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Manuel Alegre e a presença militar portuguesa no Afeganistão e na Guiné-Bissau


(Severiano Teixeira passa revista a militares da Polícia Aérea no Afeganistão em http://www.tvi24.iol.pt)

Recentemente, Manuel Alegre emitiu críticas à postura da diplomacia portuguesa quanto à prioridade dada em relação ao Afeganistão frente a outras áreas que deviam estar mais altos nas prioridades da nossa diplomacia, referindo-se explicitamente à situação presentemente vivida na Guiné-Bissau e que daria azo à Petição em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau da lavra do ex-primeiro ministro Francisco Fadul e patrocinada pelo MIL. Manuel Alegre declarou que Portugal devia estar “mais atento à estabilização da Guiné” do que apressar-se em “embarcar em aventuras que nada têm a ver com a nossa tradição e a nossa história” e ainda que “Não tem sentido que, numa situação de crise que exige a mobilização dos nossos escassos recursos, o ministro da Defesa venha defender o reforço do envio de tropas portuguesas para o Afeganistão”.

Alegre referia-se à decisão de reforçar o contingente português em operação na dura guerra afegã contra os insurgentes talibãs que procuram reestabelecer um regime extremista islâmico nesse país do Médio Oriente, conhecido pela sua capacidade para colocar “impérios de joelhos”, desde o parta ao britânico, terminando no soviético, na década de oitenta. É certo que à primeira vista, os interesses portugueses no Afeganistão são muito laterais e secundários e prendem-se no essencial no cumprimento de deveres e obrigações para com os nossos parceiros na OTAN. É também certo que a situação na Guiné-Bissau é mais prioritária na defesa não somente dos interesses da Lusofonia, mas sobretudo, na melhor defesa dos interesses da populações locais contra as narcomáfias que efetivamente governam o país. Concordamos com Alegre na sua visão crítica das prioridades da nossa diplomacia e o papel muito passivo e demasiado discreto do MNE na preocupante crise guineense reflete a política errada e desnorteada de um Governo que ainda acredita que “Espanha” é a nossa prioridade e que ainda não percebeu que Portugal, se tem que sair deste marasmo social e económico em que está atolado à décadas só sairá agregando os seus esforços aos do Brasil e de Angola, alinhando ao seu lado, numa caminhada de desenvolvimento económico, social e político que torne a Lusofonia e nela, a CPLP, o modelo mundial de um novo de sociedades políticas e na primeira confederação trans-continental realmente democrática, anti-imperialista e paritária.

O antigo candidato presidencial tem ainda mais razão quando afirma que “É tanto mais absurdo quanto o mesmo ministro ainda recentemente afirmou recusar o investimento militar português em África, ainda que no quadro da CPLP. E no entanto a estabilização da situação militar e política na Guiné é muito mais importante e urgente para nós do que o Afeganistão” e que “em vez de embarcar em aventuras que nada têm a ver com a nossa tradição e a nossa História e muito menos com a nossa segurança, seria interessante que, no quadro da CPLP, em conjunto com Angola e Brasil, tomássemos iniciativas que valorizassem a nossa posição no Atlântico Sul. A Guiné seria um bom ponto de partida. Mas para isso era preciso definir outras prioridades para a política externa portuguesa. E pensar português”.

Defendemos que Portugal não deve estar ausente no Afeganistão. Não temos dúvidas que se um dia o Afeganistão regressar à tirania talibã, não somente o seu povo será novamente submetido a um dos regimes mais opressivos e inumanos da História, como o seu território tornará a servir de santuário para que terroristas lancem a partir daqui ataques contra civis em países ocidentais, não estando Portugal isento dessa posição de alvo, pela sua simples pertença à OTAN, pela sua situação como “país cristão” e, logo, “infiel” aos olhos destes radicais e até porque nalgumas declarações de responsáveis da Al Qaeda a Península Ibérica surge como “terra islâmica” que há que recuperar.

Fontes:
http://www.micportugal.org/index.htm?no=10001363
http://www.manuelalegre.com

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Sobre a PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU e da disponibilidade brasileira

Francisco Fadul

Francisco Fadul em http://www.africanidade.com

O Brasil mostrou-se disponível para enviar forças militares para a Guiné-Bissau, o conturbado país lusófono da África Ocidental que mereceu ao MIL: Movimento Internacional Lusófono a sua mais recente petição: PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU redigida pelo antigo Primeiro-Ministro Francisco Fadul. A disponibilidade brasileira contrasta com o gritante silêncio da diplomacia portuguesa e revela que o Brasil de hoje já está muito longe desse gigante adormecido com que muitos se habituaram a contar… A disponibilidade brasileira depende de um mandato expresso da ONU, afirmou o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim. Contudo, não podemos deixar de observar alguns vícios de um passado excessivamente não-intervencionista quando o Ministro acrescentou que “o Brasil não realiza operações para fazer a paz. O Brasil participa de operações de manutenção de paz e esta distinção é fundamental“, esclarecendo ainda melhor a sua posição: “Uma coisa é ter força militar para intervir num determinado país para forçar a se fazer a paz, que é a doutrina americana de Bush. Nós não participamos dessa operação, nós participamos de manutenção de paz, essa é a política brasileira“.

Ou seja, no atual cenário guineense haverá condições para assistir a uma presença militar brasileira? Formalmente, existe “paz”, já que não decorre no país nenhum conflito militar aberto, nem as fronteiras da Guiné-Bissau estão hoje mais ameaçadas do que estavam ontem… Mas poderemos falar realmente de paz, quando pessoas como o presidente do Tribunal de Contas guineense (Francisco Fadul) são atacadas na sua própria casa, vêm a sua família agredida e são literalmente baionetados, poucos dias depois do próprio Presidente da República, Nino Vieira, ter sido morto – também por militares ligados a máfias de narcotraficantes colombianos – perante a suspeita passividade assassina da sua “Guarda Presidencial” (selecionada entre as fileiras do exército pelo… Estado-Maior)?

E haverá tempo para esperar pela lenta, burocrática e ineficiente ONU? Porque não se utiliza a tão silenciosa e passiva CPLP como plataforma para uma solução policial-militar que coloque na Guiné-Bissau não forças suspeitas de parcialidade ou de fidelidade por interesses regionais ou económicos mais ou menos evidentes, como a Nigéria, o Senegal ou o Paquistão e se coloca na Guiné-Bissau, um grupo de soldados brasileiros e portugueses bem enquadrados, melhor apoiados e suportados por uma comunidade linguística e cultural rara e se contribui para a instauração na Guiné-Bissau do protectorado internacional defendido por Francisco Fadul e se põe fim a esse paraíso do narcotráfico na África Ocidental, que é hoje este país lusófono? Perante um tão grave e profundo desagregar da autoridade e da própria figura do Estado, haverá ainda tempo e paciência para os pudores não-intervencionistas defendidos por Nelson Jobim???

Fonte:
http://noticias.planetaportugal.com/actualidade/guine-bissau-brasil-disponivel-para-enviar-tropas-se-houver-decisao-da-onu

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PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU

A República da Guiné-Bissau, na África Ocidental, é um país multiplamente rico em História, recursos naturais e diversidade étnica, membro da CPLP, da UEMOA, da CEDEAO, da Francofonia, da União Africana e da ONU, além dos ACP, do MNA e da OCI.

Tendo acedido à independência em 1974, este país Lusófono vem sendo ciclicamente palco de erupções violentas e sangrentas, da responsabilidade de agentes do Estado desviados para comportamentos criminosos, bárbaros, denunciadores de um poder paralelo arrogante, usurpador, anti-social e contra-natura, que sitia o Estado, as personalidades e as instituições; impõe-se de forma ostensivamente grosseira à Comunidade Internacional; desafia os valores universalmente aceites pela Consciência Humana no século XXI; e favorece o narcotráfico e o terrorismo de Estado.

Assim, face à total falência do Estado, na Guiné-Bissau nos seus vários vectores, designadamente no político ou de organização do poder, no económico, no administrativo, no social, no da ordem e no da justiça;

Em prol da construção de um Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau, para a exequibilidade da ordem, da segurança e do bem-estar sociais; para a realização da paz, da cidadania e do desenvolvimento; e para o respeito do mínimo ético-filosófico da sociedade contemporânea;

Pedimos e exortamos a todos os homens e mulheres ciosos da preservação da património civilizacional da Humanidade e a todos os Estados do mundo, em particular os Estados Lusófonos, que repudiem energicamente a situação vertente na Guiné-Bissau e accionem os dispositivos pertinentes da Carta das Nações Unidas com vista ao envio imediato de uma força multinacional de paz suficiente para assegurar, durante dez anos prorrogáveis, a conformidade do Estado com os seus fins próprios, bem como o saneamento, formação e disciplina cívica e democrática das Forças de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau.

1º Subscritor: Francisco José Fadul
Ex-Primeiro-Ministro e actual Presidente do Tribunal de Contas da Guiné-Bissau

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

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COMUNICADO DO MIL SOBRE A SITUAÇÃO DA GUINÉ-BISSAU

Os assassinatos do Presidente Nino Vieira e do Chefe Geral das Forças Armadas, Tagmé Na Waie, vêm acentuar de forma dramática mais um grave período de instabilidade na República da Guiné-Bissau.


Todos os povos e Governos da CPLP devem aproveitar estes acontecimentos trágicos para ajudar os irmãos guineenses a construir um verdadeiro Estado de Direito, eliminando de forma definitiva a imagem de Narco-Estado que infelizmente tem sido a da Guiné-Bissau, nos últimos anos.


Nessa medida, o MIL congratula-se com a manifestação de governos de países da CPLP no sentido de se empenharem no auxílio imediato aos irmãos guineenses de modo a evitar que a situação se degrade ainda mais.
Esse auxílio deverá, a nosso ver, concretizar-se em todos os planos: humanitário (através do envio de bens essenciais), cívico (principalmente nas áreas da educação e saúde), económico (através de um Fundo a criar no âmbito da CPLP) e, ainda, no plano da segurança interna. A este respeito, o MIL recorda a Petição “POR UMA FORÇA LUSÓFONA DE MANUTENÇÃO DE PAZ”, por si lançada, precisamente para responder a situações como esta que se vive na Guiné-Bissau.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com mais de oito centenas de adesões, de todos os países lusófonos.


A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).


A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (
www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

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O presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira é assassinado e sobre a Força Lusófona de Manutenção de Paz

(militares guineenses em http://www.bbc.co.uk)

O morte do presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, vem confirmar o estado desesperado em que se encontra esta nação luśofona… Nino Vieira teria sido morto nesta madrugada de 2 de março de 2009, por um grupo de militares ligados ao falecido Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas guineenses, o general João Tagme Na Waie, que teria falecido na explosão de uma bomba detonada por controlo remoto e que destruiu por completo o edifício onde se encontra instalado o Estado-Maior. Nino Vieira teria sido assassinado ao tentar abrigar-se na embaixada do Brasil.

Nino Veira tinha sido afastado do poder – depois de um acumular de rumores ligando-o e à sua mulher a esquemas de corrupção – em 1999, depois de um golpe de estado militar onde a Marinha portuguesa haveria de cumprir um papel muito mais ativo do que a História haverá alguma vez de registar. Eleito em meados de 2005, regressaria ao poder, abandonando o apoio do seu nebuloso amigo Valentim Loureiro, em Portugal e reassumindo a função presidencial.

A sua morte teria resultado de um ataque de forças militares à sua residência e teria resultado de uma reacção à morte do Chefe de Estado-Maior, onde se suspeita que Nino Veira teria sido o mandante e que no passado mês de janeiro já teria conseguido escapar a um atentado.

Em dezembro, Nino Vieira, tinha sobrevivido a um ataque à sua residência (uma sorte que não tiveram dois dos seus guardas) e apesar das garantias de controlo dadas pelo exército, a verdade é que durante toda a noite e parte da manhã se ouviram disparos de armas automáticas de RPGs em vários locais de Bissau.

A morte do seu corrupto presidente é apenas mais um passo na caminhada descendente que a Guiné-Bissau percorre desde a sua independência… Praticamente desprovida dos recursos naturais ao dispôr de outros países lusófonos, a Guiné depende quase em exclusivo das ajudas internacionais, sendo um dos exemplos mais acabados de “Estado-Falhado” do mundo. No último ano, os narcotraficantes colombianos tinham aproveitado esta falência do Estado para se instalarem impunemente no país e para o usarem como eixo de envio de narcóticos para a Europa, já que os controlos alfandegários europeus tendem a ser menos exigentes para voos vindos de África do que para aqueles que provêm da América do Sul. Havia bastos indícios que ligavam Nino Vieira e os seus elementos mais próximos no Exército e estes indivíduos que se movimentam livremente em pequenos aviões e SUVs numa Bissau onde qualquer sinal de riqueza é imediatamente notado. Torna-se evidente, até à exaustão que a Guiné-Bissau não tem atualmente condições para se governar sozinha. O presente caos pode ser decisivo para entregar o governo do país nas mãos das poderosas mafias colombianas que estão ativas no país… e a necessidade da presença de uma força militar lusófona, como ESTA cuja existência aqui defendemos torna-se cada vez mais evidente, uma estrutura lusófona que possa rapidamente intervir em qualquer perturbação no seio do espaço da CPLP, colmatando fragilidades locais e dissuadindo aventuras de vizinhos mais ávidos…

Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367365
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367294&idCanal=11
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Bernardo_Vieira

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A Espanha aumenta a sua participação na força “anti-pirataria” na Somália

A Espanha enviou um avião de patrulha Orion P-3 para a costa da Somália de forma a cumprir missões de apoio à atividade anti-pirataria que vários países estão agora a tentar executar nesta região, a pedido da ONU.

O avião espanhol vai operar a partir da base aérea francesa em Djibuti e vai reforçar o contingente multinacional composto por forças de 16 países (entre os quais a Espanha) que responderam a um apelo consubstanciado na Resolução número 1816 do Conselho de Segurança da ONU que permite que os países que a ela respondam possam entrar com os seus vasos de guerra nas águas territoriais da Somália. Os piratas somalis atacam navios mercantes praticamente todos os dias e ou capturam a carga ou exigem um resgate para a libertar, como sucedeu recentemente com um cargueiro transportando 33 tanques T-72.

É de uma Resolução idêntica e de uma força multinacional semelhante que a Guiné-Bissau precisa para fazer frente ao crescente poder dos narcotraficantes colombianos que usam as suas águas e portos como o maior entreposto atual para fazer chegar os seus produtos aos mercados europeus. Como a Somália, a Guiné-Bissau é um estado sem meios para fazer valer a sua soberania nas suas aguas territoriais, como ela, é um pais imerso num problema cujos ecos se fazem repercutir em muitos outros. Como a Somália, também já se ouviram vozes internas pedindo auxilio. Então, porque não se faz nada e porque é que ESTA força de paz lusófona não está já no terreno?

Fonte:

Air Forces Monthly, novembro de 2008

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Da situação na Guiné-Bissau e do Comunicado do MIL sobre a dita

(“Rua” em Bissau, Guiné-Bissau)
A Guiné-Bissau está a transformar-se muito rapidamente no primeiro narcoestado de África, sendo atualmente o principal ponto de passagem de cocaína entre a América Latina e o continente europeu, utilizando Portugal como entreposto. A transferência destas rotas para a Guiné-Bissau é uma resposta das poderosas máfias de narcotraficantes colombianas ao aumento da eficácia das operações de combate ao narcotráfico pelas polícias europeias e à especial atenção que merecem todos os viajantes e mercadorias que provêm da América do Sul.
A reduzida eficácia da polícia guineense, vítima de baixos padrões de treinamento, escasso pessoal, equipamento quase nulo e elevados níveis de corrupção potenciados pelos baixos salários e pela frequência no atraso do seu pagamento, criou as condições para que este tráfego prosperasse na Guiné a um ponto tal que a própria estrutura do débil Estado guineense ameaça ruir e transformar-se num verdadeiro “narcoestado” como a própria Colômbia ou o Panamá nunca chegaram a ser na década de 80. A polícia guineense não tem sequer gasolina para os seus quatro carros (estando dois avariados). Os traficantes construíram pistas de aterragem clandestinas para os seus aviões nas selvas e nas ilhas do litoral (de recordar que a Guiné-Bissau não tem força aérea).
A corrupção é endémica e contamina praticamente todos os níveis da administração, da polícia, do exército e do sistema judicial como exemplifica o “misterioso” desaparecimento de um carregamento de cocaína com 635 Kg feito pela polícia local que valeria 80 milhões de dólares (25% do PIB do país!) e mais tarde de 670 Kg onde foram presos – e soltos – dois colombianos (Juan Carlos Teran Figuera e Pedro Marin Vega) e um militar guineense membro do gabinete do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineenses. Num curto espaço de tempo, foi apreendida e perdida cocaína equivalente e metade do PIB anual do país, o que dá uma excelente medida da escala do problema guineense, assim como da impunidade e corrupção reinante, já que em ambos os casos a droga haveria de desaparecer e ninguém seria detido…
A droga parece chegar à Guiné-Bissau por via aérea a partir da Venezuela e do Brasil, seguindo depois sobretudo para Portugal, mas também para Espanha e Holanda.
O “Gabinete da ONU para o Combate à Droga e à Criminalidade” (UNDOC) A ONU já tem conhecimento oficial da situação de colapso da Guiné-Bissau e espera-se alguma movimentação do Conselho de Segurança nos próximos tempos. A ONU estima que a cocaína que entra em cada mês no país corresponda a todo o PIB anual (304 milhões de dólares) sendo que 25% de toda a cocaína consumida na Europa tem já hoje origem nesta antiga colónia portuguesa. Em Bissau observa-se um núcleo de “novos ricos”, alguns com evidente aparência sulamericana passeando-se pela capital e frequentando os restaurantes de luxo da capital guineense.
O transporte de droga é feita através do recurso a “mulas”, guineenses que transportam a cocaína em pequenas doses de cada vez que ingerem em “óvulos” feitas a partir de dedos de luvas de borracha e de contentores marítimos. Em Dezembro de 2006 32 destas “mulas guineenses” foram detectadas e detidas quando desembarcavam de um único voo vindo da Guiné-Bissau… O método é eficiente, já que ilude a detecção alfandegária e apenas o nervosismo do correio ou o colapso do “óvulo” no estômago do “mula”, com a consequente overdose e eventual morte chama a atenção das autoridades. Os colombianos que dominam o tráfego na Guiné ergueram empresas fictícias de exportação de atum e castanha de cajú e recorrendo a aviões ligeiros, lanchas rápidas e jipes transportam e armazenam a cocaína no país, que depois fazem transferir para a Europa, através da Portela, por via aérea recorrendo às “mulas” e a contentores cheios – supostamente – de atum e cajú.
A Guiné-Bissau não tem meios para obstar a estas máfias colombianas. O país não tem aviões ou helicópteros capazes de interceptar os aviões dos narcotraficantes, nem sequer radares aéreos. No mar, as três lentas lanchas de fiscalização oferecidas em 2004 por Portugal estão imobilizadas por falta de manutenção, e só agora Portugal vai assegurar a reparação destes navios guineenses. a Ministra da Justiça, Carmelita Pires, apelou a um “maior envolvimento das Nações Unidas neste combate” e destacou a “importância da ajuda portuguesa“. Na mesma entrevista à Lusa, a ministra acrescentou: “Temos seguido as posições do Conselho de Segurança da ONU, mas não vale a pena chorar sobre o leite derramado. É chegado o momento, perante as evidências, de uma intervenção mais eficaz no apoio aos que estão envolvidos neste combate, para que a ajuda tenha resultados concretos“, acrescentando: “certamente as Nações Unidas têm os seus expedientes e, perante os factos, devem posicionar-se de uma forma mais interventiva. Por isso, apelamos à comunidade internacional para que venha de uma forma mais eficaz, para que não fiquemos apenas a falar enquanto as coisas se complicam”, afirmou, reafirmando que o governo da Guiné-Bissau “vai continuar a assumir as suas responsabilidades“.
O afluxo de grandes quantidades de dinheiro a partir do tráfico de droga irá certamente refletir-se nas eleições legislativas que deverão ter lugar no próximo mês de Novembro, sendo de esperar que os narcotraficantes tentem financiar e influenciar um ou vários partidos políticos, de forma a obterem uma plataforma de apoio no Governo e de forma a manterem a relativa liberdade de que as suas atividades têm sido alvo. A ministra da Justiça da Guiné-Bissau admitiu que “as nossas capacidades de investigação são limitadas e, quando estamos limitados, não podemos ter a velocidade que desejávamos” e apelou à colaborações de instituições internacionais para constribuirem para o combate a este problema, tendo destacado a ajuda prestada pela Interpol, pelo FBI e pela DEA norte-americanas… Atualmente, estão na Guiné-Bissau alguns inspectores da Judiciária portuguesa, disponibilizando meios, prestando assessoria permanente e treinando a PJ guineense. Infelizmente, além da Polícia Judiciária portuguesa as demais unidades de investigação dos restantes países da CPLP estão ainda ausentes…
Por tudo isto, e por muito mais, o MIL: Movimento Internacional Lusófono emitiu recentemente o comunicado:

Em resposta ao recente apelo do presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela publicamente ao envio de uma força naval lusófona, alinhando meios de todos os países da CPLP, que os possam comprometer no sentido de estabelecer uma missão de patrulhamento nas águas territoriais e do ar nacionais guineenses, assim obstando à transformação gradual da Guiné-Bissau numa plataforma do tráfico de droga. Dada a não existência de marinha ou força aérea guineenses capazes de se oporem a essa situação, apelamos à constituição pela CPLP de uma força naval lusófona capaz de auxiliar o Estado guineense em relação a esta ameaça que questiona a sua própria existência.

Recordamos que o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO lançou no princípio deste ano a Petição POR UMA FORÇA LUSÓFONA DE MANUTENÇÃO DE PAZ.

http://www.petitiononline.com/mil1001/petition.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Comissão Coordenadora”
Publicado também na Nova Águia

http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=293203001

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COMUNICADO MIL SOBRE A ACTUAL SITUAÇÃO DA GUINÉ-BISSAU

Em resposta ao recente apelo do presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela publicamente ao envio de uma força naval lusófona, alinhando meios de todos os países da CPLP, que os possam comprometer no sentido de estabelecer uma missão de patrulhamento nas águas territoriais e do ar nacionais guineenses, assim obstando à transformação gradual da Guiné-Bissau numa plataforma do tráfico de droga. Dada a não existência de marinha ou força aérea guineenses capazes de se oporem a essa situação, apelamos à constituição pela CPLP de uma força naval lusófona capaz de auxiliar o Estado guineense em relação a esta ameaça que questiona a sua própria existência.

Recordamos que o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO lançou no princípio deste ano a Petição POR UMA FORÇA LUSÓFONA DE MANUTENÇÃO DE PAZ.

http://www.petitiononline.com/mil1001/petition.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora


Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, projecto que conta já com cerca de sete centenas de adesões, de todos os países lusófonos.

A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).

A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA(novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

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Portugal vai manter as lanchas de fiscalização guineenses

O ministro da Defesa português, Nuno Severiano Teixeira declarou que Portugal iria apoiar as 3 lanchas de fiscalização oferecidas a este pais lusófono em 2006 e que por falta de manutenção estavam inoperacionais.

A Guiné-Bissau é hoje o eixo principal do trafego de droga que leva estupefacientes desde a África Ocidental até à Europa do Sul e a inoperância da sua marinha de guerra assim como os elevados níveis de corrupção são os maiores problemas que têm que ser vencidos por este pais.

Ajudar a marinha guineense a repor o seu nível operacional é um passo, mas três lanchas dificilmente farão diferença contra os poderosos grupos mafiosos que operam na Guiné. Havendo como há, um interesse direto na disponibilização de meios no local, faria todo o sentido ver navios, helicópteros e aviões de patrulhamento oceânico dos países da CPLP a operar nas aguas guineenses. Infelizmente, não só não há, como não há movimentações nesse sentido… Suspeitam muitos que tal se deva mais a pressões das narco-mafias junto do governo guineense do que devido a quaisqueres pudores coloniais, especialmente porque essas missões poderiam ser asseguradas por meios brasileiros, insuspeitos desses temores… De qualquer forma, três lanchas funcionais sempre são melhores que nenhuma, que é o que temos atualmente.

É esta clamorosa necessidade guineense, que está efetivamente a potenciar a transformação da Guiné-Bissau num “Estado falhado”, ou pior ainda, num “narco Estado” que nos recorda a proposta para a criação de uma “força lusófona de manutenção de paz”, como defende o MIL: Movimento Internacional Lusófono nesta petição:

Isto no mais pleno cumprimento do ponto 5 da “Declaração de Princípios do MIL“:
“5 – A identidade e vocação histórico-cultural da comunidade lusófona terá expressão natural na União Lusófona, a qual, pelo aprofundamento das potencialidades da actual Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, constituirá uma força alternativa mundial, a nível cultural, social, político e económico.”

Publicado também na “Nova Águia

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