no mundo o papel relevante que sempre teve.”
- De facto. Seríamos uma autêntica superpotencia mundial: com um pé na região mais desenvolvida do mundo (a Europa) e outro numa das potencias com mais potencial (o Brasil). Complementados com Angola e os seus numerosos recursos naturais, formaríamos um triângulo inigualável no mundo e ímpar na Historia.

“Quarto, a sufocada economia portuguesa voltaria a ter gigantescas esperanças de recuperação, já que ganhariam novos 190 milhões de consumidores, com aumento sem precedentes do mercado consumidor, aumentariam as vendas, os empregos, o PIB e etc.”
- e o Brasil beneficiaria igualmente dos bons (porque os há) ensinamentos portugueses no processo de unificação europeia, da mao de obra qualificada portuguesa, das suas ligações únicas na África lusofona e na comunidade migrante portuguesa dispersa pelo mundo, do avançado estado de desenvolvimento da Ciência e da industria tecnológica portuguesa, entre muitas outras vantagens.

“Quinto, o crescimento económico no Brasil estaria garantido durante alguns anos, já que está ameaçado por falta de mão de obra qualificada, porque não faltaria mão de obra qualificada oriunda de Portugal. E de quebra reduziria a níveis mínimos o desemprego em Portugal.”
- Ora bem. Um excelente exemplo de como a aproximação poderia beneficiar ambas as partes; falta de Emprego de um lado, procura do mesmo do outro.

“Sexto, a dívida soberana portuguesa seria liquidada, porque é inexpressiva em relação as reservas do tesouro brasileiro, com isto, todo o PIB português voltaria a ser investido em melhorias para o povo português, ao invés de ter parte sendo usada para pagar os juros da dívida, com isto Portugal também não precisaria se submeter aos desmandos do FMI ou das arrogância dos seus “irmãos” europeus.”
- Sendo ainda mais importante que fossem criadas condições para que Portugal não continuasse neste ritmo suicidario de endividamento constante e crónico. O Brasil poderia facilmente absorver a Divida portuguesa, mas essa absorção teria que ser submetida a referendo, por forma a não minar um relacionamento que não poderia (re)começar com equivocos latentes ou silenciosos…

“Sétimo, Portugal tem índices sociais melhores que os do Brasil, com isto o Brasil poderia aprender quais as experiências positivas portuguesas para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e erradicar de vez a miséria.”
- Decerto. Poderia aprender com a boa experiência do municipalismo português (muito atrasado ainda no Brasil), com a experiência das Renováveis e da Banda Larga, da promoção da investigação cientifica e do dinamismo das tecnológicas, etc…

“Oitavo, O preço dos alimentos em Portugal reduziria exponencialmente, já que deixaria de importar a impostos altos boa parte do que consome. Já que o Brasil exporta alimentos, e sendo Portugal um federado do Brasil, acabariam as importações, seria uma compra dentro do próprio país”
- Correto. Não haveria taxas aduaneiras, o que beneficiaria a todos, mas tal teria que ser feito de forma a – primeiro – preservar a agricultura portuguesa e a – segundo – ate a promover, nas áreas onde ela ‘e realmente competitiva.

“Nono, um novo BRIC europeu ocidental seria muito mais influente no mundo, com isto a cultura luso-brasileira seria muito mais divulgada no mundo.”
- Não seria um BRIC, mas um ULRIC (União LusofonaRIC)… Uma potencia única no mundo, em extensão continental (quatro continentes!), com centenas de milhões de falantes na mesma língua e… Exemplar no que concerne a democracia e liberdade (ainda que houvesse necessidade de corrigir certos desvios que hoje existem em Angola)

“Décimo, essa é a que eu mais gosto, a selecção brasileira + o Cristiano Ronaldo!
Imagine só um ataque formado por Neymar e C. Ronaldo? Seríamos imbatíveis novamente.”
- :-) não ligo muito a futebol, e o Ronaldo não deve ser eterno, hem!

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A “Guerra da Guiana” de 1808

Fusileiro Naval português (https://www.mar.mil.br)

Fusileiro Naval português (https://www.mar.mil.br)

Ao chegar ao Brasil, em 1808, depois da sua retirada de Lisboa, uma das primeiras decisões do príncipe regente Dom João VI foi a de enviar cartas a todos os governantes europeus comunicando-lhes que Portugal continuava em guerra com a República Francesa. Como o Brasil tinha fronteiras comuns com a Guiana Francesa, isolada da metrópole e sem o apoio da frota francesa, a opção de atacar a Guiana era natural.

Dom João VI, ordenou ao governador geral Magalhães e Meneses que reunisse no Pará uma força expedicionária sob o comando do tenente-coronel de artilharia Manuel Marques de Sousa. A força reunida em 1809 consistia em mais de 900 soldados e apressou-se a marchar em direção da capital da Guiana Francesa, Cayenne.

Esta força terrestre era complementada por uma armada, comandada pelo capitão britânico James Lucas Yeo, a partir da fragata Confiance com 26 peças de artilharia. Além desta fragata, seguiam na armada luso-britânica, os brigues “Voador” de 18 peças sob o comando de José António Salgado e o “Infante Dom Pedro”, também com 18 peças e comandado por Luís da Cunha Moreira. A esquadra era completada com a escuna “General Magalhães” de 12 peças e ainda por dois cúteres, “Vingança” e “Leão” sob o comando do tenente Manuel Luís de Melo. Seguiam ainda nesta armada 3 canhoeiras de nome desconhecido. A força embarcada de fuzileiros era comandada por Luís da Cunha Moreira e ascendia a 300 fuzileiros britânicos.

O primeiro enfrentamento entre as forças terrestres portuguesas e francesas teve lugar a 15 de dezembro de 1808, nas margens do rio Aproak, tendo resultado na tomada de duas embarcações de carga francesas. As semanas seguintes são gastas tomando todas as fortificações francesas do rio Maroni, uma após outra, sempre com escassa resistência. A 6 de janeiro de 1809 a coluna portuguesa ocupa o forte “Diamand” e a 7 de janeiro, o forte “Dégard des Cannes”, a 8, cai, por sua vez, o forte “Trió”, todos na ilha de Cayenne. Estabelece-se então o cerco à capital da Guiana Francesa onde o governador Victor Hughes tinha reunido todas as suas forças,numericamente comparáveis às portuguesas contando com 500 soldados de linha, auxiliados por dezenas de civis armados e algumas centenas de escravos libertos e armados no último momento pelos seus senhores franceses. Os franceses esperavam  resistir na capital da colónia o máximo de tempo possível. Mas Hughes estava isolado, sem reforços nem apoio da sua metrópole e a 12 de janeiro de 1809 haveria de dar por inútil toda a resistência e render-se, quase sem ter chegado a combater, assinando em Bourda a sua rendição.

Após a rendição, a “Guiana Francesa” foi redesignada “Colónia de Caiena e Guiana” e passou a ser administrada pelo desembargador João Severiano Maciel da Costa, mais tarde marquês de Queluz.

Os objetivos da “Guerra da Guiana” foram duplos: por um lado, Portugal reafirmou assim que continuava em guerra com a França napoleónica, do ponto de diplomático. Por outro lado, a “Guerra da Guiana” permitiu também um ajustamento das fronteiras entre o Brasil e a Guiana Francesa, alterando as fronteiras acordadas pelo Tratado de Utrecht. Com esta alteração, a fronteira regressava ao rio Oiapoque, anulando acordos anteriores e que eram menos favoráveis aos interesses portugueses.

A derrota napoleónica de 1814, fez com que o reinstaurada monarquia francesa na pessoa do rei Luís XVIII, se tivesse apressado a reinvidicar a posse da Guiana junto do governo português. Dom João VI começou por resistir e a questão teve que ser levado ao Congresso de Viena em 1815. Em Viena, a França aceitaria as fronteiras atuais e em 21 de novembro de 1817, a guarnição portuguesa deixaria o território regressando ao Brasil e o governo da colónia ao conde Carra de Saint-Cyr. Como com a recusa do regresso de Olivença, a devolução da Guiana ficaria na história como mais uma ignomínia inglesa contra Portugal, castigando-o por não ter querido enviar os seus regimentos para a batalha de Waterloo…

Fontes:
FERREIRA, Fábio. A política externa joanina e a anexação de Caiena: 1809-1817. In: REVISTA TEMA LIVRE.
GOYCOCHÊA, Luís Felipe de Castilhos. A diplomacia de dom João VI em Caiena. Rio de Janeiro: G.T.L., 1963.
http://www.bairrodocatete.com.br/domjoaovi1.html
Revista O Anfíbio, Marinha do Brasil, no 26, ano XXVII, 2008.
http://www.portugal.pro.br/portugal18.htm
FERREIRA, Fábio. A política externa joanina e a anexação de Caiena: 1809-1817. In: REVISTA TEMA LIVRE.

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Os aviões F5-BR da FAB serão atualizados pela AEL Sistemas

A empresa “AEL Sistemas” recebeu um contrato da Embraer para a apoiar na atualização de mais 11 aviões Northrop F-5 da Força Aérea Brasileira.

A AEL é uma subsidiária local da empresa israelita Elbit Systems e irá instalar nos F-5 um novo radar, monitores, um computador de missão e equipamento de guerra eletrónica.

No total, este contrato de modernização dos F-5 com a AEL vai ascender a 85 milhões de dólares e os seus trabalhos deverão prolongar-se até 2013, incluindo um simulador de voo, peças sobresselentes e equipamento de terra.

Este contrato segue-se a contratos anteriores e irá permitir manter níveis de operacionalidades mínimos enquanto o Brasil não decide qual será o sucessor deste aparelho pelo vencedor do programa F-X2.

Fonte:
http://www.flightglobal.com/articles/2011/04/11/355422/brazil-to-upgrade-more-f-5-fighters.html

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Sobre a “proposta” do Financial Times para que o Brasil anexasse Portugal

Finantial Times (http://www.emo-milan.com)

Finantial Times (http://www.emo-milan.com)

Ainda que a proposta recentemente anunciada pelo “Financial Times” de que o Brasil anexasse Portugal tenha tido intenções pouco serias, a verdade é que merece uma boa, desapaixonada e profunda reflexão.

Elaborada em tom jocoso ou arrogante (duas características da “forma inglesa de viver no mundo”) a proposta do FT implicaria desde logo a imediata saída do Euro e da União Europeia… A notícia está recheada daquela irritante superioridade inglesa, com indiretas à incapacidade de gestão portuguesa, infelizmente com fundo de verdade, dada a trágica situação atual. Do ponto de vista económico, o Brasil cresceu 7.5% em 2010, já é um credor líquido do FMI (depois de ter sido no passado um dos seus maiores devedores) e é um dos países que pela sua riqueza agrícola e petrolífera melhores perspetivas de crescimento tem no mundo. Dito assim, Portugal teria muito a ganhar com essa “anexação”…

A palavra “anexação” tem contudo uma muito evidente conotação negativa e surge num tabloide inglês precisamente por essa razão: os nossos “amigos de Peniche” não perdem uma ocasião para diminuir Portugal e usaram esta proposta de união Portugal-Brasil para humilharem Portugal.

A verdade contudo é que a Europa já demonstrou que não é uma via estratégica de futuro para Portugal. E o Brasil – e depois dele, uma União Lusófona – poderia ser essa alternativa estratégica que Portugal precisa agora. O Brasil poderia ter essa visão global e estratégica, mas continua a ser o mesmo anão diplomático de sempre e poderia ter aproveitado a situação financeira portuguesa para alavancar uma posição de predominância na Europa ao conceder um grande empréstimo bi-lateral com Portugal que permitisse a este dispensar o recurso ao FEEF/FMI aplicando assim os mais de 45 mil milhões de dólares da reservas de divisas que o Brasil guarda hoje nos seus cofres…

Mas tal não sucedeu. O Brasil não acorreu a Portugal e Portugal não se esforçou por encontrar essa alternativa lusófona. Nem se cumpriu o desejo do jornalista da Folha de São Paulo: “A ver se essa generosidade se estende aos países não vizinhos, mas historicamente irmãos.”

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/patriciacamposmello/896600-portugal-colonia-do-brasil-uma-proposta.shtml

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O Rafale já não é o favorito no programa brasileiro F-X2…

As lutas entre a opção Rafale (favorecida pelo poder político) e a Gripen (preferida pela força aérea brasileira) parecem ter esmorecido com a estagnação de toda a evolução do programa F-X2 que se registou após a chegada de Dilma Rousseff a Brasília.

Com efeito, o programa de mais de 6 mil milhões de dólares está parado desde que Lula da Silva adiou esta decisão até depois da tomada de posse de Dilma. Dilma prolongou o processo de seleção durante mais alguns meses e é provável que o programa F-X2 seja reponderado por forma a ser compatível com a redução de despesa que o governo brasileiro colocou como prioritária por forma a travar as tendências inflacionistas que se registam hoje na economia do Brasil. O ministério da Defesa, por exemplo, terá que cortar 26% do seu orçamento mas não é  ainda claro se este corte vai ter ou não impacto no F-X2.

Em fevereiro, surgiram notícias de que Dilma teria confidenciado ao Secretário do Tesouro dos EUA que preferia o Super Hornet da Boeing sobre o Rafale (que parecia ser o favorito de Lula da Silva) uma inclinação que concorda com a do CEO da influente Embraer que admitiu o mesmo tipo de inclinação, segundo se veio a saber através do Wikileaks. Isto coloca o Rafale em muitos maus lençóis já que a Força Aérea prefere o Gripen NG e Lula da Silva (que preferia o Rafale e uma aliança global de Defesa com França) já não está em Brasília…

Fonte:
http://www.flightglobal.com/articles/2011/04/04/355044/waiting-continues-for-brazils-f-x2-contract-decision.html

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Segundo fontes do ministério brasileiro de Defesa, a maioria do inventário militar brasileiro estaria fora de serviço

Porta-aviões "São Paulo" (http://www.defesabr.com)

Porta-aviões "São Paulo" (http://www.defesabr.com)

Segundo fontes do ministério brasileiro de Defesa, a maioria do inventário militar brasileiro estaria fora de serviço. A notícia surgiu no jornal “Folha de São Paulo” e expõe uma triste situação para um país que aspira a ser uma potencia mundial que os cortes no orçamento de Defesa recentemente anunciados pela presidenta Dilma Rousseff irão agravar ainda mais.

O ambicioso programa de rearmamento lançado pelo anterior presidente Lula da Silva está agora comprometido pela decisão de conter a despesa pública e os receios inflacionistas que esta pode potenciar.

Segundo Folha mais de metade do inventário militar brasileiro está inutilizável. Por exemplo, dos 1953 blindados do Exército, apenas 1079 estão operacionais. A situação na Marinha é idêntica sendo que dos teóricos 98 navios de guerra apenas 48 estão de facto capazes de cumprir serviço ativo. A força aérea está num estado ainda mais deplorável, sendo que dos 208 caça-bombardeiros teoricamente disponíveis, apenas 85 estão de facto em estado de voar. Apenas 100 dos 298 aviões de transporte e somente 27 de 73 helicópteros estão realmente disponíveis.

O Brasil tem pendentes dos tempos da Presidência Lula o plano de reequipamento da Marinha com 5 submarinos convencionais de ataque – desenvolvidos em parceria com a França – assim como um submarino nuclear de ataque. A Força Aérea receberia uma importante adição com a aquisição de 36 novos aviões de combate no âmbito do programa F-X2. Estes programas permitiriam uma reconstrução apenas parcial da capacidade militar teórica da capacidade de Defesa brasileira e nenhum garantiria ao Brasil a capacidade de projeção de poder militar que o estatuto de potencia mundial exige. Mas agora até estes programas estão em risco e, com eles, as aspirações brasileiras a que esta grande nação lusófona assuma o seu lugar ao lado das grandes potencias mundiais.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Report_Brazils_military_wares_obsolete_999.html

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Lauro Moreira: “A língua portuguesa é hoje a quinta mais falada do mundo”

Lauro Moreira (http://liberal.sapo.cv)

Lauro Moreira (http://liberal.sapo.cv)

“A língua portuguesa é hoje a quinta mais falada do mundo, o terceiro idioma europeu usado fora do Velho Continente e, finalmente, a nona língua na Internet, sendo portanto identificada como um valioso património cultural, político e mesmo económico.”
Lauro Moreira

Fernando Pessoa acreditava que o Quinto Império seria não um “império” materializado em domínios e territórios reais e concretos mas na língua portuguesa. Apesar deste sonho profético de um dos seus maiores vates, Portugal nunca soube aproveitar o imenso capital que é o de ser a matriz originária de uma língua ímpar, presente em 5 continentes e falada por algumas das mais dinâmicas economias do mundo.

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Debate “A Importância da Lusofonia”

Participei recentemente num debate intitulado “A Importância da Lusofonia”, na secção de Sintra, do PS, em Agualva-Cacém. O debate conheceu uma assistência muito numerosa – para estes tipo de debates – contando na assistência com mais de 30 participantes, um feito para o qual muito contribuiu o esforço organizativo do Filipe Barroso, nosso camarada nas andanças de Campanha de Fernando Nobre e coordenador local da Juventude Socialista.

O debate começou por ser uma apresentação daquilo que é o MIL, da sua escala lusófona, com representantes, membros e sócios honorários provenientes de todas as paragens da lusofonia, da Galiza a Timor, passando por Cabo Verde e pelo Brasil.

Numa segunda parte, foi dada uma passagem global sobre os princípios e objetivos do MIL com especial foco no papel crucial que o pensamento de Agostinho da Silva teve como inspiração para o MIL. Especial foco foi dado sobre a defesa de uma Regionalização Municipalista, a opção por União Lusófona em caso de colapso da União Europeia no desfecho da atual crise económica e de valores que atravessa, de Economias e Moedas Locais, no direto decurso do Municipalismo defendido pelo MIL sob a inspiração da “federação de municípios livres e independentes” de Agostinho da Silva.

Na terceira parte do debate, foi abordada a ação cívica do MIL, desde a petição “Não Destruam os Livros”, apresentada e já debatida na Assembleia da República (tendo estado presente um deputado do PS que era sabedor desta presença), assim como as campanhas do MIL a favor da ONG Ajuda Amiga de envio de livros para a Guiné-Bissau, e em cuja distribuição iremos participar pessoalmente em março e a campanha para Baucau, em Timor.

Apresentámos as mais importantes propostas do MIL, como a Força Lusófona de Manutenção de Paz, o Banco Lusófono de Desenvolvimento e o Passaporte e a Cidadania Lusófona. A intervenção foi concluída com referencias ao Prémio Personalidade Lusófona do Ano de 2009, onde foi agraciado o embaixador Lauro Moreira e um convite à audiência para estar presente no próximo dia 21 de fevereiro na cerimónia de entrega do mesmo prémio a D. Ximenes Belo na Academia de Ciências de Lisboa.

O debate aberto que encerrou este interessante e muito animado encontro versou sobre temas muito polémicos, como o Acordo Ortográfico, o estado do Instituto da Língua Portuguesa, o papel do Brasil no futuro da língua portuguesa, a presença da Galiza na Lusofonia, Portugal e a sua vocação como “território-ponte”, a presença de Portugal na União Europeia e a crise do Euro. Entre vários, destacamos Filipe Barroso (coordenador da JS Local), Eduardo Quintanova (coordenador do PS do Cacém) e Ana Loureiro (ex-deputada).

No global tratou-se de um debate muito aberto, dinâmico e participativo que abordou aquilo que é o MIL, para onde o Movimento objetivo o destino de Portugal e da Lusofonia e onde a necessidade de um reenfoque lusófono da política externa portuguesa e da própria integração das comunidades migrantes lusófonas foram temas especialmente importantes.

Categories: Brasil, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono | 5 Comentários

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