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Um historiador da Ciência da Universidade de Manchester, no Reino Unido, Jay Kennedy, encontrou aquilo que acredita ser um “código secreto” oculto em algumas obras de Platão. A descoberta resultou da análise da contagem das linhas dos textos originais em grego das obras do mais famoso filósofo grego da Antiguidade Clássicas.
Na Antiguidade, a contagem de linhas era um método muito utilizado porque os escribas eram pagos à linha e os manuscritos eram classificados em função do número de linhas e não do de páginas, como hoje é usual fazer. Uma das formas de conferir se a cópia estava idêntica ao original era também através da contagem de linhas. Tudo isto aponta para que a distribuição dos textos platónicos pelas linhas do manuscrito hoje conhecida seja idêntica à conhecida na Antiguidade Clássica.
O trabalho de Jay Kennedy consistiu no registo digital das ocorrências de palavras e linhas dos textos de Platão, procurando por padrões que não pudessem ter origens aleatórias.
O investigador descobriu que os Diálogos estão organizados em múltiplos de doze (o que já se sabia): a Apologia com 1200 linhas,Protágoras, Crátilo, Filebo e Simpósio com 2400, Górgias 3600 e a República com 12000. Descobriu também que as passagens mais importantes se concentravam sempre entre o oitavo e o décimo doze avos de cada uma destas obras. Identificou ainda que os temas se distribuem pelas obras platónicas numa escala que se assemelha a uma escala musical, de 12 notas de uma oitava em que os temas “virtuosos” ocorrem nas posições das notas harmónicas e os negativos nas posições das notas que correspondem a dissonâncias.
É sabido que muitos textos da Antiguidade têm uma densidade simbólica insuspeita: o Antigo Testamento, as Centúrias e os Lusíadas são apenas alguns exemplos onde a distribuição e ocorrência de certas palavras foram imbuídas de uma dimensão transversal de significantes que atravessam e enriquecem o próprio texto aparente e literal. É portanto perfeitamente plausível que tal densidade geométrica exista também na obra daquele que era à sua época um dos homens mais cultos do mundo: Platão.
Este governo pode ter conseguido o “milagre estatístico” de fazer Portugal alcançar as médias europeias de sucesso escolar (p.ex. na Matemática), mas à custa de um facilitismo cada vez menos camuflado e de provas e exames cada vez mais fáceis além de pressões (por vezes intensas) aos professores para que não “traumatizem” as crianças, chumbando-as. Assim o Ensino se torna mais um “divertimento” e um exercício de “felicidade” e menos um caminho de Exigência e de formação de cidadãos ativos e competentes.
Esta moda abjecta conhecida como “sagging” nos EUA está a ser proibida em muitas escolas e Estados norte-americanos. A “moda” é usada como símbolo de negação da autoridade e como expressão de rebeldia (o que é saudável), mas serve sobretudo para afrontar os outros e servir de forma de desafiar a autoridade que tem que existir no Professor, na Escola e na Sala de Aula e sem a qual não pode haver um sistema educativo minimamente eficiente.
O episódio é igualmente revelador de uma Escola onde – mercê de sistemáticas declarações estúpidas da anterior ministra – se instalou um clima em que os alunos se sentem imunes de qualquer ação disciplinar e onde o facilitismo criminoso (para a qualidade do Ensino e para a formação dos futuros cidadãos) se tornou regra.
Acreditamos que a Escola só poderá cumprir a sua missão se os professores não tiveram autoridade na sala de aula, se não for regida por critérios de exigência e se, sobretudo, não forem aplicados os critérios agostinianos de Educação livre e simplificada propostos pelo professor.
Todos os programas de apoio à informatização da juventude, do E.escola ao E.Escolinha poderiam ter sido aproveitados para aumentar a infoliteracia e a produção nacional de software. Essa foi aliás a abordagem seguida pelo governo do lusófono Brasil, com grande sucesso e poupanças assinaláveis.
Neste sentido, todos estes computadores deveriam ter sido equipados não com o software e sistema operativo fechado da multinacional norte-americana Microsoft, mas nomeadamente, com o Caixa Mágica, uma conhecida e muito reputada distribuição portuguesa de Linux.
Atualmente, é possível optar por arrancar um Magalhães em XP ou em Caixa Mágica, mas um responsável pelo Caixa Mágica veio admitir recentemente que a empresa de Redmond teria feito pressões para suprimir até esta opção, forçando o arranque exclusivo no seu sistema.
Felizmente, o Ministério da Educação e a JP Sá Couto souberam travar esse ímpeto monopolista e hoje o “dual boot” é ainda possível nos Magalhães. Mas o sistema da Microsoft e a sua dispendiosa suite de Office estão lá, doutrinando as nossas crianças para serem fiéis clientes da marca quando chegarem à idade adulta e dificultando a libertação de milhões de euros pagos anualmente à Microsoft em licenças de utilização do seu software, dificultando cada vez mais a adopção de software de código livre (e gratuito) na nossa sociedade e economia, com todos os serviços locais de desenvolvimento e manutenção que poderiam criar e que assim – pelo contrário – são transferidos para os centros de desenvolvimento que a multinacional mantêm no mundo, mas especialmente para os EUA e Índia.
Uma tese de doutoramento “Desempenho Escolar, Desigualdades Sociais e Etnicidade” demonstra que os alunos portugueses provenientes de famílias de origem indiana têm melhores desempenhos escolares que os de origem cabo-verdiana ou portuguesa. O estudo comparou os níveis de reprovações dos descendentes de imigrantes indianos e cabo-verdianos, comparando-os com os autóctones. A diferença de desempenhos escolares entre os grupos observados não reside tanto no bairro (social ou não) nem nas habilitações dos pais (académicas ou linguísticas) mas na capacidade deles e das suas famílias em se adaptarem e ao apoio dos pais e professores, que fazem aparentemente toda a diferença.
Aparentemente, a grande diferença entre a comunidade migrante indiana e as demais, no que concerne ao desempenho escolar é a sua capacidade para se integrarem na sociedade, sem perderem a sua identidade cultural e linguística. E é precisamente na dificuldade de viver nestes dois mundos culturalmente distintos que reside a maior dificuldade dos alunos de origem cabo-verdiana.
Em suma, o multiculturalismo não parece ter bons resultados no desempenho escolar… Ou pelo menos não aquela sua forma que cria na mente das criações confusões e “presenças múltiplas” em dois mundos: o português e o cabo-verdiano. A solução indiana, que reconhece a pertença a duas culturas distintas, mas separadas, parece mentalmente mais saudável e em termos restritos de rendimento escolar tem um sucesso comprovado aqui por este estudo.
O estudo PISA, da OCDE encontrou uma ligação estatística entre os estudantes com pior desempenhos escolares e taxas de desemprego superiores. Parece óbvio, mas esta demonstração de que quem tem maus desempenhos escolares aos 15 anos não conseguem entrar nos melhores cursos, e deixa escapar os empregos mais bem remunerados, é cabal e reforça o senso comum. O estudo foi realizado no Canadá e englobou mais de 30 mil jovens durante mais de dez anos.
O estudo demonstrou que os jovens com melhor desempenho no secundário apresentavam 20 vezes mais hipóteses de chegar às universidades que os com pior desempenho. E o mesmo sucede quando estes jovens ingressaram no mercado trabalho, recebendo em média as mulheres mais 13% que as com pior desempenho escolar e mais 5% os homens. E o desemprego afetava 14% dos homens com piores desempenhos, contra 8% entre os melhores.
Moral da história? Ser um bom estudante – mesmo no Secundário – parece ser muito importante para que tenhamos um adulto realizado e empregado, razão pela qual este ciclo de ensino é fundamental para criar uma sociedade sã e equilibrada e razão pela qual devemos estar especialmente atentos ao desempenho escolar dos nossos jovens, especialmente neste período.
“o documento assinado entre o governo e a Intel definiu que a distribuição de 500 mil computadores pelos alunos do 1o ciclo teria exclusivamente tecnologia Intel. Apesar de existirem outros produtores mundiais especializados em computadores para crianças (como a Negroponte)”
(…)
“ficou ainda acordado que Portugal teria que envolver-se no “lançamento e promoção da Iniciativa Magalhães a nível nacional e internacional bem como no planeamento, desenvolvimento e lançamento de iniciativas de cooperação com outros países.”
Ou seja, o Governo assumiu como obrigação sua publicitar noutros países o produto comercial da Intel que seria fabricado pela JP Sá Couto. Como de facto, acabou por verificar-se com a Venezuela, a Líbia ou Angola, por exemplo. Só Hugo Chavez comprou um milhão de computadores à JP Sá Couto.”
(…)
“A Microsoft diz no seu site que “a disponibilização de licenças do seu mais recente software foi feita a custo reduzido.”
No que respeita ao combate à infoexclusão, o programa Magalhães é um rotundo sucesso, merecidamente citado enquanto tal por várias entidades internacionais. Mas esse sucesso não nos deve fazer esquecer os seus erros e lacunas, especialmente porque este programa não pode estar esgotado e tem que ser renovado todos os anos, entregando novos computadores às crianças que todos os anos ingressam no sistema de ensino.
São vários os pontos de falha que encontramos no “Magalhães”:
1. A Intel é a detentora em mais de 90% do mercado mundial de processadores. O “Magalhães” é uma variante do seu computador “Classmate” que a multinacional norte-americana tem procurado vender em todo o mundo, esmagando sem grande pudor os seus adversários, como o “One Laptop per Children” (OLPC) da fundação não-lucrativa de Negroponte, um prestigiado académico, que optou por equipar os seus computadores não com o processador da Intel, mas com um processador da sua derradeira rival sobrevivente, a AMD. O OLPC corre também uma variante do Linux, enquanto que os clones Classmate, como o “nosso” Magalhães são concebidos para correr os sistemas operativos de outra multinacional norte-americana: a Microsoft.
2. Como sucede tantas outras vezes: o Governo português não soube estar à altura da dignidade do Estado que representa nas negociações com a Intel e a Microsoft. O Primeiro-Ministro José Sócrates não hesitou em fazer-se fotografar assinando protocolos com executivos de segundo plano das empresas americanas, quando para preservar a dignidade do Estado que representa devia ter deixado essa oportunidade para um diretor geral ou – no máximo – para um Secretário de Estado. E sobretudo, a consagração contratual que seriam os nossos impostos a financiar as campanhas de marketing de duas muito prósperas multinacionais norte-americanas é – no mínimo – patética! Não basta já pagar a estas cada componente e licença vendida, mas também temos que pagar e fazer marketing a seu favor no estrangeiro! É como se quando comprássemos um apartamento, ficássemos também com a obrigação contratual de vender os outros que o construtor ainda não conseguiu vender! Ridículo!
3. Por fim, não compreendo porque todos os Magalhães têm que ter cópias do sistema operativo comercial da Microsoft e do seu Office. É certo que a distro de Linux portuguesa também está presente em cada Magalhães, mas porque pagar mais (mais do que um cêntimo) por um sistema operativo comercial quando um gratuito já está instalado nele? Que interesses servis se cumprem aqui? Compreende-se bem o interesse da Microsoft em arregimentar futuros utilizadores dos seus sistemas inseguros, instáveis e caros (veja o preço da nova versão do Vista: Windows 7), mas é difícil perceber porque é que os Magalhães não foram entregues com o Caixa Mágica e a versão gratuita de Office conhecida como “OpenOffice”. Difícil, a menos que se quisesse mesmo dar dinheiro do Estado à Multinacional americana a todo o custo…
Fonte:
Luís Rosa
Jornal Sol, de 18 de dezembro de 2009
Enquanto que o ensino superior na Índia se torna ano após ano, cada vez mais prestigiado e reconhecido em virtude dos seus elevados níveis de exigência, na Europa parte-se para o caminho exatamente oposto: um que pode ser confundido com o… facilitismo. Na Dinamarca, por exemplo, os estudantes que estejam no último exame do Secundário, poderão consultar fontes na Internet.
A teoria é que os alunos serão suficientemente honestos para acederem à Internet sem copiarem. Teoricamente, chats e correio eletrónico, serão proibidos durante o exame, mas será permitido o acesso a qualquer página na Internet. Já há alguns anos que os alunos dinamarqueses podem entregar os seus exames através do computador (sem papel), este é contudo um passo completamente radical…
É verdade que tal medida tem que ser feita numa sociedade com elevados padrões de civismo, já que é impossível garantir copy-pastes massivos ou copianços clássicos feitos com a “acessoria” de “consultores” do outro lado de uma sessão de chat… Por isso, o sucesso de uma medida como esta depende em grande medida da consciência cívica dos alunos, mas tem a grande potencialidade de potenciar estes para uma das atividades que hoje é mais importante: a capacidade de encontrar informação relevante e útil. Mas será que isso compensa o risco desta medida em criar ainda mais facilitismo, num sistema de ensino (europeu) que já não é um dos mais exigentes do mundo?
A perigosa via do facilitismo é aqui um risco evidente e o prestígio imenso das universidades técnicas indianas parece apontar noutra direção: a da exigência. Mas se na Antiguidade era como encontrar entre os mais ilustres quem conhecesse de memória a Odisseia ou a Bíblia, isso tornou – apenas por isso – melhores essas sociedades? Será que a memorização massiva de números e nomes contribui para fazer cidadãos melhores e mais úteis à sociedade? Ou deixar aos estudantes a hipótese de encontrarem esses números na Internet enquanto simultaneamente se desenvolvem as suas capacidades de procura de informação na Internet será melhor opção?
Muitas vezes já escrevi aqui (e noutros locais) contra esses abusos de poder que são as “praxes universitárias”. Pessoalmente não tenho grandes histórias negativas para contar – ao contrário de muitos, sujeitos a humilhações e sevícias públicas – e isto apesar de passado por duas universidades distintas e por dois cursos diferentes (Direito e História) nunca fui praxado, e ainda bem para os praxadores que haveriam de levar uma resposta em forma…
Estes abusos – frequentemente tolerados pelas Academias – deviam ser proibidos enquanto puro abuso de poder que são. Neste sentido, a declaração do atual reitor da Universidade do Algarve que disse que os alunos da universidade tinham sido avisados de que não seriam tolerados abusos nas praxes é um passo na boa direção: “Julgo que é importante, neste início de ano lectivo e perante alguns excessos que têm existido na recepção aos novos alunos, que essa questão seja colocada na ordem da vida das instituições de ensino superior”, declarou João Guerreiro.
O próprio ministro Mariano Gago já se pronunciou recentemente sobre o tema das praxes académicas, no mesmo sentido. Falta agora ação, além de palavras. Não são precisa mais leis, o que faz falta é que as reitorias deixem de fechar os praticas degradantes para a condição humana, sevícias aplicadas por alunos mais velhos e frequentemente improdutivos e parasitários das instituições, arrastando-se durante décadas em Cursos pagos com dinheiros públicos e agindo com prepotência e com a cobertura pífia ou assumida de associações académicas que não passam de alforjes para novas gerações de “boys” partidários.
Chame-se a polícia, abram-se processos cíveis ou crime, faça-se funcionar o sistema de Justiça e acabe-se com o clima de impunidade atual e à sombra do qual floresce esta gentalha que passeia a sua mediocridade sob capas académicas e que se exprime pela extrema boçalidade do seu comportamento. E que se responsabilizem também criminalmente os reitores que deixam ocorrer tais práticas no seu espaço e veremos como esta prática retrógrada e desumanizante desaparece sozinha…
A conhecida distro de Linux portuguesa Caixa Mágica está a colaborar com o governo de São Tomé e Príncipe numa adaptação da suite de Office de código livre OpenOffice especialmente concebida para a Administração Pública desse país lusófono.
O projeto tem o título “STP Office” e está a ser desenvolvido em Portugal numa parceria entre o instituto de tecnologias de São Tomé e Príncipe e a Caixa Mágica e foi lançado em 2 de outubro em São Tomé e Príncipe com o apoio do governo deste país lusófono.
Um projeto como o do “STP Office” irá libertar o país africano das pesadas fees e custos associados aos produtos do gigante norte-americano Microsoft. Ao manter locais os recursos de desenvolvimento, potencia também a erupção e manutenção de uma camada de informáticos em Portugal e São Tomé, em vez de alimentar programadores nos EUA ou na Índia tendo sempre em direta conta as especificas necessidades da Administração Pública São Tomense. Um exemplo que já foi também seguido pelo governo brasileiro, mas onde Portugal se deixou ficar para trás, a troco de fúteis anúncios públicos em que os nossos governantes (Sócrates e Pinho, o Inefável) se rebaixaram e com eles, todo o país, na assinatura pública de protocolos inúteis com a multinacional norte-americana.
Todos estamos habituados a utilizar os sufixos “.com” e “.org” nos endereços dos sites que visitamos nos nossos web browsers (como o Internet Explorer ou o Mozilla Firefox). Ora, a partir de 2010, a entidade que regula o sistema de nomes de domínios na Internet, a “Internet Corporation for Assigned Names and Numbers” (ICANN) anunciou que iria disponibilizar novos endereços raiz, ou seja novos sufixos primários. Estes novos domínios primários irão cobrir todas as línguas e temáticas.
Com a tecnologia atual, a ICANN permite apenas a criação de domínios com carateres do alfabeto romano padrão, isto é, sem carateres especiais como ç ou á ou í. Ora segundo o diretor de comunicação do ICANN, Brad White a organização vai abrir essa possibilidade a partir da segunda metade de 2010.
A lista de nomes de domínio de topo (DNS) é já relativamente extensa, contendo mais de duas centenas de nomes, para alem dois muito conhecidos .com, .org ou .edu, (respetivamente, “empresas COMerciais”, “ORGanizações” não-lucrativas, “EDUcação)”. A maioria, contudo, designa países como .pt para Portugal, .br para Brasil ou .ao para Angola
Ora é esta lista restrita que se vai abrir em 2010. A partir de então, particulares, empresas e associações e instituições poderão candidatar-se a novos domínios de raiz, quer com objetivos meramente comerciais, por exemplo, empresas como a Nokia, poderão requerer um domínio-raíz “.nokia” e particulares algo como “.nome” de forma a registarem domínios como “billgates”, sem o www (que já aliás já não é necessário) e até sem o “.com” (deselegante se se trata de um site pessoal).
A partir de 2010, será possível propor um nome de domínio raiz novo à ICANN e por pagamento ainda a definir, usá-lo.
Proposta:
Tendo em conta que a partir de 2010, será possível submeter à ICANN novos nomes de domínios raiz, porque não aproveitar esta janela de oportunidade aberta precisamente no meio que mais pode unir os geograficamente dispersos povos da lusofonia, a Internet e propor um nome de domínio raiz lusófono? Porque não abordar a CPLP, que tem precisamente do domínio das tecnologias de informação uma das suas áreas de ação privilegiadas e propor (sob o nome e iniciativa da CPLP) a criação do nome “.luso”?
Com este novo nome de domínio raiz, entidades publicas (como a CPLP) ou privadas que operam comercialmente em vários países lusófonos, como a Portugal Telecom, a Embraer ou o… MIL: Movimento Internacional Lusófono, poderiam adotar domínios como www.telecom.luso, www.embraer.luso Ou www.movimentolusofono.luso.
A Comunidade Autónoma da Extremadura aderiu oficialmente ao acordo entre Portugal e Espanha que possibilita o ensino da língua portuguesa nessa Comunidade. Neste âmbito, o português será ensinado nas escolas da Estremadura por 14 professores portugueses enviados para Badajoz e 3 outros enviados para Cáceres.
O objetivo do governo autónomo é dentro de alguns anos, todos os alunos conheçam língua portuguesa. Do lado português, a situação recíproca está mais avançada, havendo perto de 60 mil alunos de castelhano em Portugal, muitos dos quais no ensino privado e fora de qualquer cobertura institucional, como sucede em Espanha.
A Extremadura coloca-se assim na vanguarda da aplicação deste acordo Luso-Espanhola, bem à frente da Galiza, onde a Xunta (recentemente transitada para o Partido Popular) se mantêm ainda no bífido terreno das promessas…
A introdução do ensino do português na Extremadura reveste-se de especial importância se tivermos em conta que é precisamente nesta Comunidade que se situam os 3 concelhos portugueses ocupados ilegalmente e ao arrepio de tratados internacionais nunca honrados por Espanha desde 1801. Badajoz situa-se muito próximo dos concelhos de Olivença e estes professores de português poderão contribuir para o renascimento da língua de Camões depois de séculos de repressão e de apoio isolado, mas abnegado por parte da associação local Além Guadiana.
A situação da língua portuguesa em Olivença é hoje dramática. Até aos começos da década de cinquenta, a maioria dos habitantes dos três concelhos ainda usavam o português de forma corrente e quotidiana. Mas por volta dessa época o Estado Espanhol começou a introduzir o castelhano, no ensino e na administração local. Usando métodos muito semelhantes à máscara do bilinguismo na Galiza, Madrid conseguiu reduzir a língua destes territórios portugueses ocupados a uma expressão praticamente museográfica. Na década de 60, todos os habitantes eram bilingues – antecipando a plena aculturação – e hoje em dia, em grande medida devido ao afluxo contínuo de colonos e de repressão linguística por parte do Estado central, o português quase desapareceu.
Existem muitos paralelismos entre os concelhos de Olivença e a presente situação da Galiza: o Bilinguismo, o poder do Ensino e da Administração Publica aplicado contra a língua local por parte dos espanholistas e a indução de mitos infundados e desprestigiantes que buscam associar na mente dos habitantes locais o uso do português à ruralidade e à incultura, são instrumentos que já conhecemos e que seguem hoje sendo aplicados na Galiza, sempre com o mesmo objetivo: aculturar a população local e substituir a língua portuguesa pelo castelhano.
Mariano Gago, o ministro português da Ciência e Tecnologia, afirmou que era intenção do seu Governo fundar um centro UNESCO para realizar formações avançadas (doutoramentos e pós-doutoramentos) para os países da CPLP.
O objetivo é o de permitir que os doutorados dos países da CPLP possam continuar os seus estudos noutros países da Comunidade. Especial tónica será dada ao ensino científico e a integração dos estudantes em projetos internacionais de investigação e desenvolvimento que permitam uma rápida passagem à atividade industrial quando regressarem aos seus países de origem. O projeto poderia ser a espinha dorsal de um “Erasmus Lusófono”, contribuir para criar a identidade de uma “cidadania lusófona” como aquela defendida pelo MIL NESTA petição e aumentar a colaboração entre estudantes e universidades lusófonas, complementando-as e permitindo a rentabilização dos investimentos já realizados.
(Teixeira de Pascoaes in http://img.photobucket.com)
Ao Povo Português: A Renascença Portuguesa
“A Renascença Portuguesa é uma associação de indivíduos cheios de esperança e fé na nossa Raça, na sua originalidade profunda, no seu poder criador duma nova civilização. Esta fé e esta esperança não resultam duma ilusão patriótica, mas do conhecimento verdadeiro da alma lusitana, a qual, devido a influencias estrangeiras de natureza política, artística, literária e sobretudo religiosa, se tem adulterado nos últimos séculos da nossa Historia perdendo o seu carácter, a sua fisionomia original e, portanto, as suas forças criadoras e progressivas.”
Assim como a Renascença Portuguesa tinha como órgão a revista “Águia”, também o MIL: Movimento Internacional Lusófono tem hoje na revista semestral “Nova Águia” o seu órgão… A terminologia “Raça”, empregue por Pascoaes não é atual, mas o sentido do termo permanece e a esperança na renovação de Portugal continua atual. Na grave situação económica e social que se vive hoje no mundo, e em particular, em Portugal há uma necessidade premente de reencontrar o destino nacional, de reformar em larga escala a estrutura e até o objetivo do Estado. Este reencontro de Portugal consigo mesmo não pode ser feito pela sua descaracterização e pela supressão do seu caracter identitário e pela adopção dos modelos norte-europeus de sociedade e de Cultura. A adopção de um projeto verdadeiramente nacional e polarizador é pois, urgente para assegurar a própria sobrevivência de Portugal nesta Europa cada vez mais federalista e anexadora e do país numa Globalização cujos efeitos
Assim, quando o filósofo declama contra as forças estrangeiras que procuram “normalizar” Portugal segundo os padrões europeus, toca o busílis da decadência do país: é a anulação da sua identidade que está na direta origem de uma decadência que começou com o único momento da sua Historia em que perdeu a sua independência (a dinastia filipina) e que se acentuou sempre que procurou “ser mais europeu, que os europeus”, rejeitando a sua própria alma ibérica e portuguesa em favor de um “espírito europeu” desprovido de sentimentos ou de alma que oferece ao Homem a crua e fria realidade dos números e das padronizações e normalizações ad absurdum tão do agrado do espirito germânico, mas tão avessas à tradição individualista e libertaria da Península.
De entre todas estas influencias exógenas e negativas, aquelas a que Teixeira de Pascoaes dá mais relevância não são aquelas que no moderno espírito positivista e materialista atual poderíamos escolher: não são nem as influencias sociais, nem as políticas, nem as económicas… São as influencias religiosas que mais contribuíram para a perda do caracter português e para a adulteração da nossa especifica forma de encarar e de participar nas coisas do mundo. Esta perda da perspectiva portuguesa de ver a realidade que esteve tão viva em Quinhentos seria a explicação para a evaporação das forças criadoras em Portugal que já era tão visível no começo do século XX e que hoje é gritantemente patente, tamanha é a ausência de um projeto nacional verdadeiramente polarizador e potenciador das energias de Portugal e dos portugueses. Projeto este que julgamos reconhecer no MIL, verdadeira “Renascença Portuguesa” dos tempos contemporâneos e nos seus Princípios e Objetivos, desde a defesa de uma Descentralização municipalista, passando pela defesa das Economias Locais contra os pavores da Globalização e pela proposta de uma “União Lusófona” que multiplique os efeitos benéficos da CPLP e a torne numa alternativa mundial às formas atuais de organização do Estado e das relações internacionais fundadas na força e no poder económico.
“O fim da Renascença Lusitana é combater as influências contrárias ao nosso carácter étnico, inimigas da nossa autonomia espiritual e provocar, por todos os meios de que se serve a inteligência humana, o aparecimento de novas forças morais orientadoras e educadoras do povo, que sejam essencialmente lusitanas, para que a alma desta bela Raça ressurja com as qualidades que lhe pertencem por nascimento, as quais, na Idade Média, lhe revelaram os segredos dos governos dos municípios”
A Educação do Povo assume assim um papel determinante no ressurgimento dessa adormecida alma nacional. Um movimento tão amplo, não pode portanto assentar de forma duradoura e resistente nas elites intelectuais ou económicas da Nação. Não só porque estas – na sua esmagadora maioria – estão arregimentadas pelos interesses de Paris ou de Roma, mas porque este movimento de reencontro consigo mesmo deve partir das bases e de um sentimento popular e este está entorpecido pelos resquícios da Educação castradora e bloqueadora do salazarismo e pela continuada descaracterizadora e hesitante educação do pós-vinte e cinco de abril. Entre os dois modelos – um minimalista e o outro laxista, importa ressuscitar a alma e os valores do Portugal das liberdades municipais que ergueu o essencial das energias criadoras que encontrariam a força para gerar esse movimento mundial chamado Descobrimentos. Nesse indispensável – para a sua sobrevivência – redescobrimento de Portugal em si mesmo, a Educação é pedra basilar, já que somente pela revolução interior de cada um de nós se poderá cumprir o Quinto Império, ou fim (pela concretização da “coisa perdida”) de Portugal e o seu reencontro com aquilo que a nova “Renascença Portuguesa”: o MIL haverá de cumprir no seu devido tempo.
Depois de algumas hesitações governamentais e de um receio de um recuo nítido após a vitória da direita nas últimas eleições regionais galegas, a notícia segundo a qual o presidente do Governo galego Alberto Núñez Feijóo se tinha comprometido a avaliar a presença da língua portuguesa como língua de opção nos currículos escolares da Galiza é uma boa surpresa.
O atual presidente do Governo galego fez estas declarações após uma reunião com o embaixador português Álvaro de Mendonça e Moura, que visitou a Galiza para estabelecer contactos com entidades públicas e privadas regionais e enquadra-se numa discreta, mas constante, pressão do Governo português no sentido de que o ensino do português seja introduzido nos programas escolares de várias regiões de Espanha, entre as quais a Galiza, a Catalunha e a Extremadura, onde se situa Olivença.
A inclusão do português nos programas espanhóis será facilitada agora que se multiplica a leccionação do castelhano – como opção – em Portugal, tendo o Governo antecipado assim a boa vontade espanhola para corresponder a esta abertura, esperando nós agora que a via seguida seja a correta.
E se em regiões como a Extremadura o português é já hoje opção então não se compreende que a lusófona Galiza esteja atrás no ensino do português naquela que é a verdadeira matriz linguística e cultural de Portugal. Isto mesmo admite Feijóo quando refere a existência de uma “relação especial” entre Portugal e a Galiza. O responsável máximo pelo governo galego afirma que a língua portuguesa é, com o inglês, uma das línguas mais importantes do mundo, desde logo porque se estima que até 2025 existam mais de 360 milhões de lusófonos no mundo, mais do que as duas línguas europeias mais faladas, juntas: o alemão e o francês.
A Galiza tem estado virada de costas para Portugal e Portugal, por sua triste vez, para a Galiza… Portugal, não tem sabido olhar para e pela Galiza, por imperativos da paralisante “prudência” e pelo medo da mudança características das elites políticas e intelectuais pelo menos desde a ascensão de Dom João III ao poder. A Galiza, por sua vez, tem sido vítima de um processo de centralização, colonização cultural e linguística, que, com o seu auge no Franquismo, ainda se faz hoje sentir de forma particularmente aguda, especialmente no domínio linguístico. É portanto um verdadeiro milagre que existam ainda hoje tantos lusófonos na Galiza, resistindo à pressão “imperialista” do castelhano hoje e sempre.
Enquanto subscritor da Petição “Não Destruam os Livros!”, lançada pelo MIL. MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, bem como da “Carta Aberta ao Primeiro-Ministro de Portugal”, que foi entretanto enviada aos órgãos de comunicação social, gostaria antes de mais de esclarecer que nada nos move contra ninguém em particular – a nossa única motivação é, como se diz no texto da Petição, “que as editoras nacionais, e em particular a Imprensa Nacional – casa da Moeda, não destruam as obras em questão, oferecendo-as antes às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estuda a língua e a cultura portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos”.
Feito este esclarecimento prévio, gostaria em primeiro lugar de manifestar a minha estranheza perante a notícia publicada na edição de hoje (Sexta, dia 3 / 7/ 09), notícia não assinada sobre a Imprensa Nacional – Casa da Moeda (cf. caderno 1, p. 17), de clara resposta à Petição e à Carta Aberta, sem que, contudo, nem a Petição nem a Carta Aberta seja referidas. Isto para além do facto da notícia ter numerosas semelhanças com uma outra surgida em Novembro de 2008 no JL, essa a respeito do surgimento da Agenda INCM para 2009.
Quanto à notícia propriamente dita, registamos que se mantém a possibilidade da destruição de livros. É esse o título da notícia: “Casa da Moeda pode ter que destruir livros”. Isto caso não se encontrem instituições disponíveis para “acolher as obras publicadas há mais de quatro anos e que não tiveram sucesso comercial”.
Ora, instituições disponíveis para acolher essas obras é o que, no espaço lusófono, não faltam. O que falta, tão-só, é vontade para as fazer chegar lá. Mas, para tanto, como se diz ainda no texto da Petição: “os Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (este através do Instituto Camões), bem como a TAP AIR Portugal, devem-se articular com as Editoras na estratégia da distribuição e transporte dos livros a nível nacional e internacional. Em vez de se destruir património precioso e insubstituível, esta é uma óptima oportunidade de se prestar um serviço à cultura e à educação nacionais, bem como de promover a cultura portuguesa no espaço lusófono e no mundo, tarefa por todos reconhecida como fundamental na qual o Estado não se tem empenhado devidamente.”
Ao contrário do se diz na notícia, os livros não são “feitos para ser vendidos”. Mas para ser lidos. Eis toda a diferença.
Depois de algumas hesitações governamentais e de um receio de um recuo nítido após a vitória da direita nas últimas eleições regionais galegas, a notícia segundo a qual o presidente do Governo galego Alberto Núñez Feijóo se tinha comprometido a avaliar a presença da língua portuguesa como língua de opção nos currículos escolares da Galiza é uma boa surpresa.
O atual presidente do Governo galego fez estas declarações após uma reunião com o embaixador português Álvaro de Mendonça e Moura, que visitou a Galiza para estabelecer contactos com entidades públicas e privadas regionais e enquadra-se numa discreta, mas constante, pressão do Governo português no sentido de que o ensino do português seja introduzido nos programas escolares de várias regiões de Espanha, entre as quais a Galiza, a Catalunha e a Extremadura, onde se situa Olivença.
A inclusão do português nos programas espanhóis será facilitada agora que se multiplica a lecionação do castelhano – como opção – em Portugal, tendo o Governo antecipado assim a boa vontade espanhola para corresponder a esta abertura, esperando nós agora que a via seguida seja a correta.
E se em regiões como a Extremadura o português é já hoje opção então não se compreende que a lusófona Galiza esteja atrás no ensino do português naquela que é a verdadeira matriz linguística e cultural de Portugal. Isto mesmo admite Feijóo quando refere a existência de uma “relação especial” entre Portugal e a Galiza. O responsável máximo pelo governo galego afirma que a língua portuguesa é, com o inglês, uma das línguas mais importantes do mundo, desde logo porque se estima que até 2025 existam mais de 360 milhões de lusófonos no mundo, mais do que as duas línguas europeias mais faladas, juntas: o alemão e o francês.
A Galiza tem estado virada de costas para Portugal e Portugal, por sua triste vez, para a Galiza… Portugal, não tem sabido olhar para e pela Galiza, por imperativos da paralisante “prudência” e pelo medo da mudança características das elites políticas e intelectuais pelo menos desde a ascensão de Dom João III ao poder. A Galiza, por sua vez, tem sido vítima de um processo de centralização, colonização cultural e linguística, que, com o seu auge no Franquismo, ainda se faz hoje sentir de forma particularmente aguda, especialmente no domínio linguístico. É portanto um verdadeiro milagre que existam ainda hoje tantos lusófonos na Galiza, resistindo à pressão “imperialista” do castelhano hoje e sempre.
Os actuais estatutos da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (DL 170/99, de 19 de Maio), na sequência do que faziam já os anteriores, incluem no seu objecto social “aedição de obras de relevante interesse cultural”, sendo, para esse efeito, a sua administração assistida por um Conselho Editorial, composto por “personalidades de reconhecida capacidade literária, artística e cultural” e ao qual compete “dar parecer sobre os aspectos literário, cultural e artístico da actividade editorial” da empresa.
Durante as três últimas décadas, que correspondem ao retomar de uma função editora que a antiga Imprensa Nacional longa e abundantemente exerceu no passado, sempre a actividade editorial da empresa pública INCM foi entendida, tanto pelas suas sucessivas administrações como pelas respectivas tutelas governamentais, como devendo revestir uma função supletiva relativamente à actividade, predominante e legitimamente comercial, das editoras privadas, função que revestia, inequivocamente, o carácter de serviço público e não de uma actividade que visasse, directamente, o lucro. Daí que, como o seu catálogo claramente ilustra, se tivesse concentrado na edição de obras de reconhecido interesse cultural, desde clássicos até obras fundamentais de ou sobre a cultura portuguesa, que, em regra, não interessam às editoras privadas, e em edições preparadas pelos melhores especialistas, cuidadosamente revistas, ainda que, muitas vezes, de escoamento lento, que poderia demorar décadas.
Era a importância cultural atribuída por lei ao serviço público que a INCM desempenhava no plano da edição que explicava não só que, durante duas décadas, os membros do seu Conselho Editorial fossem designados em Conselho de Ministros, sob proposta do membro do Governo responsável pela Cultura, como, ainda, que entre os seus membros se tivessem contado personalidades da envergadura intelectual de Fernando Gil, Jacinto e Eduardo Prado Coelho, Andrée Crabbé Rocha, Pedro Tamen, António Alçada Baptista, Fernando Moser, Francisco da Gama Caeiro, José Mattoso, José Augusto França, Aníbal Pinto de Castro, Ivo Castro, Luís Oliveira Ramos, António Machado Pires ou Manuel Villaverde Cabral.
Este entendimento sobre a função de serviço público da actividade editorial da INCM parece não ser partilhado pela sua actual administração, que, movida, porventura, por um ilegal e anti-estatutário intuito de reorientar aquela actividade num sentido predominante ou exclusivamente comercial, não só tem vindo a abrandar, progressiva e significativamente, o ritmo daquela mesma actividade, como suspendeu a publicação da 3ª série da revista cultural Prelo, e, num acto de barbárie cultural sem precedentes na empresa, admite agora, em cartas que está dirigindo aos seus editados ou respectivos herdeiros, vir a proceder à destruição de exemplares de obras cuja venda tenha tido pouca expressão nos últimos anos. Esta destruição não pouparia, sequer, alguns dos volumes que integram edições, em curso, de Obras Completas de autores como Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Adolfo Casais Monteiro, José Régio, Domingos Monteiro, Vitorino Nemésio, Tomaz de Figueiredo ou José Marinho, e, talvez, das edições críticas de Garrett, Eça ou Pessoa ou de clássicos como Hesíodo, Aristóteles, Aristófanes ou Plauto!
Seriamente preocupados com este inominável acto de barbárie cultural que se anuncia como um novo Fahrenheit 451, agora mais ecológico, já que substituiria o fogo pela guilhotina, os signatários vêm apelar para Vossa Excelência, Senhor Primeiro-Ministro, para que seja ordenado, imediatamente, que a lei e os estatutos da INCM sejam respeitados e a empresa, em vez de proceder à destruição de quaisquer obras, procure melhorar o seu sistema de vendas e mantenha e amplie o número de ofertas a bibliotecas públicas, escolares e universitárias portuguesas, tanto públicas como privadas, e dos restantes países lusófonos, de Goa e de Macau, e aos centros culturais portugueses no estrangeiro, designadamente em países em que existam emigrantes nacionais.
É esse, de resto, o teor da Petição “Não destruam os livros!”, que, em escassos dias, foi já subscrita por cerca de um milhar de pessoas, entre as quais se contam figuras muito relevantes da nossa Cultura: http://www.gopetition.com/online/28707.html
Num mundo em que o uso da Internet é cada vez mais ubíquo, o lançamento de uma aplicação gratuita dedicada a caçar plágios em trabalhos académicos merece toda a atenção… Trata-se do Approbo, que permite detetar frases ou textos inteiros que tenham sido copiados da Internet, denunciando o infrator ao professor e punindo este membro de uma geração de “repetidores” que a Internet deixou florescer como nunca. A aplicação não visa impedir o recurso a fontes públicas na construção de trabalhos académicos (o seu principal foco) mas impedir que estas sejam usadas de forma literal e acrítica, sem referência a fontes e permitindo a transformação das tarefas de um estudante nas de um mero copiador cego de textos da Internet.
O Approbo é instalado no computador (depois de sido carregado do site), depois, apresenta-se-lhe o texto a verificar e o programa devolve ocorrências de plágio que encontre na Internet, pouco depois. O programa resiste a mudanças simples de palavras e recorre ao Google e a outros motores de busca para realizar o essencial do seu trabalho.
O Approbo foi criado por uma empresa catalã de nome Symmetric e foi financiado completamente por várias instituições publicas.
Segundo a UNESCO, o português é – juntamente com o castelhano – a segunda língua com maior crescimento no planeta. Segundo a mesma fonte, a língua de Camões seria também a que teria maior potencial como uma “língua internacional”. O português é já atualmente a sexta língua mais falada em todo o mundo e entre todas as línguas europeias, a terceira, seguindo-se ao inglês e castelhano nessa exclusiva lista.
Embora existem diversos números, atualmente deverão existir já mais de 240 milhões de falantes de português, dispersos por todos os continentes, desde Macau a Timor, passando pelas Flores e Malaca até aos cinco países africanos de expressão oficial portuguesa e terminando no continental Brasil e nas dezenas de milhões de luso-falantes dispersos por todas as migrações das últimas décadas. O capital cultural e económico decorrente desta dispersão e desta extensão humana é tremendo e encontra poucas semelhanças no mundo sendo o “quinto império” efetivo dos poetas e dos profetas da lusitanidade.
A energia propulsora que o Brasil tem revelado nas últimas décadas explica em grande medida o sucesso presente e potencial do português. Na América do Sul, após meio século de tímida presença, o Brasil começa a tornar-se um polo de desenvolvimento, e a capacidade de um falante de português para compreender o castelhano com grande facilidade, enquanto que ao invés, tal é bem mais difícil, é outro factor de vantagem para a língua de Camões (ver, a este respeito os estudos de Roberto Moreno). Efetivamente, em países como o Uruguai, a Bolívia, o Paraguai, entre outros, o português começa a ser uma língua franca mercantil e começa até a ser lecionado nas escolas primárias como segunda língua (Uruguai).
A UNESCO estima que pelo facto de mais de metade da população da América do Sul ser capaz de se exprimir em português, que esta será a língua com maior potencial de crescimento como língua internacional, algo que é reforçado pela presença de Angola e Moçambique na África do Sul, já que em 2050, haverá mais de 80 milhões de luso-falantes em África, sendo boa parte deles habitantes de uma das economias africanas com maior potencial de desenvolvimento: Angola.
Na Ásia, a situação do português é menos sólida: Macau continua a ser um oásis de lusofonia no extremo oriente, e o facto do governo chinês ter escolhido o governo local com interlocutor privilegiado com a CPLP reforçou o papel lusófono de Macau, mas apesar disso, a língua continua a ser tão minoritária entre os chineses de Macau, como o era na época da presença portuguesa. Goa é um caso dramático, fruto do desinteresse de Lisboa e de um certo revanchismo do governo central indiano, já que o português é aqui falado apenas por algumas centenas de idosos que se recordam ainda da ocupação portuguesa de, terminada em 1961. Timor Lorosae bate-se com a interesseira força da influência do inglês australiano e da recordação bem viva da Indonésia, único país com quem partilha fronteiras terrestres e com quem consuma o essencial das suas relações económicas. Apesar destas dificuldades, graças a Timor e a Macau, o português não ira desaparecer tão rapidamente do oriente. Desde logo, porque muitos países da região têm interesses económicos na CPLP, a começar pela China que mantêm várias atividades em Angola e por quase todos, que importam alguma coisa dessa potência alimentar exportadora que é hoje o Brasil.
Verificando-se que editoras nacionais estão a proceder à desativação comercial dos livros não esgotados mediante a sua destruição, e que esta hipótese é igualmente contemplada pela editora do Estado português, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera isto um escandaloso crime de lesa-património, que vai fazer desaparecer muitos milhares de volumes preciosos da nossa cultura que, apesar do seu valor, não tiveram sucesso comercial junto do grande público.
Perante esta situação, o MIL apela a todos os cidadãos que assinem esta petição, exigindo que as editoras nacionais, e em particular a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, não destruam as obras em questão, oferecendo-as antes às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estude a Língua e a Cultura Portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos. Para tanto, os Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (este através do Instituto Camões), bem como a TAP AIR Portugal, devem-se articular com as Editoras na estratégia da distribuição e transporte dos livros a nível nacional e internacional.
Em vez de se destruir património precioso e insubstituível, esta é uma ótima oportunidade de se prestar um serviço à cultura e à educação nacionais, bem como de promover a cultura portuguesa no espaço lusófono e no mundo, tarefa por todos reconhecida como fundamental na qual o Estado não se tem empenhado devidamente.
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora
Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com quase um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.
Se concorda com esta petição, pedimos-lhe que a subscreva e publicite.
Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.
Entretanto, as outras 2 últimas Petições lançadas pelo MIL continuam on-line:
Depois de notícias que davam conta da expansão da língua portuguesa no Uruguai a partir de 2010 (ver AQUI), da possibilidade da utilização do português na Guiné Equatorial (ver AQUI) a notícia de que a língua de Camões passaria a ser ensinada, também, em escolas zambianas indica que a expansão da Lusofonia no mundo não só está para ficar, como que a sua força propulsora já não é a pátria-mãe da língua, Portugal, mas os próprios países que a adoptaram como sua língua oficial. No caso uruguaio, tal adopção decorre da influência brasileira, no caso zambiano, da influência angolana e no caso (mais polémico) da Guiné Equatorial da proximidade da Guiné-Bissau. Segundo o ministro zambiano da Educação, Ronald Mukuna, a introdução do português nos currículos escolares do Ensino Básico, poderia ocorrer já a breve prazo e permitiria estreitar ainda mais os laços económicos e culturais que unem estes dois países do Sul de África.
(Netbook “Magalhães” da JP Sá Couto em http://globpt.com)
Um protocolo recentemente assinado entre o Ministério da Educação e Ensino Superior de Cabo Verde e a empresa norte-americana Intel vai permitir que o projeto caboverdiano “Mundu Novo” utilize equipamentos Classmate, conhecidos em Portugal sob a designação “Magalhães”. Estes “netbook” são fabricados pela empresa portuguesa J. P. Sá Couto que introduziu modificações locais em parceria com a empresa portuguesa CEIIA introduzindo no Classmate um novo design, um écran de maiores dimensões, mais memória e opções de conectividade adicoonais como o 3G ou o WiMAX.
O programa caboverdiano inspira-se no “e-escolinhas” português e, como ele, ambiciona entregar aos alunos do ensino básico o computadores portáteis de baixo custo participando no “Mundu Novo” também o governo português que em março, aquando da visita de Sócrates a Cabo Verde terá oferecedo 60 “Magalhães” a alunos de duas escolas cabo-verdianas.
O plano é instalar uma ligação à Internet em todas as escolas do país lusófono até 2011 e disponibilizar mais de 150 mil “Netbooks”, dos quais, um número incerto será “Magalhães”.
Atualmente, existem contratos assinados de exportações do Netbook português para o Brasil e para a Venezuela, havendo negociações em curso com Angola e Líbia. Há também alguns contactos estabelecidos, segundo a administração da empresa portuguesa com Bélgica, Luxemburgo, Hungria, Roménia, Moçambique, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Macau e Cabo Verde.
Segundo um estudo patrocinado pela agência UNESCO em 2008 o mundo teria perdido três línguas: O Manx da Ilha de Man, o Ubykh na Turquia e o Eyak, no Alasca, com a morte dos últimos indivíduos que ainda eram capazes de falar estas línguas. Segundo a UNESCO, das 6900 línguas ainda vivas no planeta, pelo menos 2500 estão em riscos de desaparecimento. Este número representa um aumento preocupante em relação ao anterior relatório publicado em 2001, o qual contava “apenas” com 900 línguas em vias de extinção. Destas 2500 línguas, 199 são faladas por grupos inferiores a 12 pessoas ou ainda menos, como o Karaim na Ucrânia ou Wichita, uma língua índia do Oklahoma que é falada apenas por uma dezena de nativos americanos. Um segundo grupo de línguas, contendo 178 línguas está um pouco mais confortável, já que inclui línguas faladas por mais de 10 pessoas e menos de 150.
Em termos mundiais, o país onde existem mais línguas à beira da extinção é a Índia, que alberga 196 línguas ameaçadas destas 2500, seguida pouco depois pelos EUA, com 192 e pela Indonésia com 147… Ou seja, um dos países mais desenvolvidos do mundo, os EUA, é também tristemente um dos que menos apoio tem dado à sua própria riqueza linguística, fonte essencial de cultura, desenvolvimento e sustentáculo fundamental de qualquer sociedade humana verdadeiramente diversa e multicultural. Ironicamente, o país linguísticamente mais rico, a Papua Nova Guiné… onde se falam mais de 800 línguas é um dos menos ameaçados, com apenas 88 nesta lista de línguas em risco.
Nem tudo é mau, felizmente… Algumas línguas ameaçadas, como o Cornich, uma língua céltica falada na Cornualha (sul de Inglaterra) e o Sishee, na Nova Caledónia (Pacífico sul) saíram do grupo de risco. E o mesmo sucedeu noutros locais onde os governos deram o apoio necessário à sobrevivência de varias línguas ameaçadas. Este foi o caso do Peru e da Nova Zelândia, por exemplo, países que compreenderam a tempo que o processo descaracterizante e anulador da Globalização é também cultural e que somente pela resistência à imposição do inglês como “língua única”, os povos locais podem preservar a sua independência cultural, económica e política, porque sem uma língua nacional, não há nação e sem nação não poderá jamais haver uma Pátria com a qual as pessoas se possam identificar e com que possam partilhar sentimentos de pertença, abstraindo assim da sua mera existência quotidiana e banal.
O Sistema de Educação e o Trabalho em “Sanderson of Oundle”
Página 75
“E quererá também que toda a oficina passe a ser uma escola (…) que se não esmaguem as faculdades superiores do operário sob o peso e a monotonia de tarefas sem interesse e sem vida; que se faça a clara distinção entre o homem e a máquina; que, finalmente, se ajude o trabalhador a encontrar na sua ocupação, em todas as ideias que a cercam e a condicionam ou que ela própria provoca, o Bem Supremo da sua vida e da vida dos outros.”
A vertente prática do ensino da escola, a necessidade imperativa de transferir para a “oficina” (entendida aqui como o local onde se realiza o trabalho físico e material) a essência de um processo de aprendizagem, é um dos cernes fundamentais da visão agostiniana do sistema de educação. Em lugar de longos e densos programas curriculares, observamos aqui uma vontade de simplificar e de transferir da academia e das salas de aula para os locais de trabalho, para estágios práticos, para opções de estudo que dependem em primeiro lugar do particular interesse ou vocação dos alunos e bem menos de teóricas e abstractas visões pedagógicas.
Mas não são somente os alunos que devem partir para as “oficinas”… São também os trabalhadores das “oficinas” que devem partir para as escolas. Melhor ainda, são as escolas que devem entrar nas oficinas. Se os planos curriculares formais devem ser reduzidos à sua expressão para básica e fundamental, contemplando apenas o ensino da matemática, das artes e da língua portuguesa, num quadro que o Professor arquitectou num outro seu texto, então, todas as demais vertentes teóricas e práticas do conhecimento humano serão propagadas nos locais de trabalho, nas empresas, nas organizações públicas, nas associações sem fins lucrativos, nos diversos órgãos de soberania e do Estado. Estes estágios práticos farão com que existam cruzamentos de experiências nestas “oficinas”, mutuamente frutuosos onde todos aprenderão com a multiplicação de experiência e saberes.
A segunda parte desta citação de Agostinho alude a outro dos pontos centrais da sua visão da sociedade futura: a supressão do trabalho repetitivo, mecânico e intrínsecamente desumano no Homem. Se a natureza soube encontrar para o Homem um cérebro, capaz de perguntar pela natureza das coisas e descobrir os processos que regem as suas relações, então o Homem tem o dever de o utilizar. É este cérebro, esta fonte de infinitas potencias criativas que não pode ser empregue de forma a reduzir a condição humana à de escravo, de simples, passivo e obediente executante de ações físicas repetitivas, que não requerem e que até coexistem mal com o pensamento, o raciocínio e a criatividade. Qualquer forma de Trabalho que implique a monotomia da sua ação, a repetição infinita de tarefas, divididas em minúsculas parcelas até um ponto de fragmentação tal que o operário perca a visão de conjunto daquilo que está de facto a produzir deve ser suprimida. Estas tarefas serão sempre mais eficazmente executadas pelas máquinas e hoje, a tecnologia cibernética e informática já consegue efetivamente fabricar engenhos capazes de satisfazer este tipo de necessidades das fábricas e dos escritórios. Libertos destas tarefas, os Homens poderão dedicar-se a tarefas mais úteis, produtivas e criativas. Não alude aqui Agostinho a uma criatividade especulativa pura já que acreditava “nunca ter havido filosofia portuguesa, com excepção de Espinosa”, sem contudo a excluir explicitamente. Nesta passagem do texto agostiniano há – acreditamos nós – uma referência a um tipo de criatividade e engenho de pensamento prático “todas as ideias que o cercam” e que se é exercido no âmbito concreto e prático que rodeia o ambiente laboral onde o Homem se movimenta. Se o trabalho for consistente com a vocação e o interesse pessoal do trabalhador. Se este se sentir identificado e realizado no seu local de trabalho e se neste existirem condições para que exista um clima propício para a criatividade esta acabará por natural florescer e de fazer desenvolver os seus frutos, aumentando a eficácia e encontrando novos processos mais produtivos que aumentem a saúde económica das suas organizações, produzindo simultaneamente trabalhadores motivados e seres humanos realizados.
PROFESSO SE NEGA A DAR AULA PARA OLUNO COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Governo do Paraná abrirá edital para contratar tradutor. Secretaria diz que tem 398 tradutores de Libras na rede. Um professor de inglês do Colégio Estadual Helena Kolody, no bairro Jardim Monza, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, recusa-se a dar aula para uma turma da 5ª série que possui um aluno surdo.
A diretoria da escola foi comunicada pelo professor na semana passada. A Secretaria de Estado da Educação (Seed) vai publicar um edital em caráter emergencial para a contratação de um tradutor de Libras (linguagem de sinais).
O caso revoltou a mãe do estudante de 11 anos. Segundo ela, até o ano passado o filho estudava em uma escola especial. Neste ano, quando ele ingressou na 5ª série, a opção foi por matriculá-lo em uma escola regular. (O Globo)
Uma equipa mista, composta por arqueólogos egípcios e espanhóis descobriu em Luxor uma câmara funerária com mais de três mil e quinhentos anos. O túmulo enquadra-se na necrópole de Dra’Abu el-Naga e está ainda completamente coberto com pinturas alusivas a cenas do Livro dos Mortos. Sendo até ao momento apenas o quarto túmulo deste género com pinturas descoberto até hoje.
O túmulo pertence ao escriba real Dhehuty que acumulou essas funções com a de responsável do Tesouro egípcio durante o reinado da rainha-faráo Hatshepsut e a singularidade decorativa do túmulo exprime a importância que a figura detinha no poder egípcio da época.
O túmulo terá sido um dos primeiros que na civilização egípcia a ser completamente decorado com pinturas. Numa segunda divisão os arqueólogos encontraram um par de brincos de ouro, que pode ter pertencido ao próprio Djehuty, de acordo com a moda da época e que escapou à atenção dos saqueadores que esvaziaram o túmulo do escriba.
As paredes do túmulo estão decoradas com passagens do Livro dos Mortos e o tecto com uma figuração da deusa Nut, com os braços abertos, como é habitual.
Esta descoberta, assim como aquela outra de um retrato quinhentista até agora desconhecido de Leonardo da Vinci expõe com evidencia que neste mundo, tão batido, tão reconhecido e explorado, persistem ainda descobertas extraordinárias por fazer e que a capacidade de nos espantarmos com elas não chegou ainda ao fim… Assim se mantenha viva a chama da investigação cientifica e da curiosidade humana e que esta consiga sobreviver à “ditadura económica” que hoje começa a evaporar seriamente a maioria das instituições de ensino que ainda patrocinam estes trabalhos… E onde inevitavelmente estão ausentes as universidades públicas portuguesas (que vegetam em orçamentos apertados que mal pagam os custos com pessoal) e as privadas (concentradas em formar advogados e gestores de empresa por atacado), para grande infelicidade do progresso científico em Portugal e para maior exposição da falta de visão e estratégia dos nossos governantes.
“No final da 1ª Guerra Mundial (1914-18) surgem na Europa vários movimentos pedagógicos, na procura de uma educação abrangente, justa, que permita ao indivíduo realizar-se em plenitude, nas suas qualidades física, psíquica e espiritual, na certeza de ser essa a via que conduz o Homem ao desenvolvimento de uma consciência alargada, de uma afectividade equilibrada e de um actuar correcto. Rudolf Steiner (Áustria 1861-Suiça 1925) lança os fundamentos de uma pedagogia extraída do conhecimento da natureza humana, onde, quer o currículo, quer a prática pedagógica se orientam pelas qualidades e necessidades do ser humano em cada uma das suas fases de crescimento. (…) uma pedagogia centrada no pleno desenvolvimento do Homem, independentemente da função que ele vier a desempenhar na sociedade”.