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“O maior aprofundamento económico tem a ver com a falta de impulsionamento político e neste momento o único país que teria as melhores condições para o fazer seria o Brasil, Portugal está sob resgate internacional, ou seja na melhor da hipóteses Portugal só poderá ter algum espaço de manobra a partir de 2014 e é preciso que não hajam complicações até lá. Creio que o Brasil a classe política brasileira já “pendeu” sob influência germânica e francófona, para não dizer outra coisa.”
- Não tenho dúvidas de que o apelo lusófono entre a maioria dos quadros políticos e até da elite inteletual brasileira é muito fraco. Gostaria que fosse de outra forma, considero que o Brasil é o primeiro a perder com esta deriva isolacionista e solipsista, mas as coisas são como são e não como gostaríamos que fossem. Isso não quer dizer que devemos desistir de trazer de volta o Brasil para o espaço lusófono: pelo contrário tais dificuldades devem fazer-nos preserverar… este mesmo blogue testemunha a existência de muitos brasileiros convictos no destino lusófono do Brasil o que anima nessa senda. Agora não excluo que a almejada “União Lusófona” se faça primeiro com Cabo Verde ou com Angola antes de com o Brasil.
“Está claro que a esses países não lhes interessa o ressurgimento de uma força lusófona no mundo e estão usando tudo o que está ao seu alcance para que isso não aconteça, nomeadamente enlaçando o Brasil em parcerias económicas e pior que isso militares no caso da França, é evidente que alguém está ganhando com isso…”
- E o próprio Brasil se sente seduzido por esse namoro das grandes potencias… é bom para o ego brasileiro, sem dúvida, mas afastando-o dos seus irmãos lusófonos enfraquecem o Brasil e afastam-no dos seus aliados naturais.
“Se estamos esperando que o Brasil assuma esse papel de locomotiva lusófona neste momento, podemos esperar sentados como se diz na gíria. Portanto caberá sempre a Portugal empreender essa tarefa, porque embora neste momento haja na classe política portuguesa quem se deixe “seduzir” pelo eixo franco-germânico, haverá sempre também quem assuma o nosso papel histórico no mundo e ambicione sempre ir mais além, ao contrário do que vejo na elite política brasileira infelizmente.”
- Concordo. Receio bem que os tempos para que o Brasil assuma uma posição de liderança na erecção de uma União Lusófona ainda não tenham chegado. Existe muito pouca consciência lusófona na maioria dos brasileiros, isto é, na sua maioria nao sabem nem querem saber que pertencem a uma realidade cultural e linguística que transcende a sua própria nacionalidade. Existe um pouco mais (mas em crescendo) desse sentimento em Portugal, Cabo Verde e Angola e menos, nos outros países lusófonos. Mas é um processo… requer tempo, paciência e muita divulgação. É isso que tento fazer no Quintus, com muita paciência e insistência, minha e dos leitores do Quintus, aos quais agradeço muito a sua paciência para me aturarem nesta caminhada tantas vezes solitária, mas agora mais acompanhada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.
“Essa tarefa será feita a dúvida é quando e geralmente as nações movem-se sempre por três motivos, o financeiro, comercial e económico. Se Portugal se vir forçado pela pressão da conjuntura financeira internacional, e quando falo em pressão da conjuntura financeira internacional, estou falando dos dois pólos aglutinantes e que realmente influem no mundo económico, comercial e financeiro, ou seja Wall Street e a “City ” de Londres, ambos trabalhando arduamente para que o domínio anglo-saxónico no mundo continue a prevalecer, a pedir o segundo resgate ao FMI e ao BCE (ao que parece estão à “vontade” para emprestar novamente), então a classe política portuguesa que vier a seguir (esta que está no poder terá os seus dias contados) terá que equacionar seriamente e rapidamente alternativas ao projecto europeu.
Não uma saída da UE ou do euro, porque isso seria um erro estratégico enorme, mas sim promover um contra-balanço ao projecto europeu a partir do Atlântico.
Terá de ser uma estratégia inteligentemente elaborada tendo em conta que teremos de arranjar uma solução alternativa de sustentabilidade, estando inseridos na UE, não será fácil mas não é nada que uma equipa com as melhores pessoas capazes e com experiência internacional em áreas chave e não só na economia, mas também na jurisdição internacional, relações internacionais, comércio, defesa, engenharia e tecnologia, etc…
Uma equipa de alto nível trabalhando juntando sinergias durante apenas um mês, traria a solução ideal para que Portugal estando na UE, pudesse estabelecer outras diretrizes no sentido do a aprofundamento da linha lusófona e o seu enquadramento real na convivência com as outras potências actuais e emergentes da Ásia.
De certa maneira um segundo resgate faria com que o problema de fundo de Portugal saísse da esfera estritamente partidária e política e teria, aliás o povo exigiria que fosse debatido na sociedade civil.
Certo dia perguntaram a alguém porque razão Portugal não avançava, essa pessoa sábia respondeu “enquanto as melhores pessoas de facto deste país não forem discutir durante uma semana para as minas de Jales o que há para discutir, nunca avançaremos”.
- Dizem que todas as crise encerram em si a sua própria solução, conforme nos recorda o ideograma chinês para a palavra. Não é exceção com aquela que já é a mais profunda crise financeira dos últimos cem anos. Nunca se registou uma queda tão grande no nível de vida dos portugueses, nunca se perderam tão depressa tantos direitos sociais, nunca se evaporou tão depressa o tecido produtivo e empresarial. A gravidade excecional da situação em que vivemos colocou em causa o grande paradigma das ultimas décadas: a convergência europeia. Com efeito, só uma opção extra-europeia pode alavancar a recuperação de Portugal desta situação crítica em que hoje se encontra. E a promoção desta opção é hoje a grande prioridade do MIL.
Fonte:
http://ogrunho.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=26204&action=edit
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